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A biodiversidade amazônica enfrenta grave risco

A biodiversidade é a grande variedade de vida na Terra. E em cada região do nosso planeta ela existe em formas múltiplas e extraordinárias. Dentre os benefícios, a biodiversidade é responsável por garantir o equilíbrio ambiental dos ecossistemas, o que conduz e reitera a nossa responsabilidade na tomada de medidas de preservação e conservação de espécies raras e ameaçadas de extinção.

Estimativas recentes mostram que temos cerca de 8.7 milhões de espécies eucarióticas* na Terra e 2.2 milhões no Oceano. No entanto, deste total temos descrito apenas 14% destas espécies terrestres e 9% das espécies do Oceano desde a criação do Sistema de Nomenclatura Binomial de Carolus Linnaeus em 1758, no qual o nome científico de uma espécie é formada pela combinação de dois termos, sendo um gênero e um descritor específico – por exemplo, o Homo sapiens Linnaeus 1758.

Na atual velocidade de descrição de espécies novas para ciência, ainda precisamos de aproximadamente 500 anos para concluir este trabalho, ou seja, descobrir estas 86% de espécies eucarióticas terrestres e 91% espécies oceânicas, como destaca Professor Robert May, “Nós somos surpreendentemente ignorantes sobre quantas espécies estão vivas hoje na terra, e ainda mais ignorantes sobre quantas podemos perder e ainda manter os serviços ecossistêmicos dos quais a humanidade depende em última instância”.

Psiguria ternata (M.Roem.) C.Jeffrey um novo registro de ocorrência no Estado do Acre. Coletada na Área de Proteção Ambiental do Lago do Amapá em Rio Branco pelo Professor Marcos Silveira e pesquisadores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e do Laboratório de Botânica e Ecologia Vegetal da UFAC. Esta planta é uma das espécies da família da melancia (Citrullus lanatus (Thunb.) Matsum. & Nakai), as Cucurbitaceae. Foto: M. Silveira

A Flora Brasileira, por exemplo, uma das mais bem estudadas do planeta, detém mais de 40.989 espécies de plantas com flores das quais 46,2% só ocorrem no Brasil, aumenta em 169 espécies de plantas com flores a cada ano, ou seja, são duas espécies novas para ciência descritas a cada dois dias. No Estado do Acre, as identificações botânicas realizadas em herbários sugerem que pelo menos uma em cada seis coletas realizadas em campo por botânicos deve ser um registro novo para o Estado ou ainda uma espécie nova para ciência. 

Dada a relevância de proteger a diversidade biológica, em 1972, esse assunto foi pauta durante a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano, em Estocolmo. Vinte anos depois, durante a ECO-92 Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), no Rio de Janeiro, foi estabelecida a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), em vigor desde 29 de dezembro de 1993.

Assinada por 194 países, dos quais 168 a ratificaram, incluindo o Brasil por meio do Decreto nº 2.519 de 16 de março de 1998, a Convenção tem por objetivo estabelecer as normas e princípios que devem reger o uso e a proteção da diversidade biológica em cada país signatário, dando as regras para o seu uso sustentável e a justa repartição dos benefícios provenientes do uso econômico dos recursos genéticos.

Na última Conferência das Partes, a COP14, das Nações Unidas sobre a CDB realizada no Egito em Novembro de 2018, dentre as 38 decisões adotadas durante CDB, a 14° que trata da Informação da Sequência Digital sobre os Recursos Genéticos da biodiversidade foi tema de destaque pelo Brasil, em especial, porque é um dos países cuja a legislação prevê bens, direitos e obrigações sobre o patrimônio genético.

De forma geral, esta décima quarta decisão reconhece as limitações de acesso, uso, geração e análise da Informação da Sequência Digital sobre os Recursos Genéticos, destacando a conciliação entre as Partes para prover soluções em relação a tais limitações, contribuindo assim, para a conservação e utilização sustentável da diversidade biológica e a participação nos benefícios dos recursos genéticos. 

O avanço do desmatamento da Floresta Amazônica 

No Brasil, ultimamente, a Floresta Amazônica, ecossistema que abriga a maior diversidade biológica do mundo, vem sofrendo sérias intervenções humanas, sobretudo para a ocupação da pecuária extensiva.  Estudos sobre a modelagem da conservação da biodiversidade na Amazônia, mostram que se persistirem as atuais práticas como o aumento do desmatamento, a não criação de áreas protegidas, o não cumprimento de legislação exigindo reservas em áreas privadas e entre outras ações danosas ao meio ambiente que são típicas de cenários “business-as-usual” (BAU cenário), os resultados são catastróficos.

Imagens de desmatamento feitas na Resex Chico Mendes no final de agosto | Leia Desmatamento na Resex Chico Mendes gera preocupação para queimadas em setembro

Por exemplo, neste status quo de impacto negativo sobre ecossistemas terrestres como o aumento no desmatamento e os outros elementos típicos de cenários “business-as-usual”, um estudo sobre a modelagem da conservação na Bacia destaca que na região centro-leste da Amazônia observa-se a maior concentração de mamíferos ameaçados que perdem mais de 40% de floresta, onde a taxa de desmatamento projetada foi maior. E ainda, pelo menos  35 espécies de primatas devem perder 60-100% de suas áreas na Amazônia até 2050.

Para árvores da Amazônia, neste cenário BAU até 2050, estima-se um declínio populacional em mais de 30% dentre os 25 a 50% de todas as árvores da Amazônia. Estes declínios populacionais, por exemplo, implicam em perdas Amazônicas de 63% das populações de castanheiras (Bertholletia excelsa Bonpl.), 50% das populações de cacaos (Theobroma cacao L.) e 72% das populações de açaí (Euterpe oleracea Mart.).

Com o avanço do desmatamento e as queimadas nessa região, principais atividades humanas que aceleram o processo de destruição de espécies da flora e fauna amazônica, perde-se um mosaico de oportunidades de aplicação na medicina, alimentação, economia florestal, e outras centenas de alternativas para a própria sobrevivência humana.  Além disso, a perda de biodiversidade piora as condições de vida dos povos da floresta, altera a cadeia alimentar, contribui para o aquecimento global e causa danos irreversíveis ao patrimônio natural do país.

A SOS Amazônia entende que esse avanço está relacionado, principalmente, ao posicionamento do atual governo brasileiro a respeito da política ambiental para o país. As declarações públicas e as decisões implementadas apontam para uma gestão ambiental que altera o controle e a intensidade do enfrentamento das ameaças e crimes ao meio ambiente. 

“O Brasil vem assistindo uma série de intenções a uma política de desenvolvimento econômico com grandes prejuízos  ambientais. Um exemplo é a falta de interesse do governo pela continuidade do principal instrumento nacional para ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento. Os resultados de 10 anos de existência do Fundo Amazônia deixam claro, esse apoio fundamental para promover o desenvolvimento sustentável da região amazônica. Dos recursos do Fundo, 60% é para a União, Estados e Municípios. E 38% para o Terceiro Setor, incluindo ONGs e Cooperativas.  Os relatórios de transparência estão disponíveis para qualquer cidadão acessar, os recursos são executados com extremo zelo e responsabilidade. Então, por que não querem investir na Amazônia?” reflete o diretor técnico da SOS Amazônia, Álisson Maranho. 

E ainda, como reforça o Professor Paulo Artaxo em Julho deste ano numa comunicação para BBC-Brasil, “Reduzir o desmatamento é uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos”. 

O editorial desta semana na conceituada revista científica britânica Nature desta semana, reitera: “A maior floresta tropical do planeta está pegando fogo. O Brasil e o mundo devem parar a destruição antes que seja tarde demais”.   

Arara-vermelha (Ara chloropterus) Parque Estadual Chandless | AC  |Foto: SOS Amazônia | André Dib

*Células eucarióticas são aquelas cujo o material genético, o DNA, está envolvido por uma membrana (o envoltório nuclear) e, portanto, separado no citoplasma da célula. Por consequência, nas células procariontes o material genético está espalhado no citoplasma celular. 

Referências  

 [1] Isbell, F. (2010) Causes and Consequences of Biodiversity Declines. Nature Education Knowledge 3(10):54. Disponível em: https://www.nature.com/scitable/knowledge/library/causes-and-consequences-of-biodiversity-declines-16132475/.

 [2] Mora C. et alli (2011) How Many Species Are There on Earth and in the Ocean? PLoS Biol 9(8): e1001127. https://doi.org/10.1371/journal.pbio.1001127.

 [3] May R. M. (2011) Why Worry about How Many Species and Their Loss? PLoS Biol 9(8): e1001130. https://doi.org/10.1371/journal.pbio.1001130

 [4] Forzza, R. C. et alli (2012) New Brazilian Floristic List Highlights Conservation Challenges. BioScience 62(1): 39–45, January 2012. https://doi.org/10.1525/bio.2012.62.1.8

 [5] Sobral M. & Stehmann J. R. (2009) An analysis of new angiosperm species discoveries in Brazil (1990–2006). Taxon 58(1): 227–232, February 2009.

 [6] Medeiros, H. et alli (2014) Botanical advances in Southwestern Amazonia: The flora of Acre (Brazil) five years after the first Catalogue. Phytotaxa 177(2):101-117, August 2014. DOI: 10.11646/phytotaxa.177.2.2

 [7] Psiguria in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB17100>. Acesso em: 11 Set. 2019

 [8] República Federativa do Brasil (2019). Lei Nº 13.123, de 20 de Maio de 2015 – Dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, sobre a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13123.htm. Acesso em 11 de Setembro de 2019.

 [9] Soares-Filho, B. S. et alli  (2006). Modelling conservation in the Amazon basin. Nature, 440(7083), 520–523. doi:10.1038/nature04389

 [10] ter Steege, H. et alli (2015). Estimating the global conservation status of more than 15,000 Amazonian tree species. Science Advances 1(10): e1500936. DOI: 10.1126/sciadv.1500936.

 [11] Kenneth J. F. (2016) Commentary: Estimating the global conservation status of more than 15,000 Amazonian tree species. Frontiers in Ecology and Evolution, 4:59. URL=https://www.frontiersin.org/article/10.3389/fevo.2016.00059. DOI=10.3389/fevo.2016.00059 

[12] Mota, C. V. – BBC-Brasil. (2019). Desmonte sob Bolsonaro pode levar desmatamento da Amazônia a ponto irreversível, diz físico que estuda floresta há 35 anos. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil48805675fbclid=IwAR1qSpGFMHgKPCj36J01dnqwe7VSLGGj5P0mh97PPvYGZKPjeBdR8CaAmEQ. Acessado em: 04 de Setembro de 2019. 

[13] Moreno, A. C. – G1-Globo. Em carta aberta, servidores do Ibama listam medidas para impedir ‘colapso da gestão ambiental federal’. Disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/08/26/em-carta-aberta-servidores-do-ibama-listam-medidas-para-impedir-colapso-da-gestao-ambiental-federal.ghtml. Acessado em: 04 de Setembro de 2019. 

[14] Nature – Editorial (2019). Take action to stop the Amazon burning, Nature 573, 163 (2019). doi: 10.1038/d41586-019-02615-3.

Por Eliz Tessinari e Wendeson Castro

#DiaDaAmazônia – Floresta em pé tem mais valor

Neste dia da Amazônia, onde o mundo todo está atento com as constantes pressões humanas sobre a floresta e sua diversidade biológica, a SOS Amazônia destaca um dos seus principais resultados e mostra que Floresta em pé tem mais valor.

Foi pensando na valorização dos produtos florestais não madeireiros que a instituição construiu também o seu caminho. Embalada pelos ideais de um dos seus fundadores, o líder e seringueiro Chico Mendes, traçou e implementou dezenas de iniciativas com foco na preservação e conservação da biodiversidade e no desenvolvimento sustentável da região.

Produção da Borracha Folha Defumada Líquida – FDL | A FDL é uma inovação tecnológica de produção da borracha beneficiada, desenvolvida pelo LATEQ da UnB e permite maior agregação de valor ainda dentro da floresta. Fotos: SOS Amazônia | André Dib.

É fato que a Floresta Amazônica se apresenta como um grande potencial de produtos da sociobiodiversidade, possibilitando múltiplas alternativas para gerar trabalho e renda para os povos e comunidades tradicionais, conservando os recursos naturais. Um estudo na Nature Sustainability sobre alguns componentes do valor da floresta estima um montante de US$ 1,78 bilhões/ano (ou R$ 7.2 bilhões de reais) para a castanha e US$ 196 milhões/ano para a borracha na Amazônia Brasileira, cujo valor anual total de ambos representa cerca de 0,12% do Produto Interno Bruto (PIB) Brasileiro do ano de 2018, que totalizou 6,8 trilhões de reais.

Em áreas com alta produtividade de castanha (30 kg/hectare/ano), o valor deste produto florestal não-madeireiro pode alcançar até US$ 46 hectare/ano (ou *R$188,1 ha/ano) no Sul e Noroeste da Amazônia bem como no Sudoeste do Pará, mas em outras áreas da bacia um valor médio de US$ 5,05 ha/ano (ou R$ 20,6 ha/ano). E, o valor médio da borracha extraída em torno de US$ 0,56 ± 0.7 ha/ano (ou *R$2.3 ha/ano) mesmo em áreas com alta produtividade (rendimento ≥3.53 kg/ha/ano) e subsidiadas por governos.

Com apoio financeiro do Fundo Amazônia, por exemplo, a SOS Amazônia realizou ações para estruturar, fortalecer e integrar as cadeias de valor do Cacau Silvestre, Óleos Vegetais (açaí, buriti, andiroba, murmuru) e Borracha Nativa, em nove empreendimentos amazônicos, incluindo uma associação de mulheres e uma cooperativa indígena, alcançando 2.500 famílias, no Acre e Amazonas.

Essas ações fazem parte de uma das nossas iniciativas mais recentes: o projeto Valores da Amazônia, onde foram realizados serviços desde a organização socioprodutiva à prospecção de mercados internacionais para os produtos de base florestal não madeireiro, englobando atividades como Fortalecimento Organizacional; Assistência Técnica e Extensão Rural e Florestal – ATERF; Intercâmbios; Planos de Manejo; Certificação Orgânica; Estudos de Mercado e Participação em Feiras.

Resultados e impactos na Economia Florestal do projeto Valores da Amazônia

Os resultados e impactos na economia florestal do projeto Valores mostram o quanto o investimento nessas cadeias de valor é importante para reduzir a pressão humana sobre as florestas e sua biodiversidade.

Incremento dos produtos da sociobiodiversidade (Óleos vegetais, Borracha Nativa e Cacau Silvestre) | Valores da Amazônia

Como apontam os gráficos, a produção extrativista deu um salto muito significativo com o apoio nesses produtos da sociobiodiversidade.  Os óleos vegetais (incluindo manteigas) saíram de 3,1 t/ano em 2014 para 23,4 t/ano em 2018, representando um aumento de 665% na produção. As borrachas (FDL, CVP e FSA) evoluíram de 7,3 t/ano em 2014 para 40,1 t/ano em 2018, representando aumento de 449%. E o cacau nativo saiu de 1,03 t/ano em 2014 para 9 t/ano em 2018, representando aumento de 770% na produção.

Enquanto, a Receita bruta total (considerando as três cadeias de valor) evoluiu de R$ 82.000,00 em 2014 para R$ 1.400.000 em 2018, com a comercialização dos produtos extrativistas pelas nove organizações apoiadas, representando um aumento de 1.600%.

Impacto na economia florestal | Valores da Amazônia

“Esse impacto na economia florestal impressiona. Ter um apoio como esse que recebemos do Fundo Amazônia, com certeza, gera transformações sociais e incentiva a conservação da floresta amazônica. É uma alternativa de alta rentabilidade e promove o desenvolvimento sustentável. Ao contrário do principal vetor do desmatamento, a pecuária, que gera renda com alto prejuízo aos habitats e grande impacto nos recursos hídricos, o que destaca o alerta severo do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, para tomadores de decisão”, comenta o diretor técnico da SOS Amazônia, Álisson Maranho. 

O Fundo Amazônia e a maior floresta tropical remanescente do planeta Terra

Em seus primeiros dez anos, o Fundo Amazônia, que consiste em uma iniciativa pioneira de financiamento de ações de Redução de Emissões Provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal, foi decisivo para 103 projetos por meio do apoio total acumulado em R$ 1,9 bilhões em 2018, que contribuíram para manter a atmosfera da Terra mais saudável possível.

Com este suporte, por exemplo, foram realizadas 687 mil missões de fiscalização ambiental, 746 mil registros de imóveis rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR), 338 instituições apoiadas de forma direta e por meio de parceiros, 465 publicações científicas ou informativas e, ainda, o apoio em 190 unidades de conservação e 65% das áreas indígenas da Amazônia.

Deste recurso, 60% é para a União, Estados e Municípios. E 38% para o Terceiro Setor, incluindo ONGs e Cooperativas.

O Fundo Amazônia recebeu aproximadamente R$ 3,4 bilhões em doações até o final de 2018, sendo 93,8% provenientes do governo da Noruega, 5,7% do governo da Alemanha, por meio do KfW Entwicklungsbank, e 0,5% da Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras). Na Amazônia Legal, que abrange todos os Estados da Região Norte e os Estados do Maranhão e Mato Grosso, foram 61 projetos apoiados.

Papel da Amazônia no Clima Global

Estima-se que a Amazônia detém 390 bilhões de árvores e estoca 86 Pg de Carbono, detém o maior pool de biodiversidade do sistema terrestre e desempenha um papel vital no sistema climático global. 

Por meio da fotossíntese e respiração a Amazônia processa cerca de duas vezes a taxa de emissão de combustíveis fósseis, respondendo por cerca de 15% da produtividade primária líquida e desempenhando um papel vital para saúde do sistema terrestre.

Com uma flora arbórea estimada entre 10.071-16.000 espécies, apenas cerca de 227 espécies arbóreas, as “hiperdominantes da Amazônia”, representam metade do total de árvores de toda a Bacia, dentre as quais, a espécie mais abundante é o Euterpe precatoria, o açaí, com uma população estimada em 5,21 bilhões de açaízeiros.

Uma das onze espécies de seringueira, a Hevea brasiliensis (Willd. ex A.Juss.) Müll.Arg., ocupa a décima quarta posição no rank das espécies mais abundantes com 1.91 bilhões de seringueiras vivendo na maior floresta tropical remanescente do sistema terrestre, a Amazônia, – fornecendo o “Venha a nós o vosso leite, para o sustento de nossas famílias […] Seringueira que estás na selva, multiplicados sejam os vossos dias […] Ajudai a nos libertar das garras do regatão”, nas palavras de Jaime Silva Araújo, o primeiro Presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros e autor do “Pai nosso dos Seringueiros”. 

Por Eliz Tessinari e Wendeson Castro

Referências

 [1] J. Strand*, B.  Soares-Filho*, M. H. Costa, U. Oliveira, S. C. Ribeiro, G. F. Pires, A. Oliveira, R. Rajão, P. May, R. van der Hoff, J. Siikamaki7, R. S. da Motta, and M. Toman. 2018. Spatially explicit valuation of the Brazilian Amazon Forest’s Ecosystem Services. Nature Sustainability, Vol.1, November 2018, p.: 657–664. https://doi.org/10.1038/s41893-018-0175-0

 [2] D. Alvarenga, D. Silveira, G1-Globo Economia. PIB do Brasil cresce 1,1% em 2018 e ainda está no patamar de 2012. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/02/28/pib-do-brasil-cresce-11-em-2018.ghtml#targetText=O%20Produto%20Interno%20Bruto%20(PIB,R%24%206%2C8%20trilh%C3%B5es.  Acesso em: 30 de Ago. 2019

 [3] SOS Amazônia 2018. Valores da Amazônia: práticas, resultados e impactos 2015-2018. Disponível em: https://issuu.com/sosamazonia/docs/valores_da_amaz_nia. ISBN:978-85-60775-07-1.

[4] Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES)  2019. Fundo Amazônia 10 anos – Relatório de Atividades 2018. Disponível em:http://www.fundoamazonia.gov.br/pt/noticia/Relatorio-de-Atividades-do-Fundo-Amazonia-2018/. Acesso em: 05 de Set. 2019.
EDITADO PELO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO DA ÁREA DE COMUNICAÇÃO JUNHO DE 2019

 [4] H. ter Steege et alli 2013. Hyperdominance in the Amazonian tree flora. Science. Vol. 342 (6156):1243092. doi:10.1126/science.1243092.

 [5] S. S. SAATCHI et alli 2007. Distribution of aboveground live biomass in the Amazon basin. Global Change Biology, 13(4): 816–837. doi:10.1111/j.1365-2486.2007.01323.x 

 [6] DIRZO, R.; RAVEN, P. H.  2003. Global State Of Biodiversity and Loss. Annual Review of Environment and Resources, Vol. 28: 137-167.  DOI: 10.1146/annurev.energy.28.050302.105532

[7] A. Antonelli, A. Zizka, F. A. Carvalho, R. Scharn, C. D. Bacon, D. Silvestro, F. L. Condamine. 2018. Amazonia is the primary source of Neotropical biodiversity Proceedings of the National Academy of Sciences Jun 2018, 115 (23): 6034-6039; DOI: 10.1073/pnas.1713819115

[8] Lapola et alli 2018. Limiting the high impacts of Amazon forest dieback with no-regrets science and policy action. PNAS | November 13, 2018 | vol. 115 | no. 46 | 11671–11679. www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1721770115

[9] MALHI Y.; ROBERTS, J. T.; BETTS, R. A.; KILLEEN, T. J.; LI, W.; NOBRE, C. A. 2008. Climate Change, Deforestation, and the Fate of the Amazon.  Science, 319: 169–172, DOI: 10.1126/science.1146961.

 [10] Phillips et al. 2009. Drought Sensitivity of the Amazon Rainforest. Science 323 (5919): 1344-1347. DOI: 10.1126/science.1164033.

 [11] D. V. Spracklen et alli 2012. Observations of increased tropical rainfall preceded by air passage over forests. Science. doi:10.1038/nature11390.

 [12]  H. ter Steege et alli 2019. Towards a dynamic list of Amazonian tree species. Scientific Reports, vol. 9: 3501 (2019). https://doi.org/10.1038/s41598-019-40101-y

 [13]  Ulloa Ulloa et alli 2017. An integrated assessment of the vascular plant species of the Americas. Science 358: 1614–1617 (2017) 22 December 2017.

 [14] Hevea in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB22703>. Acesso em: 05 Set. 2019.

No dia da Amazônia vai ter Empate contra o desmatamento da Floresta Amazônica

Amazônia representa mais da metade das florestas tropicais remanescentes no planeta e compreende a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo. Um dos seus principais benefícios é regular o clima global. A data 5 de setembro surgiu para promover a importância deste bioma para o equilíbrio ambiental do planeta. O dia é para reflexão. Há muitos problemas a serem enfrentados e a população mundial está atenta e preocupada com esse cenário de desmatamentos ilegais e queimadas na Amazônia.  Ficam os questionamentos: O que você tem a ver com a destruição da Amazônia? O que você faz para ajudar a Floresta Amazônica?

Há várias formas de ajudar. Conecte-se agora por um mundo melhor!

🌳1 Faça consumo consciente – É assustador, estudos mostram que a pecuária extensiva é a principal causa do desmatamento das florestas e um dos principais responsáveis pela emissão dos gases do efeito estufa, além de ter enorme pressão sobre os recursos hídricos. Tirar a carne bovina do seu prato ajuda muito a Amazônia;

🌳2 Fique atento e faça mobilização em suas redes sociais;

🌳3 Fortaleça nossas iniciativas pela Amazônia. A SOS Amazônia gera renda para as comunidades tradicionais, mantendo a floresta conservada. (Contribua);

🌳4 Associe-se pela causa.  Seu apoio é fundamental para continuarmos a trabalhar pelo futuro da nossa floresta, rios, animais e da humanidade. Junte-se a nós. O planeta em que vivemos depende de pessoas como você. (Associe-se)

🌳5 Faça ativismo ambiental.  A Floresta Amazônica precisa da nossa ajuda. Participe das manifestações nacionais. No Acre, o Empate pela Amazônia vai acontecer nesta quinta-feira, 5, em frente ao Palácio Rio Branco, a partir das 16h. Vem com a gente! #SOSAMAZÔNIA

*EMPATE

🌳 O Empate é uma manifestação em prol da preservação da floresta Amazônica pelos seringueiros. Na década de 1980, a ação era usada por ativistas seringueiros como Chico Mendes, que, junto à uma comunidade, perfilavam no meio da floresta para impedir sua destruição. Chico foi referência na luta pela preservação da floresta, e um dos fundadores da SOS Amazônia.

🌳 Inspirados pelo movimento dos seringueiros, no domingo, 26 de agosto, acreanos realizaram o primeiro Empate pela Amazônia, na Praça Povos da Floresta. Dia 05/09, em Rio Branco (AC), haverá o segundo Empate, em frente ao Palácio Rio Branco. O evento faz parte de uma série de protestos que acontece pelo Brasil, intitulada #AmazônianaRua

Foto destaque: Parque Nacional da Serra do Divisor, Acre, Amazônia Brasileira | | André Dib

Junte-se a nós em defesa da Floresta Amazônica.

Movimento Empate pela Amazônia | Hoje em Rio Branco, Acre

!!! No embalo da mobilização nacional, vai acontecer, hoje, às 16h, na Praça Povos da Floresta, em Rio Branco, Acre, o movimento #EMPATE pela Amazônia – Em defesa das florestas”, evocando a prática de resistência pacifista do ambientalista Chico Mendes.

O Comitê Chico Mendes em parceria com diversos movimentos, incluindo a SOS Amazônia, convida a população acreana a lutar pela Amazônia. Faça parte desse movimento em defesa da Floresta Amazônica!


Criança indígena da TI Arara do Igarapé Humaitá, Acre, Amazônia, em conexão com uma samaúma – a rainha da floresta | Foto: SOS Amazônia/Eliz Tessinari Indigenous child from the Indigenous Land Arara do Igarapé Humaitá, Acre, Amazônia, connecting with the Samaúma – the queen of the forest | Photo: SOS Amazônia/Eliz Tessinari

Movimento em defesa do Fundo Amazônia #MobilizeSe #SOSFundoAmazônia

Apoiamos o manifesto da Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES) e da Associação Nacional dos Servidores do Ibama (Asibama) em defesa do Fundo Amazônia. A Amazônia precisa da nossa ajuda! Um dos principais projetos de preservação da maior floresta tropical do mundo está em risco. E você pode ajudar: acesse e divulgue o site www.emdefesadofundoamazonia.com.br; assista e compartilhe o vídeo da campanha e baixe materiais para postar nos seus stories.

LEIA CARTA MANIFESTO

Ao longo dos seus 10 anos de existência e após muito trabalho de construção, redirecionamentos e padronização, o Fundo se consolidou, perante a sociedade brasileira e seus principais interlocutores, como um dos instrumentos financeiros mais eficientes e reconhecidos, no cenário nacional e internacional, em termos de transparência, governança participativa, diversidade de beneficiários, auditorias e avaliações, e resultados e impactos concretos já alcançados.

Segundo o governo da Noruega, doador majoritário do Fundo: “O fundo Amazônia se tornou uma das melhores práticas globais de financiamento com fins de conservação e uso sustentável de florestas e estimulou parcerias semelhantes de financiamento climático em todo o mundo. (…) A Noruega está satisfeita com a robusta estrutura de governança do Fundo Amazônia e os significativos resultados que as entidades apoiadas pelo Fundo alcançaram nos últimos 10 anos.” (https://www.norway.no/pt/brasil/noruega-brasil/noticias-eventos/brasilia/noticias/declaracao-sobre-o-fundo-amazonia/).

São 103 projetos aprovados com captação de 3,4 bilhões de reais de doações destinadas a investimentos não reembolsáveis em projetos de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável na Amazônia Legal, tendo como público-alvo comunidades tradicionais, assentamentos, povos indígenas e agricultores familiares. Resultados concretos: 162 mil pessoas beneficiadas com atividades produtivas sustentáveis, 190 unidades de conservação apoiadas, 687 missões de fiscalização ambiental efetuadas, 465 publicações científicas ou informativas produzidas, dentre outros.

Não obstante, o Fundo Amazônia vive hoje momento de incertezas com relação ao seu futuro: ataques na imprensa, inexistência de diálogo e completa falta de direcionamento estratégico, por parte da atual gestão do Ministério do Meio Ambiente, vêm, desde então, criando grande ambiente de insegurança interna e paralisia operacional, bem como preocupação por parte dos doadores, prejudicando os andamentos dos trabalhos do Fundo e colocando em risco a sua Continuidade.

Paralelamente, o recente Decreto nº 9.759, de 11/04/19 extingue em 28/06/2019 dois pilares importantes de governança do Fundo: o Comitê Orientador do Fundo Amazônia e o Comitê Técnico do Fundo Amazônia, tema esse bastante sensível e caro aos doadores e demais interlocutores do Fundo. Além desse cenário, na última semana, a equipe do Fundo Amazônia foi surpreendida pela perda de suas duas principais lideranças, pessoas reconhecidas como de alta capacidade técnica e executiva, tanto no BNDES quanto perante o público externo, com largo histórico de trabalho no Fundo. Cientes de que transições e mudanças estratégicas fazem parte do jogo, o que parece estar em pauta, porém, nesse momento é a defesa da própria existência do Fundo Amazônia.

Por outro lado, o contexto do aquecimento global, os alertas sistemáticos no aumento do desmatamento e degradação florestal na Amazônia e a grave crise fiscal que o país atravessa, tornam ainda mais urgente e relevante a defesa do Fundo nesse momento.

O Fundo Amazônia não é um projeto de governo, mas uma conquista da sociedade brasileira, fruto de negociações internacionais climáticas, cujo consenso gira em torno da construção de um modelo economicamente sustentável na Amazônia que inclua, em sua concepção, os interesses dos povos originários e tradicionais que vivem para e pela floresta em pé.

Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES)
Associação Nacional dos Servidores do Ibama (Asibama)
Rio de Janeiro, julho de 2019.

[CARTA MANIFESTO]

SOS Amazônia abre edital para contratação de consultoria para Implantação de Compliance

A Associação SOS Amazônia, entidade da Sociedade Civil sem fins lucrativos, comunica aos interessados a abertura de Edital para contratação de serviços de consultoria de pessoa jurídica para Implantação do Compliance, atualizar e aperfeiçoar os instrumentos e ferramentas de gestão, visando dar suporte para o cumprimento de normas, de maneira que os regulamentos internos mantenham princípios e ações éticos. (Projeto “Melhorar a gestão para conservar mais” – Contrato Brazil Foundation).

Propostas podem ser enviadas até o dia 20 de junho de 2019 para o e-mail [email protected]

Acesse o edital.

Modelo Documento para envio das propostas.

Famílias ribeirinhas e os quelônios do juruá: um caso de amor pela biodiversidade

#DiaMundialDoMeioAmbiente – Neste dia, 5 de junho, dedicado a incentivar pessoas do mundo todo a cuidar melhor do recursos naturais, nós temos a honra de homenagear os ribeirinhos que desde 2003, com apoio da SOS Amazônia, protegem voluntariamente desovas de quelônios (tartarugas, tracajás e iaçás) em praias do rio Juruá e afluentes, situadas na região do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, duas das maiores Unidades de Conservação (UC) do estado do Acre e de grande importância, por serem áreas de alta concentração de diversidade biológica e, ambas, situadas na fronteira com o Peru.

As famílias ribeirinhas desempenham papel fundamental na proteção das praias e no monitoramento da desova, eclosão dos ovos e da soltura dos filhotes, e demonstram muito amor pela causa. As crianças acompanham os pais nessa atividade, o que as aproxima da prática de conservação dessas espécies. Eles registram o número de ninhos, o número de ovos e números de filhotes vivos e soltos nos rios. Essas informações são coletadas, registradas em ficha de campo e repassadas para a SOS Amazônia que analisa e monitora os resultados.

Por outro lado, e muito importante também, são as pessoas e empresas que, mesmo de longe, ajudam esse trabalho acontecer, fazendo doações no nosso site institucional, para que a SOS Amazônia consiga mobilizar mais famílias na proteção de quelônios, entregar kits de proteção das praias, fazer visitas técnicas a cada família, entregar os formulários de registro do nascimento de filhotes, fazer o mapeamento das praias e acompanhar o período de soltura dos filhotes no rio.

Ribeirinhos da Comunidade Carlota na soltura da Tartaruga da Amazônia – Rodrigues Alves-AC,  Foto: Andre Dib

O nosso sentimento por todos vocês é de muita gratidão!  Isso tudo é a prova de que juntos fazemos um mundo melhor. Nosso agradecimento especial também aos técnicos da SOS Amazônia e parceiros institucionais.

Todo nosso reconhecimento por esse serviço ambiental realizado por essas famílias ribeirinhas.

Eliana Castelo – Comunidade Porto Seguro, Marechal Thaumaturgo, Acre | Acervo SOS Amazônia


Aires Andriola – Comunidade Novo Horizonte,  Guajará, Amazonas | Acervo SOS Amazônia

Francisco souza – Comunidade Flora,  Marechal Thaumaturgo | Acervo SOS Amazônia


Seu Pedro – Comunidade Novo Horizonte, Porto Walter | Acervo SOS Amazônia

Francisco Afonso Nunes da Silva, (58), Comunidade Helena, mora na Resex Alto Juruá desde que nasceu. Seu Francisco se diz apaixonado pela atividade de proteger os quelônios. Ele e sua família fazem parte do projeto ‘Quelônios do Juruá: Eu Projeto’ desde seu início, em 2003.

Dona Auricélia Lima Gomes soltando Tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) no Rio Juruá, comunidade Nova Cintra – Rodrigues Alves-AC
Foto: Andre Dib


Monitores voluntários aprendendo a fazer o manejo dos ninhos (Acervo SOS Amazônia)

E você, conte pra gente o que faz para ajudar o planeta. Ou envolva-se agora mesmo numa causa. Há diversas maneiras de você se engajar:

1 – Dedicando tempo e trabalho em uma das nossas campanhas permanentes: proteção da desova de tracajás no rio Juruá e SOS Reciclagem realizando educação ambiental junto a população em Rio Branco (Seja Voluntário)

2 – Dedicando tempo e trabalho para captarmos recursos a serem aplicados nas campanhas e projetos (Fale Conosco);

3 – Doando recursos para serem aplicados nas campanhas e projetos (Doe agora)

4 – Tornando-se associado da SOS Amazônia, com a contribuição mínima de 25 reais mensal (Associe-se)

Você pode nos apoiar também a mobilizar mais mensageiros da floresta!

Ajude a divulgar e participe dos nossos canais de comunicação: f/sos.amazonia  | Twitter/sosamazonia | Canal SOS Amazônia no You Tube | Siga-nos no Instagram/sosamazonia

Saiba mais!

SOS Amazônia: três décadas de iniciativas pela floresta amazônica, pelos povos e comunidades tradicionais

Foto destaque: André Dib

Nós queremos uma Floresta Amazônica e sua diversidade biológica conservadas, respeito aos povos e comunidades tradicionais e melhoria da qualidade de vida dessas populações.

Na década de 1980 grandes áreas de florestas foram substituídas por pastagens na Amazônia. Naquela época, o movimento dos seringueiros, no Acre, unia forças para empatar a devastação e garantir o direito de posse das suas colocações. Movidos pela resistência dos guardiões da floresta, no dia 30 de setembro de 1988, na cidade de Rio Branco, estado do Acre, professores, estudantes universitários e representantes do movimento social, incluindo o ativista e seringueiro Chico Mendes, criaram a Associação SOS Amazônia, tendo como objetivo principal defender a causa extrativista e proteger a Floresta Amazônica, apoiando as populações tradicionais.

Exposição sobre o desmatamento na década de 1980

Num cenário de conflitos por ocupação de terras, a entidade dedicou-se a expor, em praça pública, dados e fotos sobre o desmatamento na região, a fazer denúncias das ameaças sofridas pelos seringueiros, distribuir materiais informativos e a dialogar com as pessoas sobre o tema, visando mobilizar a sociedade e facilitar a compreensão sobre causas e consequências da destruição que estava acontecendo.

Diante do delicado momento que os extrativistas vivam, além das campanhas de conscientização, logo surgiu a necessidade da instituição, em desenvolver projetos, propor e implementar políticas públicas com foco na difusão de modelos e práticas para preservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável, iniciativas que pautam, cotidianamente, o dever de cumprir a missão da SOS Amazônia, que é “Promover a conservação da biodiversidade e o crescimento da consciência ambiental na Amazônia”.

Em três décadas de existência, a instituição atua no estado do Acre e Amazonas, além de áreas fronteiriças, com a participação de, aproximadamente, cinco mil famílias, por meio de projetos e campanhas. Essa área de atuação engloba, principalmente, Unidades de Conservação (UC), a exemplo do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, atribuindo à SOS Amazônia um extenso e importante histórico de iniciativas para manutenção das florestas e melhores condições de vida aos povos que nelas habitam.

Ganhou experiência e capacidade para planejamento e gestão de UCs, tem expertise na promoção de assistência técnica e extensão rural a comunidades tradicionais, e também é referência no desenvolvimento da educação ambiental, no reaproveitamento de resíduos sólidos e na participação voluntária em conselhos e comitês para regulamentação de leis e gestão de programas públicos.

PRODUTOS DA SOCIOBIODIVERSIDADE

O projeto Valores da Amazônia (apoio financeiro do Fundo Amazônia) apoia três cadeias de valores de produtos florestais não madeireiros – Cacau Silvestre, Óleos Vegetais e Borracha Nativa

Pelo vínculo contínuo com UCs, promoção e apoio às políticas de incremento da economia florestal, mantendo a floresta em pé, a SOS Amazônia atraiu novos investimentos para a região e passou a fortalecer cadeias de negócios dos produtos florestais não madeireiros. Atualmente, realiza projeto de fortalecimento de 16 cooperativas, sendo duas no Amazonas e 14 no Acre, para estruturar e ampliar os negócios com borracha, cacau silvestre e óleos vegetais.

MOBILIZAÇÃO SOCIAL

A SOS Amazônia sempre priorizou e prioriza o trabalho representativo, atuando em três campos: Conselhos; Comitê de Gestão e Acompanhamento de Projetos; e Coletivos de Mobilização Social, na defesa de causas ambientais de interesse público.

Atuou por quatro mandatos no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), como representante das instituições do terceiro setor na Região Norte, e, atualmente, compõe os Conselhos estadual e municipal de meio ambiente do estado do Acre e do município de Rio Branco, respectivamente. Além de ser membro da Comissão da Produção Orgânica do Acre – CPOrg Acre, ocupando a coordenação da Comissão.

GESTÃO E TRANSPARÊNCIA | EIXOS ESTRATÉGICOS

A estrutura de gestão da Instituição conta com Conselhos Fiscal e Deliberativo atuantes. Desenvolve seus projetos seguindo um planejamento estratégico, tendo claro e atualizado sua missão e foco em três linhas estratégicas de atuação: Mitigação e adaptação às mudanças do clima; Preservação da biodiversidade; e Promoção de negócios sustentáveis na Amazônia.

Adotou desde 2003 um modelo de gestão contábil-financeiro, informatizado, com auditoria externa de suas contas, elaborou e segue seu Manual de Procedimentos para orientar e regulamentar procedimentos da rotina interna de gestão administrativa, contábil e financeira, como também tem seu Plano de Cargos e Salários e seu Código de Ética.

Um dos fundadores e atual secretário geral da SOS Amazônia, Miguel Scarcello, recebendo o ‘Prêmio Bem Eficiente’ de gestão institucional, concedido pela Kanitz & Associados em 2004, às 50 entidades sem fins lucrativos que melhor administram seus recursos no país, com transparência e seriedade

Tal conduta garantiu à SOS Amazônia o ‘Prêmio Bem Eficiente’ de gestão institucional, concedido pela Kanitz & Associados em 2004, às 50 entidades sem fins lucrativos que melhor administram seus recursos no país, com transparência e seriedade.

Prêmio Melhores Ongs do Brasil

E em 2017 foi reconhecida como uma das 100 ‘Melhores ONGs do Brasil’. Este prêmio é uma iniciativa do Instituto Doar, em parceria com a Revista Época, que busca reconhecer boas práticas de gestão e transparência no terceiro setor, além de incentivar a cultura de doação no Brasil.

JUNTE-SE A NÓS

São muitos os desafios para manter a floresta preservada, mas juntos podemos fazer mais ainda pela Floresta Amazônica e seus povos. Gratidão aos parceiros, colaboradores, voluntários e a todas as pessoas que se conectam com a causa ambiental e com a causa dos povos e comunidades tradicionais.

A SOS Amazônia entende que promover iniciativas para a conservação da Amazônia é a melhor forma de valorizar o mundo. E você pode ajudar a proteger as nossas florestas de diversas formas.

Nos acompanhe nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter) e divulgue nossos trabalhos. Colabore com doações únicas ou mensais. 

DEPOIMENTOS

“Eu vejo a SOS Amazônia como aquela instituição dos sonhos onde todos da área da conservação querem e devem trabalhar. Sinto que todos aqui trabalham com amor, em prol da floresta e de tudo o que tem nela. E isso é o diferencial da instituição. Ver as famílias tendo retorno de algo que a gente promove tem um valor inestimável. Poder mostrar que a floresta é uma fonte inesgotável de recursos e que sim pode ser utilizada de forma racional, é o bem maior que temos. Daqui 10 anos, espero que a gente tenha chegado a muito mais famílias, levado esse amor e esse respeito que temos pelo que a floresta e seus recursos são em prol daquilo que ela pode nos dar. Espero que tenhamos alcançado muito mais lugares. Conquistado mais espaço, reflorestado,  recuperado e aprendido ainda mais com as populações tradicionais que tanto tem a nos ensinar também. Temos que aproveitar esse olhar que está cada vez mais crescente para a proteção da Amazônia para realmente alavancar o seu valor e seu potencial, sem agredir a floresta, e que as gerações futuras tenham ainda mais respeito e cuidado com esse bem tão precioso que temos” (Thaina Souza, engenheira florestal)

…..

“Em 2012 fui selecionada pela SOS Amazônia para trabalhar e foi uma grande oportunidade profissional para mim, pois eu não tinha nenhuma experiência na área. Acho muito interessante trabalhar com as famílias ribeirinhas, levando alternativas sustentáveis, promovendo a cultura. A SOS Amazônia é apaixonante porque cada dia que saímos para a atividade de campo é uma nova experiência, um novo aprendizado, pois você leva seu conhecimento, mas traz uma bagagem imensa também, que você adquire com os produtores rurais. Agradeço por fazer parte dessa equipe maravilhosa, quero continuar por muitos e muitos anos na SOS Amazônia” (Francisca de Souza Lima, técnica em ecologia, formada na Escola da Floresta)

….

“Esse momento representa os 30 anos de tantas lutas e conquistas de ações voltadas a cumprir a missão da SOS Amazônia. Temos muito o que comemorar diante de tantos desafios superados e retomar fôlego para superar os que estão por vir. Fazer parte desse grupo é um privilégio, estar nesse ambiente de tanta verdade no que se propõe a realizar é o mais encantador. E o que dá forças para continuar. Viva a nossa Amazônia. Viva mais 30 anos de SOS Amazônia” (Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia)

Mais sobre a história da SOS Amazônia

Sócios fundadores:

  • Abrahim Farhat
  • Amine Carvalho Santana
  • Anna Rosa Fioreta
  • Anselmo Alfredo Forneck
  • Arnóbio Marques de Almeida Júnior
  • Carlos Edegard de Deus
  • Cândido Arieira de Carvalho
  • Cleto Batista Barbosa
  • Denise Regine Garrafiel
  • Elga Buttignol
  • Francisco Alves Mendes Filho (Chico Mendes)
  • Genéseio F. de Natividade
  • Jandira Keppi
  • João Azevedo do Nascimento
  • José Antônio Scarcello
  • José Jocilem Crisostomo Gomes
  • Josélia da Silva Alves
  • Júlia Feitoza da Silva
  • Maria do Carmo Ferreira da Cunha
  • Mauro Luiz Aldrigue
  • Miguel Scarcello
  • Nazaré de Lima Soares
  • Nelson Deicke
  • Ruscelino Araújo Barboza

Ficha de Inscrição do seringueiro e líder de movimento em favor da floresta, Chico Mendes

Estrutura Organizacional em 1988

  • Diretor-presidente: Miguel Scarcello
  • Diretora-técnica: Bárbara Angélica Guimarães de Deus
  • Diretor Administrativo Financeiro: Abrahim Farhat Neto
  • Diretor de Assuntos Interinstitucionais: José Antônio Scarcello

Conselho Deliberativo 

  • Cleto Batista Barbosa (1º conselheiro)
  • Mauro Luiz Aldrigues (2º conselheiro)
  • Guilherme Theodoro Fredrich (3º conselheiro)

Estrutura Organizacional em 2018

  • Secretário geral: Miguel Scarcello
  • Secretário técnico: Àlisson Maranho
  • Secretária Administrativa: Gabriela de Souza

Conselho Deliberativo 

  • Presidente – Maria Luiza Pinedo Ochôa
  • Vice-presidente – Verônica Telma Da Rocha Passos

Membros Titulares

  • Ruscelino Araujo Barboza, Júlio Eduardo Gomes Pereira e  Cleilton Pessoa Amaral

Membros Suplentes

  • Francisca Cristina Moura de Lima Boaventura e Andréa Alechandre Da Rocha

Conselho Fiscal 

Membros Titulares  |  Evandro José Linhares Ferreira, Silvia Helena Costa Brilhante e Arthur Cezar Pinheiro Leite

Membros Suplentes  |  Moisés Barbosa De Souza e Maria Do Carmo Ferreira Da Cunha

ATENÇÃO | Qualidade do ar ameaçada

A sociedade precisa ficar em alerta e exigir que o Ministério do Meio Ambiente interceda no CONAMA para não colocar em risco a boa qualidade do ar no Brasil.

Há uma minuta de resolução tramitando no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de autoria do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (PROAM) para rever os padrões de qualidade do ar no Brasil, que estão defasados em 28 anos. Os governos estaduais e o setor econômico propuseram alterações na minuta que são danosas à saúde pública, visando continuar em sua zona de conforto e omissão. O Ministério de Meio Ambiente, durante o processo de discussão, não se manifestou a respeito.

Segundo a OMS morrem 51.000 brasileiros por ano em função da poluição, em sua maioria crianças, idosos e a população mais carente. Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP  afirmam que o custo em mortes precoces e para a saúde pública atinge a assustadora cifra de US$ 1,7 bilhão nas 29 regiões metropolitanas do Brasil.

Há uma intensa luta em curso para reverter este quadro. A sociedade precisa agir contra a intenção dos governos estaduais e do setor econômico de propor alterações na minuta que afetam a saúde pública.

Preocupada com a aprovação das alterações na minuta, a SOS Amazônia convida as organizações da área da saúde, movimento de ciclistas, arquitetos, grupos afins para que enviem mensagem ao Ministério do Meio Ambiente pedindo que interceda no CONAMA e não deixe que a alteração da norma cause esse retrocesso anunciado pelo PROAM. (Aqui o formulário para a mensagem)

Apresentamentos três documentos, visando expor a situação atual do Brasil com relação à poluição atmosférica, assim como o relato dos esforços da sociedade civil e do Ministério Público para defender o direito fundamental da população ao ar limpo.

O primeiro é o Relatório da Audiência Pública promovida pelo MPF em São Paulo. Em linguagem clara e com fundamentação técnica e jurídica, os Procuradores da República José Leonidas Bellem de Lima e Fátima de Souza Borghi trazem conclusões com abordagens sobre o contexto atual da tramitação no Conama sobre a minuta de revisão da resolução 03/90, que trata da atualização dos valores indicadores para a qualidade do ar no Brasil. http://www.mpf.mp.br/regiao3/atos-e-publicacoes/editais/audiencia-publica-avaliacao-da-proposta-de-minuta-do-conama-sobre-padroes-de-qualidade-do-ar-para-o-brasil-e-suas-consequencias-para-o-meio-ambiente-e-a-saude-revisao-da-resolucao-03-90

O segundo é o parecer do PROAM  sobre a minuta em tramitação no Conama, que destaca as irregularidades e incongluências da proposta. Foi protocolado como relatório do pedido de vista na Câmara Técnica de Assuntos Jurídicos do Conama. Pode ser acessado em: http://www.mma.gov.br/port/conama/processos/C1CB3034/Relatorio_PedidoVista_Resol03_90.pdf

O terceiro texto é o artigo de Carlos Bocuhy, presidente do PROAM, para a Página 22 da Fundação Getúlio Vargas, que estabelece a relação entre o ar limpo e o desenvolvimento no Brasil, com foco nas recomendações dos padrões de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde. O link é

http://pagina22.com.br/2018/07/02/o-falso-dilema-entre-o-ar-limpo-e-o-crescimento-economico/

A minuta está pronta para envio ao plenário no mês de agosto. Se for aprovada como está, lançará o Brasil em décadas de atraso no controle da poluição.

Esperamos que estes documentos possam contribuir para a compreensão da luta pela boa qualidade do ar no Brasil, retratando as forças envolvidas, as omissões – e os atores que atuam à favor e contra a saúde pública. Faz-se necessária uma ampla mobilização social para enfrentar este desafio que coloca em risco a saudável qualidade de vida, garantida a todos pela Constituição Federal.

Extrativistas avaliam os resultados e impactos do Valores da Amazônia

Com o propósito de debater os alcances das metas em relação a conservação dos recursos naturais e a geração de renda para comunidades extrativistas da Amazônia, a SOS Amazônia promoveu nos dias 26 e 27 de junho em Rio Branco, o IV Seminário de avaliação sobre os resultados e impactos do projeto Valores da Amazônia.

O encontro destacou as mudanças obtidas em relação aos nove empreendimentos apoiados pelo projeto (Pushuã, Amuralha, Cooperar, Coopfrutos, Coapex, Caet, Coperafe, Coopercintra e Copronat), nos aspectos da gestão e produção extrativista, além de apresentar os novos desafios para a região e para as organizações sociais.

Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, falou sobre a importância e a potencialidade que o extrativismo possui no estado e evidenciou os esforços realizados pela instituição na geração de trabalho e desenvolvimento sustentável.

“Com todos esses desafios realizados, eu considero importante esse momento para refletir e ver se nossos passos foram bem feitos, se deram resultados de fato. Todas as pessoas que estão envolvidas são sempre persistentes e é isso o que queremos. O não madeireiro na economia do Acre e do país é muito significativo. Então, nós temos que persistir para que isso seja efetivado e fazer com que esse trabalho com as cooperativas apoiadas seja visto. É preciso ser mostrado no anuário estatístico do estado, na parte da economia, a contribuição que o extrativismo possui, a riqueza que essa floresta possui e o quanto tem sido pouca explorada nesse sentido sustentável, viabilizando retorno financeiro para todos os comunitários”, afirma.

Elines Ferreira, presidente da Coopfrutos

Em forma de agradecimento, a presidente da Coopfrutos, Elines Ferreira, destacou os benefícios que receberam do projeto.

“Estamos apresentando o trabalho que realizamos durante todo esse tempo, tanto na sociedade quanto dentro da cooperativa. Graças a esse projeto, a Coopfrutos que antes possuía apenas CNPJ passou para a parte de legalização, estruturação, recebeu equipamentos, então isso foi importante demais” disse.

Na oportunidade, o gerente do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, André Ferro, comentou a importância da continuidade do trabalho com as cooperativas.

“Todas essas atividades serviram para mostrar como o projeto teve início e foi sendo organizado, sua mobilização, como cada ação foi realizada. E tudo o que conseguimos até agora já é muito bom, é um imenso avanço. A equipe está de parabéns, sabemos das dificuldades enfrentadas e o que queremos é continuar com esse trabalho para não perder nada de vista,” avalia.

Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia, também fala sobre os importantes avanços e de suas perspectivas em relação ao projeto.

“Nesses dois últimos anos de projeto, os grandes destaques que obtivemos foram os avanços em termo de produção, todas as cadeias apoiadas como o cacau, borracha e óleos vegetais tiveram um rendimento considerável desde o início, e também a organização social que melhorou o convívio com as famílias comunitárias e as cooperativas. Esperamos que esses efeitos continuem, que essas e outras novas lições sejam debatidas e vivenciadas,” declara.

SOS Amazônia e instituições parceiras

Durante o evento, Miguel assinou com as instituições parceiras (Sema, Funtac, WWF-Brasil, Sedens, SEPN, Seaprof, Parque Zoobotânico/Ufac, Sebrae) e o gerente do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, André Ferro, uma carta de intenção, com o objetivo de promover a cooperação técnica no desenvolvimento das cadeias produtivas sustentáveis no estado do Acre.

Entre tantos parceiros, voluntários e colaboradores, é comemorado também o aniversário de 30 anos da SOS Amazônia, que desde 1988 segue a missão de promover a conservação da biodiversidade e o crescimento da consciência ambiental na Amazônia.

VEJA MAIS FOTOS

Deylon Félix | Eliz Tessinari

Foto destaque: Dill Marques

Acesse a página do Projeto Valores da Amazônia | Navegue aqui.

Mais depoimentos

“É muito satisfatório ver o desenvolvimento desses comunitários, esses grandes resultados só nos mostram o quanto isso vale a pena” (Francisca Souza, técnica/SOS Amazônia)

“Com o seminário foi possível entender mais a forma de produção de cada equipe, a gestão e tudo o que fizeram para continuar crescendo” (Renato Pereira, técnico/SOS Amazônia)