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A biodiversidade amazônica enfrenta grave risco

A biodiversidade é a grande variedade de vida na Terra. E em cada região do nosso planeta ela existe em formas múltiplas e extraordinárias. Dentre os benefícios, a biodiversidade é responsável por garantir o equilíbrio ambiental dos ecossistemas, o que conduz e reitera a nossa responsabilidade na tomada de medidas de preservação e conservação de espécies raras e ameaçadas de extinção.

Estimativas recentes mostram que temos cerca de 8.7 milhões de espécies eucarióticas* na Terra e 2.2 milhões no Oceano. No entanto, deste total temos descrito apenas 14% destas espécies terrestres e 9% das espécies do Oceano desde a criação do Sistema de Nomenclatura Binomial de Carolus Linnaeus em 1758, no qual o nome científico de uma espécie é formada pela combinação de dois termos, sendo um gênero e um descritor específico – por exemplo, o Homo sapiens Linnaeus 1758.

Na atual velocidade de descrição de espécies novas para ciência, ainda precisamos de aproximadamente 500 anos para concluir este trabalho, ou seja, descobrir estas 86% de espécies eucarióticas terrestres e 91% espécies oceânicas, como destaca Professor Robert May, “Nós somos surpreendentemente ignorantes sobre quantas espécies estão vivas hoje na terra, e ainda mais ignorantes sobre quantas podemos perder e ainda manter os serviços ecossistêmicos dos quais a humanidade depende em última instância”.

Psiguria ternata (M.Roem.) C.Jeffrey um novo registro de ocorrência no Estado do Acre. Coletada na Área de Proteção Ambiental do Lago do Amapá em Rio Branco pelo Professor Marcos Silveira e pesquisadores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e do Laboratório de Botânica e Ecologia Vegetal da UFAC. Esta planta é uma das espécies da família da melancia (Citrullus lanatus (Thunb.) Matsum. & Nakai), as Cucurbitaceae. Foto: M. Silveira

A Flora Brasileira, por exemplo, uma das mais bem estudadas do planeta, detém mais de 40.989 espécies de plantas com flores das quais 46,2% só ocorrem no Brasil, aumenta em 169 espécies de plantas com flores a cada ano, ou seja, são duas espécies novas para ciência descritas a cada dois dias. No Estado do Acre, as identificações botânicas realizadas em herbários sugerem que pelo menos uma em cada seis coletas realizadas em campo por botânicos deve ser um registro novo para o Estado ou ainda uma espécie nova para ciência. 

Dada a relevância de proteger a diversidade biológica, em 1972, esse assunto foi pauta durante a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano, em Estocolmo. Vinte anos depois, durante a ECO-92 Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), no Rio de Janeiro, foi estabelecida a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), em vigor desde 29 de dezembro de 1993.

Assinada por 194 países, dos quais 168 a ratificaram, incluindo o Brasil por meio do Decreto nº 2.519 de 16 de março de 1998, a Convenção tem por objetivo estabelecer as normas e princípios que devem reger o uso e a proteção da diversidade biológica em cada país signatário, dando as regras para o seu uso sustentável e a justa repartição dos benefícios provenientes do uso econômico dos recursos genéticos.

Na última Conferência das Partes, a COP14, das Nações Unidas sobre a CDB realizada no Egito em Novembro de 2018, dentre as 38 decisões adotadas durante CDB, a 14° que trata da Informação da Sequência Digital sobre os Recursos Genéticos da biodiversidade foi tema de destaque pelo Brasil, em especial, porque é um dos países cuja a legislação prevê bens, direitos e obrigações sobre o patrimônio genético.

De forma geral, esta décima quarta decisão reconhece as limitações de acesso, uso, geração e análise da Informação da Sequência Digital sobre os Recursos Genéticos, destacando a conciliação entre as Partes para prover soluções em relação a tais limitações, contribuindo assim, para a conservação e utilização sustentável da diversidade biológica e a participação nos benefícios dos recursos genéticos. 

O avanço do desmatamento da Floresta Amazônica 

No Brasil, ultimamente, a Floresta Amazônica, ecossistema que abriga a maior diversidade biológica do mundo, vem sofrendo sérias intervenções humanas, sobretudo para a ocupação da pecuária extensiva.  Estudos sobre a modelagem da conservação da biodiversidade na Amazônia, mostram que se persistirem as atuais práticas como o aumento do desmatamento, a não criação de áreas protegidas, o não cumprimento de legislação exigindo reservas em áreas privadas e entre outras ações danosas ao meio ambiente que são típicas de cenários “business-as-usual” (BAU cenário), os resultados são catastróficos.

Imagens de desmatamento feitas na Resex Chico Mendes no final de agosto | Leia Desmatamento na Resex Chico Mendes gera preocupação para queimadas em setembro

Por exemplo, neste status quo de impacto negativo sobre ecossistemas terrestres como o aumento no desmatamento e os outros elementos típicos de cenários “business-as-usual”, um estudo sobre a modelagem da conservação na Bacia destaca que na região centro-leste da Amazônia observa-se a maior concentração de mamíferos ameaçados que perdem mais de 40% de floresta, onde a taxa de desmatamento projetada foi maior. E ainda, pelo menos  35 espécies de primatas devem perder 60-100% de suas áreas na Amazônia até 2050.

Para árvores da Amazônia, neste cenário BAU até 2050, estima-se um declínio populacional em mais de 30% dentre os 25 a 50% de todas as árvores da Amazônia. Estes declínios populacionais, por exemplo, implicam em perdas Amazônicas de 63% das populações de castanheiras (Bertholletia excelsa Bonpl.), 50% das populações de cacaos (Theobroma cacao L.) e 72% das populações de açaí (Euterpe oleracea Mart.).

Com o avanço do desmatamento e as queimadas nessa região, principais atividades humanas que aceleram o processo de destruição de espécies da flora e fauna amazônica, perde-se um mosaico de oportunidades de aplicação na medicina, alimentação, economia florestal, e outras centenas de alternativas para a própria sobrevivência humana.  Além disso, a perda de biodiversidade piora as condições de vida dos povos da floresta, altera a cadeia alimentar, contribui para o aquecimento global e causa danos irreversíveis ao patrimônio natural do país.

A SOS Amazônia entende que esse avanço está relacionado, principalmente, ao posicionamento do atual governo brasileiro a respeito da política ambiental para o país. As declarações públicas e as decisões implementadas apontam para uma gestão ambiental que altera o controle e a intensidade do enfrentamento das ameaças e crimes ao meio ambiente. 

“O Brasil vem assistindo uma série de intenções a uma política de desenvolvimento econômico com grandes prejuízos  ambientais. Um exemplo é a falta de interesse do governo pela continuidade do principal instrumento nacional para ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento. Os resultados de 10 anos de existência do Fundo Amazônia deixam claro, esse apoio fundamental para promover o desenvolvimento sustentável da região amazônica. Dos recursos do Fundo, 60% é para a União, Estados e Municípios. E 38% para o Terceiro Setor, incluindo ONGs e Cooperativas.  Os relatórios de transparência estão disponíveis para qualquer cidadão acessar, os recursos são executados com extremo zelo e responsabilidade. Então, por que não querem investir na Amazônia?” reflete o diretor técnico da SOS Amazônia, Álisson Maranho. 

E ainda, como reforça o Professor Paulo Artaxo em Julho deste ano numa comunicação para BBC-Brasil, “Reduzir o desmatamento é uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos”. 

O editorial desta semana na conceituada revista científica britânica Nature desta semana, reitera: “A maior floresta tropical do planeta está pegando fogo. O Brasil e o mundo devem parar a destruição antes que seja tarde demais”.   

Arara-vermelha (Ara chloropterus) Parque Estadual Chandless | AC  |Foto: SOS Amazônia | André Dib

*Células eucarióticas são aquelas cujo o material genético, o DNA, está envolvido por uma membrana (o envoltório nuclear) e, portanto, separado no citoplasma da célula. Por consequência, nas células procariontes o material genético está espalhado no citoplasma celular. 

Referências  

 [1] Isbell, F. (2010) Causes and Consequences of Biodiversity Declines. Nature Education Knowledge 3(10):54. Disponível em: https://www.nature.com/scitable/knowledge/library/causes-and-consequences-of-biodiversity-declines-16132475/.

 [2] Mora C. et alli (2011) How Many Species Are There on Earth and in the Ocean? PLoS Biol 9(8): e1001127. https://doi.org/10.1371/journal.pbio.1001127.

 [3] May R. M. (2011) Why Worry about How Many Species and Their Loss? PLoS Biol 9(8): e1001130. https://doi.org/10.1371/journal.pbio.1001130

 [4] Forzza, R. C. et alli (2012) New Brazilian Floristic List Highlights Conservation Challenges. BioScience 62(1): 39–45, January 2012. https://doi.org/10.1525/bio.2012.62.1.8

 [5] Sobral M. & Stehmann J. R. (2009) An analysis of new angiosperm species discoveries in Brazil (1990–2006). Taxon 58(1): 227–232, February 2009.

 [6] Medeiros, H. et alli (2014) Botanical advances in Southwestern Amazonia: The flora of Acre (Brazil) five years after the first Catalogue. Phytotaxa 177(2):101-117, August 2014. DOI: 10.11646/phytotaxa.177.2.2

 [7] Psiguria in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB17100>. Acesso em: 11 Set. 2019

 [8] República Federativa do Brasil (2019). Lei Nº 13.123, de 20 de Maio de 2015 – Dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, sobre a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado e sobre a repartição de benefícios para conservação e uso sustentável da biodiversidade. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13123.htm. Acesso em 11 de Setembro de 2019.

 [9] Soares-Filho, B. S. et alli  (2006). Modelling conservation in the Amazon basin. Nature, 440(7083), 520–523. doi:10.1038/nature04389

 [10] ter Steege, H. et alli (2015). Estimating the global conservation status of more than 15,000 Amazonian tree species. Science Advances 1(10): e1500936. DOI: 10.1126/sciadv.1500936.

 [11] Kenneth J. F. (2016) Commentary: Estimating the global conservation status of more than 15,000 Amazonian tree species. Frontiers in Ecology and Evolution, 4:59. URL=https://www.frontiersin.org/article/10.3389/fevo.2016.00059. DOI=10.3389/fevo.2016.00059 

[12] Mota, C. V. – BBC-Brasil. (2019). Desmonte sob Bolsonaro pode levar desmatamento da Amazônia a ponto irreversível, diz físico que estuda floresta há 35 anos. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil48805675fbclid=IwAR1qSpGFMHgKPCj36J01dnqwe7VSLGGj5P0mh97PPvYGZKPjeBdR8CaAmEQ. Acessado em: 04 de Setembro de 2019. 

[13] Moreno, A. C. – G1-Globo. Em carta aberta, servidores do Ibama listam medidas para impedir ‘colapso da gestão ambiental federal’. Disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/08/26/em-carta-aberta-servidores-do-ibama-listam-medidas-para-impedir-colapso-da-gestao-ambiental-federal.ghtml. Acessado em: 04 de Setembro de 2019. 

[14] Nature – Editorial (2019). Take action to stop the Amazon burning, Nature 573, 163 (2019). doi: 10.1038/d41586-019-02615-3.

Por Eliz Tessinari e Wendeson Castro

No dia da Amazônia vai ter Empate contra o desmatamento da Floresta Amazônica

Amazônia representa mais da metade das florestas tropicais remanescentes no planeta e compreende a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo. Um dos seus principais benefícios é regular o clima global. A data 5 de setembro surgiu para promover a importância deste bioma para o equilíbrio ambiental do planeta. O dia é para reflexão. Há muitos problemas a serem enfrentados e a população mundial está atenta e preocupada com esse cenário de desmatamentos ilegais e queimadas na Amazônia.  Ficam os questionamentos: O que você tem a ver com a destruição da Amazônia? O que você faz para ajudar a Floresta Amazônica?

Há várias formas de ajudar. Conecte-se agora por um mundo melhor!

🌳1 Faça consumo consciente – É assustador, estudos mostram que a pecuária extensiva é a principal causa do desmatamento das florestas e um dos principais responsáveis pela emissão dos gases do efeito estufa, além de ter enorme pressão sobre os recursos hídricos. Tirar a carne bovina do seu prato ajuda muito a Amazônia;

🌳2 Fique atento e faça mobilização em suas redes sociais;

🌳3 Fortaleça nossas iniciativas pela Amazônia. A SOS Amazônia gera renda para as comunidades tradicionais, mantendo a floresta conservada. (Contribua);

🌳4 Associe-se pela causa.  Seu apoio é fundamental para continuarmos a trabalhar pelo futuro da nossa floresta, rios, animais e da humanidade. Junte-se a nós. O planeta em que vivemos depende de pessoas como você. (Associe-se)

🌳5 Faça ativismo ambiental.  A Floresta Amazônica precisa da nossa ajuda. Participe das manifestações nacionais. No Acre, o Empate pela Amazônia vai acontecer nesta quinta-feira, 5, em frente ao Palácio Rio Branco, a partir das 16h. Vem com a gente! #SOSAMAZÔNIA

*EMPATE

🌳 O Empate é uma manifestação em prol da preservação da floresta Amazônica pelos seringueiros. Na década de 1980, a ação era usada por ativistas seringueiros como Chico Mendes, que, junto à uma comunidade, perfilavam no meio da floresta para impedir sua destruição. Chico foi referência na luta pela preservação da floresta, e um dos fundadores da SOS Amazônia.

🌳 Inspirados pelo movimento dos seringueiros, no domingo, 26 de agosto, acreanos realizaram o primeiro Empate pela Amazônia, na Praça Povos da Floresta. Dia 05/09, em Rio Branco (AC), haverá o segundo Empate, em frente ao Palácio Rio Branco. O evento faz parte de uma série de protestos que acontece pelo Brasil, intitulada #AmazônianaRua

Foto destaque: Parque Nacional da Serra do Divisor, Acre, Amazônia Brasileira | | André Dib

Junte-se a nós em defesa da Floresta Amazônica.

Desmatamento na Resex Chico Mendes gera preocupação para queimadas em setembro

As reservas extrativistas foram criadas para que fossem um modelo de desenvolvimento sustentável, aliando a presença humana com a conservação da natureza, tendo na própria natureza a fonte de geração de renda e manutenção das populações tradicionais que nela vivem. A borracha nativa e outros produtos do extrativismo foram o motivo do movimento dos seringueiros (incluindo o ativista ambiental e um dos fundadores da SOS Amazônia, Chico Mendes) que levou à criação das RESEXs na década de 1990.

Ao longo dos anos, essas áreas de floresta vêm perdendo espaço para pecuária, a exemplo da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, onde muitas famílias substituíram a produção extrativista pela agricultura familiar e a criação de animais, principalmente de bovinos.

A equipe da SOS Amazônia, na quinta-feira, 29, visitou áreas da Resex Chico Mendes, em Xapuri, com o objetivo de analisar a situação atual de desmatamento e queimadas nesta Unidade de Conservação (UC). E o cenário é de grande preocupação – Muitas áreas de floresta foram desmatadas, com grande possibilidade de queima durante todo o mês de setembro. Foram observadas áreas desmatadas recentes variando em torno de 2,5 a 15 hectares que, em geral, são destinadas a queima para usos posteriores como atividades agrícolas e, em especial criação de bovinos, que tem sido uma fonte decisiva para o aumento do desmatamento e a prática habitual do uso do fogo na Resex.  

Raimundo Mendes mostra preocupação com o avanço da pecuária na Resex Chico Mendes e pede atitude dos órgãos de fiscalização

Raimundo Mendes, 74 anos, morador da CM e um dos que fez parte do movimento Empate*, liderado por Chico Mendes, também alerta que em setembro haverá muitas queimadas, principalmente com o objetivo de aumentar áreas de pastagem, confirmadas pelas imagens aéreas recentes que a SOS Amazônia fez naquela UC.

“Eu tenho informações que há muito desmatamento dentro da Reserva. Inclusive, não para roçado de subsistência, mas desmatamento para aumentar o pasto e colocar mais bois. É algo que vem acontecendo e tem nos preocupado muito, tanto a mim como a todos que com o Chico Mendes lutaram para que a gente tivesse esse benefício extraordinário que é a Reserva Extrativista. Infelizmente, temos aqui pessoas que ocupam o nome de seringueiro, mas se deram ao comportamento de hoje estarem assumindo o papel de fazendeiro. Não cortam mais seringa e o que estão fazendo é desmatar para criar bois. Isso é uma verdade e nos preocupa muito porque a Reserva é um bem conquistado com muito sacrifício, com sangue de companheiros nossos, como foi o caso do Chico Mendes, Ivair Higino e Wilson Pinheiro.

Historicamente, os desmates e queimadas ocorrem em maior intensidade nos meses de agosto, setembro e outubro, com picos de queimadas em setembro – em especial na Amazônia Brasileira.

Figura 1 – Série temporal (1998 a 2018) do número de focos de calor de Janeiro a Dezembro na Amazônia Legal obtidos a partir do satélite principal Aqua_M-T. Note que o eixo vertical esquerdo mostra o número de focos de calor na Amazônia Legal. E o eixo horizontal os meses de Janeiro a Dezembro. Fonte dados: Inpe (2019) – Banco de dados Queimadas.

A tendência entre 2004 e 2012 era de queda, quando se atingiu a menor taxa anual de desmatamento com 4.571 km2 e 86.719 focos de queimadas em 2012.

Entre os anos de 2013 a 2018, a taxa anual média de desmatamento foi de 6.581±1081 km2 (média ± desvio padrão) e 85.303 focos de queimadas. No entanto, de acordo com o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), entre 27 de agosto de 2018 a 26 de agosto de 2019 essa taxa já está acumulada em 18.103,3 km2, indicando um aumento de quase três vezes a média do período de 2013 a 2018.

E o número acumulado de focos de queimadas de Janeiro a Agosto de 2019 atinge mais de 63,6% em comparação ao período de Janeiro a Dezembro de 2018 (68.345 queimadas), destacando o atual cenário de alerta pela comunidade científica, comunidades tradicionais, sociedade civil e organizações ambientalistas.

A SOS Amazônia entende que tal elevação está relacionada diretamente ao enfraquecimento dos órgãos de controle ambiental e a redução dos serviços de assistência técnica e extensão rural/florestal. Outro motivo é o incentivo ao desmatamento e as queimadas manifestado na opinião pública por agentes governamentais.

Figura 2 – Taxas de desmatamento e focos de calor médio e acumulado na Amazônia Legal. Note que o eixo vertical esquerdo mostra a área desmatada em km2, e o eixo vertical direito mostra o número de queimadas. O eixo horizontal mostra as médias da taxa de desmatamento e das queimadas (pontos em laranja) nos períodos de 1998-2003, 2004-2012 e de 2013-2018. E mostra a área total de desmatamento anual (acumulada) e o número de queimadas (pontos laranja) dos anos de 2012, 2018 e 2019. As barras de erros verticais (laranja e cinza) são estimadas a partir do desvio padrão da média.*Desmatamento acumulado entre 27 de Agosto de 2018 a 26 de Agosto de 2019 a partir do Deter. Fonte dados: Inpe (2019) – Desmatamento – Amazônia legal e Inpe (2019) – Banco de dados Queimadas.

Além disso, as observações atuais, de especialistas do clima, destacam que não estamos no interior de um ano seco induzido por um evento climático extremo como foram as secas severas de 2005 e 2010. Por exemplo, se comparado o total de queimadas do mês de agosto de 2019 (27.555 queimadas) com os meses de agosto de 2005 e 2010, o total de queimadas de agosto de 2019 representa 43,2% do total de 63764 queimadas em 2005 e 61% das 45.018 queimadas de 2010 e, – ultrapassa mais de 100% o número médio das queimadas dos meses de agosto de toda a série temporal (1998 a 2019), que foram 25930±14670 queimadas (média ± desvio padrão).

Como destaca Raimundo Mendes, precisamos agir rápido nesse momento para evitar que haja redução extrema da biodiversidade, que enfrenta grave perigo.

Ao longo dos próximos seis meses, a SOS Amazônia vai monitorar um grande grupo de informes técnicos a respeito dos diferentes temas ambientais (conservação de florestas e da biodiversidade, gestão dos rios e saneamento básico). Tem o compromisso de monitorar e enfrentar iniciativas ou políticas que enfraqueçam os órgãos públicos no cumprimento do papel de controle e prevenção de ameaças e crimes ambientais, fazendo interlocução direta junto aos dirigentes e representantes das instituições públicas governamentais e empresariais, e líderes políticos, cobrando atitude, recomendando iniciativas e propondo políticas a fim de estabelecer um ambiente de diálogo que prevaleça bom senso e responsabilidade pela conservação e desenvolvimento sustentável.

*EMPATE

🌳 O Empate é uma manifestação em prol da preservação da floresta Amazônica pelos seringueiros. Na década de 1980, a ação era usada por ativistas seringueiros como Chico Mendes, que, junto à uma comunidade, perfilavam no meio da floresta para impedir sua destruição. Chico foi referência na luta pela preservação da floresta, e um dos fundadores da SOS Amazônia.

🌳 Inspirados pelo movimento dos seringueiros, no domingo, 26 de agosto, acreanos realizaram o primeiro Empate pela Amazônia, na Praça Povos da Floresta. Dia 05/09, em Rio Branco (AC), haverá o segundo Empate, em frente ao Palácio Rio Branco. O evento faz parte de uma série de protestos que acontece pelo Brasil, intitulada #AmazônianaRua

Referências

[1] MMA-Brasil.Taxa de desmatamento na Amazônia Legal. Disponível em: https://www.mma.gov.br/informma/item/15259-governo-federal-divulga-taxa-de-desmatamento-na-amaz%C3%B4nia.html. Acesso em: 30 de Ago. 2019

[2] INPE. Banco de Dados de queimadas. Disponível em: http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/bdqueimadas. Acesso em: 30 de Ago. 2019

[3] Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Coordenação geral de Observação da Terra. Programa de Monitoramento da Amazônia e Outros Biomas. Desmatamento – Amazônia Legal – Available at http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/downloads/. Accessed: August 31, 2019

[4] Observatório do Clima. Desmatamento subiu 50% em 2019, indicam alertas do Inpe. Disponível em: http://www.observatoriodoclima.eco.br/desmatamento-subiu-50-em-2019-indicam-alertas-inpe/ . Acesso em: 30 de Ago. 2019

[5] Folha de São Paulo 2019. Por uma resposta à altura de nossa potência ambiental. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/08/por-uma-resposta-a-altura-da-nossa-potencia-ambiental.shtml. Acesso em: 30 de Ago. 2019

[Por Eliz Tessinari e Wendeson Castro]

Junte-se a nós em defesa da Floresta Amazônica.

Acreanos em Empate pela Amazônia

No domingo, 25, ocorreu a manifestação Empate pela Amazônia – em defesa das florestas, em Rio Branco. O evento foi realizado na praça Povos da Floresta, às 16h (horário local).

Comparativo do número dos focos de calor na Amazônia, de janeiro a agosto dos anos de 2018 e 2019. Fonte: INPE, 2019.

Organizações Não-Governamentais, artistas e a população local protestaram contra a crescente onda de desmatamento. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de focos de calor na Amazônia Legal aumentou 227% se comparado ao mesmo período do ano de 2018.

O Empate pela Amazônia fez parte de uma série de protestos pelo Brasil, intitulados de #AmazônianaRua, em prol da preservação da floresta.

Movimento Empate pela Amazônia | Hoje em Rio Branco, Acre

!!! No embalo da mobilização nacional, vai acontecer, hoje, às 16h, na Praça Povos da Floresta, em Rio Branco, Acre, o movimento #EMPATE pela Amazônia – Em defesa das florestas”, evocando a prática de resistência pacifista do ambientalista Chico Mendes.

O Comitê Chico Mendes em parceria com diversos movimentos, incluindo a SOS Amazônia, convida a população acreana a lutar pela Amazônia. Faça parte desse movimento em defesa da Floresta Amazônica!


Criança indígena da TI Arara do Igarapé Humaitá, Acre, Amazônia, em conexão com uma samaúma – a rainha da floresta | Foto: SOS Amazônia/Eliz Tessinari Indigenous child from the Indigenous Land Arara do Igarapé Humaitá, Acre, Amazônia, connecting with the Samaúma – the queen of the forest | Photo: SOS Amazônia/Eliz Tessinari

Aos associados e a todos que acompanham o trabalho da SOS Amazônia

É evidente a mudança de posicionamento do governo brasileiro a respeito da política ambiental para o país, inclusive para a Amazônia. As declarações públicas e as decisões implementadas apontam para uma gestão ambiental que altera o controle e a intensidade do enfrentamento das ameaças e crimes ao meio ambiente.

Comparativo do número dos focos de calor na Amazônia, de janeiro a agosto dos anos de 2018 e 2019. Fonte: INPE, 2019.

Diante desta situação, confirmada com o avanço do desmatamento e queimadas da Amazônia, comparando os anos de 2018 e 2019, expressamos nossa preocupação e pretendemos agir no sentido de evitar que uma tendência negativa de episódios no curto e longo prazos prevaleça, piore as condições de vida da população e cause danos irreversíveis ao patrimônio natural do país, especialmente da Amazônia.

NASA confirma um aumento no número e intensidade de incêndios na Amazônia brasileira em 2019 |

Considerando os oito meses iniciais dos governos federal e estaduais, e o conhecimento do modo operante e dos gestores, dos ministérios, secretarias de governos e diretorias, bem como dos parlamentares, estaremos em atenção permanente, ao longo dos próximos seis meses, monitorando um grande grupo de informes técnicos a respeito dos diferentes temas ambientais (conservação de florestas e da biodiversidade, gestão dos rios e saneamento básico). Pretendemos com isso, tentar intervir o mais rápido possível, e evitar ou enfrentar, iniciativas ou políticas que enfraqueçam os órgãos públicos no cumprimento do papel de controle e prevenção de ameaças e crimes ambientais. Vamos fazer interlocução direta junto aos dirigentes e representantes das instituições públicas governamentais e empresariais, e líderes políticos, cobrando atitude, recomendando iniciativas e propondo políticas a fim de estabelecer um ambiente de diálogo que prevaleça bom senso e responsabilidade pela conservação e desenvolvimento sustentável.

Paralelo a essa priorização da ação política, continuaremos na execução dos projetos  de fortalecimento e apoio aos produtos da sociobiodiversidade, restauração florestal, gestão e consolidação das unidades de conservação e produção agroecológica, das campanhas de proteção a espécie da fauna ameaçada e destinação correta de resíduos recicláveis, bem como duplicar o esforço na captação de apoios para ampliar e dar escala aos projetos e campanhas, para novas áreas da Amazônia, a começar no Acre, Rondônia e sul do Amazonas.

Entendemos que isso é pouco diante do modelo de desenvolvimento que prevalece no país, porém com a capacidade que temos hoje e a quantidade de apoios que temos recebido, esse é o compromisso que podemos assumir no momento.

Vamos nos esforçar mais para que ampliemos nossa base de simpatizantes, parceiros, voluntários, colaboradores e equipe, e assim possamos ser mais efetivos do que temos sido até o momento. Nesse sentido, serão muito bem-vindas, as doações, manifestações de apoio, recomendações, críticas e cobranças. Nos sentiremos fortalecidos.

Saudações ambientalistas,

CONSELHO DELIBERATIVO DA SOS AMAZÔNIA

Criança indígena da TI Arara do Igarapé Humaitá, Acre, Amazônia, em conexão com uma samaúma – a rainha da floresta | Foto: SOS Amazônia/Eliz Tessinari Indigenous child from the Indigenous Land Arara do Igarapé Humaitá, Acre, Amazônia, connecting with the Samaúma – the queen of the forest | Photo: SOS Amazônia/Eliz Tessinari

SOS Amazônia apoia renovação de certificação orgânica de produtos da sociobiodiversidade

Famílias extrativistas do Vale do Juruá, no Acre, que atuam na extração do cacau silvestre e na produção de óleos vegetais, receberam em outubro de 2018, com o apoio da SOS Amazônia, a certificação orgânica internacional de seus produtos para os mercados europeu e norte-americano.

E agora se preparam para fazer a renovação do selo de orgânico de quatro de seus produtos: cacau silvestre, manteiga de murmuru (Astrocaryum murumuru), óleo de açaí (Euterpe oleracea) e buriti (Mauritia flexuosa).

O processo de renovação está sendo feito graças ao projeto “Valores da Amazônia”, desenvolvido pela SOS Amazônia. Financiado com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, o projeto visa fortalecer nove cooperativas e seus cooperados para aperfeiçoarem e padronizarem a extração de produtos florestais não madeireiros de regiões da Amazônia com grande concentração de biodiversidade.

De acordo com o coordenador técnico da SOS Amazônia, Álisson Maranho, das quatro cooperativas que foram certificadas ano passado, duas entraram com o processo para renovar: a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos) e a Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra).  Ambas localizadas nos municípios do Vale do Juruá, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no Acre. Juntas, somam 100 famílias participando da certificação, sendo parte delas moradoras de unidades de conservação.

“A certificação é concedida pela empresa boliviana Imocert, uma das pioneiras neste tipo de trabalho na América Latina. E tem por objetivo assegurar que toda a produção é realizada com baixo impacto ambiental, sem o uso de agrotóxicos, e garantindo o pagamento justo para cada família, reunidas em cooperativas assessoradas pela SOS Amazônia”, comenta Álisson.

Como é o processo de renovação

O processo de renovação, de acordo com a engenheira florestal e coordenadora de campo da SOS Amazônia, Thayna Souza, está baseado na inspeção de campo aos extrativistas. Nessa visita, é preenchida uma ficha específica, para cada extrativista, que avalia, principalmente, seu modo de coleta e beneficiamento do fruto. O mesmo é feito para a usina de óleos. Após a inspeção, é dado um parecer (favorável ou não) para certificar.

“A certificação traz às cooperativas uma nova visão, foi e está sendo importante para o processo de organização da cooperativa, de manuseio e processamento dos frutos, além de agregar valor e permitir acesso a um mercado diferenciado, com preço justo e garantia da conservação da floresta, tendo em vista que não permite caça predatória, desmate, queima e utilização de agrotóxico”, explica Thayna.

Outro ponto importante, segundo ela, é que 20% dos frutos não podem ser coletados, visando garantir a regeneração florestal. Outro requisito é a formação dos extrativistas quanto ao processo, é preciso que eles tenham recebidos oficinas de boas práticas, visita e acompanhamento técnico.

“Com tudo isso, a certificação é um indicativo de sustentabilidade da floresta, atrai um mercado consumidor com um preço melhor e proporciona melhoria de vida às famílias”, completa.

Prazo para a nova certificação

O trabalho foi iniciado em julho de 2019 e tem previsão de término em meados de outubro, com a entrega dos certificados pela Imocert. Técnicos da SOS Amazônia acompanham as atividades de inspeção sobre a melhoria e manutenção dos processos produtivos, coordenadas pelo Imocert.

Após essa auditoria, se a certificadora constatar que todas as suas exigências estão, de fato, sendo cumpridas, ou seja, se as famílias estão atendendo aos critérios e que as cooperativas produzem com o novo padrão, a Imocert concede o selo de que a produção destas organizações sociais está livre do uso de agrotóxicos e outros contaminantes, e que adotam práticas que preservam a fauna e a flora da região, além de assegurar às famílias o pagamento justo por aquilo que conseguem entregar.

Para Elines Araújo, presidente da Coopfrutos, ter o óleo de buriti certificado é uma oportunidade única de alcançar novos mercados.

“Ter nossos produtos com rastreabilidade, mostrando o nosso compromisso com a parte ambiental e que os produtores da região estão capacitados para oferecer uma matéria-prima que tem um padrão de qualidade, respeitando a floresta e os animais, faz com que nossas oportunidades de negócios se ampliem. Agradecemos muito a SOS Amazônia por nos ajudar a garantir o selo orgânico do óleo de buriti, sem essa parceria seria muito difícil alcançar nossos objetivos”, ressalta Elines.

Movimento em defesa do Fundo Amazônia #MobilizeSe #SOSFundoAmazônia

Apoiamos o manifesto da Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES) e da Associação Nacional dos Servidores do Ibama (Asibama) em defesa do Fundo Amazônia. A Amazônia precisa da nossa ajuda! Um dos principais projetos de preservação da maior floresta tropical do mundo está em risco. E você pode ajudar: acesse e divulgue o site www.emdefesadofundoamazonia.com.br; assista e compartilhe o vídeo da campanha e baixe materiais para postar nos seus stories.

LEIA CARTA MANIFESTO

Ao longo dos seus 10 anos de existência e após muito trabalho de construção, redirecionamentos e padronização, o Fundo se consolidou, perante a sociedade brasileira e seus principais interlocutores, como um dos instrumentos financeiros mais eficientes e reconhecidos, no cenário nacional e internacional, em termos de transparência, governança participativa, diversidade de beneficiários, auditorias e avaliações, e resultados e impactos concretos já alcançados.

Segundo o governo da Noruega, doador majoritário do Fundo: “O fundo Amazônia se tornou uma das melhores práticas globais de financiamento com fins de conservação e uso sustentável de florestas e estimulou parcerias semelhantes de financiamento climático em todo o mundo. (…) A Noruega está satisfeita com a robusta estrutura de governança do Fundo Amazônia e os significativos resultados que as entidades apoiadas pelo Fundo alcançaram nos últimos 10 anos.” (https://www.norway.no/pt/brasil/noruega-brasil/noticias-eventos/brasilia/noticias/declaracao-sobre-o-fundo-amazonia/).

São 103 projetos aprovados com captação de 3,4 bilhões de reais de doações destinadas a investimentos não reembolsáveis em projetos de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável na Amazônia Legal, tendo como público-alvo comunidades tradicionais, assentamentos, povos indígenas e agricultores familiares. Resultados concretos: 162 mil pessoas beneficiadas com atividades produtivas sustentáveis, 190 unidades de conservação apoiadas, 687 missões de fiscalização ambiental efetuadas, 465 publicações científicas ou informativas produzidas, dentre outros.

Não obstante, o Fundo Amazônia vive hoje momento de incertezas com relação ao seu futuro: ataques na imprensa, inexistência de diálogo e completa falta de direcionamento estratégico, por parte da atual gestão do Ministério do Meio Ambiente, vêm, desde então, criando grande ambiente de insegurança interna e paralisia operacional, bem como preocupação por parte dos doadores, prejudicando os andamentos dos trabalhos do Fundo e colocando em risco a sua Continuidade.

Paralelamente, o recente Decreto nº 9.759, de 11/04/19 extingue em 28/06/2019 dois pilares importantes de governança do Fundo: o Comitê Orientador do Fundo Amazônia e o Comitê Técnico do Fundo Amazônia, tema esse bastante sensível e caro aos doadores e demais interlocutores do Fundo. Além desse cenário, na última semana, a equipe do Fundo Amazônia foi surpreendida pela perda de suas duas principais lideranças, pessoas reconhecidas como de alta capacidade técnica e executiva, tanto no BNDES quanto perante o público externo, com largo histórico de trabalho no Fundo. Cientes de que transições e mudanças estratégicas fazem parte do jogo, o que parece estar em pauta, porém, nesse momento é a defesa da própria existência do Fundo Amazônia.

Por outro lado, o contexto do aquecimento global, os alertas sistemáticos no aumento do desmatamento e degradação florestal na Amazônia e a grave crise fiscal que o país atravessa, tornam ainda mais urgente e relevante a defesa do Fundo nesse momento.

O Fundo Amazônia não é um projeto de governo, mas uma conquista da sociedade brasileira, fruto de negociações internacionais climáticas, cujo consenso gira em torno da construção de um modelo economicamente sustentável na Amazônia que inclua, em sua concepção, os interesses dos povos originários e tradicionais que vivem para e pela floresta em pé.

Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES)
Associação Nacional dos Servidores do Ibama (Asibama)
Rio de Janeiro, julho de 2019.

[CARTA MANIFESTO]

Boas práticas para coleta e beneficiamento de murmuru

SOS Amazônia publica cartilha sobre coleta e beneficiamento de murmuru.

As cadeias de valor de espécies oleaginosas, como murmuru, buriti, cocão, açaí, patauá, breu, cumaru, tucumã, dentre outras, são operadas por comunidades rurais em vários lugares da Amazônia. São muitos os problemas a serem enfrentados em cada elo das cadeias, necessitando de forte apoio para a superação desses desafios. O objetivo deste material foi relatar as etapas de produção da cadeia do murmuru e como isso se insere no contexto de conservação florestal. [Projeto Valores da Amazônia/Fundo Amazônia]

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Extrativistas avaliam os resultados e impactos do Valores da Amazônia

Com o propósito de debater os alcances das metas em relação a conservação dos recursos naturais e a geração de renda para comunidades extrativistas da Amazônia, a SOS Amazônia promoveu nos dias 26 e 27 de junho em Rio Branco, o IV Seminário de avaliação sobre os resultados e impactos do projeto Valores da Amazônia.

O encontro destacou as mudanças obtidas em relação aos nove empreendimentos apoiados pelo projeto (Pushuã, Amuralha, Cooperar, Coopfrutos, Coapex, Caet, Coperafe, Coopercintra e Copronat), nos aspectos da gestão e produção extrativista, além de apresentar os novos desafios para a região e para as organizações sociais.

Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, falou sobre a importância e a potencialidade que o extrativismo possui no estado e evidenciou os esforços realizados pela instituição na geração de trabalho e desenvolvimento sustentável.

“Com todos esses desafios realizados, eu considero importante esse momento para refletir e ver se nossos passos foram bem feitos, se deram resultados de fato. Todas as pessoas que estão envolvidas são sempre persistentes e é isso o que queremos. O não madeireiro na economia do Acre e do país é muito significativo. Então, nós temos que persistir para que isso seja efetivado e fazer com que esse trabalho com as cooperativas apoiadas seja visto. É preciso ser mostrado no anuário estatístico do estado, na parte da economia, a contribuição que o extrativismo possui, a riqueza que essa floresta possui e o quanto tem sido pouca explorada nesse sentido sustentável, viabilizando retorno financeiro para todos os comunitários”, afirma.

Elines Ferreira, presidente da Coopfrutos

Em forma de agradecimento, a presidente da Coopfrutos, Elines Ferreira, destacou os benefícios que receberam do projeto.

“Estamos apresentando o trabalho que realizamos durante todo esse tempo, tanto na sociedade quanto dentro da cooperativa. Graças a esse projeto, a Coopfrutos que antes possuía apenas CNPJ passou para a parte de legalização, estruturação, recebeu equipamentos, então isso foi importante demais” disse.

Na oportunidade, o gerente do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, André Ferro, comentou a importância da continuidade do trabalho com as cooperativas.

“Todas essas atividades serviram para mostrar como o projeto teve início e foi sendo organizado, sua mobilização, como cada ação foi realizada. E tudo o que conseguimos até agora já é muito bom, é um imenso avanço. A equipe está de parabéns, sabemos das dificuldades enfrentadas e o que queremos é continuar com esse trabalho para não perder nada de vista,” avalia.

Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia, também fala sobre os importantes avanços e de suas perspectivas em relação ao projeto.

“Nesses dois últimos anos de projeto, os grandes destaques que obtivemos foram os avanços em termo de produção, todas as cadeias apoiadas como o cacau, borracha e óleos vegetais tiveram um rendimento considerável desde o início, e também a organização social que melhorou o convívio com as famílias comunitárias e as cooperativas. Esperamos que esses efeitos continuem, que essas e outras novas lições sejam debatidas e vivenciadas,” declara.

SOS Amazônia e instituições parceiras

Durante o evento, Miguel assinou com as instituições parceiras (Sema, Funtac, WWF-Brasil, Sedens, SEPN, Seaprof, Parque Zoobotânico/Ufac, Sebrae) e o gerente do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, André Ferro, uma carta de intenção, com o objetivo de promover a cooperação técnica no desenvolvimento das cadeias produtivas sustentáveis no estado do Acre.

Entre tantos parceiros, voluntários e colaboradores, é comemorado também o aniversário de 30 anos da SOS Amazônia, que desde 1988 segue a missão de promover a conservação da biodiversidade e o crescimento da consciência ambiental na Amazônia.

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Deylon Félix | Eliz Tessinari

Foto destaque: Dill Marques

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Mais depoimentos

“É muito satisfatório ver o desenvolvimento desses comunitários, esses grandes resultados só nos mostram o quanto isso vale a pena” (Francisca Souza, técnica/SOS Amazônia)

“Com o seminário foi possível entender mais a forma de produção de cada equipe, a gestão e tudo o que fizeram para continuar crescendo” (Renato Pereira, técnico/SOS Amazônia)

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