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Desmatamento na Resex Chico Mendes gera preocupação para queimadas em setembro

As reservas extrativistas foram criadas para que fossem um modelo de desenvolvimento sustentável, aliando a presença humana com a conservação da natureza, tendo na própria natureza a fonte de geração de renda e manutenção das populações tradicionais que nela vivem. A borracha nativa e outros produtos do extrativismo foram o motivo do movimento dos seringueiros (incluindo o ativista ambiental e um dos fundadores da SOS Amazônia, Chico Mendes) que levou à criação das RESEXs na década de 1990.

Ao longo dos anos, essas áreas de floresta vêm perdendo espaço para pecuária, a exemplo da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, onde muitas famílias substituíram a produção extrativista pela agricultura familiar e a criação de animais, principalmente de bovinos.

A equipe da SOS Amazônia, na quinta-feira, 29, visitou áreas da Resex Chico Mendes, em Xapuri, com o objetivo de analisar a situação atual de desmatamento e queimadas nesta Unidade de Conservação (UC). E o cenário é de grande preocupação – Muitas áreas de floresta foram desmatadas, com grande possibilidade de queima durante todo o mês de setembro. Foram observadas áreas desmatadas recentes variando em torno de 2,5 a 15 hectares que, em geral, são destinadas a queima para usos posteriores como atividades agrícolas e, em especial criação de bovinos, que tem sido uma fonte decisiva para o aumento do desmatamento e a prática habitual do uso do fogo na Resex.  

Raimundo Mendes mostra preocupação com o avanço da pecuária na Resex Chico Mendes e pede atitude dos órgãos de fiscalização

Raimundo Mendes, 74 anos, morador da CM e um dos que fez parte do movimento Empate*, liderado por Chico Mendes, também alerta que em setembro haverá muitas queimadas, principalmente com o objetivo de aumentar áreas de pastagem, confirmadas pelas imagens aéreas recentes que a SOS Amazônia fez naquela UC.

“Eu tenho informações que há muito desmatamento dentro da Reserva. Inclusive, não para roçado de subsistência, mas desmatamento para aumentar o pasto e colocar mais bois. É algo que vem acontecendo e tem nos preocupado muito, tanto a mim como a todos que com o Chico Mendes lutaram para que a gente tivesse esse benefício extraordinário que é a Reserva Extrativista. Infelizmente, temos aqui pessoas que ocupam o nome de seringueiro, mas se deram ao comportamento de hoje estarem assumindo o papel de fazendeiro. Não cortam mais seringa e o que estão fazendo é desmatar para criar bois. Isso é uma verdade e nos preocupa muito porque a Reserva é um bem conquistado com muito sacrifício, com sangue de companheiros nossos, como foi o caso do Chico Mendes, Ivair Higino e Wilson Pinheiro.

Historicamente, os desmates e queimadas ocorrem em maior intensidade nos meses de agosto, setembro e outubro, com picos de queimadas em setembro – em especial na Amazônia Brasileira.

Figura 1 – Série temporal (1998 a 2018) do número de focos de calor de Janeiro a Dezembro na Amazônia Legal obtidos a partir do satélite principal Aqua_M-T. Note que o eixo vertical esquerdo mostra o número de focos de calor na Amazônia Legal. E o eixo horizontal os meses de Janeiro a Dezembro. Fonte dados: Inpe (2019) – Banco de dados Queimadas.

A tendência entre 2004 e 2012 era de queda, quando se atingiu a menor taxa anual de desmatamento com 4.571 km2 e 86.719 focos de queimadas em 2012.

Entre os anos de 2013 a 2018, a taxa anual média de desmatamento foi de 6.581±1081 km2 (média ± desvio padrão) e 85.303 focos de queimadas. No entanto, de acordo com o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), entre 27 de agosto de 2018 a 26 de agosto de 2019 essa taxa já está acumulada em 18.103,3 km2, indicando um aumento de quase três vezes a média do período de 2013 a 2018.

E o número acumulado de focos de queimadas de Janeiro a Agosto de 2019 atinge mais de 63,6% em comparação ao período de Janeiro a Dezembro de 2018 (68.345 queimadas), destacando o atual cenário de alerta pela comunidade científica, comunidades tradicionais, sociedade civil e organizações ambientalistas.

A SOS Amazônia entende que tal elevação está relacionada diretamente ao enfraquecimento dos órgãos de controle ambiental e a redução dos serviços de assistência técnica e extensão rural/florestal. Outro motivo é o incentivo ao desmatamento e as queimadas manifestado na opinião pública por agentes governamentais.

Figura 2 – Taxas de desmatamento e focos de calor médio e acumulado na Amazônia Legal. Note que o eixo vertical esquerdo mostra a área desmatada em km2, e o eixo vertical direito mostra o número de queimadas. O eixo horizontal mostra as médias da taxa de desmatamento e das queimadas (pontos em laranja) nos períodos de 1998-2003, 2004-2012 e de 2013-2018. E mostra a área total de desmatamento anual (acumulada) e o número de queimadas (pontos laranja) dos anos de 2012, 2018 e 2019. As barras de erros verticais (laranja e cinza) são estimadas a partir do desvio padrão da média.*Desmatamento acumulado entre 27 de Agosto de 2018 a 26 de Agosto de 2019 a partir do Deter. Fonte dados: Inpe (2019) – Desmatamento – Amazônia legal e Inpe (2019) – Banco de dados Queimadas.

Além disso, as observações atuais, de especialistas do clima, destacam que não estamos no interior de um ano seco induzido por um evento climático extremo como foram as secas severas de 2005 e 2010. Por exemplo, se comparado o total de queimadas do mês de agosto de 2019 (27.555 queimadas) com os meses de agosto de 2005 e 2010, o total de queimadas de agosto de 2019 representa 43,2% do total de 63764 queimadas em 2005 e 61% das 45.018 queimadas de 2010 e, – ultrapassa mais de 100% o número médio das queimadas dos meses de agosto de toda a série temporal (1998 a 2019), que foram 25930±14670 queimadas (média ± desvio padrão).

Como destaca Raimundo Mendes, precisamos agir rápido nesse momento para evitar que haja redução extrema da biodiversidade, que enfrenta grave perigo.

Ao longo dos próximos seis meses, a SOS Amazônia vai monitorar um grande grupo de informes técnicos a respeito dos diferentes temas ambientais (conservação de florestas e da biodiversidade, gestão dos rios e saneamento básico). Tem o compromisso de monitorar e enfrentar iniciativas ou políticas que enfraqueçam os órgãos públicos no cumprimento do papel de controle e prevenção de ameaças e crimes ambientais, fazendo interlocução direta junto aos dirigentes e representantes das instituições públicas governamentais e empresariais, e líderes políticos, cobrando atitude, recomendando iniciativas e propondo políticas a fim de estabelecer um ambiente de diálogo que prevaleça bom senso e responsabilidade pela conservação e desenvolvimento sustentável.

*EMPATE

🌳 O Empate é uma manifestação em prol da preservação da floresta Amazônica pelos seringueiros. Na década de 1980, a ação era usada por ativistas seringueiros como Chico Mendes, que, junto à uma comunidade, perfilavam no meio da floresta para impedir sua destruição. Chico foi referência na luta pela preservação da floresta, e um dos fundadores da SOS Amazônia.

🌳 Inspirados pelo movimento dos seringueiros, no domingo, 26 de agosto, acreanos realizaram o primeiro Empate pela Amazônia, na Praça Povos da Floresta. Dia 05/09, em Rio Branco (AC), haverá o segundo Empate, em frente ao Palácio Rio Branco. O evento faz parte de uma série de protestos que acontece pelo Brasil, intitulada #AmazônianaRua

Referências

[1] MMA-Brasil.Taxa de desmatamento na Amazônia Legal. Disponível em: https://www.mma.gov.br/informma/item/15259-governo-federal-divulga-taxa-de-desmatamento-na-amaz%C3%B4nia.html. Acesso em: 30 de Ago. 2019

[2] INPE. Banco de Dados de queimadas. Disponível em: http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/bdqueimadas. Acesso em: 30 de Ago. 2019

[3] Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Coordenação geral de Observação da Terra. Programa de Monitoramento da Amazônia e Outros Biomas. Desmatamento – Amazônia Legal – Available at http://terrabrasilis.dpi.inpe.br/downloads/. Accessed: August 31, 2019

[4] Observatório do Clima. Desmatamento subiu 50% em 2019, indicam alertas do Inpe. Disponível em: http://www.observatoriodoclima.eco.br/desmatamento-subiu-50-em-2019-indicam-alertas-inpe/ . Acesso em: 30 de Ago. 2019

[5] Folha de São Paulo 2019. Por uma resposta à altura de nossa potência ambiental. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/08/por-uma-resposta-a-altura-da-nossa-potencia-ambiental.shtml. Acesso em: 30 de Ago. 2019

[Por Eliz Tessinari e Wendeson Castro]

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SOS Amazônia abre edital – contratação de consultoria para implantação de Sistemas Agroflorestais

A Associação SOS Amazônia, entidade da Sociedade Civil sem fins lucrativos, comunica aos interessados a abertura de Edital para contratação de  serviços de assessoria técnica (Pessoa Jurídica) para promover a recuperação da cobertura de solo com a implantação de sistemas agroflorestais, utilizando-se de espécies de interesse econômico e ecológico. (Parceria LUSH Cosmetics).

Propostas podem ser enviadas até o dia 16 de agosto de 2019 para o e-mail [email protected]

Acesse o edital.

Modelo Documento para envio das propostas.

Organizações comunitárias participam de workshop sobre gestão e sustentabilidade

Representantes de 16 organizações comunitárias da região do Juruá, Tarauacá e Feijó participaram, nesta quinta-feira, 28, em Rio Branco, de Workshop do projeto Gestão & Sustentabilidade.

A iniciativa, promovida pela SOS Amazônia, governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Acre (PDSA II), teve por objetivo avaliar os resultados e desafios do projeto.

De acordo com Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, o encontro serviu para analisar todas as atividades realizadas, relembrar cada avanço impulsionado pelos gestores e comunitários.

“Fizemos uma revisão detalhada das atividades no prazo que foram executadas e com isso podemos perceber que conseguimos atingir os objetivos básicos a qual procuramos desde o início. O projeto fortaleceu as cooperativas e associações no aspecto de fazer a gestão da instituição, em cada pessoa entender melhor os seus papéis e de poderem fazer exercícios de planejamento, no processo relacionado a produção não madeireira”, conta.

Com o levantamento das ações desenvolvidas durante um ano de projeto, a programação apresentou os impactos e benefícios alcançados e os desafios futuros para as organizações apoiadas.

“O encontro foi extremamente importante por que depois de tanto trabalho de sensibilização e capacitação em diferentes comunidades, com centenas de beneficiários, esse é um momento para apresentar os resultados e saber quais os pontos positivos que nós conseguimos e onde é que devemos melhorar”, afirma Carlos Edegard, secretário de Meio Ambiente do Acre (Sema).

A presidente da AMURALHA, Nataires Ferreira, falou da oportunidade de trocar experiências e dos avanços que o projeto já proporcionou.

Presidente da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais Unidas por Liberdade, Humanidade e Amor  – AMURALHA, Nataires Ferreira

“Pela linha do tempo percebemos o que melhoramos, obtendo novos conhecimentos, trocando experiências e também vendo onde precisamos melhorar. Antes nossas atividades eram executas sem planejamento, e por causa disso, tudo dava errado. O projeto chegou e nos ajudou em tudo, a planejar primeiro, ver o tanto que iremos gastar, o que precisa e assim chegar ao sucesso”, explica Nataires.

Bia Saldanha, coordenadora da cadeia produtiva da borracha/Veja Fairtrade, situa a iniciativa como ponto de relevância para corrigir e entender as necessidades, com o propósito de avançar cada vez mais e contribuir com a melhoria da vida no campo.

“A gestão de sustentabilidade dos recursos não madeireiros do Acre é um ponto central do desenvolvimento sustentável dessas comunidades, então eu faço votos que seja proveitoso que a gente consiga cada vez mais aproximar os gestores que estão pensando as políticas públicas daqueles que estão de fato na floresta fazendo as coisas acontecer”, declara.

O evento contou também com a participação do senador do estado do Acre, Jorge Viana. “O desafio de vocês (comunitários) é muito grande, então, tudo isso que está sendo feito é fantástico, com esse trabalho o Acre se torna uma base de esperança para toda a Amazônia”, disse o senador.

Deylon Félix

Cooperativas vão participar de Workshop sobre Gestão e Sustentabilidade

Representantes de 16 organizações comunitárias da região do Juruá, Tarauacá e Feijó vão participar, no dia 28 de junho, em Rio Branco, de Workshop do projeto Gestão & Sustentabilidade.

A iniciativa, promovida pela SOS Amazônia, governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Acre (PDSA II), tem por objetivo de avaliar os resultados e desafios do projeto.

“Os negócios florestais é mais uma estratégia para o desenvolvimento da Região Amazônica e de suas populações tradicionais, que utilizam dos benefícios proporcionados pelas florestas. E avaliar ações do projeto, de forma participativa, é muito importante para o fortalecimento dessa iniciativa na região”, afirma Álisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

PROGRAMAÇÃO

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O Projeto Gestão & Sustentabilidade tem por objetivo promover serviços técnicos especializados visando assessorar e capacitar 16 organizações comunitárias que participam de iniciativas de manejo florestal comunitário não madeireiro, com foco na organização social e gestão desses empreendimentos, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Acre – PDSA II.

Com o apoio do Projeto Valores da Amazônia, Cooperativas vão ter produtos da sociobiodiversidade com certificação orgânica e selo Forest Garden Products

Transformar a vida das pessoas que vivem na floresta, levando alternativas de trabalho e renda, com foco na manutenção da floresta é o desafio do projeto Valores da Amazônia, realizado pela SOS Amazônia, com apoio financeiro do Fundo Amazônia.

Uma das metas do projeto é a certificação orgânica de produtos florestais não madeireiros. Para isso, há investimentos em infraestruturas, formações, pesquisas e intercâmbios.

“Desde 2015, o Valores da Amazônia vem se empenhando por meio de visitas técnicas, intercâmbios e oficinas de boas práticas no processo produtivo e de certificação, a fortalecer o caminho para o selo orgânico desses produtos, e agora estamos tendo essa oportunidade no Acre e Amazonas, de termos vários produtos com certificação orgânica. Isso representa uma enorme conquista para a biodiversidade amazônica, para os empreendimentos apoiados e para as pessoas”, conta Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

Inspeção na Cooperar – IMOcert

O trabalho mais recente foi a inspeção realizada nas cooperativas Coopercintra, Coopfrutos, Cooperar e Copronat, pela IMOcert Latinoamérica, pioneira na atividade de certificação ecológica e sustentável na América Latina.

A inspeção, para certificar produtos das cadeias de valor de óleos vegetais e do cacau silvestre, aconteceu no período de 8 a 27 de maio. Representantes da IMOcert fizeram visitas técnicas especializadas nos quatro empreendimentos, além de ampliar o conhecimento dos cooperados e da equipe de extensionistas com mais uma oficina de Certificação Orgânica, Extrativista e Mercado Justo.

Na oficina de cinco dias, discutiu-se as normas europeias, norte-americana e normas privadas, com ênfase em ‘Forest Garden Products’ (FGP); além de debater o que se faz necessário para atender exigências e conseguir o certificado de produto orgânico.

“A ideia é que essas pessoas sejam multiplicadoras do processo e também inspetoras dessas organizações que futuramente podem requerer também sua própria certificação. O curso contou com atividades teóricas e práticas, dentre elas: elaborações de ficha de inspeção, regulamentos internos e elaborações de contratos”, explica Thayna Souza, executiva ambientalista/SOS Amazônia.

Após a oficina, os profissionais da IMOcert iniciaram processo de Certificação das beneficiárias.

Áreas de cacau silvestre | IMOcert

A Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra) está se adequando para certificar dois produtos: manteiga de murmuru e amêndoa de cacau; A Cooperativa de Produtos Naturais da Amazônia (Copronat), quatro produtos: semente e óleo de cumaru, resina e óleo essencial de breu; Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar), nove produtos: andiroba, copaíba, tucumã, murmuru, buriti, uricuri,  patauá, castanha e cacau; e a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos), dois produtos: óleo de buriti e açaí.

De acordo com Àlisson, os produtos foram aprovados, no entanto, as cooperativas têm prazos de 30 a 90 dias para fazerem os ajustes necessários para a emissão do certificado orgânico. Dentre os ajustes está a elaboração de fichas para controle de matéria-prima e de inspeção interna, delimitação das áreas para os produtos orgânicos; exposição de banner com os 12 princípios da Norma Privada FGP.

Inspeção na Coopfrutos – área de coleta de buriti e açaí | IMOcert

Elizana Araújo, superintendente da Coopfrutos, vê a iniciativa como uma grande oportunidade para alcançar novos mercados. “Com a certificação as cooperativas terão uma grande oportunidade de ter acesso a novos mercados, principalmente o mercado Europeu, e com isso agregar maior valor aos produtos, garantindo melhor qualidade de vida para todos envolvidos no processo produtivo”, disse.

Para Ivan Del Carpio, inspetor sênior e consultor externo da Imocert, há grande potencial para os produtos florestais não madeireiros e ele vê na certificação uma forma de despertar o interesse de mais pessoas a trabalhar com esses produtos.

“O mais importante é que as cooperativas podem acessar mercados internacionais para comercializar produtos com melhores preços, permitindo o fortalecimento econômico e social da cooperativa. Para os extrativistas, a maior importância está em agregar valor ao seu produto, e garantir que sua saúde e a das pessoas não seja comprometida. Mas, ainda utilizam muito pouco do potencial da floresta, com a certificação e o aumento do valor, é possível que desperte o interesse de todos para o trabalho com o extrativismo”, avalia.

POR QUE CERTIFICAR?

A certificação tem sido cada vez mais difundida e requerida por compradores como exigência de qualidade de produtos, e também porque se preocupam com a sustentabilidade e a melhoria de renda das famílias que vivem do extrativismo. A certificação tem um papel na economia e no âmbito social muito grande, além de valorizar o trabalho do extrativista, garante a ele novas fontes de renda, e essa renda com a certificação, tem grande possibilidade de ser ampliada. Aliado a isso, os compradores finais estão cada vez mais preocupados com a saúde, o que impulsiona também o crescimento da demanda por produtos cultivados com métodos orgânicos.

A diferenciação de produtos orgânicos ocorre com base em suas qualidades físicas, decorrentes, principalmente, da ausência de agrotóxicos e adubos químicos.

A certificação é “uma garantia” de que os produtos tenham de fato sido produzidos dentro dos padrões de orgânicos, nesse caso, os produtos oriundos do extrativismo são de fato oriundos de boas práticas de manejo de coleta e beneficiamento, respeitando critérios de sustentabilidade ambiental e social.

Há dezenas de benefícios: Sintonia com os princípios do extrativismo, como por exemplo, não coletar todos os frutos, assegurando o alimento aos animais e permitindo a regeneração florestal; não usar veneno; não desmatar, nem queimar a floresta.

Acesse a página do Projeto Valores da Amazônia | Navegue aqui.

Mais de 40 comunidades são beneficiadas com ATER Agroecologia no Juruá

A SOS Amazônia, em parceria com a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), realiza, desde 2012,  no Alto Juruá, Acre, o Projeto ATER Agroecologia. O objetivo é promover a Agricultura Familiar Sustentável.

A iniciativa tem o desafio de trabalhar a produção agroecológica e orgânica nas Unidades de Produção Familiar (UPF) e destacar a necessidade de alternativas que visem a melhoria da produção rural, de olho no uso sustentável dos recursos naturais.

Mais de 40 comunidades são beneficiadas com o projeto, alcançando cerca de 800 famílias, nos municípios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

Com o esforço e a experiência da equipe técnica da SOS Amazônia, que navega os diversos rios e igarapés da  região, para levar novas alternativas de produção, sem desmatamento, sem uso do fogo e sem veneno, já se registram muitos resultados importantes.

Um exemplo é a propriedade do seu Raimundo Nonato Ferreira, mais conhecido como Leandro, que conta com orgulho que não desmata mais e nem usa veneno em sua área rural. Atualmente, seu Leandro usufrui do seu Sistema Agroflorestal (SAF).

“Já estou colhendo os frutos, tenho mamão papaia, abacate, tangerina, laranja, abacaxi, graviola, cupuaçu, cacau, acerola, banana e a roça. A gente faz a roça sem uso do fogo e eu não uso veneno. Aqueles agricultores que trabalham ainda com queima, além deles estarem agredindo o meio ambiente estão explorando a terra deles. Um agricultor que trabalha lá no Riozinho reclamou que plantava muito longe. Eu perguntei: por que você não traz o roçado para a beira de casa? Ele respondeu:  não, porque a terra de lá não dá. Eu disse: é porque você trabalha de maneira irresponsável, porque para trabalhar de maneira sustentável é preciso você ter consciência do que está fazendo, se eu broco uma terra dessa aí e meto fogo vou tirar todos os nutrientes dela”, explica seu Leandro.

Além da prática de Roçados Sustentáveis, o ATER Agroecologia promove atividades abordando várias temáticas: reaproveitamento de alimentos alternativos, conservação dos recursos naturais, controle sanitário ao redor das casas, igarapés e rios, educação ambiental acerca dos resíduos sólidos, violência doméstica.

Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, explica que o projeto ATER Agroecologia termina no final de maio. No entanto, há grande possibilidade de estender o prazo por mais seis meses, já que existem atividades que não foram realizadas por conta de atrasos de empenhos financeiros.

“Sem dúvida, é fundamental que essa iniciativa continue apoiando as famílias do Juruá, gerando trabalho e renda, com o uso sustentável dos recursos naturais da região”, destaca Miguel.

Saiba mais sobre o Projeto ATER Agroecologia

Projetos estimulam o reflorestamento e a segurança alimentar em comunidades rurais

 

 

Mesmo com objetivos específicos diferentes, o ATER Agroecologia, ATES Alto Juruá e o Valores da Amazônia, projetos desenvolvidos pela SOS Amazônia em diversas comunidades dos estados do Acre e Amazonas, têm em comum a busca por uma melhor sinergia entre as comunidades apoiadas e a floresta.

Alguns dos exemplos sustentáveis, que ajuda a melhorar essa relação homem-floresta, é a implantação de viveiros e estufas comunitárias, onde as famílias são capacitadas na prevenção e controle de pragas sem utilizar agrotóxicos. Além disso, ajuda na segurança alimentar e nutricional dessas pessoas.

Da mesma forma, as famílias são apresentadas ao cultivo dos roçados sustentáveis, que consiste no plantio de leguminosas (mucuna-preta / Stizolobium aterrimum  e puerária /phaseoloides), detentoras de grande potencial na recuperação dos solos improdutivos, deixando de lado processos de cultivo que degradam o ambiente, como por exemplo, a broca e o fogo.

“Fico extremamente feliz em ver que os resultados do nosso trabalho só tendem a aumentar e melhorar a vida dessas famílias, pois as crianças e seus pais estão consumindo um alimento saudável, livre de qualquer tipo de agrotóxico, e o mais interessante, estão sendo produzidos por elas mesmas”, destaca Bismark Pinheiro, executivo ambientalista da SOS Amazônia.

Com relação aos roçados sustentáveis, Aligia Alencar, técnica de agroecologia da SOS Amazônia, falou da importância da iniciativa para as comunidades. “O roçado sustentável é uma forma de recuperar áreas que antes tinham sido deixadas de lado por causa da improdutividade. É uma luz no fim do túnel para aquelas famílias que antes tinham desistido de suas áreas e precisavam desmatar novas áreas para fazer plantio”, diz.

 

 

 

ATER Agroecologia desperta a valorização da floresta em comunidades do Juruá

Foto: Artesanato e sabão produzidos nas comunidades beneficiadas com o projeto de ATER Agroecologia; construção de viveiros; separação da mucuna e acompanhamento dos Quelônios do Juruá.

 

Produzir sem agredir

A Amazônia, maior floresta tropical e onde encontramos também a mais vasta biodiversidade do planeta, cada vez mais sofre com a invasão da pecuária ou até mesmo do agronegócio. Esse progresso, travestido de gado e defensivos agrícolas, conhecido por agrotóxico, vem devastando intensamente a floresta.

De acordo com o Imazon, em junho de 2016, o SAD detectou 972 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representou um aumento de 97% em relação a junho de 2015 quando o desmatamento somou 494 quilômetros quadrados.

Porém, existem projetos como o de Assistência Técnica e Extensão Rural – ATER Agroecologia – uma parceria entre a SOS Amazônia e o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário – MDSA, que busca alternativas para manter de pé essa riqueza em mais de 40 comunidades espalhadas pelos municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

Alguns exemplos dessas alternativas são: os Roçados Sustentáveis, que consiste no cultivo de leguminosas (mucuna-preta / Stizolobium aterrimum  e puerária /phaseoloides), detentoras de grande potencial na recuperação dos solos improdutivos, deixando de lado processos de cultivo que degradam o ambiente, como a broca, o desmate e o fogo, além de diminuir consideravelmente a mão de obra; a construção de viveiros comunitários e a proteção dos Quelônios do Juruá.

“O principal objetivo é fazer com que essas famílias utilizem os recursos naturais de forma sustentável, ou seja, reflorestando áreas antes degradadas pelo uso do desmatamento e do fogo. Que passem, acima de tudo, a valorizar a floresta”, destaca Maria Gleiciane Cruz, executiva ambiental da SOS Amazônia.


Iniciado em 2014, o projeto  de ATER Agroecologia trabalha a produção agroecológica e orgânica em Unidades de Produção Familiar – UPF com objetivo de melhorar a produção rural dessas comunidades, de olho no uso sustentável dos recursos naturais, ambientais, sociais e econômico.

 

 

 

 

 

 

 

SOS Amazônia faz monitoramento de atividades em comunidades do Juruá

Da esquerda para direita: Maria Aparecida Lopes, secretária técnica da SOS Amazônia; beneficiários do projeto Valores da Amazônia e o novo coordenador técnico do projeto, Adair Duarte.

 

O projeto Valores da Amazônia encontra nas visitas técnicas uma forma eficiente de capacitar as famílias, entender suas dificuldades e, principalmente, identificar os avanços obtidos na produção das comunidades beneficiadas até aqui.

Pensando nisso, a SOS Amazônia promoveu entre os dias 5 e 8 de julho monitoramentos de atividades em cinco cooperativas alcançadas pelo projeto: Cooperativa Agroextrativista de Feijó; Cooperativa Agroextrativista de Tarauacá; Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima; Cooperativa de Produtores da Agricultura Familiar e Economia Solidária e a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais da comunidade Nova Cintra, localizada no município de Rodrigues Alves.

Além do acompanhamento e dos debates com os associados, a  SOS Amazônia apresentou o novo coordenador técnico do projeto Valores da Amazônia, Adair Duarte, que falou da importância do diálogo entre a instituição e os cooperados para o fortalecimento da produção e consequentemente das cooperativas. “Essa estratégia de interação é fundamental para que os investimentos e atividades tenham resultados esperados, ou seja, o aumento e diversificação da produção, a valorização do extrativismo, a geração de renda, a garantia da segurança alimentar e nutricional das famílias, voltados exclusivamente, para o desenvolvimento sustentável”, destaca Adair.

Álisson Maranho, coordenador geral do Valores da Amazônia, ressalta que o projeto segue com a forte missão de integrar as comunidades no desenvolvimento de produtos florestais não madeireiros. “Sem dúvida, apoiar empreendimentos na Amazônia com foco no uso sustentável dos recursos naturais é um caminho que diminui consideravelmente o impacto do homem sobre as florestas e a SOS Amazônia vem cumprindo um importante papel na proteção da biodiversidade e apoio às comunidades tradicionais”, disse o coordenador.


O projeto Valores da Amazônia tem o apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES, que busca disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com vistas à geração de trabalho e renda, por meio do desenvolvimento sustentável das cadeias de valor dos óleos vegetais, cacau silvestre e borracha, em seis municípios do Estado do Acre e quatro do Estado do Amazonas. Saiba mais

Projetos com foco na recuperação de áreas degradadas

 

 

Manter a floresta em pé

A SOS Amazônia, por meio de projetos como o Valores da Amazônia, ATES Alto Juruá e ATER Agroecologia, além de promover assessoria técnica florestal de excelência e apoiar iniciativas empreendedoras em comunidades ribeirinhas nos Estados do Acre e Amazonas, busca, acima de tudo, o uso sustentável dos recursos da floresta, mantendo essa importante fonte de vida e riqueza em pé.

Uma das iniciativas que vem transformando o dia dia das famílias são as oficinas de produção de mudas e implantação de viveiros comunitários. Construídos pelos próprios moradores, esses viveiros têm capacidade de gerar 4 mil mudas, possibilitando o reflorestamento de áreas anteriormente destruídas pelo uso de técnicas não sustentáveis, como por exemplo, o desmatamento e o fogo.

O Valores da Amazônia é financiado pelo Fundo Amazônia/BNDES | ATES Alto Juruá pelo Incra | ATER Agroecologia pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário – MDSA.

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