#DiaDaAmazônia – Floresta em pé tem mais valor

Neste dia da Amazônia, onde o mundo todo está atento com as constantes pressões humanas sobre a floresta e sua diversidade biológica, a SOS Amazônia destaca um dos seus principais resultados e mostra que Floresta em pé tem mais valor.

Foi pensando na valorização dos produtos florestais não madeireiros que a instituição construiu também o seu caminho. Embalada pelos ideais de um dos seus fundadores, o líder e seringueiro Chico Mendes, traçou e implementou dezenas de iniciativas com foco na preservação e conservação da biodiversidade e no desenvolvimento sustentável da região.

Produção da Borracha Folha Defumada Líquida – FDL | A FDL é uma inovação tecnológica de produção da borracha beneficiada, desenvolvida pelo LATEQ da UnB e permite maior agregação de valor ainda dentro da floresta. Fotos: SOS Amazônia | André Dib.

É fato que a Floresta Amazônica se apresenta como um grande potencial de produtos da sociobiodiversidade, possibilitando múltiplas alternativas para gerar trabalho e renda para os povos e comunidades tradicionais, conservando os recursos naturais. Um estudo na Nature Sustainability sobre alguns componentes do valor da floresta estima um montante de US$ 1,78 bilhões/ano (ou R$ 7.2 bilhões de reais) para a castanha e US$ 196 milhões/ano para a borracha na Amazônia Brasileira, cujo valor anual total de ambos representa cerca de 0,12% do Produto Interno Bruto (PIB) Brasileiro do ano de 2018, que totalizou 6,8 trilhões de reais.

Em áreas com alta produtividade de castanha (30 kg/hectare/ano), o valor deste produto florestal não-madeireiro pode alcançar até US$ 46 hectare/ano (ou *R$188,1 ha/ano) no Sul e Noroeste da Amazônia bem como no Sudoeste do Pará, mas em outras áreas da bacia um valor médio de US$ 5,05 ha/ano (ou R$ 20,6 ha/ano). E, o valor médio da borracha extraída em torno de US$ 0,56 ± 0.7 ha/ano (ou *R$2.3 ha/ano) mesmo em áreas com alta produtividade (rendimento ≥3.53 kg/ha/ano) e subsidiadas por governos.

Com apoio financeiro do Fundo Amazônia, por exemplo, a SOS Amazônia realizou ações para estruturar, fortalecer e integrar as cadeias de valor do Cacau Silvestre, Óleos Vegetais (açaí, buriti, andiroba, murmuru) e Borracha Nativa, em nove empreendimentos amazônicos, incluindo uma associação de mulheres e uma cooperativa indígena, alcançando 2.500 famílias, no Acre e Amazonas.

Essas ações fazem parte de uma das nossas iniciativas mais recentes: o projeto Valores da Amazônia, onde foram realizados serviços desde a organização socioprodutiva à prospecção de mercados internacionais para os produtos de base florestal não madeireiro, englobando atividades como Fortalecimento Organizacional; Assistência Técnica e Extensão Rural e Florestal – ATERF; Intercâmbios; Planos de Manejo; Certificação Orgânica; Estudos de Mercado e Participação em Feiras.

Resultados e impactos na Economia Florestal do projeto Valores da Amazônia

Os resultados e impactos na economia florestal do projeto Valores mostram o quanto o investimento nessas cadeias de valor é importante para reduzir a pressão humana sobre as florestas e sua biodiversidade.

Incremento dos produtos da sociobiodiversidade (Óleos vegetais, Borracha Nativa e Cacau Silvestre) | Valores da Amazônia

Como apontam os gráficos, a produção extrativista deu um salto muito significativo com o apoio nesses produtos da sociobiodiversidade.  Os óleos vegetais (incluindo manteigas) saíram de 3,1 t/ano em 2014 para 23,4 t/ano em 2018, representando um aumento de 665% na produção. As borrachas (FDL, CVP e FSA) evoluíram de 7,3 t/ano em 2014 para 40,1 t/ano em 2018, representando aumento de 449%. E o cacau nativo saiu de 1,03 t/ano em 2014 para 9 t/ano em 2018, representando aumento de 770% na produção.

Enquanto, a Receita bruta total (considerando as três cadeias de valor) evoluiu de R$ 82.000,00 em 2014 para R$ 1.400.000 em 2018, com a comercialização dos produtos extrativistas pelas nove organizações apoiadas, representando um aumento de 1.600%.

Impacto na economia florestal | Valores da Amazônia

“Esse impacto na economia florestal impressiona. Ter um apoio como esse que recebemos do Fundo Amazônia, com certeza, gera transformações sociais e incentiva a conservação da floresta amazônica. É uma alternativa de alta rentabilidade e promove o desenvolvimento sustentável. Ao contrário do principal vetor do desmatamento, a pecuária, que gera renda com alto prejuízo aos habitats e grande impacto nos recursos hídricos, o que destaca o alerta severo do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, para tomadores de decisão”, comenta o diretor técnico da SOS Amazônia, Álisson Maranho. 

O Fundo Amazônia e a maior floresta tropical remanescente do planeta Terra

Em seus primeiros dez anos, o Fundo Amazônia, que consiste em uma iniciativa pioneira de financiamento de ações de Redução de Emissões Provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal, foi decisivo para 103 projetos por meio do apoio total acumulado em R$ 1,9 bilhões em 2018, que contribuíram para manter a atmosfera da Terra mais saudável possível.

Com este suporte, por exemplo, foram realizadas 687 mil missões de fiscalização ambiental, 746 mil registros de imóveis rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR), 338 instituições apoiadas de forma direta e por meio de parceiros, 465 publicações científicas ou informativas e, ainda, o apoio em 190 unidades de conservação e 65% das áreas indígenas da Amazônia.

Deste recurso, 60% é para a União, Estados e Municípios. E 38% para o Terceiro Setor, incluindo ONGs e Cooperativas.

O Fundo Amazônia recebeu aproximadamente R$ 3,4 bilhões em doações até o final de 2018, sendo 93,8% provenientes do governo da Noruega, 5,7% do governo da Alemanha, por meio do KfW Entwicklungsbank, e 0,5% da Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras). Na Amazônia Legal, que abrange todos os Estados da Região Norte e os Estados do Maranhão e Mato Grosso, foram 61 projetos apoiados.

Papel da Amazônia no Clima Global

Estima-se que a Amazônia detém 390 bilhões de árvores e estoca 86 Pg de Carbono, detém o maior pool de biodiversidade do sistema terrestre e desempenha um papel vital no sistema climático global. 

Por meio da fotossíntese e respiração a Amazônia processa cerca de duas vezes a taxa de emissão de combustíveis fósseis, respondendo por cerca de 15% da produtividade primária líquida e desempenhando um papel vital para saúde do sistema terrestre.

Com uma flora arbórea estimada entre 10.071-16.000 espécies, apenas cerca de 227 espécies arbóreas, as “hiperdominantes da Amazônia”, representam metade do total de árvores de toda a Bacia, dentre as quais, a espécie mais abundante é o Euterpe precatoria, o açaí, com uma população estimada em 5,21 bilhões de açaízeiros.

Uma das onze espécies de seringueira, a Hevea brasiliensis (Willd. ex A.Juss.) Müll.Arg., ocupa a décima quarta posição no rank das espécies mais abundantes com 1.91 bilhões de seringueiras vivendo na maior floresta tropical remanescente do sistema terrestre, a Amazônia, – fornecendo o “Venha a nós o vosso leite, para o sustento de nossas famílias […] Seringueira que estás na selva, multiplicados sejam os vossos dias […] Ajudai a nos libertar das garras do regatão”, nas palavras de Jaime Silva Araújo, o primeiro Presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros e autor do “Pai nosso dos Seringueiros”. 

Por Eliz Tessinari e Wendeson Castro

Referências

 [1] J. Strand*, B.  Soares-Filho*, M. H. Costa, U. Oliveira, S. C. Ribeiro, G. F. Pires, A. Oliveira, R. Rajão, P. May, R. van der Hoff, J. Siikamaki7, R. S. da Motta, and M. Toman. 2018. Spatially explicit valuation of the Brazilian Amazon Forest’s Ecosystem Services. Nature Sustainability, Vol.1, November 2018, p.: 657–664. https://doi.org/10.1038/s41893-018-0175-0

 [2] D. Alvarenga, D. Silveira, G1-Globo Economia. PIB do Brasil cresce 1,1% em 2018 e ainda está no patamar de 2012. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/02/28/pib-do-brasil-cresce-11-em-2018.ghtml#targetText=O%20Produto%20Interno%20Bruto%20(PIB,R%24%206%2C8%20trilh%C3%B5es.  Acesso em: 30 de Ago. 2019

 [3] SOS Amazônia 2018. Valores da Amazônia: práticas, resultados e impactos 2015-2018. Disponível em: https://issuu.com/sosamazonia/docs/valores_da_amaz_nia. ISBN:978-85-60775-07-1.

[4] Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES)  2019. Fundo Amazônia 10 anos – Relatório de Atividades 2018. Disponível em:http://www.fundoamazonia.gov.br/pt/noticia/Relatorio-de-Atividades-do-Fundo-Amazonia-2018/. Acesso em: 05 de Set. 2019.
EDITADO PELO DEPARTAMENTO DE COMUNICAÇÃO DA ÁREA DE COMUNICAÇÃO JUNHO DE 2019

 [4] H. ter Steege et alli 2013. Hyperdominance in the Amazonian tree flora. Science. Vol. 342 (6156):1243092. doi:10.1126/science.1243092.

 [5] S. S. SAATCHI et alli 2007. Distribution of aboveground live biomass in the Amazon basin. Global Change Biology, 13(4): 816–837. doi:10.1111/j.1365-2486.2007.01323.x 

 [6] DIRZO, R.; RAVEN, P. H.  2003. Global State Of Biodiversity and Loss. Annual Review of Environment and Resources, Vol. 28: 137-167.  DOI: 10.1146/annurev.energy.28.050302.105532

[7] A. Antonelli, A. Zizka, F. A. Carvalho, R. Scharn, C. D. Bacon, D. Silvestro, F. L. Condamine. 2018. Amazonia is the primary source of Neotropical biodiversity Proceedings of the National Academy of Sciences Jun 2018, 115 (23): 6034-6039; DOI: 10.1073/pnas.1713819115

[8] Lapola et alli 2018. Limiting the high impacts of Amazon forest dieback with no-regrets science and policy action. PNAS | November 13, 2018 | vol. 115 | no. 46 | 11671–11679. www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1721770115

[9] MALHI Y.; ROBERTS, J. T.; BETTS, R. A.; KILLEEN, T. J.; LI, W.; NOBRE, C. A. 2008. Climate Change, Deforestation, and the Fate of the Amazon.  Science, 319: 169–172, DOI: 10.1126/science.1146961.

 [10] Phillips et al. 2009. Drought Sensitivity of the Amazon Rainforest. Science 323 (5919): 1344-1347. DOI: 10.1126/science.1164033.

 [11] D. V. Spracklen et alli 2012. Observations of increased tropical rainfall preceded by air passage over forests. Science. doi:10.1038/nature11390.

 [12]  H. ter Steege et alli 2019. Towards a dynamic list of Amazonian tree species. Scientific Reports, vol. 9: 3501 (2019). https://doi.org/10.1038/s41598-019-40101-y

 [13]  Ulloa Ulloa et alli 2017. An integrated assessment of the vascular plant species of the Americas. Science 358: 1614–1617 (2017) 22 December 2017.

 [14] Hevea in Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB22703>. Acesso em: 05 Set. 2019.

SOS Amazônia apoia renovação de certificação orgânica de produtos da sociobiodiversidade

Famílias extrativistas do Vale do Juruá, no Acre, que atuam na extração do cacau silvestre e na produção de óleos vegetais, receberam em outubro de 2018, com o apoio da SOS Amazônia, a certificação orgânica internacional de seus produtos para os mercados europeu e norte-americano.

E agora se preparam para fazer a renovação do selo de orgânico de quatro de seus produtos: cacau silvestre, manteiga de murmuru (Astrocaryum murumuru), óleo de açaí (Euterpe oleracea) e buriti (Mauritia flexuosa).

O processo de renovação está sendo feito graças ao projeto “Valores da Amazônia”, desenvolvido pela SOS Amazônia. Financiado com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, o projeto visa fortalecer nove cooperativas e seus cooperados para aperfeiçoarem e padronizarem a extração de produtos florestais não madeireiros de regiões da Amazônia com grande concentração de biodiversidade.

De acordo com o coordenador técnico da SOS Amazônia, Álisson Maranho, das quatro cooperativas que foram certificadas ano passado, duas entraram com o processo para renovar: a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos) e a Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra).  Ambas localizadas nos municípios do Vale do Juruá, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no Acre. Juntas, somam 100 famílias participando da certificação, sendo parte delas moradoras de unidades de conservação.

“A certificação é concedida pela empresa boliviana Imocert, uma das pioneiras neste tipo de trabalho na América Latina. E tem por objetivo assegurar que toda a produção é realizada com baixo impacto ambiental, sem o uso de agrotóxicos, e garantindo o pagamento justo para cada família, reunidas em cooperativas assessoradas pela SOS Amazônia”, comenta Álisson.

Como é o processo de renovação

O processo de renovação, de acordo com a engenheira florestal e coordenadora de campo da SOS Amazônia, Thayna Souza, está baseado na inspeção de campo aos extrativistas. Nessa visita, é preenchida uma ficha específica, para cada extrativista, que avalia, principalmente, seu modo de coleta e beneficiamento do fruto. O mesmo é feito para a usina de óleos. Após a inspeção, é dado um parecer (favorável ou não) para certificar.

“A certificação traz às cooperativas uma nova visão, foi e está sendo importante para o processo de organização da cooperativa, de manuseio e processamento dos frutos, além de agregar valor e permitir acesso a um mercado diferenciado, com preço justo e garantia da conservação da floresta, tendo em vista que não permite caça predatória, desmate, queima e utilização de agrotóxico”, explica Thayna.

Outro ponto importante, segundo ela, é que 20% dos frutos não podem ser coletados, visando garantir a regeneração florestal. Outro requisito é a formação dos extrativistas quanto ao processo, é preciso que eles tenham recebidos oficinas de boas práticas, visita e acompanhamento técnico.

“Com tudo isso, a certificação é um indicativo de sustentabilidade da floresta, atrai um mercado consumidor com um preço melhor e proporciona melhoria de vida às famílias”, completa.

Prazo para a nova certificação

O trabalho foi iniciado em julho de 2019 e tem previsão de término em meados de outubro, com a entrega dos certificados pela Imocert. Técnicos da SOS Amazônia acompanham as atividades de inspeção sobre a melhoria e manutenção dos processos produtivos, coordenadas pelo Imocert.

Após essa auditoria, se a certificadora constatar que todas as suas exigências estão, de fato, sendo cumpridas, ou seja, se as famílias estão atendendo aos critérios e que as cooperativas produzem com o novo padrão, a Imocert concede o selo de que a produção destas organizações sociais está livre do uso de agrotóxicos e outros contaminantes, e que adotam práticas que preservam a fauna e a flora da região, além de assegurar às famílias o pagamento justo por aquilo que conseguem entregar.

Para Elines Araújo, presidente da Coopfrutos, ter o óleo de buriti certificado é uma oportunidade única de alcançar novos mercados.

“Ter nossos produtos com rastreabilidade, mostrando o nosso compromisso com a parte ambiental e que os produtores da região estão capacitados para oferecer uma matéria-prima que tem um padrão de qualidade, respeitando a floresta e os animais, faz com que nossas oportunidades de negócios se ampliem. Agradecemos muito a SOS Amazônia por nos ajudar a garantir o selo orgânico do óleo de buriti, sem essa parceria seria muito difícil alcançar nossos objetivos”, ressalta Elines.

Resultados e impactos do projeto Valores da Amazônia

Nós investimos nos produtos da sociobiodiversidade. Floresta em pé tem mais valor!

Valores da Amazônia são exuberantes, essenciais e cheios de significados. Beleza e cores, rios e florestas imponentes, sabedoria e a simplicidade de quem sabe viver em harmonia com a natureza. Seringueiros, indígenas, mulheres e jovens de nove iniciativas amazônicas fazem o projeto Valores da Amazônia voar alto para gerar transformações sociais e manter a floresta conservada no Acre e no Amazonas. Os sonhos são impulsionados e, a cada voo, nove realidades transformadas.

#Gratidão a todas organizações sociais, colaboradores, parceiros e empresas que ajudaram e ajudam a promover os produtos da sociobiodiversidade.

[Leia revista sobre os investimentos, resultados e impactos do projeto Valores da Amazônia – Apoio Fundo Amazônia]

Borracha Nativa, Óleos Vegetais e Cacau Silvestre

VALORES DA AMAZÔNIA

O projeto Valores da Amazônia empreende esforços para a estruturação, o fortalecimento e a integração de cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros no Acre e no Amazonas, visando o uso sustentável dos recursos florestais e a melhoria da qualidade de vida das populações locais. Dentre seus objetivos específicos, está promover a geração de trabalho e renda decorrentes do uso sustentável do cacau silvestre, da borracha (CVP e FDL) e dos óleos vegetais; fortalecer a capacidade gerencial e operativa das entidades beneficiárias; viabilizar a entrada dos empreendimentos apoiados em segmentos de mercado diferenciados e atrativos; proporcionar a integração e articulação institucional nas cadeias de valor apoiadas.

Com Valores da Amazônia, extrativistas ampliam produção e ganhos sem destruir a floresta

Por Fábio Pontes

Foto destaque: André Dib

Os três anos de trabalhos desenvolvidos pela ONG SOS Amazônia, por meio do projeto Valores da Amazônia, com famílias extrativistas do Vale do Juruá, no Acre, e dos municípios do sul e sudoeste do Amazonas, podem servir como exemplos de consolidação da tese de que é possível gerar desenvolvimento econômico, sem a necessidade de transformar a floresta em pasto ou em áreas de monocultura.

Atividades extrativistas que há quase três décadas estavam abandonadas nessa parte da Amazônia, em especial a extração do látex, foram retomadas, e hoje se somam à gama de produtos não madeireiros explorados de forma sustentável por comunidades ribeirinhas e indígenas.

Financiado pelo Fundo Amazônia, o Valores trabalhou com três diferentes cadeias econômicas: a de óleos vegetais, a do cacau silvestre e a da borracha. O projeto visa fortalecer nove cooperativas e seus cooperados para aperfeiçoarem e padronizarem a exploração de produtos florestais não-madeireiros.

Destas nove cooperativas, apenas duas trabalhavam com a borracha em 2015: a Cooperativa Agroextrativista de Tarauacá (Caet) e a Cooperativa Agroextrativista de Feijó (Cooperafe), ambas no Acre.

Juntas, a produção chegava a, no máximo, oito toneladas por ano. Nesse período, a SOS Amazônia trabalhou tanto para incrementar o número de cooperativas envolvidas quando o de extrativistas na cadeia da borracha.  A Caet saiu de 28 para 73 famílias envolvidas, e a Cooperafe de 12 para 57.

Outras três cooperativas foram incluídas no processo: a Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra), de Rodrigues Alves (AC), a Cooperativa Agroextrativista de Porto Walter (Coapex) e a Cooperativa Agroextrativista Shawãdawa Pushuã; as duas estão no município acreano de Porto Walter, no Alto Juruá.

O resultado deste investimento foi um salto na quantidade da borracha comercializada, saindo de oito toneladas há três anos, para fechar 2018 com 40 toneladas previstas. Receita de aproximadamente R$ 351.000,00

Mulheres da Coopercintra fazendo separação das amêndoas de murmuru – Foto: SOS Amazônia | Eliz Tessinari

Até antes do começo do Valores da Amazônia, os extrativistas tinham na produção de óleos vegetais como seu carro-chefe. A produção de óleo e gordura a partir de frutos como o murmuru, o buriti, o açaí, a andiroba, o patauá e o tucumã envolvia 180 famílias em 2015, estando agora em mais de 600.

Os investimentos resultaram no aumento da produção de oleaginosas de oito para 22 toneladas em três anos. Foi registrado aumento até mesmo no valor de sua comercialização: Se em 2015 o mercado pagava R$ 17 pelo quilo da gordura do murmuru, esse valor chegou a R$ 30.

O buriti saltou de R$ 22 o quilo para R$ 50. “Ainda não é o valor ideal, mas já houve uma evolução significativa em relação ao preço comercializado”, diz Adair Duarte, técnico da SOS Amazônia que acompanhou de perto, junto com as comunidades, o desenvolvimento do Valores da Amazônia.

Unidade de Secagem de Amêndoas

Segundo ele, as causas para essa valorização se deram sobretudo nas ações de capacitar e qualificar os extrativistas com práticas adequadas no manejo dos frutos e sementes da floresta. A compra de equipamentos e a construção de estrutura básica para beneficiamento e armazenamento da produção agroflorestal também foram incluídas.

Uma outra consequência foi a redução na perda dos frutos coletados. Se antes ela chegava a 20% por conta de manejo inadequado ou pragas naturais, agora ela caiu pela metade. O aumento no valor de mercado, mais esse incremento na produção, possibilitou melhoria na renda dos cooperados.

Cacau Silvestre da Amazônia

De acordo com Adair Duarte, a perspectiva é que toda a produção de óleos e gorduras vegetais fique em 22 toneladas esse ano, o que renderá R$ 800 mil.  “Isso propicia uma geração de renda a mais para essas famílias, em períodos diferentes do ano, acaba fortalecendo todo o processo de produção e de organização social das famílias”.

Os resultados positivos do projeto também são refletidos na cadeia do cacau silvestre. No começo de 2018 houve a coleta da primeira safra do fruto adotando as práticas do manejo apropriado e com garantia de valor e mercado com um grupo de extrativistas da Coopercintra. A depender da qualidade, o valor do quilo pode chegar a R$ 30. Em 2019 as famílias vão colher a segunda safra, estimada em duas toneladas – uma a mais do que 2018.

Além de preço e comprador já garantido, tanto o cacau quanto os óleos estão com certificação orgânica internacional para entrarem nos seletos mercados da Europa e dos Estados Unidos.

Resultados e impactos do Projeto Valores da Amazônia

Extrativistas do AC e AM obtêm certificação orgânica para mercado internacional

Por Fábio Pontes

Foto destaque: André Dib

Inspeção Imocert Certificação Orgânica – Coopfrutos | Foto: Acervo SOS Amazônia

As famílias extrativistas do Vale do Juruá, no Acre, e dos municípios de Silves e Boca do Acre, no Amazonas, que atuam na extração do cacau silvestre e na produção de óleos de plantas e sementes, receberam em outubro a certificação orgânica internacional que possibilitará a venda de seus produtos para os mercados europeu e norte-americano.

A certificação foi obtida graças ao projeto “Valores da Amazônia”, desenvolvido pela organização não-governamental SOS Amazônia. Financiado com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, o projeto visa fortalecer nove cooperativas e seus cooperados para aperfeiçoarem e padronizarem a exploração de produtos florestais não-madeireiros de regiões da Amazônia com grande concentração de biodiversidade, incluindo o Vale do Juruá.

A certificação assegura que toda a produção foi realizada com baixo impacto ambiental, sem o uso de agrotóxicos e garantindo o pagamento justo para cada família, reunidas em cooperativas assessoradas pela SOS Amazônia.

Neste primeiro momento, quatro cooperativas foram certificadas, totalizando 211 famílias no Acre e no Amazonas, sendo parte delas moradoras de unidades de conservação.

São elas: Coopfrutos (Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima – Mâncio Lima/AC), Coopcintra (Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra – Rodrigues Alves/AC), Copronat (Cooperativa de Produtos Naturais da Amazônia – Silves/AM) e a Cooperar (Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e do Médio Purus – Boca do Acre/AM).

A certificação foi concedida pela empresa boliviana Imocert, uma das pioneiras neste tipo de trabalho na América Latina, e com reconhecimento internacional.

Entre os produtos que ganharam a certificação orgânica estão os óleos de buriti, cumaru, o Essencial de Breu e do açaí. Também receberam o selo de origem orgânica a amêndoa de cacau, a manteiga de murmuru, o tucumã, a andiroba, a castanha, a copaíba e outros.

Murmuru – Astrocaryum murumuru | Foto: SOS Amazônia / Eliz Tessinari

“O projeto de certificação foi muito novo para nós”, diz Thayna Souza, engenheira florestal da SOS Amazônia. “Estávamos buscando uma certificação orgânica para acessar mercados exigentes, mas que pagam bem pelo produto por ter origem na Amazônia e de comunidades tradicionais.”

Capacitação das famílias

O trabalho foi iniciado ainda em 2017 e concluído agora em outubro de 2018, com a entrega dos certificados pela Imocert. A primeira fase consistiu em explicar às famílias sobre a importância da certificação, que poderia ter como resultado a melhoria em seus processos produtivos e de renda.

Todas as famílias extrativistas receberam a visita dos técnicos da SOS Amazônia, pelo menos duas vezes. Já as idas às sedes das cooperativas – apenas para este processo inicial – se deram entre quatro e cinco vezes.

O principal objetivo era capacitar os cooperados para que aprendessem e inserissem procedimentos novos às técnicas de manejo sustentável de sua produção dentro da floresta, o que assegura o menor impacto ambiental e qualidade ao produto.

Áreas de cacau silvestre – Inspeção IMOcert | Foto Acervo SOS Amazônia

A qualificação se constitui na adoção de boas práticas de extração e coleta dos recursos naturais. As cooperativas precisam estabelecer rotinas e um padrão ao processo de beneficiamento que garantam características originais e não contaminação das gorduras e óleos produzidos.

Após essa qualificação, todo o trabalho desenvolvido passou por uma espécie de auditoria da certificadora para saber se todas as suas exigências estavam, de fato, sendo cumpridas.

Constatado que as famílias atendiam aos critérios e que as cooperativas passaram a produzir com o novo padrão, a Imocert concedeu o selo de que a produção destas cooperativas está livre do uso de agrotóxicos e outros contaminantes, e adotando práticas que preservam a fauna e a flora da região, além de assegurar às famílias o pagamento justo por aquilo que conseguem entregar.

“Com a certificação orgânica, as cooperativas chegaram a um novo patamar, tanto por ser algo que vai valorizar o trabalho do extrativista, como vai valorizar o produto da floresta para que ela fique cada vez mais em pé”, comemora Thayna Souza.

Valores da Amazônia

A SOS amazônia apresenta investimentos, resultados e impactos do Valores da Amazônia – um projeto que tem como objetivo estruturar, fortalecer e integrar cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros (Borracha Nativa, Cacau Silvestre e Óleos Vegetais), com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região.

Financiado pelo Fundo Amazônia, esse projeto apoia oito cooperativas (sendo uma indígena) e uma associação de mulheres, localizadas nos estados do Acre e Amazonas, com ações de estruturação de empreendimentos produtivos solidários, capacitação, assistência técnica e tecnológica, manejo florestal sustentável, certificação de produtos e apoio à comercialização.

Assista

Boas práticas para coleta e beneficiamento de murmuru

SOS Amazônia publica cartilha sobre coleta e beneficiamento de murmuru.

As cadeias de valor de espécies oleaginosas, como murmuru, buriti, cocão, açaí, patauá, breu, cumaru, tucumã, dentre outras, são operadas por comunidades rurais em vários lugares da Amazônia. São muitos os problemas a serem enfrentados em cada elo das cadeias, necessitando de forte apoio para a superação desses desafios. O objetivo deste material foi relatar as etapas de produção da cadeia do murmuru e como isso se insere no contexto de conservação florestal. [Projeto Valores da Amazônia/Fundo Amazônia]

Acesse aqui!

Seminário vai debater os resultados e impactos do projeto Valores da Amazônia

SOS Amazônia realiza nos dias 26 e 27 de junho, em Rio Branco, o IV Seminário de avaliação do projeto Valores da Amazônia. Com representantes das nove organizações apoiadas, do Acre e Amazonas, o encontro irá debater os Resultados e Impactos quanto a conservação dos recursos naturais e a geração de renda para comunidades extrativistas da Amazônia.

“Esse seminário busca analisar o quanto cada organização apoiada evoluiu com o projeto e como cada uma vem contribuindo para a conservação da natureza, além de avaliar a melhoria da qualidade de vida das comunidades dos dois estados”, explica Álisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

Na ocasião, será realizada também a primeira comemoração do aniversário de 30 anos da SOS Amazônia.

Quando: 26 e 27 de junho

Horário: 8 – 17h

Onde: Villa Rio Branco Hotel Concept
Rua Cunha Matos, 393
Seis de Agosto, Rio Branco – AC
(na Gameleira)

PROGRAMAÇÃO

Download (PDF, 5.3MB)

[O projeto Valores da Amazônia é uma iniciativa da SOS Amazônia, com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES. Tem por objetivo disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região. Empreendimentos apoiados: Coopfrutos, Cooperafe, Caet, Shawãdawa Pushuã, Coapex, Cooperar, Amuralha, Coopercintra e Copronat]. Saiba mais aqui.

Com o apoio do Projeto Valores da Amazônia, Cooperativas vão ter produtos da sociobiodiversidade com certificação orgânica e selo Forest Garden Products

Transformar a vida das pessoas que vivem na floresta, levando alternativas de trabalho e renda, com foco na manutenção da floresta é o desafio do projeto Valores da Amazônia, realizado pela SOS Amazônia, com apoio financeiro do Fundo Amazônia.

Uma das metas do projeto é a certificação orgânica de produtos florestais não madeireiros. Para isso, há investimentos em infraestruturas, formações, pesquisas e intercâmbios.

“Desde 2015, o Valores da Amazônia vem se empenhando por meio de visitas técnicas, intercâmbios e oficinas de boas práticas no processo produtivo e de certificação, a fortalecer o caminho para o selo orgânico desses produtos, e agora estamos tendo essa oportunidade no Acre e Amazonas, de termos vários produtos com certificação orgânica. Isso representa uma enorme conquista para a biodiversidade amazônica, para os empreendimentos apoiados e para as pessoas”, conta Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

Inspeção na Cooperar – IMOcert

O trabalho mais recente foi a inspeção realizada nas cooperativas Coopercintra, Coopfrutos, Cooperar e Copronat, pela IMOcert Latinoamérica, pioneira na atividade de certificação ecológica e sustentável na América Latina.

A inspeção, para certificar produtos das cadeias de valor de óleos vegetais e do cacau silvestre, aconteceu no período de 8 a 27 de maio. Representantes da IMOcert fizeram visitas técnicas especializadas nos quatro empreendimentos, além de ampliar o conhecimento dos cooperados e da equipe de extensionistas com mais uma oficina de Certificação Orgânica, Extrativista e Mercado Justo.

Na oficina de cinco dias, discutiu-se as normas europeias, norte-americana e normas privadas, com ênfase em ‘Forest Garden Products’ (FGP); além de debater o que se faz necessário para atender exigências e conseguir o certificado de produto orgânico.

“A ideia é que essas pessoas sejam multiplicadoras do processo e também inspetoras dessas organizações que futuramente podem requerer também sua própria certificação. O curso contou com atividades teóricas e práticas, dentre elas: elaborações de ficha de inspeção, regulamentos internos e elaborações de contratos”, explica Thayna Souza, executiva ambientalista/SOS Amazônia.

Após a oficina, os profissionais da IMOcert iniciaram processo de Certificação das beneficiárias.

Áreas de cacau silvestre | IMOcert

A Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra) está se adequando para certificar dois produtos: manteiga de murmuru e amêndoa de cacau; A Cooperativa de Produtos Naturais da Amazônia (Copronat), quatro produtos: semente e óleo de cumaru, resina e óleo essencial de breu; Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar), nove produtos: andiroba, copaíba, tucumã, murmuru, buriti, uricuri,  patauá, castanha e cacau; e a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos), dois produtos: óleo de buriti e açaí.

De acordo com Àlisson, os produtos foram aprovados, no entanto, as cooperativas têm prazos de 30 a 90 dias para fazerem os ajustes necessários para a emissão do certificado orgânico. Dentre os ajustes está a elaboração de fichas para controle de matéria-prima e de inspeção interna, delimitação das áreas para os produtos orgânicos; exposição de banner com os 12 princípios da Norma Privada FGP.

Inspeção na Coopfrutos – área de coleta de buriti e açaí | IMOcert

Elizana Araújo, superintendente da Coopfrutos, vê a iniciativa como uma grande oportunidade para alcançar novos mercados. “Com a certificação as cooperativas terão uma grande oportunidade de ter acesso a novos mercados, principalmente o mercado Europeu, e com isso agregar maior valor aos produtos, garantindo melhor qualidade de vida para todos envolvidos no processo produtivo”, disse.

Para Ivan Del Carpio, inspetor sênior e consultor externo da Imocert, há grande potencial para os produtos florestais não madeireiros e ele vê na certificação uma forma de despertar o interesse de mais pessoas a trabalhar com esses produtos.

“O mais importante é que as cooperativas podem acessar mercados internacionais para comercializar produtos com melhores preços, permitindo o fortalecimento econômico e social da cooperativa. Para os extrativistas, a maior importância está em agregar valor ao seu produto, e garantir que sua saúde e a das pessoas não seja comprometida. Mas, ainda utilizam muito pouco do potencial da floresta, com a certificação e o aumento do valor, é possível que desperte o interesse de todos para o trabalho com o extrativismo”, avalia.

POR QUE CERTIFICAR?

A certificação tem sido cada vez mais difundida e requerida por compradores como exigência de qualidade de produtos, e também porque se preocupam com a sustentabilidade e a melhoria de renda das famílias que vivem do extrativismo. A certificação tem um papel na economia e no âmbito social muito grande, além de valorizar o trabalho do extrativista, garante a ele novas fontes de renda, e essa renda com a certificação, tem grande possibilidade de ser ampliada. Aliado a isso, os compradores finais estão cada vez mais preocupados com a saúde, o que impulsiona também o crescimento da demanda por produtos cultivados com métodos orgânicos.

A diferenciação de produtos orgânicos ocorre com base em suas qualidades físicas, decorrentes, principalmente, da ausência de agrotóxicos e adubos químicos.

A certificação é “uma garantia” de que os produtos tenham de fato sido produzidos dentro dos padrões de orgânicos, nesse caso, os produtos oriundos do extrativismo são de fato oriundos de boas práticas de manejo de coleta e beneficiamento, respeitando critérios de sustentabilidade ambiental e social.

Há dezenas de benefícios: Sintonia com os princípios do extrativismo, como por exemplo, não coletar todos os frutos, assegurando o alimento aos animais e permitindo a regeneração florestal; não usar veneno; não desmatar, nem queimar a floresta.

Acesse a página do Projeto Valores da Amazônia | Navegue aqui.

Portfólio Produtos Florestais não madeireiros

Catálogo de produtos das Cadeias de Valor da Borracha Nativa, Óleos Vegetais e Cacau Silvestre,  destinado a pesquisa de mercados nacionais e internacionais. Investimento do projeto Valores da Amazônia. Acesse!

PROJETO VALORES DA AMAZÔNIA

O projeto Valores da Amazônia foi selecionado no âmbito da Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis do Fundo Amazônia/BNDES para Estruturação, Fortalecimento e Integração das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros nos estados do Acre e Amazonas.

Objetivo: Disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região.

Cadeias de valor apoaidas: Cacau Silvestre, Borracha (Cernambi Virgem Prensado – CVP e Folha de Defumação Líquida – FDL) e Óleos Vegetais (Buriti, Murmuru, Cocão, Andiroba).

Abrangência:

 Acre: Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Porto Walter. Amazonas: Boca do Acre, Pauini, Lábrea e Silves