Destruição da Amazônia causa impactos globais

A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas é encarregada por 10% da quantidade de oxigênio produzido para a vida terrestre, além de ser considerada o ecossistema mais biodiverso do planeta. As consequências do aumento em massa do desequilíbrio ecológico que está ocorrendo já estão sendo sentidas em nosso país. Um exemplo disso foram as nuvens escuras que encobriram a cidade de São Paulo no dia 19 de agosto. Além de ser um fenômeno oriundo da frente fria que atinge o sudeste do país, esses ventos carregavam partículas das queimadas que estão ocorrendo principalmente na região Norte.

Apesar de não ser a grande responsável pela emissão de oxigênio do planeta, a Amazônia possui um papel extremamente importante no equilíbrio do clima. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, a floresta é o maior bioma do Brasil e guarda pelo menos um terço de toda a madeira tropical do mundo. Também é responsável por manter a temperatura global, já que as chuvas que caem em regiões altamente produtivas dependem da Amazônia, como explica o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais da Universidade Federal do Acre (Ufac), professor Henrique Mews.

Porém, a floresta está sofrendo grandes danos devido ao aumento do incentivo às queimadas e à diminuição de políticas públicas que protegem as matas. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de incêndios florestais em 2019 é o maior em oito anos, com 30.900 mil focos apenas em agosto, o triplo do mesmo período em 2018. E esse fogo é totalmente vindo da ação humana. Para Mews, os incêndios estão ligados diretamente ao desmatamento da Amazônia, já que a floresta é úmida e os casos de incêndio espontâneos são quase nulos.

“Os incêndios naturais são mais comuns em ecossistemas que são historicamente e evolutivamente adaptados ao fogo, como as savanas. A floresta não é um ecossistema que naturalmente lida com o fogo, então as causas dos incêndios na Amazônia são sempre humanas”, conta o professor.

O gráfico mostra os dados de dias sem chuvas e os dados de queimada, do período 2016-2018 e de 2019.

Dados publicados na nota “Fogo na Amazônia”, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), mostram que houve um aumento na ocorrência de focos de incêndio. Porém, isso não está ligado ao período de estiagem, que foi menor em 2019 se comparado a anos de secas mais severas como a de 2005, por exemplo. O número de dias sem chuva até o dia 14 de agosto deste ano variou, em média, entre 11 e 29 dias, contra mais de 30 dias sem chuva no mesmo período, de 2016 a 2018. Isso mostra que, apesar das chuvas serem mais frequentes, as pessoas estão colocando mais fogo nas florestas.

O ALERTA ESTÁ NO AR

Em junho de 2019, mais de 30 sensores de monitoramento da qualidade do ar foram instalados em todo o estado do Acre, em uma parceria entre o Ministério Público Estadual e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente. O resultado em tempo real pode ser consultado no site PurpleAir, um Sistema de Monitoramento em Tempo Real da Qualidade do Ar que utiliza dados do Índice da Qualidade do Ar (AQI, na sigla americana) e da Agência de Produção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

O AQI utiliza uma escala de 0 a 500, onde 0 indica qualidade do ar satisfatória e 500, qualidade catastrófica; ou seja, implica em danos graves à saúde humana. Os grupos são indicados por cores: Verde, amarelo, laranja, vermelho, roxo e bordô. Atualmente, os sensores em Rio Branco se encontram no nível vermelho, com altos riscos a todos aqueles expostos ao ar e, principalmente, à idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) toma como base a quantidade de partículas (PM, na sigla em inglês) emitidas no ar, que variam entre PM10 e PM2.5. Essa PM é um indicador da qualidade do ar, e leva em consideração os níveis de: sulfato, nitrato, amônia, cloreto de sódio, carbono, poeira mineral e água.

Partículas com diâmetro igual ou menor que 10 micrômetros (PM10) penetram e se alojam no pulmão. Porém, partículas com diâmetro igual ou menor à 2,5 micrômetros (PM2.5) penetram na corrente sanguínea, e uma exposição crônica a elas pode causar doenças crônicas e cardiovasculares além de câncer de pulmão.

No dia 17 de setembro de 2019, os dados do sensor instalado na sede do Ministério Público Estadual, no centro de Rio Branco, apontavam que o nível de partículas suspensas no ar chegava a 66 microgramas por metro cúbico, e que todas as pessoas expostas àquele ar por 24 horas seriam afetadas e pessoas de grupos mais sensíveis poderiam sofrer danos mais graves.

Dados retirados do site PurpleAir, em 17 de setembro de 2019. O gráfico levou em consideração dados da qualidade do ar no dia.

Referências

[1] Malhi, Yadvinder does the amazon provide 20% of our oxygen? Disponível em: http://www.yadvindermalhi.org/blog/does-the-amazon-provide-20-of-our-oxygen. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[2] Beer, Christian et alli (2010). Terrestrial Gross Carbon Dioxide Uptake: Global Distribution and Covariation with Climate. Science, 329(5993), 834–838. doi:10.1126/science.1184984.

[3] Folha de São Paulo (2019). Satélites mostram invasão de ‘rio de fumaça’ de queimadas sobre São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/08/satelites-mostram-invasao-de-rio-de-fumaca-de-queimadas-sobre-sao-paulo.shtml. Acesso em: 17 de Setembro 2019

[4] Nobre, Antonio Donato (2014). O futuro climático da Amazônia: relatório de avaliação científica / Antonio Donato Nobre. –São José dos Campos, SP: ARA: CCST-INPE: INPA, 2014.

[5] Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – República Federativa do Brasil (2019). Banco de Dados de Queimadas. Disponível em: http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/bdqueimadas. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[6] Silvério, Divino et alli 2019. AMAZÔNIA EM CHAMAS NOTA TÉCNICA DO INSTITUTO DE PESQUISA AMBIENTAL DA AMAZÔNIA – IPAM Agosto de 2019. Disponível em: https://ipam.org.br/bibliotecas/nota-tecnica-amazonia-em-chamas/. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[7] Ministério do Meio Ambiente – República Federativa do Brasil (2019). Amazônia. Disponível em: https://www.mma.gov.br/biomas/amaz%C3%B4nia.html. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[8] PurpleAir (2019).PurpleAir: Real Time Air Quality Monitoring. Disponível em: https://www.purpleair.com/map#6.42/-9.383/-71.082. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[9] World health organization (2019). Ambient (outdoor) air quality and health

Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/ambient-(outdoor)-air-quality-and-health. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

Famílias ribeirinhas e os quelônios do juruá: um caso de amor pela biodiversidade

#DiaMundialDoMeioAmbiente – Neste dia, 5 de junho, dedicado a incentivar pessoas do mundo todo a cuidar melhor do recursos naturais, nós temos a honra de homenagear os ribeirinhos que desde 2003, com apoio da SOS Amazônia, protegem voluntariamente desovas de quelônios (tartarugas, tracajás e iaçás) em praias do rio Juruá e afluentes, situadas na região do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, duas das maiores Unidades de Conservação (UC) do estado do Acre e de grande importância, por serem áreas de alta concentração de diversidade biológica e, ambas, situadas na fronteira com o Peru.

As famílias ribeirinhas desempenham papel fundamental na proteção das praias e no monitoramento da desova, eclosão dos ovos e da soltura dos filhotes, e demonstram muito amor pela causa. As crianças acompanham os pais nessa atividade, o que as aproxima da prática de conservação dessas espécies. Eles registram o número de ninhos, o número de ovos e números de filhotes vivos e soltos nos rios. Essas informações são coletadas, registradas em ficha de campo e repassadas para a SOS Amazônia que analisa e monitora os resultados.

Por outro lado, e muito importante também, são as pessoas e empresas que, mesmo de longe, ajudam esse trabalho acontecer, fazendo doações no nosso site institucional, para que a SOS Amazônia consiga mobilizar mais famílias na proteção de quelônios, entregar kits de proteção das praias, fazer visitas técnicas a cada família, entregar os formulários de registro do nascimento de filhotes, fazer o mapeamento das praias e acompanhar o período de soltura dos filhotes no rio.

Ribeirinhos da Comunidade Carlota na soltura da Tartaruga da Amazônia – Rodrigues Alves-AC,  Foto: Andre Dib

O nosso sentimento por todos vocês é de muita gratidão!  Isso tudo é a prova de que juntos fazemos um mundo melhor. Nosso agradecimento especial também aos técnicos da SOS Amazônia e parceiros institucionais.

Todo nosso reconhecimento por esse serviço ambiental realizado por essas famílias ribeirinhas.

Eliana Castelo – Comunidade Porto Seguro, Marechal Thaumaturgo, Acre | Acervo SOS Amazônia


Aires Andriola – Comunidade Novo Horizonte,  Guajará, Amazonas | Acervo SOS Amazônia

Francisco souza – Comunidade Flora,  Marechal Thaumaturgo | Acervo SOS Amazônia


Seu Pedro – Comunidade Novo Horizonte, Porto Walter | Acervo SOS Amazônia

Francisco Afonso Nunes da Silva, (58), Comunidade Helena, mora na Resex Alto Juruá desde que nasceu. Seu Francisco se diz apaixonado pela atividade de proteger os quelônios. Ele e sua família fazem parte do projeto ‘Quelônios do Juruá: Eu Projeto’ desde seu início, em 2003.

Dona Auricélia Lima Gomes soltando Tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) no Rio Juruá, comunidade Nova Cintra – Rodrigues Alves-AC
Foto: Andre Dib


Monitores voluntários aprendendo a fazer o manejo dos ninhos (Acervo SOS Amazônia)

E você, conte pra gente o que faz para ajudar o planeta. Ou envolva-se agora mesmo numa causa. Há diversas maneiras de você se engajar:

1 – Dedicando tempo e trabalho em uma das nossas campanhas permanentes: proteção da desova de tracajás no rio Juruá e SOS Reciclagem realizando educação ambiental junto a população em Rio Branco (Seja Voluntário)

2 – Dedicando tempo e trabalho para captarmos recursos a serem aplicados nas campanhas e projetos (Fale Conosco);

3 – Doando recursos para serem aplicados nas campanhas e projetos (Doe agora)

4 – Tornando-se associado da SOS Amazônia, com a contribuição mínima de 25 reais mensal (Associe-se)

Você pode nos apoiar também a mobilizar mais mensageiros da floresta!

Ajude a divulgar e participe dos nossos canais de comunicação: f/sos.amazonia  | Twitter/sosamazonia | Canal SOS Amazônia no You Tube | Siga-nos no Instagram/sosamazonia

Saiba mais!

Prazo prorrogado – elaboração de material gráfico e audiovisual

A Associação SOS Amazônia, entidade da Sociedade Civil sem fins lucrativos, comunica aos interessados que foi prorrogado o prazo para contratação de serviços de pessoa jurídica para produção de material gráfico e audiovisual, visando destacar os produtos florestais não madeireiros apoiados pelo projeto Valores da Amazônia, para exposição em feiras internacionais (Contrato Fundo Amazônia 15.2.0019.1).

Propostas podem ser enviadas até o dia 15 de janeiro de 2018 para o e-mail [email protected]

Adendo TDR 13

Acesse o edital.

Modelo Documento para envio das propostas.

SOS Amazônia recebe selo ONG Transparente

A SOS Amazônia recebe mais uma certificação. Dessa vez o reconhecimento está relacionado a transparência de informações encontradas no site da instituição.

Com 10 critérios levantados pelo instituto Doar, o selo ONG TRANSPARENTE considera os conteúdos da web fáceis de serem encontrados, com informações claras que auxiliam e encorajam o ato de doar.

Os processos de avaliação são:

  • Página de Facebook
  • Página de Contato
  • Página de Doação
  • Missão
  • Projetos e Ações
  • Área Geográfica
  • Estatuto
  • Diretoria e Conselho
  • Relatório Anuais
  • Demostrações Contábeis

“Por meio dos projetos e ações, a SOS Amazônia procura sempre integrar um diálogo formal e direto com seus parceiros. E essa conquista mostra que nossos esforços e empenho pelas causas ambientais valem a pena, estamos no caminho certo em defesa da Amazônia”, destaca Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia.

Acompanhe a matéria completa do instituto Doar aqui.

Por Deylon Félix

 

Governo Temer revoga decreto sobre extinção da Renca

O presidente Michel Temer publicou nesta terça-feira, 26, no Diário Oficial da União, um decreto revogando a extinção da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), situada entre os Estados do Pará e Amapá.

O acordo anterior previa a abertura da área com mais de 4 milhões de hectares, permitindo a exploração por empresas de mineração. Causando uma repercussão negativa graças a reação de Organizações não-governamentais, ambientalistas, artistas e até em mídias internacionais.

A anulação foi confirmada pelo Ministério de Minas e Energia, que defende que o governo retornará o debate em torno do assunto mais a frente, e ocorrerá “da forma mais democrática possível”.

Com a revogação, continua a valer as regras que vigoram desde 1984, que proíbe o investimento privado na área de mineração.

Que  a mobilização pelas causas ambientais continue avançando. #SOSAmazônia #TodosPelaAmazônia

Mundo vive 6ª extinção em massa de animais – situação é pior do que parece

Estudo alerta que planeta atravessa uma aniquilação biológica de suas espécies animais, o que lança perspectiva sombria sobre o futuro da vida, inclusive humana. Um terço das espécies vive declínio populacional.

O mundo está passando por uma “aniquilação biológica” de suas espécies animais, num fenômeno que já pode ser considerado uma sexta extinção em massa e que é mais grave do que parece, aponta um estudo divulgado nessa segunda-feira (10).

Segundo o estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), há uma tendência de investidas cada vez maiores contra a biodiversidade do planeta, resultando numa perspectiva “sombria sobre o futuro da vida, inclusive humana”. O motivo, diz o estudo: “problemas ambientais globais causados pelo homem”.

“Nas últimas décadas, a perda de habitat, a superexploração de recursos, os organismos invasivos, a poluição, o uso de toxinas e, mais recentemente, as mudanças climáticas, bem como as interações entre esses fatores, levaram ao declínio catastrófico nos números e nos tamanhos das populações de espécies de vertebrados tanto comuns como raros”, afirmam os pesquisadores.

Para a pesquisa, uma das mais completas já feitas sobre o tema, cientistas da Universidade de Stanford e da Universidade Nacional Autônoma do México utilizaram uma mostra de 27,6 mil vertebrados terrestres e uma análise detalhada de 177 espécies de mamíferos que sofreram declínio populacional entre 1900 e 2015.

Os pesquisadores observaram que as populações de vertebrados sofreram grandes perdas, inclusive entre as espécies que despertam pouca preocupação. Cerca de um terço (8.851) das espécies analisadas – o que representa quase metade das espécies de vertebrados conhecidas – apresentou declínio populacional e diminuição em termos de distribuição geográfica, mesmo aquelas que atualmente não são consideradas como sob risco de extinção.

Seca no Paraguai: pesquisadores observaram que as populações de vertebrados sofreram grandes perdas

Já entre os 177 mamíferos estudados, todos perderam 30% ou mais em distribuição geográfica, com mais de 40% registrando um declínio populacional severo, com encolhimento superior a 80%.

“Diversas espécies de mamíferos que estavam relativamente seguras há uma ou duas décadas estão agora em perigo”, dizem os pesquisadores.

Como exemplos de quedas representativas na população, eles citaram guepardos, orangotangos, leões, pangolins e girafas.

Última extinção em massa foi há 66 milhões de anos

Nos últimos 500 milhões de anos de existência da Terra, houve cinco “extinções em massa” que levaram ao desaparecimento de 75% das espécies.

O último episódio aconteceu cerca de 66 milhões de anos atrás, quando 76% de todas as espécies foram perdidas, incluindo os dinossauros, devido à atividade vulcânica, alterações climáticas e impacto de asteroides.

Os cientistas ressaltaram ainda que o foco na extinção de espécies leva a “uma falsa impressão de que o habitat da Terra não está ameaçado, e sim apenas lentamente entrando em um episódio de grande perda de biodiversidade”. “Essa visão negligencia as tendências atuais de declínios e extinções da população”, afirma o estudo.

“A aniquilação biológica resultante obviamente terá graves consequências ecológicas, econômicas e sociais”. “A humanidade acabará por pagar um preço muito alto pela diminuição do único conjunto de vida que conhecemos no universo”, alertam os cientistas.

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Projeto Saúde das Florestas realiza oficina na Reserva Extrativista Chico Mendes

A SOS Amazônia e a Universidade Federal do Acre (UFAC), realizou no último dia 29 de julho na Reserva Extrativista Chico Mendes, Escola União, situada em Xapuri, Acre, a “Oficina Saúde das Florestas – Os comunitários como multiplicadores do conhecimento”.

Com o objetivo de sensibilizar, compartilhar e ampliar os conhecimentos sobre suas florestas, foram desenvolvidas atividades definidas pelos próprios comunitários relativas a problemas enfrentados pela população local.

 “Esta oficina abordou temáticas extremamente relevantes para a comunidade, e trouxe inovação para os jovens atuantes da reserva serem multiplicadores do conhecimento”, diz Fiama Lima, articuladora comunitária do Projeto Saúde das Florestas.

Durante a oficina foram realizados trabalhos em grupo e discussões abertas. Os participantes foram incentivados a fazer contribuições quanto a sua percepção diante de temas relacionados às mudanças ocorridas dentro da Resex nos últimos anos. Assuntos como mudanças climáticas, mau uso do solo, desmatamento, alagações, defaunação, aumento na temperatura e desequilíbrios ambientais foram alguns dos principais problemas citados.

Além disso, os participantes puderam conhecer e compreender ferramentas utilizadas no monitoramento das espécies vegetais, com a finalidade de analisar o estado em que estas se encontram.

De acordo com Raimundo Mendes, um dos moradores mais conhecidos da Reserva Extrativista Chico Mendes – Xapuri, é muito importante que projetos voltados para o cuidado com a floresta existam, a fim de mitigar o avanço negativo de degradações que estão ocorrendo.

Sr. Raimundo Mendes

“Quero dizer que é uma satisfação parabenizar estas iniciativas, pois nos mostra que há uma preocupação muito grande com a Reserva Extrativista. E precisamos que este trabalho seja contínuo dentro da Resex ou o seu futuro será incerto. Somos poucos moradores aqui, mas já assimilamos bem o que foi trabalhado e isto é um ponto positivo” afirma Raimundo Mendes.

A oficina trouxe explicações valiosas para que os comunitários enxerguem a floresta como um organismo vivo, e que necessita de cuidados e atenção por parte daqueles que também dependem dela.


Sobre o Projeto

O Projeto Saúde das Florestas se propõe a aumentar o entendimento sobre a biodiversidade florestal e o estoque de carbono no sudoeste Amazônico.

É resultante de uma parceria entre os professores do PPG em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais (da Ufac), Sabina Cerruto Ribeiro (coordenadora do projeto / Engenharia Florestal), Fernando Augusto Schmidt (Ecologia) e Foster Brown (Parque Zoobotânico), com o professor Stephen Perz e a doutora Galia Selaya da Universidade da Flórida (UF).

Com duração de dois anos, esse projeto conta com a gestão financeira da SOS Amazônia. Grande parte das atividades é desenvolvida na Reserva Extrativista Chico Mendes. A expectativa da equipe é que os resultados do projeto sejam referência para o monitoramento da saúde das florestas no Acre bem como da sua conservação e uso sustentável para o século 21.

Essa iniciativa foi submetida e aprovada em um edital promovido pela U.S. National Academy of Sciences (NAS) em parceria com a United States Agency for International Development (USAID).

Por: Deylon Félix

MPF divulga nota pública contra retrocesso em demarcação de terras indígenas

O Ministério Público Federal (MPF) se manifestou, em nota pública, contra o parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), aprovado pelo presidente Michel Temer, sobre os processos de demarcação de terras indígenas.

Para a Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR/MPF), a posição do presidente da República demonstra que “o atual governo faz o que os antecessores já faziam: não demarca, não reconhece e não protege terras indígenas”.

O parecer, divulgado nessa quinta-feira (19), orienta a administração federal a vincular as condicionantes estabelecidas no caso Raposa Serra do Sol para outros processos demarcatório, mesmo tendo o Supremo Tribunal Federal expressamente reconhecido que a decisão tomada na PET 3388 não é dotada de eficácia vinculante para outras terras indígenas.

Leia a íntegra da nota pública do MPF:

O Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, é firme desde sempre na determinação do dever do respeito às terras indígenas. A decisão no caso Raposa Serra do Sol é extraordinariamente bela e afirmativa dos direitos originários dos índios às terras de sua ocupação tradicional.

Todo o esforço do Estado brasileiro desde então é distorcer o conteúdo da decisão do Supremo, para desobrigar-se do seu dever de proteger o direito dos índios às suas terras indígenas.

O Supremo Tribunal Federal determina ao Estado brasileiro demarcar as terras indígenas, sem hostilizar as comunidades indígenas e respeitar a diversidade étnica e cultural. Também determina que se reconheçam aos índios os direitos às terras quando delas retirados à força e a elas impedidos de retornarem. O Supremo Tribunal Federal, nessa mesma decisão, proclamou que essa dinâmica de ocupação indígena é revelada a partir do saber antropológico posto em prática, respeitando a metodologia “propriamente antropológica”, para evidenciar o que ocupam, como ocupam e quanto ocupam, como permanecem com os laços culturais, religiosos, sociais com aqueles espaços, mesmo quando forçados a deles se retirarem.

O Parecer 001/2017/GAB/CGU/AGU, aprovado pelo presidente Michel Temer, que pretende ter força vinculante, põe no papel o que o atual governo faz e os que antecederam já faziam: não demarcar, não reconhecer e não proteger. Deliberadamente passa ao largo dos pontos acima referidos e realça limitações definidas pelo Supremo para o caso Raposa Serra do Sol.

Se marco temporal existe, não está em 1988, mas na continuidade da história constitucional da afirmação dos direitos territoriais indígenas, que se inicia em 1934, repetido em 1937 e 1946, ampliado em 1967 e mais ainda na EC de 1969, e densamente positivado na Constituição de 1988. Esse histórico tem ressonância na jurisprudência consolidada e reiterada do Supremo Tribunal Federal, muito embora tenha sido ignorado pelo parecer.

O parecer tem apenas um grande mérito: traz as digitais do presidente da República e, portanto, faz dele o responsável direto da política indigenista da sua administração.

O Supremo Tribunal Federal terá agora em agosto nova e plural oportunidade de debater vários desses temas.

Os índios nada podem esperar da Administração. A certeza dos índios e a esperança de seu futuro estão nas mãos da Justiça!  

Publicado originalmente em Procuradoria Geral da República

Por Deylon Félix

Começa a funcionar site do Observatório da Governança das Águas

Está em funcionamento desde o dia 10 de julho a página do Observatório da Governança das Águas, um espaço criado para divulgar, discutir e debater temas ligados a gestão das águas no Brasil.

Lançado pelo Núcleo Executivo, o mecanismo contará com a participação das entidades que aderiram a este movimento. E busca seguir uma linha informativa demonstrando os compromissos, funcionamento e ferramenta para acompanhar e monitorar o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

A SOS Amazônia e mais 84 instituições do norte e sul do país, incluindo universidades, Secretarias de Estado de Meio Ambiente, Comitês de Bacias Hidrográficas, instituições privadas e organizações não-governamentais e órgãos gestores participam deste programa.

Acompanhe o site do Observatório e ajude a divulgar esta iniciativa.

Por Deylon Félix

Lançamento do site Aliança pela restauração na Amazônia

A Aliança pela Restauração na Amazônia, uma iniciativa multi-institucional que tem como foco qualificar e ampliar a escala da restauração florestal na Amazônia brasileira, lançou nesta última terça-feira 11 de julho, as 18 horas, sua plataforma digital.

No site será possível encontrar as ações realizadas por meio deste movimento, suas publicações, atuação e estrutura. A CI-Brasil será responsável por fazer a postagem nesta data e horário em seus meios de comunicação.

Mais de 40 organizações e instituições já se uniram pela restauração na Amazônia. Esta árvore está se multiplicando e vai se espalhar por toda a Amazônia. Conheça esta união tão importante para fortalecer e proteger a maior floresta tropical do mundo. A SOS Amazônia faz parte desta ação e acredita que juntos podemos fazer a diferença. #PrecisamosdaNatureza

Acompanhe o site da Aliança pela Restauração na Amazônia.

Por Deylon Félix