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Entrevista sobre a extinção da Renca

Ouça a entrevista de Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, cedida à rádio Guaiba, sobre a Renca. #sosamazonia

“De volta à tona, o governo federal vem fazendo as coisas de maneira atabalhoada, sem planejamento ou sem combinar com os atores locais, que são os mais importantes. (…) As pessoas não são comunicadas nem são consultadas. (…)

A gente percebe que parte da população está sensibilizada para isso, há preocupação em proteger a floresta, em entender essa realidade. E isso é muito importante porque pode se tornar um marco de mudança para se cobrar um entendimento da região amazônica”.

SOS Amazônia inicia projeto para fortalecer cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros no Acre e Amazonas

 

O valor da floresta

A SOS Amazônia inicia mais um projeto de grande importância para conservação da biodiversidade amazônica, alcançando povos e comunidades tradicionais, como extrativistas, ribeirinhos e indígenas, de nove instituições aglutinadas, dentre elas, uma cooperativa de indígenas e uma associação de mulheres.

Foi selecionado no âmbito da Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis do Fundo Amazônia, no valor de R$ R$ 9.993.000,00, projeto da SOS Amazônia para Estruturação, Fortalecimento e Integração das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros nos estados do Acre e Amazonas.

Com duração de 36 meses, a iniciativa tem por objetivos disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas com vistas à geração de trabalho e renda, por meio do desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas dos óleos vegetais (murmuru, buriti, cocão), cacau silvestre e borracha, em seis municípios do estado do Acre e quatro do estado do Amazonas.

“O projeto tem forte afinidade com a criação da SOS Amazônia e com a ideia defendida por Chico Mendes, um dos fundadores, que é promover o desenvolvimento mantendo a floresta em pé”, disse o secretário geral da SOS Amazônia, Miguel Scarcello.

Dentre os serviços que vão ser realizados pelo projeto, está o fortalecimento organizacional das nove entidades beneficiárias e da Rede de Apoio às Cadeias de Valor; Assistência Técnica e Extensão Rural e Florestal (ATERF) às entidades beneficiárias e produtores; visitas de intercâmbio a experiências inovadoras e bem sucedidas relacionadas às cadeias de valor; mapeamento das áreas e elaboração dos Planos de Manejo Simplificados para os produtos florestais não madeireiros; Certificação dos Produtos e Empreendimentos (orgânica, mercado justo e extrativismo); e estudos de mercado e promoção comercial dos produtos.

O coordenador geral do projeto, Alisson Maranho, explica que em sinergia com a missão da SOS Amazônia, que é a conservação da biodiversidade, a estratégia é fortalecer essas instituições e as cadeias de valor de produtos florestais envolvidas.

“O projeto foi estruturado em 15 subprojetos. Cada entidade possui o seu subprojeto, que foi construído de forma participativa. Além desses, outros seis subprojetos são comuns a todas as beneficiárias, que envolve formações, mapeamento de recursos florestais, assistência técnica, intercâmbios, preparação para certificação e estudos de mercado”, explica Alisson.

Cooperativa de produtos naturais da Amazônia vai ser beneficiada com o projeto
Umas das entidades beneficiadas pelo projeto de Cadeias de Valor de Produtos Florestais Não Madeireiros é a Cooperativa de Produtos Naturais da Amazônia (COPRONAT), localizada no município de Silves, Amazonas. No dia 11 de agosto, a SOS Amazônia realizou o primeiro encontro com a COPRONAT e a Associação Vida Verde (AVIVE) – criada por um grupo de mulheres, que deu origem à COPRONAT.

O objetivo do encontro, segundo Alisson, foi analisar as ações previstas no subprojeto da cooperativa beneficiária junto à diretoria da Cooperativa e combinar a operacionalização. “Nesse primeiro momento foi possível atualizar as informações sobre a cooperativa e estabelecer o marco zero, que vai possibilitar mensurar o quanto será alcançado com o investimento previsto para a instituição”, disse.

No subprojeto da COPRONAT está previsto a implantação de Fábrica de Sabonetes a base de Óleos e Gorduras Vegetais e Fortalecimento da Usina de Extração de Óleos e Gorduras Vegetais. A COPRONAT é composta por mulheres moradoras do município de Silves e desenvolve desde 1992, produtos cosméticos a base de extratos vegetais, como cumaru, pau rosa e breu. “As mulheres envolvidas com a Cooperativa demonstram muita experiência, sempre envolvidas com a organização social, e se sentem motivadas para melhorar e ampliar as suas atividades, a partir do funcionamento de uma fábrica de sabonetes que será concluída com recurso desse projeto da SOS Amazônia na comunidade”, avalia o coordenador.

Ampliação da área de atuação e o valor da floresta em pé
Desde sua fundação, em 1988, a SOS Amazônia busca conectar ainda mais as comunidades tradicionais à conservação da floresta, elaborando projetos que visem o fortalecimento de iniciativas ambientais em consonância com o bem-estar dessas comunidades.

“Os extrativistas e produtores rurais são os principais aliados da floresta. Então, valorizar as iniciativas empreendedoras dessas pessoas significa potencializar a conservação dos recursos naturais. Com esse projeto, a SOS Amazônia amplia também a sua área de atuação para o estado do Amazonas, quer dizer, é mais um grande e gratificante desafio para uma organização como a nossa, que sempre se propôs, com muita dedicação, a diminuir a pressão humana sobre a floresta amazônica”, disse a secretária técnica da SOS Amazônia, Cida Lopes.

Municípios beneficiados com o Projeto no Acre e no Amazonas:
Acre: Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Tarauacá e Feijó; Amazonas: Boca do Acre, Pauini, Lábrea e Silves.

Leia o Resumo Executivo do Projeto Estruturação, Fortalecimento e Integração das Cadeias de Valor de Produtos Florestais não madeireiros nos estados do Acre e Amazonas.

Página do Projeto.

SOS Amazônia capacita técnicos para promoção da Agricultura Familiar Sustentável

Com a aceleração do aquecimento global e o crescimento populacional, cada vez mais, o mundo pede um modelo de desenvolvimento sustentável e resiliente, baseado na conservação dos recursos naturais, na diminuição das desigualdades sociais e na redução do desperdício de alimentos. Sem dúvida, esse modelo de desenvolvimento tem sido o grande desafio dos governantes e de diversos segmentos da sociedade civil.

Uma das alternativas adotadas para seguir esse caminho, é apoiar a agricultura familiar, com foco nas relações de gênero, geração e etnia visando à promoção da igualdade, na segurança alimentar e nutricional, e na inclusão social e produtiva dos agricultores no processo de desenvolvimento sustentável, com atenção especial para a redução do desmatamento e produção sem uso do fogo e sem agrotóxicos.

Para essa transição agroecológica, a SOS Amazônia, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por exemplo, vai realizar na região do Juruá o Projeto ATER Agroecologia, destinado a 800 famílias agricultoras. Mais de 40 comunidades serão beneficiadas com o projeto nos municípios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

O projeto terá duração de 36 meses e tem por objetivos trabalhar a produção agroecológica e orgânica nas Unidades de Produção Familiar (UPF), e destacar a necessidade de alternativas que visem a melhoria da produção rural, de olho no uso sustentável dos recursos naturais, ambientais, sociais e econômico.

Técnicos são capacitados para atuação diferenciada

A equipe técnica da SOS Amazônia é composta por engenheiros florestais, assistentes sociais, técnicos agroflorestais, florestais, agroecológicos e agropecuários. Entre os dias 7 e 11 de outubro, no auditório da Embrapa/Cruzeiro do Sul, 27 técnicos participaram do curso ‘Formação dos Agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural para a promoção da Agricultura Familiar Sustentável’, realizado pela SOS Amazônia, em parceria com o MDA.

Ministrado pelo consultor Lucas Henriques, da Coordenação de Formação, Inovação e Sustentabilidade do MDA, o curso teve por objetivo possibilitar nivelamento conceitual e prático sobre temas importantes da extensão rural e colaborar na qualificação dos Agentes de Ater que vão atuar na Chamada Pública de Agroecologia.

Com carga horária de 40 horas/aula, a formação dos agentes foi desenvolvida em eixos temáticos, com processo pedagógico favorável à construção coletiva do conhecimento e ao aprofundamento conceitual e metodológico. Dentre os temas estudados, estão o Histórico da Agricultura Familiar e sua contextualização regional, Agroecologia e Sustentabilidade, Pedagogia e Metodologias de ATER, Políticas Públicas da Agricultura Familiar, Inovações, Noções do Sistema Informatizado de ATER, Gestão de Contrato e Avaliação.

Outros profissionais que contribuíram com a formação dos técnicos:

Roney Santana, da Secretaria de Estado de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (SEAPROF), falou sobre Roçados Sustentáveis.

Isaac Ibernon, gerente do Instituto do Meio Ambiente do Acre (Imac/CZS), palestrou sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR).

Cleide Mendonça, chefe do Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD), debateu as Unidades de Conservação, com foco no PNSD.

Sergiane da Silva, da Seaprof – palestrou sobre Associativismo e Cooperativismo.

Leia depoimentos dos participantes do curso.

 

Em homenagem, reconhecimento e admiração por um grande ambientalista #AlmiranteIbsen

[box] O Brasil perdeu um dos maiores defensores do meio ambiente. O almirante Ibsen de Gusmão Câmara morreu, aos 90 anos, na quinta-feira, 31, no Rio de Janeiro. O oficial da Marinha do Brasil foi um dos principais atuantes na lei sancionada em 1989 que proibiu a caça às baleias e a criação de unidades de conservação em todo o território nacional. 

Ibsen acompanhou a trajetória do movimento ambientalista e da política ambiental no Brasil. Em balanço, afirmou existir uma maioria interessada na preservação ambiental, mas que mesmo assim a destruição aumentou. “As pessoas tomam consciência que estamos fazendo uma devastação, mas nossa força não é suficiente para represar isso. Comparando na época quando comecei, o número de pessoas interessadas é infinitamente maior”.

Embora considere que o Brasil “avançou bem” dentro do cenário mundial, não poupa críticas ao chamado desenvolvimento sustentável. Na sua opinião, desenvolvimento e sustentabilidade ainda são incompatíveis. “Uso sustentável para mim é brincadeira, nada mais é que refrear um pouco o ritmo de destruição. Isso não satisfaz”.

Para Ibsen, sem as atuais Unidades de Conservação, “não iria sobrar nada” para conservar no país. Por isso, defende que o Brasil precisa criar ainda mais áreas protegidas, mesmo reconhecendo a dificuldade de resguardá-las e proteger a sua biodiversidade. Sem contar a “pressão violenta” do setor agrícola contra a conservação.

Mais UCs marinhas

A criação de mais unidades costeiras e marinhas ainda é motivo de preocupação. “São pouquíssimas, isso é um problema mundial. Essa é uma área que precisamos avançar muito”, disse Ibsen. Enquanto no mundo há pouco mais de 3% das áreas marinhas nacionais protegidas, o Brasil tem cerca de 1%.

A iminente exploração em larga escala do petróleo na camada pré-sal também é motivo o alarma: “Meu grande receio é que haja um vazamento na camada pré-sal e seja incontrolável. No Golfo do México a 1.500 metros de profundidade, levou-se muito tempo para controlar. Nós vamos conseguir controlar a 7 mil metros? Tenho receio disso. É preciso o máximo de cautela”.

Confira a reportagem completa: [/box]

Almirante Ibsen: uma vida dedicada ao Meio Ambiente

Rio de Janeiro — Nas mais de quatro décadas dedicadas à conservação da natureza, o Almirante Ibsen de Gusmão Câmara se tornou um dos decanos do ambientalismo brasileiro. Lúcido, ativo e crítico, aos 90 anos, Ibsen recebeu do Ministério do Meio Ambiente uma homenagem especial nesta quinta-feira, dia 5, por sua dedicação às causas ambientais.

O empenho de Ibsen ocorreu quando pouco se falava de meio ambiente no país. Ele liderou a campanha contra a caça de baleias no Brasil e também foi um grande defensor das Unidades de Conservação, com papel de destaque na criação de parques e reservas na Amazônia. Sua história foi contada por Marcos Sá Correa no livro “Água mole em pedra dura: dez histórias da luta pelo meio ambiente”, de 2006.

A participação de Ibsen foi fundamental também na criação de Unidades de Conservação marinhas, como a Reserva Biológica Atol das Rocas, em 1979, o primeiro Parque Nacional Marinho do país. Atuou também por Abrolhos, em 1983, e por Fernando de Noronha, criado em 1987.

Após entrar para a reserva, presidiu a Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza (FBCN), foi conselheiro por mais de 10 anos no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), além de contribuir para a criação de uma dezena de ONGs.

“Em um determinado ponto da minha vida comecei a perceber as barbaridades que eram feitas e isso me levou cada vez mais a me envolver [com o meio ambiente]. Mantenho meu interesse até hoje, estudo todos os dias e acompanho as revistas científicas. Quero estar em dia com o que está acontecendo. Me assusto demais pelo que está havendo no mundo em termos de destruição da vida. Estamos passando por uma das crises ambientais e biológicas mais séries e intensas dos últimos 65 milhões de anos. A humanidade não está percebendo o que está fazendo”, disse durante o encontro desta quinta.

“Eu fiz o que pude, não fiz o que quis, mas o que pude e espero ter dado alguma contribuição. Feliz por saber que há pessoas que apreciam alguma coisa que eu fiz. A juventude é a esperança das coisas melhorarem”, afirmou o almirante em conversa com ((o))eco. “Posso dizer que metade da minha vida, me dediquei à causa ambiental. A minha vocação ambientalista foi porque eu gostava de natureza. Na Marinha, eu colaborava dentro das possibilidades, me dediquei integralmente a partir de 1981, quando me aposentei”, contou.

Ibsen aproveitou a homenagem para renovar o compromisso com a causa: “Se a sorte me permitir, continuarei colaborando com o conservacionismo. Pretendo até os últimos dias da minha vida continuar na conservação”.

Testemunha da história

Como militar da Marinha, Ibsen comandou uma flotilha de navios no rio Amazonas e realizou patrulhas ao longo de todo o rio e pelos seus afluentes. O então jovem oficial se deparou com um avançado nível de desmatamento nas áreas por onde navegou. Desde então, passou a manter contato com organizações conservacionistas. Naquela época, na década de 40, pouco se sabia do desastre ambiental que o homem estava ocasionando.

Ibsen acompanhou a trajetória do movimento ambientalista e da política ambiental no Brasil. Em balanço, afirmou existir uma maioria interessada na preservação ambiental, mas que mesmo assim a destruição aumentou. “As pessoas tomam consciência que estamos fazendo uma devastação, mas nossa força não é suficiente para represar isso. Comparando na época quando comecei, o número de pessoas interessadas é infinitamente maior”.

Embora considere que o Brasil “avançou bem” dentro do cenário mundial, não poupa críticas ao chamado desenvolvimento sustentável. Na sua opinião, desenvolvimento e sustentabilidade ainda são incompatíveis. “Uso sustentável para mim é brincadeira, nada mais é que refrear um pouco o ritmo de destruição. Isso não satisfaz”.

Para Ibsen, sem as atuais Unidades de Conservação, “não iria sobrar nada” para conservar no país. Por isso, defende que o Brasil precisa criar ainda mais áreas protegidas, mesmo reconhecendo a dificuldade de resguardá-las e proteger a sua biodiversidade. Sem contar a “pressão violenta” do setor agrícola contra a conservação.

Mais UCs marinhas

A criação de mais unidades costeiras e marinhas ainda é motivo de preocupação. “São pouquíssimas, isso é um problema mundial. Essa é uma área que precisamos avançar muito”, disse Ibsen. Enquanto no mundo há pouco mais de 3% das áreas marinhas nacionais protegidas, o Brasil tem cerca de 1%.

A iminente exploração em larga escala do petróleo na camada pré-sal também é motivo o alarma: “Meu grande receio é que haja um vazamento na camada pré-sal e seja incontrolável. No Golfo do México a 1.500 metros de profundidade, levou-se muito tempo para controlar. Nós vamos conseguir controlar a 7 mil metros? Tenho receio disso. É preciso o máximo de cautela”.

Um ambientalista no poder

Na opinião do secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Roberto Cavalcanti, Ibsen soube se utilizar de um trunfo: ele transitava muito bem nas esferas de poder e de tomada de decisão.

“Pelas características do governo na época e pela sua formação, o almirante Ibsen tinha e tem um acesso que pouquíssimos ambientalistas tinham, além de uma grande credibilidade e ter estudado intensamente o assunto. Foi um momento essencial, uma época que as universidades brasileiras estavam começando a oferecer cursos na área de ecologia”, disse Cavalcanti. “Ibsen foi capaz de trazer questões ambientais para o centro do governo”.

Sua carreira de militar ocorreu, em boa parte, durante o período a ditadura. De 1974 a 1979, no governo de Ernesto Geisel, ocupou o cargo de vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas. Isso não impediu que ele obtivesse a admiração até de ambientalistas de esquerda.

Após quatro décadas de militância ambiental, ele continua sendo carinhosamente chamado de “Almirante”.

(O Eco

(Foto: Cortesia /Paulo Guilherme Pingüim – Divers for Sharks)

SOS Amazônia apoia manifesto em defesa das Unidades de Conservação

Diversas ONGs ambientais e instituições ligadas ao turismo sustentável elaboraram um Manifesto em defesa das Unidades de Conservação brasileiras. O documento foi lido na 8ª edição da Conferência de Ecoturismo e Turismo Sustentável, em Bonito.

A carta está aberta para assinaturas e contribuições de organizações interessadas. As instituições que desejarem assinar o documento ou tiverem sugestões devem entrar em contato no e-mail [email protected]

Confira a seguir o manifesto na íntegra:

Manifesto pela valorização das Unidades de Conservação do Brasil e pelo turismo sustentável

As organizações da sociedade civil alertam para a desvalorização dos parques brasileiros, que podem ser muito melhor explorados do ponto de vista turístico, promovendo a conservação aliada à geração de emprego e renda.

Estudo recente na publicação científica Conservation Biology indica que, nas últimas três décadas, 93 parques nacionais e outras Unidades de Conservação no Brasil tiveram suas fronteiras reduzidas ou seus status alterados. Retirou-se ou se reduziu a proteção de um total de 5,2 milhões de hectares de florestas nativas, que antes eram preservados em parques, reservas e estações ecológicas. Isso equivale ao território do Rio Grande do Norte e é superior ao da Costa Rica.

Unidades de Conservação na Amazônia foram as que mais sofreram, principalmente entre 2008 e 2012. Os principais motivos foram o avanço desregrado da geração e transmissão de energia hidrelétrica, do agronegócio e da urbanização.

Além das perdas já concretizadas, o Brasil convive com novas e constantes ameaças – um caso emblemático é o do Parque Nacional do Iguaçu, onde fica uma das sete maravilhas naturais do mundo: as Cataratas. Existe um projeto para construir uma estrada que cortará o parque, causando prejuízos aos animais e impactando a paisagem.

O Brasil ficou em 1º lugar no ranking do Fórum Econômico Mundial no quesito Belezas Cênicas, entretanto, vem perdendo posições no ranking mundial de competitividade de turismo.

Atualmente, dos quase 70 parques nacionais existentes no país, apenas 26 estão abertos à visitação e só 18 possuem infraestrutura satisfatória. Em 2012, esses parques tiveram 5,3 milhões de visitantes e arrecadaram menos de R$ 27 milhões com a venda de ingressos, sendo que pouco mais de 3 milhões de visitantes ocorrem somente nos Parques Nacionais da Tijuca e Iguaçu.

Os parques nacionais dos Estados Unidos, em 2008, receberam 275 milhões de visitas e geraram US$ 11,5 bilhões nas suas áreas de influência. Os cinco maiores parques da África do Sul recebem ao ano 4,3 milhões de turistas. Lá, 75% do sistema de parques nacionais é mantido pelos recursos advindos da visitação (incluindo concessões). Na Austrália, em 2007, turistas que visitaram parques nacionais foram responsáveis pela injeção de R$ 30 bilhões na economia do país. E, na Nova Zelândia, o turismo representa cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e 15% dos empregos da costa oeste. O turismo promovido no Parque Nacional de Fiordland, ao sul daquele país, promove a geração de mais de 50% dos empregos do território, assim como o Parque Nacional de Banff, no Canadá.

O estudo Contribuição das Unidades de Conservação Brasileiras para a Economia Nacional aponta que a visitação nos parques existentes no país tem potencial para gerar até R$ 1,8 bilhão por ano, considerando as estimativas de fluxo de turistas projetadas – cerca de 13,7 milhões de pessoas, entre brasileiros e estrangeiros – até 2016, ano das Olimpíadas. O material foi desenvolvido pelo Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente e pelo Ministério do Meio Ambiente em 2011.

O Brasil precisa aproveitar essa oportunidade e reconhecer as Unidades de Conservação como o maior ativo deste país, conciliando desenvolvimento com a conservação dos recursos naturais. Ao valorizar e investir em seus patrimônios naturais, também se fortalecerá como destino turístico. Infelizmente, hoje nem os brasileiros nem os turistas estrangeiros podem usufruir adequadamente dessas riquezas. E, se o governo não agir para alterar a realidade atual, sobrarão poucas áreas protegidas para serem apreciadas no futuro.

Signatários

Associação Ambientalista Defensores da Terra

Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA)

Associação Serra Geral de Montanhismo

Associação SOS Amazônia

Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME)

Crescente Fértil

Fundação Neotrópica do Brasil

Conservação Internacional (CI-Brasil)

Fundação SOS Mata Atlântica

Grupo Ação Ecológica (GAE)

Grupo Bandeirantes da Serra

Instituto CarbonoBrasil

Instituto das Águas da Serra da Bodoquena (IASB)

Instituto de Defesa, Estudo e Integração Ambiental (IDEIA)

Instituto EcoFaxina

Instituto Ecofuturo

Instituto Ilhabela Sustentável

Instituto Semeia

Instituto Socioambiental (ISA)

Instituto SOS Pantanal

Instituto Vale das Graças (IVG)

ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE)

Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação

RPPN Morro do Elefante

Serviço Interfranciscano de Justiça Paz e Ecologia (Sinfrajupe)

WWF-Brasil

Associação SOS Amazônia

(Mais em SOS Mata Atlântica / Foto SOS Mata Atlântica)

Equipe SOS Amazônia em campo

Rio Juruá

A equipe técnica da SOS Amazônia, composta por engenheiros florestais, assistentes sociais, técnicos agroflorestais, florestais e agroecológicos, agentes de ATES e responsáveis pela logística, vai a campo nesta quarta-feira, 4, para realizar cinco oficinas de diagnósticos comunitários e empreendimentos coletivos nas comunidades polos Foz do Breu, Caiporinha, Belfort, Acuriá e Foz do Tejo, localizadas na Reserva Extrativista Alto Juruá, no município de Marechal Thaumaturgo.

As oficinas têm por objetivo analisar a situação atual das organizações sociais existentes, identificar atividades produtivas, empreendimentos comunitários atuais e comercialização dos produtos na região.

Essa ação faz parte do projeto de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES), realizado pela SOS Amazônia em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).

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Entenda o Projeto

Dividido em três etapas: Oficinas de Apresentação e Diagnóstico Familiar; Planejamento Participativo; e Oficinas de Capacitação e Orientação Técnica, o projeto de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES) na Reserva Extrativista Alto Juruá tem por objetivo melhorar a qualidade de vida das famílias que vivem na Reserva, com foco na conservação dos recursos naturais, envolvendo três eixos fundamentais: organização social, fomento do extrativismo e produção sustentável, e comercialização.

Com duração de 30 meses, o projeto prevê atender, aproximadamente, 1.100 famílias. As oficinas acontecem em 10 comunidades Polos: Restauração, Maranguape, Remanso, Novo Horizonte, Iracema, Foz do Breu, Caiporinha, Belfort, Acuriá e Foz do Tejo, localizadas às margens dos rios Tejo, Juruá, Breu, Amônia e Arara, e nos igarapés Bajé, Caipora, São João e Acuriá.

Várias instituições locais estão envolvidas na ação: Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá (Asareaj), Associação dos Seringueiros e Agricultores do Rio Juruá (Asajuruá), Prefeitura de Marechal Thaumaturgo, Câmara de Vereadores e Sindicado dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR).

O ATES na Resex Alto Juruá concentra suas ações no resgate do extrativismo e fortalecimento da produção agroecológica na região. As atividades têm o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério do Meio Ambiente, ICMBio e Serviço Florestal Brasileiro. [/box]

(SOS Amazônia//Eliz Tessinari)

 

 

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