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SOS Amazônia: três décadas de iniciativas pela floresta amazônica, pelos povos e comunidades tradicionais

Foto destaque: André Dib

Nós queremos uma Floresta Amazônica e sua diversidade biológica conservadas, respeito aos povos e comunidades tradicionais e melhoria da qualidade de vida dessas populações.

Na década de 1980 grandes áreas de florestas foram substituídas por pastagens na Amazônia. Naquela época, o movimento dos seringueiros, no Acre, unia forças para empatar a devastação e garantir o direito de posse das suas colocações. Movidos pela resistência dos guardiões da floresta, no dia 30 de setembro de 1988, na cidade de Rio Branco, estado do Acre, professores, estudantes universitários e representantes do movimento social, incluindo o ativista e seringueiro Chico Mendes, criaram a Associação SOS Amazônia, tendo como objetivo principal defender a causa extrativista e proteger a Floresta Amazônica, apoiando as populações tradicionais.

Exposição sobre o desmatamento na década de 1980

Num cenário de conflitos por ocupação de terras, a entidade dedicou-se a expor, em praça pública, dados e fotos sobre o desmatamento na região, a fazer denúncias das ameaças sofridas pelos seringueiros, distribuir materiais informativos e a dialogar com as pessoas sobre o tema, visando mobilizar a sociedade e facilitar a compreensão sobre causas e consequências da destruição que estava acontecendo.

Diante do delicado momento que os extrativistas vivam, além das campanhas de conscientização, logo surgiu a necessidade da instituição, em desenvolver projetos, propor e implementar políticas públicas com foco na difusão de modelos e práticas para preservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável, iniciativas que pautam, cotidianamente, o dever de cumprir a missão da SOS Amazônia, que é “Promover a conservação da biodiversidade e o crescimento da consciência ambiental na Amazônia”.

Em três décadas de existência, a instituição atua no estado do Acre e Amazonas, além de áreas fronteiriças, com a participação de, aproximadamente, cinco mil famílias, por meio de projetos e campanhas. Essa área de atuação engloba, principalmente, Unidades de Conservação (UC), a exemplo do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, atribuindo à SOS Amazônia um extenso e importante histórico de iniciativas para manutenção das florestas e melhores condições de vida aos povos que nelas habitam.

Ganhou experiência e capacidade para planejamento e gestão de UCs, tem expertise na promoção de assistência técnica e extensão rural a comunidades tradicionais, e também é referência no desenvolvimento da educação ambiental, no reaproveitamento de resíduos sólidos e na participação voluntária em conselhos e comitês para regulamentação de leis e gestão de programas públicos.

PRODUTOS DA SOCIOBIODIVERSIDADE

O projeto Valores da Amazônia (apoio financeiro do Fundo Amazônia) apoia três cadeias de valores de produtos florestais não madeireiros – Cacau Silvestre, Óleos Vegetais e Borracha Nativa

Pelo vínculo contínuo com UCs, promoção e apoio às políticas de incremento da economia florestal, mantendo a floresta em pé, a SOS Amazônia atraiu novos investimentos para a região e passou a fortalecer cadeias de negócios dos produtos florestais não madeireiros. Atualmente, realiza projeto de fortalecimento de 16 cooperativas, sendo duas no Amazonas e 14 no Acre, para estruturar e ampliar os negócios com borracha, cacau silvestre e óleos vegetais.

MOBILIZAÇÃO SOCIAL

A SOS Amazônia sempre priorizou e prioriza o trabalho representativo, atuando em três campos: Conselhos; Comitê de Gestão e Acompanhamento de Projetos; e Coletivos de Mobilização Social, na defesa de causas ambientais de interesse público.

Atuou por quatro mandatos no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), como representante das instituições do terceiro setor na Região Norte, e, atualmente, compõe os Conselhos estadual e municipal de meio ambiente do estado do Acre e do município de Rio Branco, respectivamente. Além de ser membro da Comissão da Produção Orgânica do Acre – CPOrg Acre, ocupando a coordenação da Comissão.

GESTÃO E TRANSPARÊNCIA | EIXOS ESTRATÉGICOS

A estrutura de gestão da Instituição conta com Conselhos Fiscal e Deliberativo atuantes. Desenvolve seus projetos seguindo um planejamento estratégico, tendo claro e atualizado sua missão e foco em três linhas estratégicas de atuação: Mitigação e adaptação às mudanças do clima; Preservação da biodiversidade; e Promoção de negócios sustentáveis na Amazônia.

Adotou desde 2003 um modelo de gestão contábil-financeiro, informatizado, com auditoria externa de suas contas, elaborou e segue seu Manual de Procedimentos para orientar e regulamentar procedimentos da rotina interna de gestão administrativa, contábil e financeira, como também tem seu Plano de Cargos e Salários e seu Código de Ética.

Um dos fundadores e atual secretário geral da SOS Amazônia, Miguel Scarcello, recebendo o ‘Prêmio Bem Eficiente’ de gestão institucional, concedido pela Kanitz & Associados em 2004, às 50 entidades sem fins lucrativos que melhor administram seus recursos no país, com transparência e seriedade

Tal conduta garantiu à SOS Amazônia o ‘Prêmio Bem Eficiente’ de gestão institucional, concedido pela Kanitz & Associados em 2004, às 50 entidades sem fins lucrativos que melhor administram seus recursos no país, com transparência e seriedade.

Prêmio Melhores Ongs do Brasil

E em 2017 foi reconhecida como uma das 100 ‘Melhores ONGs do Brasil’. Este prêmio é uma iniciativa do Instituto Doar, em parceria com a Revista Época, que busca reconhecer boas práticas de gestão e transparência no terceiro setor, além de incentivar a cultura de doação no Brasil.

JUNTE-SE A NÓS

São muitos os desafios para manter a floresta preservada, mas juntos podemos fazer mais ainda pela Floresta Amazônica e seus povos. Gratidão aos parceiros, colaboradores, voluntários e a todas as pessoas que se conectam com a causa ambiental e com a causa dos povos e comunidades tradicionais.

A SOS Amazônia entende que promover iniciativas para a conservação da Amazônia é a melhor forma de valorizar o mundo. E você pode ajudar a proteger as nossas florestas de diversas formas.

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DEPOIMENTOS

“Eu vejo a SOS Amazônia como aquela instituição dos sonhos onde todos da área da conservação querem e devem trabalhar. Sinto que todos aqui trabalham com amor, em prol da floresta e de tudo o que tem nela. E isso é o diferencial da instituição. Ver as famílias tendo retorno de algo que a gente promove tem um valor inestimável. Poder mostrar que a floresta é uma fonte inesgotável de recursos e que sim pode ser utilizada de forma racional, é o bem maior que temos. Daqui 10 anos, espero que a gente tenha chegado a muito mais famílias, levado esse amor e esse respeito que temos pelo que a floresta e seus recursos são em prol daquilo que ela pode nos dar. Espero que tenhamos alcançado muito mais lugares. Conquistado mais espaço, reflorestado,  recuperado e aprendido ainda mais com as populações tradicionais que tanto tem a nos ensinar também. Temos que aproveitar esse olhar que está cada vez mais crescente para a proteção da Amazônia para realmente alavancar o seu valor e seu potencial, sem agredir a floresta, e que as gerações futuras tenham ainda mais respeito e cuidado com esse bem tão precioso que temos” (Thaina Souza, engenheira florestal)

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“Em 2012 fui selecionada pela SOS Amazônia para trabalhar e foi uma grande oportunidade profissional para mim, pois eu não tinha nenhuma experiência na área. Acho muito interessante trabalhar com as famílias ribeirinhas, levando alternativas sustentáveis, promovendo a cultura. A SOS Amazônia é apaixonante porque cada dia que saímos para a atividade de campo é uma nova experiência, um novo aprendizado, pois você leva seu conhecimento, mas traz uma bagagem imensa também, que você adquire com os produtores rurais. Agradeço por fazer parte dessa equipe maravilhosa, quero continuar por muitos e muitos anos na SOS Amazônia” (Francisca de Souza Lima, técnica em ecologia, formada na Escola da Floresta)

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“Esse momento representa os 30 anos de tantas lutas e conquistas de ações voltadas a cumprir a missão da SOS Amazônia. Temos muito o que comemorar diante de tantos desafios superados e retomar fôlego para superar os que estão por vir. Fazer parte desse grupo é um privilégio, estar nesse ambiente de tanta verdade no que se propõe a realizar é o mais encantador. E o que dá forças para continuar. Viva a nossa Amazônia. Viva mais 30 anos de SOS Amazônia” (Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia)

Mais sobre a história da SOS Amazônia

Sócios fundadores:

  • Abrahim Farhat
  • Amine Carvalho Santana
  • Anna Rosa Fioreta
  • Anselmo Alfredo Forneck
  • Arnóbio Marques de Almeida Júnior
  • Carlos Edegard de Deus
  • Cândido Arieira de Carvalho
  • Cleto Batista Barbosa
  • Denise Regine Garrafiel
  • Elga Buttignol
  • Francisco Alves Mendes Filho (Chico Mendes)
  • Genéseio F. de Natividade
  • Jandira Keppi
  • João Azevedo do Nascimento
  • José Antônio Scarcello
  • José Jocilem Crisostomo Gomes
  • Josélia da Silva Alves
  • Júlia Feitoza da Silva
  • Maria do Carmo Ferreira da Cunha
  • Mauro Luiz Aldrigue
  • Miguel Scarcello
  • Nazaré de Lima Soares
  • Nelson Deicke
  • Ruscelino Araújo Barboza

Ficha de Inscrição do seringueiro e líder de movimento em favor da floresta, Chico Mendes

Estrutura Organizacional em 1988

  • Diretor-presidente: Miguel Scarcello
  • Diretora-técnica: Bárbara Angélica Guimarães de Deus
  • Diretor Administrativo Financeiro: Abrahim Farhat Neto
  • Diretor de Assuntos Interinstitucionais: José Antônio Scarcello

Conselho Deliberativo 

  • Cleto Batista Barbosa (1º conselheiro)
  • Mauro Luiz Aldrigues (2º conselheiro)
  • Guilherme Theodoro Fredrich (3º conselheiro)

Estrutura Organizacional em 2018

  • Secretário geral: Miguel Scarcello
  • Secretário técnico: Àlisson Maranho
  • Secretária Administrativa: Gabriela de Souza

Conselho Deliberativo 

  • Presidente – Maria Luiza Pinedo Ochôa
  • Vice-presidente – Verônica Telma Da Rocha Passos

Membros Titulares

  • Ruscelino Araujo Barboza, Júlio Eduardo Gomes Pereira e  Cleilton Pessoa Amaral

Membros Suplentes

  • Francisca Cristina Moura de Lima Boaventura e Andréa Alechandre Da Rocha

Conselho Fiscal 

Membros Titulares  |  Evandro José Linhares Ferreira, Silvia Helena Costa Brilhante e Arthur Cezar Pinheiro Leite

Membros Suplentes  |  Moisés Barbosa De Souza e Maria Do Carmo Ferreira Da Cunha

SOS Amazônia comemora 29 anos de iniciativas pela proteção da Amazônia

No sábado (30), a SOS Amazônia comemora 29 anos de iniciativas pela proteção da Amazônia. Desde sua criação, a organização desenvolve projetos, propõe e implementa políticas públicas com foco na difusão de modelos e práticas para a conservação da biodiversidade e crescimento da consciência ambiental.

O início de um importante legado pela proteção da Floresta Amazônica

Na década de 1980, houve um grande incentivo ao desmatamento na Amazônia e grandes áreas de florestas foram substituídas por pastagens. Naquela época, o movimento dos seringueiros unia forças para empatar a devastação da Amazônia. O cenário exigia muito apoio e dedicação à luta dos seringueiros para proteger a floresta. Movidos pela resistência dos guardiões da floresta, dia 30 de setembro de 1988, na cidade de Rio Branco, no Acre, professores, estudantes universitários e representantes do movimento social, incluindo o ativista e seringueiro Chico Mendes, criaram a SOS Amazônia, que passou a promover essa causa, tendo como objetivo principal proteger a Floresta Amazônica, apoiando as populações tradicionais.

A instituição atua no estado do Acre e Amazonas, além de áreas fronteiriças, com a participação de, aproximadamente, 5 mil famílias, por meio de sete projetos e duas campanhas. Essa área de atuação se dá, principalmente, em Unidades de Conservação, a exemplo do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, atribuindo à SOS Amazônia um extenso e importante histórico de iniciativas para manutenção das florestas e melhores condições de vida aos povos que nelas habitam.

Entre os projetos está o Valores da Amazônia, que busca estruturar, fortalecer e integrar as cadeias de produtos florestais não madeireiros (borracha nativa, óleos vegetais e cacau silvestre) –  uma iniciativa que promove a geração de renda e mantém a floresta em pé; o ATER Agroecologia, que visa consolidar e ampliar exemplos de agroecologia existentes, para a promoção do desenvolvimento territorial e de seus processos organizativos; e o ATES Resex Alto Juruá, que promove a melhoria da qualidade de vida das famílias que vivem na Reserva, com foco na conservação dos recursos naturais, envolvendo três eixos fundamentais: organização social, fomento do extrativismo e produção sustentável, e comercialização.

A história da SOS Amazônia se entrelaça pelos caminhos a qual buscou Chico Mendes, que a Floresta em pé tem mais valor, promovendo iniciativas para que as comunidades tenham mais ganhos com o extrativismo, e assim, diminuir a pressão sobre as florestas.

#Melhores ONGs

No ano em que completamos 29 anos de existência, a SOS Amazônia recebeu o título Melhores ONGs do Brasil. O prêmio é uma iniciativa do Instituto Doar, em parceria com a Revista Época, que busca reconhecer boas práticas de gestão e transparência no terceiro setor, além de incentivar a cultura de doação no Brasil. Oferecemos esse prêmio a todos vocês que fazem uma SOS Amazônia melhor, a todos que lutam por um ambiente saudável para as atuais e futuras gerações.

São muitos os desafios existentes para manter a floresta preservada, mas juntos podemos fazer mais ainda pela Amazônia. Gratidão aos parceiros, colaboradores, voluntários e a todas as pessoas que se conectam com a causa ambiental.

JUNTE-SE A NÓS!

Crianças indígenas Shawãdawa |TI Arara do igarapé Humaitá, Acre | Área de atuação do projeto Valores da Amazônia |

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Fotos: Eliz Tessinari

SOS Amazônia promove oficina de manejo e conservação de quelônios no Juruá

A SOS Amazônia realiza na região do Alto Juruá, desde 2003, o projeto “Quelônios do Juruá: Eu Protejo”. Voluntariamente, mais de 50 famílias ribeirinhas monitoram praias de desovas de quelônios ao longo do rio Juruá, alcançando o Parque Nacional da Serra do Divisor e a Reserva Extrativista Alto Juruá. A iniciativa tem por objetivo principal garantir a conservação das espécies de tartarugas, tracajás e iaçás na região.

Para fortalecer essa ação, foi realizada entre os dias 23 a 25 de junho de 2017, na comunidade Porangaba, Marechal Thaumaturgo, uma oficina de Manejo e Conservação de Quelônios, com o apoio dos projetos ATER Agroecologia/SEAD, ATES Resex/Incra, ICMBio, Verachi Joias, Corpo de Bombeiros de Cruzeiro do Sul, Prefeituras de Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Cruzeiro do Sul.

Mediada pela bióloga Josie Barbosa, que trabalha há 10 anos na equipe de quelônios da Universidade Federal do Pará (UFPA), a oficina teve a finalidade de ampliar os conhecimentos técnicos dos comunitários que atuam diretamente nas atividades de monitoramento e envolver novos monitores na iniciativa.

Com participação de aproximadamente, 50 comunitários, a oficina contou com aulas teóricas e práticas, abordando temas como biologia, conservação de quelônios e a importância do envolvimento comunitário nesse processo; técnicas de manejo de praias: marcação, medidas, proteção e transferência dos ninhos; nascimento de filhotes (marcação e biometria) e discussão de técnicas de manejo de filhotes como a soltura imediata e a retenção deles em berçários.

Monitor de quelônios Enelson Carlos1

Monitor de quelônios do Juruá | Edelson Carlos

O ribeirinho Edelson Carlos é voluntário do projeto desde o início, em 2003. Ele afirma que a predação diminuiu muito com as atividades de monitoramento de praias. “Todo ano aumenta a população de quelônios. Aqui na nossa comunidade Porongaba quase não existe mais predação dos ninhos, com o projeto passamos a conversar com os vizinhos e eles começaram respeitar nosso trabalho”, disse.

Marcionise Bernadino, técnica em agroecologia/SOS Amazônia, participa de capacitações em manejo de quelônios desde 2014.“Esse curso é fundamental para a equipe porque nos dá a oportunidade de aperfeiçoar nossos conhecimentos e de sermos multiplicadores dessa prática”, ressalta Marcionise.

“A oficina foi muito importante porque teve um nivelamento dos antigos monitores que trabalham no projeto desde 2003 e a difusão da prática para os novos monitores”, complementa a coordenadora regional/SOS Amazônia, Gleiciane Cruz.