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SOS Amazônia: três décadas de iniciativas pela floresta amazônica, pelos povos e comunidades tradicionais

Foto destaque: André Dib

Nós queremos uma Floresta Amazônica e sua diversidade biológica conservadas, respeito aos povos e comunidades tradicionais e melhoria da qualidade de vida dessas populações.

Na década de 1980 grandes áreas de florestas foram substituídas por pastagens na Amazônia. Naquela época, o movimento dos seringueiros, no Acre, unia forças para empatar a devastação e garantir o direito de posse das suas colocações. Movidos pela resistência dos guardiões da floresta, no dia 30 de setembro de 1988, na cidade de Rio Branco, estado do Acre, professores, estudantes universitários e representantes do movimento social, incluindo o ativista e seringueiro Chico Mendes, criaram a Associação SOS Amazônia, tendo como objetivo principal defender a causa extrativista e proteger a Floresta Amazônica, apoiando as populações tradicionais.

Exposição sobre o desmatamento na década de 1980

Num cenário de conflitos por ocupação de terras, a entidade dedicou-se a expor, em praça pública, dados e fotos sobre o desmatamento na região, a fazer denúncias das ameaças sofridas pelos seringueiros, distribuir materiais informativos e a dialogar com as pessoas sobre o tema, visando mobilizar a sociedade e facilitar a compreensão sobre causas e consequências da destruição que estava acontecendo.

Diante do delicado momento que os extrativistas vivam, além das campanhas de conscientização, logo surgiu a necessidade da instituição, em desenvolver projetos, propor e implementar políticas públicas com foco na difusão de modelos e práticas para preservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável, iniciativas que pautam, cotidianamente, o dever de cumprir a missão da SOS Amazônia, que é “Promover a conservação da biodiversidade e o crescimento da consciência ambiental na Amazônia”.

Em três décadas de existência, a instituição atua no estado do Acre e Amazonas, além de áreas fronteiriças, com a participação de, aproximadamente, cinco mil famílias, por meio de projetos e campanhas. Essa área de atuação engloba, principalmente, Unidades de Conservação (UC), a exemplo do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, atribuindo à SOS Amazônia um extenso e importante histórico de iniciativas para manutenção das florestas e melhores condições de vida aos povos que nelas habitam.

Ganhou experiência e capacidade para planejamento e gestão de UCs, tem expertise na promoção de assistência técnica e extensão rural a comunidades tradicionais, e também é referência no desenvolvimento da educação ambiental, no reaproveitamento de resíduos sólidos e na participação voluntária em conselhos e comitês para regulamentação de leis e gestão de programas públicos.

PRODUTOS DA SOCIOBIODIVERSIDADE

O projeto Valores da Amazônia (apoio financeiro do Fundo Amazônia) apoia três cadeias de valores de produtos florestais não madeireiros – Cacau Silvestre, Óleos Vegetais e Borracha Nativa

Pelo vínculo contínuo com UCs, promoção e apoio às políticas de incremento da economia florestal, mantendo a floresta em pé, a SOS Amazônia atraiu novos investimentos para a região e passou a fortalecer cadeias de negócios dos produtos florestais não madeireiros. Atualmente, realiza projeto de fortalecimento de 16 cooperativas, sendo duas no Amazonas e 14 no Acre, para estruturar e ampliar os negócios com borracha, cacau silvestre e óleos vegetais.

MOBILIZAÇÃO SOCIAL

A SOS Amazônia sempre priorizou e prioriza o trabalho representativo, atuando em três campos: Conselhos; Comitê de Gestão e Acompanhamento de Projetos; e Coletivos de Mobilização Social, na defesa de causas ambientais de interesse público.

Atuou por quatro mandatos no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), como representante das instituições do terceiro setor na Região Norte, e, atualmente, compõe os Conselhos estadual e municipal de meio ambiente do estado do Acre e do município de Rio Branco, respectivamente. Além de ser membro da Comissão da Produção Orgânica do Acre – CPOrg Acre, ocupando a coordenação da Comissão.

GESTÃO E TRANSPARÊNCIA | EIXOS ESTRATÉGICOS

A estrutura de gestão da Instituição conta com Conselhos Fiscal e Deliberativo atuantes. Desenvolve seus projetos seguindo um planejamento estratégico, tendo claro e atualizado sua missão e foco em três linhas estratégicas de atuação: Mitigação e adaptação às mudanças do clima; Preservação da biodiversidade; e Promoção de negócios sustentáveis na Amazônia.

Adotou desde 2003 um modelo de gestão contábil-financeiro, informatizado, com auditoria externa de suas contas, elaborou e segue seu Manual de Procedimentos para orientar e regulamentar procedimentos da rotina interna de gestão administrativa, contábil e financeira, como também tem seu Plano de Cargos e Salários e seu Código de Ética.

Um dos fundadores e atual secretário geral da SOS Amazônia, Miguel Scarcello, recebendo o ‘Prêmio Bem Eficiente’ de gestão institucional, concedido pela Kanitz & Associados em 2004, às 50 entidades sem fins lucrativos que melhor administram seus recursos no país, com transparência e seriedade

Tal conduta garantiu à SOS Amazônia o ‘Prêmio Bem Eficiente’ de gestão institucional, concedido pela Kanitz & Associados em 2004, às 50 entidades sem fins lucrativos que melhor administram seus recursos no país, com transparência e seriedade.

Prêmio Melhores Ongs do Brasil

E em 2017 foi reconhecida como uma das 100 ‘Melhores ONGs do Brasil’. Este prêmio é uma iniciativa do Instituto Doar, em parceria com a Revista Época, que busca reconhecer boas práticas de gestão e transparência no terceiro setor, além de incentivar a cultura de doação no Brasil.

JUNTE-SE A NÓS

São muitos os desafios para manter a floresta preservada, mas juntos podemos fazer mais ainda pela Floresta Amazônica e seus povos. Gratidão aos parceiros, colaboradores, voluntários e a todas as pessoas que se conectam com a causa ambiental e com a causa dos povos e comunidades tradicionais.

A SOS Amazônia entende que promover iniciativas para a conservação da Amazônia é a melhor forma de valorizar o mundo. E você pode ajudar a proteger as nossas florestas de diversas formas.

Nos acompanhe nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter) e divulgue nossos trabalhos. Colabore com doações únicas ou mensais. 

DEPOIMENTOS

“Eu vejo a SOS Amazônia como aquela instituição dos sonhos onde todos da área da conservação querem e devem trabalhar. Sinto que todos aqui trabalham com amor, em prol da floresta e de tudo o que tem nela. E isso é o diferencial da instituição. Ver as famílias tendo retorno de algo que a gente promove tem um valor inestimável. Poder mostrar que a floresta é uma fonte inesgotável de recursos e que sim pode ser utilizada de forma racional, é o bem maior que temos. Daqui 10 anos, espero que a gente tenha chegado a muito mais famílias, levado esse amor e esse respeito que temos pelo que a floresta e seus recursos são em prol daquilo que ela pode nos dar. Espero que tenhamos alcançado muito mais lugares. Conquistado mais espaço, reflorestado,  recuperado e aprendido ainda mais com as populações tradicionais que tanto tem a nos ensinar também. Temos que aproveitar esse olhar que está cada vez mais crescente para a proteção da Amazônia para realmente alavancar o seu valor e seu potencial, sem agredir a floresta, e que as gerações futuras tenham ainda mais respeito e cuidado com esse bem tão precioso que temos” (Thaina Souza, engenheira florestal)

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“Em 2012 fui selecionada pela SOS Amazônia para trabalhar e foi uma grande oportunidade profissional para mim, pois eu não tinha nenhuma experiência na área. Acho muito interessante trabalhar com as famílias ribeirinhas, levando alternativas sustentáveis, promovendo a cultura. A SOS Amazônia é apaixonante porque cada dia que saímos para a atividade de campo é uma nova experiência, um novo aprendizado, pois você leva seu conhecimento, mas traz uma bagagem imensa também, que você adquire com os produtores rurais. Agradeço por fazer parte dessa equipe maravilhosa, quero continuar por muitos e muitos anos na SOS Amazônia” (Francisca de Souza Lima, técnica em ecologia, formada na Escola da Floresta)

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“Esse momento representa os 30 anos de tantas lutas e conquistas de ações voltadas a cumprir a missão da SOS Amazônia. Temos muito o que comemorar diante de tantos desafios superados e retomar fôlego para superar os que estão por vir. Fazer parte desse grupo é um privilégio, estar nesse ambiente de tanta verdade no que se propõe a realizar é o mais encantador. E o que dá forças para continuar. Viva a nossa Amazônia. Viva mais 30 anos de SOS Amazônia” (Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia)

Mais sobre a história da SOS Amazônia

Sócios fundadores:

  • Abrahim Farhat
  • Amine Carvalho Santana
  • Anna Rosa Fioreta
  • Anselmo Alfredo Forneck
  • Arnóbio Marques de Almeida Júnior
  • Carlos Edegard de Deus
  • Cândido Arieira de Carvalho
  • Cleto Batista Barbosa
  • Denise Regine Garrafiel
  • Elga Buttignol
  • Francisco Alves Mendes Filho (Chico Mendes)
  • Genéseio F. de Natividade
  • Jandira Keppi
  • João Azevedo do Nascimento
  • José Antônio Scarcello
  • José Jocilem Crisostomo Gomes
  • Josélia da Silva Alves
  • Júlia Feitoza da Silva
  • Maria do Carmo Ferreira da Cunha
  • Mauro Luiz Aldrigue
  • Miguel Scarcello
  • Nazaré de Lima Soares
  • Nelson Deicke
  • Ruscelino Araújo Barboza

Ficha de Inscrição do seringueiro e líder de movimento em favor da floresta, Chico Mendes

Estrutura Organizacional em 1988

  • Diretor-presidente: Miguel Scarcello
  • Diretora-técnica: Bárbara Angélica Guimarães de Deus
  • Diretor Administrativo Financeiro: Abrahim Farhat Neto
  • Diretor de Assuntos Interinstitucionais: José Antônio Scarcello

Conselho Deliberativo 

  • Cleto Batista Barbosa (1º conselheiro)
  • Mauro Luiz Aldrigues (2º conselheiro)
  • Guilherme Theodoro Fredrich (3º conselheiro)

Estrutura Organizacional em 2018

  • Secretário geral: Miguel Scarcello
  • Secretário técnico: Àlisson Maranho
  • Secretária Administrativa: Gabriela de Souza

Conselho Deliberativo 

  • Presidente – Maria Luiza Pinedo Ochôa
  • Vice-presidente – Verônica Telma Da Rocha Passos

Membros Titulares

  • Ruscelino Araujo Barboza, Júlio Eduardo Gomes Pereira e  Cleilton Pessoa Amaral

Membros Suplentes

  • Francisca Cristina Moura de Lima Boaventura e Andréa Alechandre Da Rocha

Conselho Fiscal 

Membros Titulares  |  Evandro José Linhares Ferreira, Silvia Helena Costa Brilhante e Arthur Cezar Pinheiro Leite

Membros Suplentes  |  Moisés Barbosa De Souza e Maria Do Carmo Ferreira Da Cunha

ATENÇÃO | Qualidade do ar ameaçada

A sociedade precisa ficar em alerta e exigir que o Ministério do Meio Ambiente interceda no CONAMA para não colocar em risco a boa qualidade do ar no Brasil.

Há uma minuta de resolução tramitando no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de autoria do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (PROAM) para rever os padrões de qualidade do ar no Brasil, que estão defasados em 28 anos. Os governos estaduais e o setor econômico propuseram alterações na minuta que são danosas à saúde pública, visando continuar em sua zona de conforto e omissão. O Ministério de Meio Ambiente, durante o processo de discussão, não se manifestou a respeito.

Segundo a OMS morrem 51.000 brasileiros por ano em função da poluição, em sua maioria crianças, idosos e a população mais carente. Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP  afirmam que o custo em mortes precoces e para a saúde pública atinge a assustadora cifra de US$ 1,7 bilhão nas 29 regiões metropolitanas do Brasil.

Há uma intensa luta em curso para reverter este quadro. A sociedade precisa agir contra a intenção dos governos estaduais e do setor econômico de propor alterações na minuta que afetam a saúde pública.

Preocupada com a aprovação das alterações na minuta, a SOS Amazônia convida as organizações da área da saúde, movimento de ciclistas, arquitetos, grupos afins para que enviem mensagem ao Ministério do Meio Ambiente pedindo que interceda no CONAMA e não deixe que a alteração da norma cause esse retrocesso anunciado pelo PROAM. (Aqui o formulário para a mensagem)

Apresentamentos três documentos, visando expor a situação atual do Brasil com relação à poluição atmosférica, assim como o relato dos esforços da sociedade civil e do Ministério Público para defender o direito fundamental da população ao ar limpo.

O primeiro é o Relatório da Audiência Pública promovida pelo MPF em São Paulo. Em linguagem clara e com fundamentação técnica e jurídica, os Procuradores da República José Leonidas Bellem de Lima e Fátima de Souza Borghi trazem conclusões com abordagens sobre o contexto atual da tramitação no Conama sobre a minuta de revisão da resolução 03/90, que trata da atualização dos valores indicadores para a qualidade do ar no Brasil. http://www.mpf.mp.br/regiao3/atos-e-publicacoes/editais/audiencia-publica-avaliacao-da-proposta-de-minuta-do-conama-sobre-padroes-de-qualidade-do-ar-para-o-brasil-e-suas-consequencias-para-o-meio-ambiente-e-a-saude-revisao-da-resolucao-03-90

O segundo é o parecer do PROAM  sobre a minuta em tramitação no Conama, que destaca as irregularidades e incongluências da proposta. Foi protocolado como relatório do pedido de vista na Câmara Técnica de Assuntos Jurídicos do Conama. Pode ser acessado em: http://www.mma.gov.br/port/conama/processos/C1CB3034/Relatorio_PedidoVista_Resol03_90.pdf

O terceiro texto é o artigo de Carlos Bocuhy, presidente do PROAM, para a Página 22 da Fundação Getúlio Vargas, que estabelece a relação entre o ar limpo e o desenvolvimento no Brasil, com foco nas recomendações dos padrões de qualidade do ar da Organização Mundial da Saúde. O link é

http://pagina22.com.br/2018/07/02/o-falso-dilema-entre-o-ar-limpo-e-o-crescimento-economico/

A minuta está pronta para envio ao plenário no mês de agosto. Se for aprovada como está, lançará o Brasil em décadas de atraso no controle da poluição.

Esperamos que estes documentos possam contribuir para a compreensão da luta pela boa qualidade do ar no Brasil, retratando as forças envolvidas, as omissões – e os atores que atuam à favor e contra a saúde pública. Faz-se necessária uma ampla mobilização social para enfrentar este desafio que coloca em risco a saudável qualidade de vida, garantida a todos pela Constituição Federal.

Extrativistas avaliam os resultados e impactos do Valores da Amazônia

Com o propósito de debater os alcances das metas em relação a conservação dos recursos naturais e a geração de renda para comunidades extrativistas da Amazônia, a SOS Amazônia promoveu nos dias 26 e 27 de junho em Rio Branco, o IV Seminário de avaliação sobre os resultados e impactos do projeto Valores da Amazônia.

O encontro destacou as mudanças obtidas em relação aos nove empreendimentos apoiados pelo projeto (Pushuã, Amuralha, Cooperar, Coopfrutos, Coapex, Caet, Coperafe, Coopercintra e Copronat), nos aspectos da gestão e produção extrativista, além de apresentar os novos desafios para a região e para as organizações sociais.

Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, falou sobre a importância e a potencialidade que o extrativismo possui no estado e evidenciou os esforços realizados pela instituição na geração de trabalho e desenvolvimento sustentável.

“Com todos esses desafios realizados, eu considero importante esse momento para refletir e ver se nossos passos foram bem feitos, se deram resultados de fato. Todas as pessoas que estão envolvidas são sempre persistentes e é isso o que queremos. O não madeireiro na economia do Acre e do país é muito significativo. Então, nós temos que persistir para que isso seja efetivado e fazer com que esse trabalho com as cooperativas apoiadas seja visto. É preciso ser mostrado no anuário estatístico do estado, na parte da economia, a contribuição que o extrativismo possui, a riqueza que essa floresta possui e o quanto tem sido pouca explorada nesse sentido sustentável, viabilizando retorno financeiro para todos os comunitários”, afirma.

Elines Ferreira, presidente da Coopfrutos

Em forma de agradecimento, a presidente da Coopfrutos, Elines Ferreira, destacou os benefícios que receberam do projeto.

“Estamos apresentando o trabalho que realizamos durante todo esse tempo, tanto na sociedade quanto dentro da cooperativa. Graças a esse projeto, a Coopfrutos que antes possuía apenas CNPJ passou para a parte de legalização, estruturação, recebeu equipamentos, então isso foi importante demais” disse.

Na oportunidade, o gerente do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, André Ferro, comentou a importância da continuidade do trabalho com as cooperativas.

“Todas essas atividades serviram para mostrar como o projeto teve início e foi sendo organizado, sua mobilização, como cada ação foi realizada. E tudo o que conseguimos até agora já é muito bom, é um imenso avanço. A equipe está de parabéns, sabemos das dificuldades enfrentadas e o que queremos é continuar com esse trabalho para não perder nada de vista,” avalia.

Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia, também fala sobre os importantes avanços e de suas perspectivas em relação ao projeto.

“Nesses dois últimos anos de projeto, os grandes destaques que obtivemos foram os avanços em termo de produção, todas as cadeias apoiadas como o cacau, borracha e óleos vegetais tiveram um rendimento considerável desde o início, e também a organização social que melhorou o convívio com as famílias comunitárias e as cooperativas. Esperamos que esses efeitos continuem, que essas e outras novas lições sejam debatidas e vivenciadas,” declara.

SOS Amazônia e instituições parceiras

Durante o evento, Miguel assinou com as instituições parceiras (Sema, Funtac, WWF-Brasil, Sedens, SEPN, Seaprof, Parque Zoobotânico/Ufac, Sebrae) e o gerente do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, André Ferro, uma carta de intenção, com o objetivo de promover a cooperação técnica no desenvolvimento das cadeias produtivas sustentáveis no estado do Acre.

Entre tantos parceiros, voluntários e colaboradores, é comemorado também o aniversário de 30 anos da SOS Amazônia, que desde 1988 segue a missão de promover a conservação da biodiversidade e o crescimento da consciência ambiental na Amazônia.

VEJA MAIS FOTOS

Deylon Félix | Eliz Tessinari

Foto destaque: Dill Marques

Acesse a página do Projeto Valores da Amazônia | Navegue aqui.

Mais depoimentos

“É muito satisfatório ver o desenvolvimento desses comunitários, esses grandes resultados só nos mostram o quanto isso vale a pena” (Francisca Souza, técnica/SOS Amazônia)

“Com o seminário foi possível entender mais a forma de produção de cada equipe, a gestão e tudo o que fizeram para continuar crescendo” (Renato Pereira, técnico/SOS Amazônia)

Com o apoio do Projeto Valores da Amazônia, Cooperativas vão ter produtos da sociobiodiversidade com certificação orgânica e selo Forest Garden Products

Transformar a vida das pessoas que vivem na floresta, levando alternativas de trabalho e renda, com foco na manutenção da floresta é o desafio do projeto Valores da Amazônia, realizado pela SOS Amazônia, com apoio financeiro do Fundo Amazônia.

Uma das metas do projeto é a certificação orgânica de produtos florestais não madeireiros. Para isso, há investimentos em infraestruturas, formações, pesquisas e intercâmbios.

“Desde 2015, o Valores da Amazônia vem se empenhando por meio de visitas técnicas, intercâmbios e oficinas de boas práticas no processo produtivo e de certificação, a fortalecer o caminho para o selo orgânico desses produtos, e agora estamos tendo essa oportunidade no Acre e Amazonas, de termos vários produtos com certificação orgânica. Isso representa uma enorme conquista para a biodiversidade amazônica, para os empreendimentos apoiados e para as pessoas”, conta Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

Inspeção na Cooperar – IMOcert

O trabalho mais recente foi a inspeção realizada nas cooperativas Coopercintra, Coopfrutos, Cooperar e Copronat, pela IMOcert Latinoamérica, pioneira na atividade de certificação ecológica e sustentável na América Latina.

A inspeção, para certificar produtos das cadeias de valor de óleos vegetais e do cacau silvestre, aconteceu no período de 8 a 27 de maio. Representantes da IMOcert fizeram visitas técnicas especializadas nos quatro empreendimentos, além de ampliar o conhecimento dos cooperados e da equipe de extensionistas com mais uma oficina de Certificação Orgânica, Extrativista e Mercado Justo.

Na oficina de cinco dias, discutiu-se as normas europeias, norte-americana e normas privadas, com ênfase em ‘Forest Garden Products’ (FGP); além de debater o que se faz necessário para atender exigências e conseguir o certificado de produto orgânico.

“A ideia é que essas pessoas sejam multiplicadoras do processo e também inspetoras dessas organizações que futuramente podem requerer também sua própria certificação. O curso contou com atividades teóricas e práticas, dentre elas: elaborações de ficha de inspeção, regulamentos internos e elaborações de contratos”, explica Thayna Souza, executiva ambientalista/SOS Amazônia.

Após a oficina, os profissionais da IMOcert iniciaram processo de Certificação das beneficiárias.

Áreas de cacau silvestre | IMOcert

A Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra) está se adequando para certificar dois produtos: manteiga de murmuru e amêndoa de cacau; A Cooperativa de Produtos Naturais da Amazônia (Copronat), quatro produtos: semente e óleo de cumaru, resina e óleo essencial de breu; Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar), nove produtos: andiroba, copaíba, tucumã, murmuru, buriti, uricuri,  patauá, castanha e cacau; e a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos), dois produtos: óleo de buriti e açaí.

De acordo com Àlisson, os produtos foram aprovados, no entanto, as cooperativas têm prazos de 30 a 90 dias para fazerem os ajustes necessários para a emissão do certificado orgânico. Dentre os ajustes está a elaboração de fichas para controle de matéria-prima e de inspeção interna, delimitação das áreas para os produtos orgânicos; exposição de banner com os 12 princípios da Norma Privada FGP.

Inspeção na Coopfrutos – área de coleta de buriti e açaí | IMOcert

Elizana Araújo, superintendente da Coopfrutos, vê a iniciativa como uma grande oportunidade para alcançar novos mercados. “Com a certificação as cooperativas terão uma grande oportunidade de ter acesso a novos mercados, principalmente o mercado Europeu, e com isso agregar maior valor aos produtos, garantindo melhor qualidade de vida para todos envolvidos no processo produtivo”, disse.

Para Ivan Del Carpio, inspetor sênior e consultor externo da Imocert, há grande potencial para os produtos florestais não madeireiros e ele vê na certificação uma forma de despertar o interesse de mais pessoas a trabalhar com esses produtos.

“O mais importante é que as cooperativas podem acessar mercados internacionais para comercializar produtos com melhores preços, permitindo o fortalecimento econômico e social da cooperativa. Para os extrativistas, a maior importância está em agregar valor ao seu produto, e garantir que sua saúde e a das pessoas não seja comprometida. Mas, ainda utilizam muito pouco do potencial da floresta, com a certificação e o aumento do valor, é possível que desperte o interesse de todos para o trabalho com o extrativismo”, avalia.

POR QUE CERTIFICAR?

A certificação tem sido cada vez mais difundida e requerida por compradores como exigência de qualidade de produtos, e também porque se preocupam com a sustentabilidade e a melhoria de renda das famílias que vivem do extrativismo. A certificação tem um papel na economia e no âmbito social muito grande, além de valorizar o trabalho do extrativista, garante a ele novas fontes de renda, e essa renda com a certificação, tem grande possibilidade de ser ampliada. Aliado a isso, os compradores finais estão cada vez mais preocupados com a saúde, o que impulsiona também o crescimento da demanda por produtos cultivados com métodos orgânicos.

A diferenciação de produtos orgânicos ocorre com base em suas qualidades físicas, decorrentes, principalmente, da ausência de agrotóxicos e adubos químicos.

A certificação é “uma garantia” de que os produtos tenham de fato sido produzidos dentro dos padrões de orgânicos, nesse caso, os produtos oriundos do extrativismo são de fato oriundos de boas práticas de manejo de coleta e beneficiamento, respeitando critérios de sustentabilidade ambiental e social.

Há dezenas de benefícios: Sintonia com os princípios do extrativismo, como por exemplo, não coletar todos os frutos, assegurando o alimento aos animais e permitindo a regeneração florestal; não usar veneno; não desmatar, nem queimar a floresta.

Acesse a página do Projeto Valores da Amazônia | Navegue aqui.

Portfólio Produtos Florestais não madeireiros

Catálogo de produtos das Cadeias de Valor da Borracha Nativa, Óleos Vegetais e Cacau Silvestre,  destinado a pesquisa de mercados nacionais e internacionais. Investimento do projeto Valores da Amazônia. Acesse!

PROJETO VALORES DA AMAZÔNIA

O projeto Valores da Amazônia foi selecionado no âmbito da Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis do Fundo Amazônia/BNDES para Estruturação, Fortalecimento e Integração das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros nos estados do Acre e Amazonas.

Objetivo: Disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região.

Cadeias de valor apoaidas: Cacau Silvestre, Borracha (Cernambi Virgem Prensado – CVP e Folha de Defumação Líquida – FDL) e Óleos Vegetais (Buriti, Murmuru, Cocão, Andiroba).

Abrangência:

 Acre: Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Porto Walter. Amazonas: Boca do Acre, Pauini, Lábrea e Silves

Manifesto Indígena – Preconceito e discurso tendencioso não mudam a realidade das pessoas

Treze organizações indígenas e do movimento social do Acre publicam um Manifesto rebatendo o pré-candidato ao Senado Márcio Bittar (MDB), que considera os povos indígenas latifundiários improdutivos e causadores de conflitos por terra.

O pré-candidato fala que as populações são vitimadas pela “miséria, pobreza e imensas contradições”, sem perceber que as causas da extrema desigualdade vêm justamente daquilo que ele defende. De forma descarada, que mais se aproxima de má-fé, ignora o contexto histórico de exploração semelhante ao trabalho escravo na extração de seringa, as tantas mortes por doenças antes desconhecidas e tantos outros fatores que entram de forma violenta nas comunidades, frutos dessa exploração. As populações que vivem há milhares de anos na floresta nunca se consideraram miseráveis. Ser miserável, na verdade, é ser refém da lógica que o pré-candidato quer encaixar os povos indígenas. Ser miserável é ter pasto ao invés de floresta; é ter esgoto ao invés de rio; é ter morte ao invés de vida.

Valorizamos as riquezas naturais ao mantê-las vivas, tirando delas o sustento para todas as sociedades e formas de vida no planeta. Ao contrário do que diz o pré- candidato, improdutivo é o modelo que ele defende para o Acre, baseado em pasto, agrotóxico, exploração de madeira. Não aceitaremos insultos e desrespeito ao histórico de lutas para a demarcação de Terras Indígenas e do bem-viver dos povos indígenas no Acre, no Brasil e no Mundo.

Leia o Manifesto:

Preconceito e discurso tendencioso não mudam a realidade das pessoas. Em matéria divulgada no dia 15 de maio, o pré-candidato ao Senado Márcio Bittar fez um pronunciamento, de forma desrespeitosa e desinformada, que coloca os povos indígenas como latifundiários improdutivos e causadores de conflitos por terra. Bittar tem uma postura contra a demarcação das terras indígenas dando a entender que defende a anulação/revisão das que estão homologadas, o que aflige os direitos garantidos na Constituição Federal e nos acordos internacionais assinados pelo Brasil.

Para fins de esclarecimento e utilidade pública, vemos como necessária a apresentação de informações para a compreensão da situação dos povos indígenas no Acre, fato que o pré-candidato desconhece. No Estado, atualmente, existem 35 Terras Indígenas (TIs), sendo 27 homologadas, 1 dominial e as demais em processo de regularização, com 15 povos – além de um grupo de recente contato e os grupos de indígenas isolados. Todos com especificidades culturais, como língua (dentro das famílias lingüísticas Pano, Aruak e Arawá), organização social, espiritualidade, arte, atividade produtiva, entre outros aspectos.

No território acreano existem Terras Indígenas (14,5%TIs), Unidades de Conservação de Proteção Integral (9,5%) e Unidades de Conservação de Uso Sustentável (21,5%). Essas áreas são internacionalmente reconhecidas enquanto limites para garantia da vida, não de maneira particular dos povos indígenas, mas da sustentabilidade mundial. Na década de 90, época em que se amplia a preocupação a nível global com relação à questão ambiental, os povos indígenas já mostravam para o mundo modos de vida que asseguravam ambientes saudáveis. Desde então o Acre têm se destacado no âmbito de políticas públicas ambientais e inclusivas, tornando-se referência. Os Planos de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PGTAs) do Acre, presentes em 29 TIs, são exemplos desse reconhecimento. Um dos aspectos que consta nos PGTAs são os acordos criados pelas comunidades para uso, manejo e conservação dos recursos naturais, o que possibilita a constituição de ferramentas que subsidiam a proteção, o controle territorial e a garantia à sustentabilidade social e ambiental.

Diante dessas informações, verificamos a completa negligência e um ataque, sem rodeios, do pré-candidato, mostrando –se incapaz de compreender o verdadeiro sentido de riqueza e qualidade de vida para os povos indígenas. É preocupante que alguém que irá concorrer para o Senado tenha um conceito tão ultrapassado, que violenta social e ambientalmente a vida dos povos indígenas no Acre, mas não só. Violenta a biodiversidade, os conhecimentos tradicionais e modos de viver e gerar riquezas com conservação da floresta. Entendemos, assim, que uma pessoa com um discurso desses é o mesmo que uma arma apontada para os povos indígenas, e representa uma ameaça real para o Acre, para a Amazônia e para a manutenção da vida.

Segundo Bittar, ‘’há uma corrida insana dos governos anteriores rumo a demarcação de terras para os povos indígenas´´ negligenciando uma informação essencial que colocamos agora: as demarcações se situam nos anos 90 porque houveram intensas mobilizações e pressões do movimento indígena e demais movimentos sociais no contexto de redemocratização e visibilidade para a agenda socioambiental no mundo. Hoje, nota-se uma considerável diminuição no número de terras homologadas e demarcadas.

Vemos, assim, uma proposital relação da diminuição (em muitos lugares, de paralização) das demarcações com o avanço das fronteiras agrícolas para exploração desmedida e degradante dos recursos naturais. Dizer que terras indígenas demarcadas ´´é o maior latifúndio improdutivo do mundo´´, é ocultar o seu próprio lugar e a categoria que ele representa. A lógica de muita terra para um só proprietário, que o pré-candidato parece defender, é a que mais desmata, privilegia exportações e gera injustiça social, econômica, ambiental. Ainda assim a concentração de grandes propriedades rurais aumenta, enquanto as demarcações de Terras Indígenas decaem.

Os conflitos fundiários aumentaram muito em 2016, como demonstram diferentes pesquisas. Os órgãos de defesa dos direitos humanos estão sendo surrupiados. Há um crescimento exponencial da Bancada Ruralista no Congresso, que gerou um aumento de tramitações anti-indígenas no poder legislativo, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil tem denunciado. Hoje são cerca de 182 tramitações com teor que afetam as Terras Indígenas.

Além disso, quando falamos da questão ambiental, relacionada a índices de desmatamento, percebemos que as áreas mais degradadas são aquelas onde o agronegócio é o principal modelo de produção. Em compensação, no Acre apenas 1% das Terras Indígenas correspondem a áreas desmatadas. Bittar fala que ´´basta conhecer para ver […] a situação de penúria das populações indígenas’’. Afirmação preconceituosa que revela o seu profundo desconhecimento da questão indígena e faz uma errônea relação de uma suposta penúria com a floresta em pé. Floresta esta responsável, a nível local, pela riqueza socioambiental e pela produção agrícola diversificada que garante a segurança e soberania alimentar; e a nível global, pela mitigação dos efeitos das mudanças do clima e pela manutenção dos serviços ambientais.

O pré-candidato fala que as populações são vitimadas pela “miséria, pobreza e imensas contradições”, sem perceber que as causas da extrema desigualdade vêm justamente daquilo que ele defende. De forma descarada, que mais se aproxima de má-fé, ignora o contexto histórico de exploração semelhante ao trabalho escravo na extração de seringa, as tantas mortes por doenças antes desconhecidas e tantos outros fatores que entram de forma violenta nas comunidades, frutos dessa exploração. As populações que vivem há milhares de anos na floresta nunca se consideraram miseráveis. Ser miserável, na verdade, é ser refém da lógica que o pré-candidato quer encaixar os povos indígenas. Ser miserável é ter pasto ao invés de floresta; é ter esgoto ao invés de rio; é ter morte ao invés de vida.

Valorizamos as riquezas naturais ao mantê-las vivas, tirando delas o sustento para todas as sociedades e formas de vida no planeta. Ao contrário do que diz o pré- candidato, improdutivo é o modelo que ele defende para o Acre, baseado em pasto, agrotóxico, exploração de madeira. Não aceitaremos insultos e desrespeito ao histórico de lutas para a demarcação de Terras Indígenas e do bem-viver dos povos indígenas no Acre, no Brasil e no Mundo.

ASSINAM

Associação Agro-Extrativista Poyanawa do Barão e Ipiranga – AAPBI

Associação Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa

Associação do Povo Indígena do Humaitá – ASPIH

Associação Sociocultural Yawanawá – ASCY

Associação dos Produtores Kaxinawa da Praia do Carapanã – ASKAP

Associação do Povo Arara do Igarapé Humaitá – APSIH

Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre – AMAAIAC

Organização dos Professores Indígenas do Acre – OPIAC

Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira – OPIRE

Movimento dos Artistas Huni Kuĩ

Comissão Pró Índio do Acre – CPI-Acre

SOS Amazônia

Grupo de Trabalho Amazônico – Núcleo Acre

Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular – CDDHE

Site promove concurso global com o tema moda sustentável

O site Jak&Jil promove concurso global com o tema “moda sustentável”:  O Sustainable Fashion Awards (SFA). A iniciativa tem por objetivo reconhecer e premiar talentos de profissionais consolidados e iniciantes (designers, estilistas), além de premiar marcas de moda, que sejam engajadas em projetos e na busca por métodos mais éticos e sustentáveis de produção, apoiando-se em conceitos como: durabilidade dos produtos, reciclagem de materiais, estímulo do comércio local, preservação do meio ambiente.

PREMIAÇÃO

Um júri foi formado por voluntários de diferentes partes do mundo está pronto para avaliar os projetos enviados. O projeto de moda sustentável mais bem avaliado pelos jurados receberá um prêmio no valor de US$6 mil, sendo que metade desta quantia será doada para uma das ONGs participantes do concurso, conforme a escolha do vencedor. A SOS Amazônia é uma das organizações que apoia e promove essa iniciativa por uma moda mais sustentável.

O site Jak&Jil está presente em 10 países: Brasil, Colômbia, EUA, Alemanha, Inglaterra, Suécia, Polônia, França, Itália e Índia. Isso significa que o seu projeto atingirá uma audiência global!

As inscrições vão até o dia 31 de outubro. Inscreva- se agora (aqui)!

Indígenas Shawãdawas participam de oficina de borracha colorida

Um investimento Valores da Amazônia

O que não falta nas comunidades indígenas é a criatividade para o artesanato com os produtos da floresta. Para valorizar mais ainda essa atividade que transmite muita beleza e mantém a floresta em pé, começa agora uma relação indígenas shawãdawas e a borracha colorida.

Equipe da SOS Amazônia e a designer de joias, Flávia Amadeu, subiram o igarapé Humaiatá, rumo à Aldeia Raimundo do Vale, Terra Indígena Arara, município de Porto Walter, Acre, para realizar entre os dias 15 e 18 de setembro, uma oficina de produção de borracha colorida – Folha Semi-Artefato (FSA). A iniciativa faz parte do Projeto Valores da Amazônia, com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES.

Com a participação de 25 indígenas da Cooperativa Agroextrativista Shawãdawa Pushuã, a iniciativa teve por objetivo ensinar a técnica de produção da FSA e incentivar o artesanato a partir da borracha colorida.

“É a primeira vez que estou trabalhando com o povo indígena e foi a realização de um sonho. Percebi muita vontade deles em querer aprender e colocar a criatividade nesse trabalho com a borracha, e poder gerar renda mantendo a floresta preservada. Os indígenas já possuem uma relação muito forte com a floresta e o artesanato, então a ideia é trabalhar as técnicas artesanais com a borracha, misturando sementes e miçangas, dentro da linguagem que eles têm”, explica Flávia Amadeu, responsável por guiar a atividade.

Em quatro dias, os participantes produziram uma variedade de peças e finalizaram a oficina com uma pequena exposição demonstrando o potencial para esse tipo de artesanato. A designer pretende voltar para dar continuidade a esse projeto com a SOS Amazônia e a aldeia Pushuã.

A artesã Shawã Tuxi mostra cinto em fase de secagem, após três dias é que será possível ver a cor real da borracha, um verde floresta.

Artesã Shawã Tuxy, de 21 anos, é uma das indígenas que ficou interessada na proposta de trabalhar com a FSA. “Fiz algumas peças usando borracha e sementes, agora eu acredito que vou conseguir fazer mais, é um trabalho muito importante para as mulheres da aldeia e estou muito feliz em ter participado”, afirma Tuxy.

O Coordenador geral do Valores, Alisson Maranho, comenta a importância de fortalecer essa parceria. “Estamos felizes em fazer o elo entre a inspiração dos indígenas Arara, o amor pela floresta e o fino design da Flávia Amadeu. Esperamos que essa parceria possa ser fortalecida e que em breve possamos ter peças produzidas com matéria-prima da Terra Indígena e também artefatos produzidos por eles. É um trabalho que valoriza a floresta e as comunidades que nela vivem”, destaca Alisson.


BORRACHA FSA

A borracha colorida FSA foi desenvolvida pelo Projeto Tecbor do Laboratório de Tecnologia Química da Universidade de Brasília e representa mais uma alternativa para a continuidade do extrativismo da borracha nativa da floresta Amazônia. Os seringueiros, conhecedores da floresta, coletam o látex das árvores, que continuam produtivas por gerações. O líquido é então levado para a unidade de produção, onde a borracha é produzida. As mantas de borracha podem então ser usadas no design de produtos ou no artesanato local.


Galeria de fotos FSA Pushuã

PROJETO VALORES DA AMAZÔNIA

O projeto Valores da Amazônia foi selecionado no âmbito da Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis do Fundo Amazônia/BNDES para Estruturação, Fortalecimento e Integração das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros nos estados do Acre e Amazonas.

Objetivo: Disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região.

Cadeias de valor apoaidas: Cacau Silvestre, Borracha (Cernambi Virgem Prensado – CVP e Folha de Defumação Líquida – FDL) e Óleos Vegetais (Buriti, Murmuru, Cocão, Andiroba).

Abrangência:

 Acre: Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Porto Walter. Amazonas: Boca do Acre, Pauini, Lábrea e Silves

Saiba mais.


MODA SUSTENTÁVEL 

Flávia Amadeu

A designer Flávia Amadeu tem a borracha colorida como sua matéria-prima principal há quase 14 anos e mostra a transformação que esse trabalho gera nas comunidades e na preservação da floresta. Saiba mais.

ONU abre concurso de vídeos para jovens que lutam contra as mudanças climáticas

Jovens engajados em iniciativas para combater as mudanças climáticas estão convidados a participar de uma competição de vídeos promovida pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

O vencedor receberá como prêmio uma viagem de ida e volta para participar da 23ª Conferência do Clima da ONU, evento que acontecerá em Bonn (Alemanha), de 6 a 17 de novembro de 2017.

Para concorrer, os jovens deverão enviar um vídeo sobre um projeto que eles próprios criaram em um das duas áreas temáticas abordadas pela competição — “Cidades resilientes e respeitadoras do clima” ou “Oceanos e mudança global do clima”.

Além de participar da conferência, o premiado terá também a oportunidade de atuar como jovem repórter, auxiliando a equipe de redação das Nações Unidas com vídeos, artigos e publicações em redes sociais.

Como participar?

Para participar da competição, basta ter entre 18 e 30 anos de idade e fazer um vídeo envolvente de no máximo três minutos de duração, usando qualquer tipo de câmera. O vídeo deve ser enviado por meio do site tvebiomovies — acesse clicando aqui — e deve mostrar uma iniciativa criada pelo participante sobre uma das duas categorias temáticas: “Cidades resilientes e respeitadoras do clima” ou “Oceanos e mudança global do clima”.

Construir cidades e comunidades sustentáveis é um dos principais caminhos para a redução das emissões de gases do efeito estufa e para a adaptação aos impactos inevitáveis das mudanças do clima. Dentro dessa categoria, os vídeos devem mostrar iniciativas sobre um dos temas abaixo:

  • A implementação de ideias/soluções que levem em conta as questões climáticas sobre como promover a sustentabilidade em comunidades/áreas urbanas, incluindo ações sobre energia limpa, transporte limpo, hortas comunitárias, reciclagem e redução de resíduos e outros projetos para reduzir emissões;
  • A construção de resiliência a impactos climáticos, como ondas de calor e inundações, por meio do plantio de árvores por exemplo, aumentando os espaços verdes e criando barreiras às inundações;
  • Ações para aumentar a conscientização pública e advogar por mudanças no nível político no que tange à necessidade de redução das emissões de gases do efeito estufa e de construção de resiliência.
  • A segunda temática — “Oceanos e mudança global do clima” — chama atenção para as consequências do aquecimento global para os oceanos. Atualmente, os mares correspondem a 97% de toda a água do planeta. Eles geram emprego para 200 milhões de pessoas e são fonte primária de proteína para 3 bilhões de seres humanos. A degradação dos ecossistemas marinhos representa, portanto, uma séria ameaça a comunidades e a países inteiros.Os oceanos absorvem grande parte do aumento da temperatura e 30% do dióxido de carbono produzido por humanos, o que está contribuindo para níveis mais elevados de acidez e de volume, ameaçando muitas comunidades costeiras. Dentro dessa categoria, os vídeos devem mostrar projetos ou ações sobre um dos temas abaixo:
  • A restauração de regiões pantanosas e de manguezais que atuem como proteção contra tsunamis e intrusão de água salgada;
  • A construção de diques e outros mecanismos de defesa contra o aumento do nível do mar;
  • O aumento do conhecimento científico para melhorar a qualidade dos oceanos;
  • Atividades que aumentem a conscientização pública sobre a necessidade de construir resiliência no que tange aos oceanos e às formas de reduzir emissões de CO2, para que os mares fiquem mais protegidos.

O prazo para participar da Global Youth Video Competition 2017 vai até 18 de agosto. Participe!