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Famílias ribeirinhas e os quelônios do juruá: um caso de amor pela biodiversidade

#DiaMundialDoMeioAmbiente – Neste dia, 5 de junho, dedicado a incentivar pessoas do mundo todo a cuidar melhor do recursos naturais, nós temos a honra de homenagear os ribeirinhos que desde 2003, com apoio da SOS Amazônia, protegem voluntariamente desovas de quelônios (tartarugas, tracajás e iaçás) em praias do rio Juruá e afluentes, situadas na região do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, duas das maiores Unidades de Conservação (UC) do estado do Acre e de grande importância, por serem áreas de alta concentração de diversidade biológica e, ambas, situadas na fronteira com o Peru.

As famílias ribeirinhas desempenham papel fundamental na proteção das praias e no monitoramento da desova, eclosão dos ovos e da soltura dos filhotes, e demonstram muito amor pela causa. As crianças acompanham os pais nessa atividade, o que as aproxima da prática de conservação dessas espécies. Eles registram o número de ninhos, o número de ovos e números de filhotes vivos e soltos nos rios. Essas informações são coletadas, registradas em ficha de campo e repassadas para a SOS Amazônia que analisa e monitora os resultados.

Por outro lado, e muito importante também, são as pessoas e empresas que, mesmo de longe, ajudam esse trabalho acontecer, fazendo doações no nosso site institucional, para que a SOS Amazônia consiga mobilizar mais famílias na proteção de quelônios, entregar kits de proteção das praias, fazer visitas técnicas a cada família, entregar os formulários de registro do nascimento de filhotes, fazer o mapeamento das praias e acompanhar o período de soltura dos filhotes no rio.

Ribeirinhos da Comunidade Carlota na soltura da Tartaruga da Amazônia – Rodrigues Alves-AC,  Foto: Andre Dib

O nosso sentimento por todos vocês é de muita gratidão!  Isso tudo é a prova de que juntos fazemos um mundo melhor. Nosso agradecimento especial também aos técnicos da SOS Amazônia e parceiros institucionais.

Todo nosso reconhecimento por esse serviço ambiental realizado por essas famílias ribeirinhas.

Eliana Castelo – Comunidade Porto Seguro, Marechal Thaumaturgo, Acre | Acervo SOS Amazônia


Aires Andriola – Comunidade Novo Horizonte,  Guajará, Amazonas | Acervo SOS Amazônia

Francisco souza – Comunidade Flora,  Marechal Thaumaturgo | Acervo SOS Amazônia


Seu Pedro – Comunidade Novo Horizonte, Porto Walter | Acervo SOS Amazônia

Francisco Afonso Nunes da Silva, (58), Comunidade Helena, mora na Resex Alto Juruá desde que nasceu. Seu Francisco se diz apaixonado pela atividade de proteger os quelônios. Ele e sua família fazem parte do projeto ‘Quelônios do Juruá: Eu Projeto’ desde seu início, em 2003.

Dona Auricélia Lima Gomes soltando Tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) no Rio Juruá, comunidade Nova Cintra – Rodrigues Alves-AC
Foto: Andre Dib


Monitores voluntários aprendendo a fazer o manejo dos ninhos (Acervo SOS Amazônia)

E você, conte pra gente o que faz para ajudar o planeta. Ou envolva-se agora mesmo numa causa. Há diversas maneiras de você se engajar:

1 – Dedicando tempo e trabalho em uma das nossas campanhas permanentes: proteção da desova de tracajás no rio Juruá e SOS Reciclagem realizando educação ambiental junto a população em Rio Branco (Seja Voluntário)

2 – Dedicando tempo e trabalho para captarmos recursos a serem aplicados nas campanhas e projetos (Fale Conosco);

3 – Doando recursos para serem aplicados nas campanhas e projetos (Doe agora)

4 – Tornando-se associado da SOS Amazônia, com a contribuição mínima de 25 reais mensal (Associe-se)

Você pode nos apoiar também a mobilizar mais mensageiros da floresta!

Ajude a divulgar e participe dos nossos canais de comunicação: f/sos.amazonia  | Twitter/sosamazonia | Canal SOS Amazônia no You Tube | Siga-nos no Instagram/sosamazonia

Saiba mais!

Iniciativas que fazem florescer #façaflorescer

Ser voluntário é doar um pouquinho do seu tempo, trabalho e talento para causas de interesse ambiental e social, e com isso ajudar a construirmos um mundo melhor. E hoje vamos contar a ação das estudantes de administração e medicina da Unicamp, Beatriz Aoki e Isabela Cauzzo, que em julho fizeram uma imersão na floresta amazônica, com o objetivo de colaborar nas ações do projeto Valores da Amazônia. E a SOS Amazônia é muito grata por essa tão generosa iniciativa.

As voluntárias tiveram a oportunidade de participar da execução das atividades voltadas para o atendimento das famílias que residem na Aldeia Raimundo do Vale, Cooperativa Shawãdawa Pushuã, Terra Indígena do Igarapé Humaitá. Lá, elas fizeram visitas técnicas familiares e monitoramento da cadeia de oleaginosas (cocão) e da cadeia da borracha FDL (Folha de Defumação Líquida); acompanharam a instalação do sistema de energia solar do escritório da Pushuã; realizaram atividades recreativas com as crianças da Aldeia abordando temáticas da área ambiental e da saúde.

Além de colaborar nas iniciativas da SOS Amazônia, Isabela,  técnica em Enfermagem pelo Colégio Técnico da UNICAMP (Cotuca) e acadêmica do 3º ano de medicina, fez diálogo com as mulheres da aldeia sobre saúde preventiva, aferiu pressão e glicemia da comunidade local. Enquanto Beatriz (4º ano de administração) ensinou noções básicas de informática e atividades culturais com as crianças.

RELATOS DA EXPERIÊNCIA NA AMAZÔNIA


Beatriz Aoki –  Administração Unicamp

Beatriz ensinando noções básicas de informática ao Tuku Udi, presidente da Pushuã


<<É difícil colocar em palavras tudo o que vivi nessas últimas semanas. Só vivendo. Cada gentileza, cada pessoa boa em meu caminho. Cada olhar, cheiro, som. Sensações das mais diversas. Viver alguns dias no meio da floresta foi… incrível. Confesso que fiquei receosa para o banho no igarapé, mas foi impossível não se contagiar com a energia das crianças para esse momento tão bom. Conquistá-los não foi uma tarefa fácil, mas quando menos percebi já estavam grudadinhos – e cantando ‘batata quente’ por todos os cantos.

Faz a diferença

O projeto Valores da Amazônia o qual fiz parte tem uma proposta linda: estruturar, fortalecer e integrar cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros. Aprender a fazer a veia da seringueira, ajudar na retirada da amêndoa do cocão, fazer recreação com as crianças, ensinar nativo a usar o computador para manutenção da cooperativa, enfim, acompanhar de pertinho a rotina das atividades na Pushuã foi muito enriquecedor. E a Floresta Amazônica tem uma riqueza inigualável.

Caminhos difíceis, mas que transformam

Quanto às dores, coceiras, diarreias, cansaço, suor, ah…Se conseguisse descrever cada minuto da viagem, certamente entenderia que as dificuldades foram fundamentais para torná-la tão inesquecível. Sou eternamente grata à SOS Amazônia por ter nos proporcionado experiência tão maravilhosa. No mais, não consigo parar de pensar em tudo o que vivemos, em ideias para projetos futuros. O contato com projetos de causa ambiental proporciona um crescimento pessoal e profissional, é uma maneira de conscientização de problemas que nos afetam diretamente e muitas vezes são deixados de lado. Espero que todos possam viver dias assim!>> (Beatriz Aoki – Administração Unicamp)



Isabela Cauzzo – Medicina Unicamp

<<A palavra que define essa experiência é gratidão. Foi muito gratificante ser bem recebida pelos Shawãs e conhecer toda essa beleza que é a Pushuã, no Acre através do Projeto Valores da Amazônia. Estou muito feliz pela troca de experiências que aconteceu.

Como estudante de medicina, eu penso muito em, quando me formar, trabalhar em áreas com povos indígenas e população ribeirinha. Contudo, percebi que não preciso esperar isso acontecer para poder ajudar e poder conhecer melhor esses povos. Então, aproveitei minhas férias e fui com minha amiga conhecer algo que eu sempre tive curiosidade, que tem uma cultura extremamente interessante e bonita.

Chegar na aldeia e poder conhecer um pouco da vida e dos hábitos indígenas e entrar em contato com a natureza foi um prazer imenso.  É muito recompensante conseguir enxergar toda beleza e importância que a floresta tem na vida dos índios, conseguir sentir toda energia que eles têm e que a floresta nos transmite. Além disso, é importante que nós possamos conhecer um pouco mais sobre como eles utilizam a floresta, quais são seus hábitos, como conseguem utilizar os recursos da natureza e ao mesmo tempo preservar. Acredito que temos muito a aprender com eles.

Sumaúma (Ceiba pentandra)

floresta

Isabela e o indiozinho Kuba Takara

A sumaúma tem muita beleza, nunca vi uma árvore tão grande assim. É muito bom estar aqui embaixo e ver a sua grandiosidade, a força e a importância que essa árvore tem para a população indígena. Novamente, estou muito grata por conhecer a rainha da floresta.

Conexão com a causa

Após essa experiência percebi que é importante não esquecermos daquilo que move a gente, daquilo que faz a gente viver e conseguir sobreviver. A floresta é a nossa base, apesar de não estarmos em constante contato, temos que lembrar que ela é tudo que temos e por isso, temos que preservá-la. Eu penso que as pessoas devem procurar ajudar mais através de pequenos atos. Não digo que todos precisam vir e conhecer, mas existem pequenas ações que podemos fazer na nossa vida que podem conservar e preservar a floresta. Então, acho muito importante ajudar ONGs como a SOS Amazônia. Eu não conhecia direito o trabalho deles, mas quando entrei em contato, adorei. Foi lindo ver a grandiosidade que essa ONG tem quando chegamos no Acre e perceber que as ações ambientais e sociais que ela realiza são de extrema importância para o povo indígena e para a população ribeirinha. Acredito que poder auxiliar esses povos para que eles possam sobreviver nesse mundo atual é uma missão nobre e que deve ser expandida.>> (Isabela Cauzzo – Medicina Unicamp)


Há várias formas de você colaborar com a Amazônia. Divulgar nossas ações, trabalhos voluntários  ou fazer doações são algumas delas.

#FaçaFlorescer! Junte-se a nós!

Quem doa transforma

 

No dia 29 de novembro será celebrado o Dia de Doar, uma grande campanha para promover a cultura de doação no mundo inteiro. Essa ação foi realizada pela primeira vez em nosso país em 2013, e tem origem nos Estados Unidos, onde começou em 2012 com o nome de Giving Tuesday, que significa “terça-feira da doação” e vem na sequência de datas comerciais já famosas, como a BlackFriday e CyberMonday.

A intenção é fazer o Brasil inteiro se mobilizar. Muitas organizações estarão preparadas para receber doações, todos podem participar, basta tornar pública sua doação e utilizar a hashtag #diadedoar nas mídias sociais.

Essa mobilização é organizada pelo Movimento por uma Cultura de Doação, uma coalização de organizações e indivíduos que promovem a cultura de doação no país.

Junte-se a nós. Faça sua doação e ajude a promover essa cultura no Brasil.

Quelônios do Juruá: SOS Amazônia sinaliza praias na Resex Alto Juruá

Monitores voluntários e técnicos da SOS Amazônia.

A SOS Amazônia, por meio de sua equipe técnica e monitores voluntários, promoveu durante todo o mês de julho a sinalização e o monitoramento de 17 praias em nove comunidades localizadas na Reserva Extrativista Alto Juruá, no município de Marechal Thaumaturgo. A iniciativa faz parte do projeto Quelônios do Juruá: Eu protejo.

O principal objetivo da atividade é identificar possíveis áreas de desova de quelônios (tracajás, iaçás e tartarugas), mediante a implantação de faixas nas praias monitoradas, mas também, busca conscientizar as famílias sobre a importância desses animais para a manutenção do ambiente na região.

“Queremos fortalecer ainda mais o projeto, como por exemplo, identificando novos monitores e buscando novos parceiros. Assim, vamos conseguir chamar atenção para uma espécie que vive a beira da extinção”, destaca Bismark Pinheiro, técnico da SOS Amazônia.


Coordenado pela SOS Amazônia desde o ano de 2003, o “Projeto Quelônios do Juruá: Eu Protejo”, tem por objetivo principal garantir a conservação das espécies de tartarugas, tracajás e iaçás na região do Vale do Juruá. Saiba mais

 

Oficina sobre o Sisa fortalece o debate ambiental no Acre

Avanços, Desafios e Oportunidades

Finaliza nesta quinta-feira, no auditório da Procuradoria Geral do Estado – PGE, a quinta edição da oficina sobre o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais – Sisa, promovida pelo Instituto de Mudanças Climáticas – IMC e a Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Acre – Sema, com parceria da SOS Amazônia, e apoio financeiro do banco alemão KFW.

De acordo com o engenheiro ambiental e moderador da oficina, Ayri Rando, o evento tem por objetivo informar técnicos de governo e beneficiados do baixo Acre sobre os avanços e resultados, assim como, os desafios futuros com relação as políticas públicas ambientais no Acre, especialmente, o programa estadual de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal – REM,  e entender as problemáticas relativas às mudanças climáticas, identificando possíveis impactos e alternativas de soluções.

Magaly Medeiros, diretora presidente do IMC, destaca a importância desse encontro para o avanço da governança das políticas ambientais. “A reunião proporciona uma troca de experiência entre todos aqueles que estão envolvidos com a questão ambiental no nosso Estado, o que traz avanços, principalmente, na governança, que é responsável por acompanhar todo o trabalho realizado nas diversas frentes, como na piscicultura, no extrativismo, na produção familiar e nas comunidades indígenas”,

Da mesma forma que as edições anteriores, ocorridas nos municípios de Xapuri, Cruzeiro do Sul, Marechal Thaumaturgo e Tarauacá, respectivamente, a edição realizada na capital oferece aos participantes um entendimento de como os incentivos aos serviços ambientais têm contribuído para a melhoria de vida das comunidades tradicionais e crescimento de uma nova economia, com foco na sustentabilidade e conservação da floresta.

A bióloga Jaqueline Bezerra, analista pericial do Ministério Público do Acre, falou da importância de eventos como este para entender onde o Acre está inserido no contexto ambiental. “O momento é uma grande oportunidade de estarmos atualizando e até mesmo revendo nossos conceitos com relação as mudanças climáticas. Além de analisar o comportamento ambiental que o estado está seguindo”, diz Jaqueline.

A parceria com a SOS Amazônia

Para Magaly Medeiros, a parceria entre IMC e SOS Amazônia é fundamental para que as iniciativas do Sisa alcancem comunidades tradicionais, muitas delas localizadas em unidades de conservação atendidas pela instituição.

A experiência da SOS Amazônia com mais de duas mil famílias no Juruá, nas palavras da secretária técnica da SOS Amazônia, Cida Lopes, direciona a instituição a vencer o desafio de mostrar para essas famílias os benefícios de implementar programas que possibilitam a melhoria de vida em suas comunidades. “Fazer com que essas comunidades reflitam sobre a importância de manter a floresta em pé é essencial para continuarmos como um estado que valoriza sua diversidade biológica, que é essencial para garantir a qualidade de vida das pessoas”, destaca Cida.


O público alvo da oficina é composto por técnicos de órgãos governamentais (IMC, SEMA, SEAPROF, PGE, CDSA e ITERACRE) e representantes das diretorias de organizações comunitárias de produtores rurais e extrativistas (COOPERACRE, COOPERFLORESTA e ACREPEIXE), situados em Rio Branco, e beneficiários/conveniados do Programa REM, que, por sua vez, integra o Programa ISA Carbono.


Por Márcio Souza | Edição: Eliz Tessinari