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SOS Amazônia apoia renovação de certificação orgânica de produtos da sociobiodiversidade

Famílias extrativistas do Vale do Juruá, no Acre, que atuam na extração do cacau silvestre e na produção de óleos vegetais, receberam em outubro de 2018, com o apoio da SOS Amazônia, a certificação orgânica internacional de seus produtos para os mercados europeu e norte-americano.

E agora se preparam para fazer a renovação do selo de orgânico de quatro de seus produtos: cacau silvestre, manteiga de murmuru (Astrocaryum murumuru), óleo de açaí (Euterpe oleracea) e buriti (Mauritia flexuosa).

O processo de renovação está sendo feito graças ao projeto “Valores da Amazônia”, desenvolvido pela SOS Amazônia. Financiado com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, o projeto visa fortalecer nove cooperativas e seus cooperados para aperfeiçoarem e padronizarem a extração de produtos florestais não madeireiros de regiões da Amazônia com grande concentração de biodiversidade.

De acordo com o coordenador técnico da SOS Amazônia, Álisson Maranho, das quatro cooperativas que foram certificadas ano passado, duas entraram com o processo para renovar: a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos) e a Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra).  Ambas localizadas nos municípios do Vale do Juruá, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no Acre. Juntas, somam 100 famílias participando da certificação, sendo parte delas moradoras de unidades de conservação.

“A certificação é concedida pela empresa boliviana Imocert, uma das pioneiras neste tipo de trabalho na América Latina. E tem por objetivo assegurar que toda a produção é realizada com baixo impacto ambiental, sem o uso de agrotóxicos, e garantindo o pagamento justo para cada família, reunidas em cooperativas assessoradas pela SOS Amazônia”, comenta Álisson.

Como é o processo de renovação

O processo de renovação, de acordo com a engenheira florestal e coordenadora de campo da SOS Amazônia, Thayna Souza, está baseado na inspeção de campo aos extrativistas. Nessa visita, é preenchida uma ficha específica, para cada extrativista, que avalia, principalmente, seu modo de coleta e beneficiamento do fruto. O mesmo é feito para a usina de óleos. Após a inspeção, é dado um parecer (favorável ou não) para certificar.

“A certificação traz às cooperativas uma nova visão, foi e está sendo importante para o processo de organização da cooperativa, de manuseio e processamento dos frutos, além de agregar valor e permitir acesso a um mercado diferenciado, com preço justo e garantia da conservação da floresta, tendo em vista que não permite caça predatória, desmate, queima e utilização de agrotóxico”, explica Thayna.

Outro ponto importante, segundo ela, é que 20% dos frutos não podem ser coletados, visando garantir a regeneração florestal. Outro requisito é a formação dos extrativistas quanto ao processo, é preciso que eles tenham recebidos oficinas de boas práticas, visita e acompanhamento técnico.

“Com tudo isso, a certificação é um indicativo de sustentabilidade da floresta, atrai um mercado consumidor com um preço melhor e proporciona melhoria de vida às famílias”, completa.

Prazo para a nova certificação

O trabalho foi iniciado em julho de 2019 e tem previsão de término em meados de outubro, com a entrega dos certificados pela Imocert. Técnicos da SOS Amazônia acompanham as atividades de inspeção sobre a melhoria e manutenção dos processos produtivos, coordenadas pelo Imocert.

Após essa auditoria, se a certificadora constatar que todas as suas exigências estão, de fato, sendo cumpridas, ou seja, se as famílias estão atendendo aos critérios e que as cooperativas produzem com o novo padrão, a Imocert concede o selo de que a produção destas organizações sociais está livre do uso de agrotóxicos e outros contaminantes, e que adotam práticas que preservam a fauna e a flora da região, além de assegurar às famílias o pagamento justo por aquilo que conseguem entregar.

Para Elines Araújo, presidente da Coopfrutos, ter o óleo de buriti certificado é uma oportunidade única de alcançar novos mercados.

“Ter nossos produtos com rastreabilidade, mostrando o nosso compromisso com a parte ambiental e que os produtores da região estão capacitados para oferecer uma matéria-prima que tem um padrão de qualidade, respeitando a floresta e os animais, faz com que nossas oportunidades de negócios se ampliem. Agradecemos muito a SOS Amazônia por nos ajudar a garantir o selo orgânico do óleo de buriti, sem essa parceria seria muito difícil alcançar nossos objetivos”, ressalta Elines.

SOS Amazônia abre edital – contratação de consultoria para implantação de Sistemas Agroflorestais

A Associação SOS Amazônia, entidade da Sociedade Civil sem fins lucrativos, comunica aos interessados a abertura de Edital para contratação de  serviços de assessoria técnica (Pessoa Jurídica) para promover a recuperação da cobertura de solo com a implantação de sistemas agroflorestais, utilizando-se de espécies de interesse econômico e ecológico. (Parceria LUSH Cosmetics).

Propostas podem ser enviadas até o dia 16 de agosto de 2019 para o e-mail [email protected]

Acesse o edital.

Modelo Documento para envio das propostas.

Movimento em defesa do Fundo Amazônia #MobilizeSe #SOSFundoAmazônia

Apoiamos o manifesto da Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES) e da Associação Nacional dos Servidores do Ibama (Asibama) em defesa do Fundo Amazônia. A Amazônia precisa da nossa ajuda! Um dos principais projetos de preservação da maior floresta tropical do mundo está em risco. E você pode ajudar: acesse e divulgue o site www.emdefesadofundoamazonia.com.br; assista e compartilhe o vídeo da campanha e baixe materiais para postar nos seus stories.

LEIA CARTA MANIFESTO

Ao longo dos seus 10 anos de existência e após muito trabalho de construção, redirecionamentos e padronização, o Fundo se consolidou, perante a sociedade brasileira e seus principais interlocutores, como um dos instrumentos financeiros mais eficientes e reconhecidos, no cenário nacional e internacional, em termos de transparência, governança participativa, diversidade de beneficiários, auditorias e avaliações, e resultados e impactos concretos já alcançados.

Segundo o governo da Noruega, doador majoritário do Fundo: “O fundo Amazônia se tornou uma das melhores práticas globais de financiamento com fins de conservação e uso sustentável de florestas e estimulou parcerias semelhantes de financiamento climático em todo o mundo. (…) A Noruega está satisfeita com a robusta estrutura de governança do Fundo Amazônia e os significativos resultados que as entidades apoiadas pelo Fundo alcançaram nos últimos 10 anos.” (https://www.norway.no/pt/brasil/noruega-brasil/noticias-eventos/brasilia/noticias/declaracao-sobre-o-fundo-amazonia/).

São 103 projetos aprovados com captação de 3,4 bilhões de reais de doações destinadas a investimentos não reembolsáveis em projetos de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável na Amazônia Legal, tendo como público-alvo comunidades tradicionais, assentamentos, povos indígenas e agricultores familiares. Resultados concretos: 162 mil pessoas beneficiadas com atividades produtivas sustentáveis, 190 unidades de conservação apoiadas, 687 missões de fiscalização ambiental efetuadas, 465 publicações científicas ou informativas produzidas, dentre outros.

Não obstante, o Fundo Amazônia vive hoje momento de incertezas com relação ao seu futuro: ataques na imprensa, inexistência de diálogo e completa falta de direcionamento estratégico, por parte da atual gestão do Ministério do Meio Ambiente, vêm, desde então, criando grande ambiente de insegurança interna e paralisia operacional, bem como preocupação por parte dos doadores, prejudicando os andamentos dos trabalhos do Fundo e colocando em risco a sua Continuidade.

Paralelamente, o recente Decreto nº 9.759, de 11/04/19 extingue em 28/06/2019 dois pilares importantes de governança do Fundo: o Comitê Orientador do Fundo Amazônia e o Comitê Técnico do Fundo Amazônia, tema esse bastante sensível e caro aos doadores e demais interlocutores do Fundo. Além desse cenário, na última semana, a equipe do Fundo Amazônia foi surpreendida pela perda de suas duas principais lideranças, pessoas reconhecidas como de alta capacidade técnica e executiva, tanto no BNDES quanto perante o público externo, com largo histórico de trabalho no Fundo. Cientes de que transições e mudanças estratégicas fazem parte do jogo, o que parece estar em pauta, porém, nesse momento é a defesa da própria existência do Fundo Amazônia.

Por outro lado, o contexto do aquecimento global, os alertas sistemáticos no aumento do desmatamento e degradação florestal na Amazônia e a grave crise fiscal que o país atravessa, tornam ainda mais urgente e relevante a defesa do Fundo nesse momento.

O Fundo Amazônia não é um projeto de governo, mas uma conquista da sociedade brasileira, fruto de negociações internacionais climáticas, cujo consenso gira em torno da construção de um modelo economicamente sustentável na Amazônia que inclua, em sua concepção, os interesses dos povos originários e tradicionais que vivem para e pela floresta em pé.

Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES)
Associação Nacional dos Servidores do Ibama (Asibama)
Rio de Janeiro, julho de 2019.

[CARTA MANIFESTO]

SOS Amazônia abre edital para contratação de consultoria para Implantação de Compliance

A Associação SOS Amazônia, entidade da Sociedade Civil sem fins lucrativos, comunica aos interessados a abertura de Edital para contratação de serviços de consultoria de pessoa jurídica para Implantação do Compliance, atualizar e aperfeiçoar os instrumentos e ferramentas de gestão, visando dar suporte para o cumprimento de normas, de maneira que os regulamentos internos mantenham princípios e ações éticos. (Projeto “Melhorar a gestão para conservar mais” – Contrato Brazil Foundation).

Propostas podem ser enviadas até o dia 20 de junho de 2019 para o e-mail [email protected]

Acesse o edital.

Modelo Documento para envio das propostas.

Famílias ribeirinhas e os quelônios do juruá: um caso de amor pela biodiversidade

#DiaMundialDoMeioAmbiente – Neste dia, 5 de junho, dedicado a incentivar pessoas do mundo todo a cuidar melhor do recursos naturais, nós temos a honra de homenagear os ribeirinhos que desde 2003, com apoio da SOS Amazônia, protegem voluntariamente desovas de quelônios (tartarugas, tracajás e iaçás) em praias do rio Juruá e afluentes, situadas na região do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, duas das maiores Unidades de Conservação (UC) do estado do Acre e de grande importância, por serem áreas de alta concentração de diversidade biológica e, ambas, situadas na fronteira com o Peru.

As famílias ribeirinhas desempenham papel fundamental na proteção das praias e no monitoramento da desova, eclosão dos ovos e da soltura dos filhotes, e demonstram muito amor pela causa. As crianças acompanham os pais nessa atividade, o que as aproxima da prática de conservação dessas espécies. Eles registram o número de ninhos, o número de ovos e números de filhotes vivos e soltos nos rios. Essas informações são coletadas, registradas em ficha de campo e repassadas para a SOS Amazônia que analisa e monitora os resultados.

Por outro lado, e muito importante também, são as pessoas e empresas que, mesmo de longe, ajudam esse trabalho acontecer, fazendo doações no nosso site institucional, para que a SOS Amazônia consiga mobilizar mais famílias na proteção de quelônios, entregar kits de proteção das praias, fazer visitas técnicas a cada família, entregar os formulários de registro do nascimento de filhotes, fazer o mapeamento das praias e acompanhar o período de soltura dos filhotes no rio.

Ribeirinhos da Comunidade Carlota na soltura da Tartaruga da Amazônia – Rodrigues Alves-AC,  Foto: Andre Dib

O nosso sentimento por todos vocês é de muita gratidão!  Isso tudo é a prova de que juntos fazemos um mundo melhor. Nosso agradecimento especial também aos técnicos da SOS Amazônia e parceiros institucionais.

Todo nosso reconhecimento por esse serviço ambiental realizado por essas famílias ribeirinhas.

Eliana Castelo – Comunidade Porto Seguro, Marechal Thaumaturgo, Acre | Acervo SOS Amazônia


Aires Andriola – Comunidade Novo Horizonte,  Guajará, Amazonas | Acervo SOS Amazônia

Francisco souza – Comunidade Flora,  Marechal Thaumaturgo | Acervo SOS Amazônia


Seu Pedro – Comunidade Novo Horizonte, Porto Walter | Acervo SOS Amazônia

Francisco Afonso Nunes da Silva, (58), Comunidade Helena, mora na Resex Alto Juruá desde que nasceu. Seu Francisco se diz apaixonado pela atividade de proteger os quelônios. Ele e sua família fazem parte do projeto ‘Quelônios do Juruá: Eu Projeto’ desde seu início, em 2003.

Dona Auricélia Lima Gomes soltando Tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) no Rio Juruá, comunidade Nova Cintra – Rodrigues Alves-AC
Foto: Andre Dib


Monitores voluntários aprendendo a fazer o manejo dos ninhos (Acervo SOS Amazônia)

E você, conte pra gente o que faz para ajudar o planeta. Ou envolva-se agora mesmo numa causa. Há diversas maneiras de você se engajar:

1 – Dedicando tempo e trabalho em uma das nossas campanhas permanentes: proteção da desova de tracajás no rio Juruá e SOS Reciclagem realizando educação ambiental junto a população em Rio Branco (Seja Voluntário)

2 – Dedicando tempo e trabalho para captarmos recursos a serem aplicados nas campanhas e projetos (Fale Conosco);

3 – Doando recursos para serem aplicados nas campanhas e projetos (Doe agora)

4 – Tornando-se associado da SOS Amazônia, com a contribuição mínima de 25 reais mensal (Associe-se)

Você pode nos apoiar também a mobilizar mais mensageiros da floresta!

Ajude a divulgar e participe dos nossos canais de comunicação: f/sos.amazonia  | Twitter/sosamazonia | Canal SOS Amazônia no You Tube | Siga-nos no Instagram/sosamazonia

Saiba mais!

Borracha colorida –  uma alternativa para gerar transformações sociais e manter a floresta em pé

Com o olhar voltado para a geração de trabalho e renda, preservando a Floresta Amazônica, a designer Flávia Amadeu e equipe da SOS Amazônia promoveram, durante o período de 6 a 8 de maio, no Seringal Curralinho, distante três horas da zona urbana do município de Feijó, Acre, uma oficina de Melhoramento e Gestão da Produção da Borracha Folha Semi-Artefato (FSA).

Destinada a extrativistas dos seringais de Feijó e Tarauacá, a iniciativa teve por objetivo melhorar a gestão e a qualidade de produção da borracha FSA.  Cerca de 12 comunitários participaram das atividades. Lá, eles trocaram experiências sobre a cadeia produtiva, ampliaram seus conhecimentos sobre aplicação de cores, controle de qualidade, de como funciona o mercado, além de fecharem contrato de produção de FSA e FDL para este ano.

Extrativista Antônio Francisco, do Seringal Curralinho, produz as borrachas FSA e FDL

“Eu trabalho com a FDL e a borracha colorida. Isso é muito importante, pois preserva o meio ambiente. Eu não estou dizendo só pra mim, estou dizendo para que todos protejam a floresta, porque é muito bom ter a floresta em pé”, disse o extrativista Antônio Francisco de Souza cruz, do Seringal Curralinho, colocação Novo Lugar.

Durante a oficina, Flávia fez uma nova proposta de preço da FSA para os extrativistas. De R$ 22,00 passou para R$ 27,00 reais o quilo. Deste valor, com os impostos e o repasse para a cooperativa, o produtor fica com R$ 23,00. Antes, ficava com R$ 18,00. Novidade que deixou os seringueiros com mais interesse ainda pela produção de borracha.

Dona Branca do Seringal Curralinho é produtora das borracha FSA e FDL

“Sobre esse aumento do preço da borracha FSA, eu achei maravilhoso e agradeço muito porque a gente continua na luta”, comenta seu Antônio Francisco.

A dona Francisca Zenir, mais conhecida como Branca, e esposa de seu Antônio Francisco, também ficou animada com a notícia de mais uma valorização de preço.

“Depois que a gente começou a trabalhar com a borracha, nossa vida melhorou muito.  Sobre o aumento do preço, é muito bom saber disso, a gente trabalha com mais vontade”, ressalta.

A designer Flávia Amadeu tem a borracha colorida como sua matéria-prima principal há mais de 15 anos e fala sobre a transformação que esse trabalho gera nas comunidades.

“De fato eu tenho visto boas transformações, famílias inteiras trabalhando juntas. E esse interesse pela produção da borracha, pelas novas gerações, é muito empolgante. Aos poucos, os jovens estão percebendo que eles podem viver de forma sustentável dentro da floresta, com mais qualidade vida”, observa Flávia.

Ela também comentou a parceria com a SOS Amazônia para apoiar a cadeia de valor da borracha nativa.

“A SOS Amazônia tem um papel de grande relevância junto a comunidades ribeirinhas, trabalhando para o desenvolvimento das cadeias produtivas da floresta. Juntos, temos colaborado para promover tecnologia social da borracha nativa como forma eficaz de preservação da floresta”, conclui.

Antônio Carlos, presidente da Cooperativa Agroextrativista de Feijó (Cooperafe) falou da importância de gerar melhoria na qualidade da produção com o propósito de manter a floresta conservada. “O que a gente pretende é melhorar a cadeia produtiva da borracha, elevando a qualidade vida dos seringueiros para que a gente possa diminuir o desmatamento”, explica.

O coordenador de projetos da SOS Amazônia, Adair Duarte, alertou sobre a necessidade de investimentos na cadeia da borracha para garantir uma produção com qualidade e preço justo.

“Fortalecer os produtos florestais não madeireiros, como a borracha, promove a conservação da floresta, ampliando a geração de trabalho e renda das famílias. Com certeza, melhora a qualidade e o volume de produção, garantindo um mercado com preço justo”, avalia.

A FSA é uma manta colorida, podendo ser usada na fabricação de vários produtos artesanais e de design, como sapatos, acessórios de moda e joias

Flávia Amadeu

Parceira de longo tempo da SOS Amazônia, Flávia Amadeu é designer reconhecida internacionalmente por seu trabalho com a borracha nativa que desenvolve há quinze anos. Proprietária das marcas FLAVIA AMADEU Design Sustentável e AMADEU – Amazonian Materials & Design United, desenvolve diversos projetos de impacto socioambiental e representa as borrachas nativas mundo a fora. Acesse e conheça mais.

Assembleia Ambiental das Nações Unidas adota compromissos por um futuro mais sustentável

 No encontro ambiental mais importante do mundo, ministros acordaram um novo modelo para proteger os recursos degradados do planeta

·         Líderes concordaram em enfrentar a crise ambiental por meio de inovações e do consumo e produção sustentáveis

·         Delegados se comprometeram a reduzir de maneira significativa os plásticos descartáveis até 2030

·         A quarta Assembleia Ambiental da ONU aconteceu em uma atmosfera de luto após a queda de avião da Ethiopian Airlines com destino a Nairóbi 

Por Flora Pereira, ONU Meio Ambiente

O Mundo hoje preparou o terreno para uma mudança radical por um futuro mais sustentável, em que a inovação pode ser fomentada para enfrentar os desafios ambientais, o uso de plásticos descartável será significativamente reduzido e o desenvolvimento não irá mais custar tanto para o planeta.

Após cinco dias de conversas na Quarta Assembleia Ambiental das Nações Unidas, em Nairóbi, os ministros de mais de 170 países membros das Nações Unidas entregaram um plano audacioso por mudança, comunicando que o mundo precisa acelerar os movimentos para um novo modelo de desenvolvimento a fim de respeitar a visão estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030.

Preocupados pelas crescentes evidências de que o planeta está cada vez mais poluído, rapidamente se aquecendo e perigosamente esgotado, os ministros prometeram atender os desafios ambientais por meio do avanço de soluções inovadoras e da adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo.

Reafirmamos que a erradicação da pobreza, mudando aquilo que é insustentável, promovendo padrões sustentáveis de consumo e produção e protegendo a gestão dos recursos naturais que são base para o desenvolvimento social e econômico, são os objetivos fundamentais e as exigências essenciais para o desenvolvimento sustentável”, disseram os ministros em sua declaração final.

“Melhoraremos as estratégias de gestão de recursos naturais integrando perspectivas que englobem o ciclo completo da vida e análises que concretizem economias de baixo carbono e eficientes em relação aos seus recursos”.

Mais de 4.700 delegados, incluindo ministros do meio ambiente, cientistas, acadêmicos, líderes empresariais e representantes da sociedade civil estavam presentes na Assembleia: o corpo mais importante de meio ambiente a nível global, cuja decisão definirá a agenda das nações, antevendo a Cúpula de Ação Climática da ONU, em setembro.

O evento também resultou no comprometimento dos ministros em promover sistemas de alimentação encorajando práticas de agricultura resilientes, enfrentar a pobreza por meio da gestão sustentável de recursos naturais, promover o uso e compartilhamento de dados ambientais, e reduzir sensitivamente o uso de plásticos descartáveis.

Nós vamos endereçar o dano causado a nossos ecossistemas pelo uso insustentável de produtos plásticos, promovendo a redução significativa de produtos descartáveis de plástico até 2030, e trabalharemos com o setor privado para encontrar produtos ambientalmente amigáveis e financeiramente acessíveis”, disseram.

Para enfrentar as lacunas de conhecimento, ministros prometeram trabalhar para produzir dados ambientais internacionais comparáveis e ao mesmo tempo aprimorar os sistemas e tecnologias de monitoramento. Eles também expressaram apoio aos esforços da ONU Meio Ambiente para desenvolver uma estratégia global para dados ambientais até 2025.

O mundo está em uma encruzilhada, mas hoje escolhemos o caminho que seguiremos” disse Siim Kiisler, Presidente da Quarta Assembleia Ambiental da ONU e Ministro do Meio Ambiente da Estônia. “Decidimos fazer as coisas diferentemente. Desde reduzir nossa dependência dos plásticos de uso único a colocar a sustentabilidade no seio de todos os desenvolvimentos futuros, transformaremos a maneira que vivemos. Temos as soluções inovadoras que precisamos. Agora temos que adotar políticas que nos permitam suas implementações”.

A Assembleia começou em luto após o acidente de um voo da Ethiopian Airlines de Addis Ababa para Nairóbi, que custou a vida de todas as 157 pessoas a bordo, incluindo funcionários da ONU e outros delegados que estavam viajando para o encontro. Um minuto de silêncio foi realizado para as vítimas na cerimônia de abertura, onde as autoridades também prestaram homenagem ao trabalho de seus colegas.

No final da Assembleia, os delegados adotaram uma série de resoluções não vinculantes, rumo à mudança para um modelo de desenvolvimento diferente. Entre as resoluções, foi reconhecido que uma economia global mais circular, em que os bens podem ser reutilizados ou reaproveitados e mantidos em circulação pelo maior tempo possível, pode contribuir significativamente para o consumo e a produção sustentáveis.

Outras resoluções disseram que os Estados Membros poderiam transformar suas economias por meio de compras públicas sustentáveis ​​e instaram os países a apoiar medidas para lidar com o desperdício de alimentos e para desenvolver e compartilhar as melhores práticas nas áreas de eficiência energética e de segurança para a cadeia de frio.

As resoluções também abordaram o uso de incentivos, incluindo medidas financeiras, para promover o consumo sustentável e acabar com incentivos para consumo e produção insustentáveis, quando apropriado.

Nosso planeta atingiu seus limites e precisamos agir agora. Estamos muito satisfeitos que o mundo tenha respondido, aqui em Nairóbi, com compromissos firmes para construir um futuro em que a sustentabilidade seja o objetivo final em tudo o que fizermos”, afirmou Joyce Msuya, Diretora Executiva Interina da ONU Meio Ambiente.

Se os países cumprirem tudo o que foi acordado aqui e implementar as resoluções acordadas, poderemos dar um grande passo em direção a uma nova ordem mundial, onde não cresceremos mais às custas da natureza, mas veremos as pessoas e o planeta prosperarem juntos.”

Um dos principais focos da Assembleia foi a necessidade de proteger oceanos e ecossistemas frágeis. Os ministros adotaram uma série de resoluções sobre lixo marinho plástico e microplásticos, incluindo o compromisso de estabelecer uma plataforma multissetorial dentro da ONU Meio Ambiente para tomar medidas imediatas para a eliminação a longo prazo de lixo e microplásticos.

Outra resolução instava os Estados-Membros e outros atores a endereçar o problema do lixo marinho por meio da análise do ciclo de vida completo dos produtos e do aumento da eficiência dos recursos.

Durante a cúpula, Antígua e Barbuda, Paraguai e Trinidad e Tobago aderiram à campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente, elevando para 60 o número de países adeptos da maior aliança mundial de combate à poluição marinha por plásticos, incluindo 20 da América Latina e do Caribe.

A necessidade de agir rapidamente para enfrentar os desafios ambientais existenciais foi ressaltada pela publicação de uma série de relatórios durante a Assembleia.

Entre as mais devastadoras, está uma atualização sobre a mudança do Ártico, que explica que mesmo que o mundo cortasse as emissões em consonância com o Acordo de Paris, as temperaturas do inverno no Ártico subiriam entre 3 a 5 °C em 2050 e 5 a 9 °C até 2080, devastando a região e desencadeando o aumento do nível do mar em todo o mundo.

O relatório ‘Ligações Globais – Um olhar gráfico sobre a mudança do Ártico’ alertou que o rápido derretimento do permafrost poderia acelerar ainda mais a mudança climática e inviabilizar os esforços para cumprir o objetivo de longo prazo do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a 2 °C.

Enquanto isso, o sexto Panorama Global Ambiental, visto como a avaliação mais abrangente e rigorosa do estado do planeta, alertou que milhões de pessoas poderão morrer prematuramente devido a poluição da água e do ar até 2050, a menos que medidas urgentes sejam tomadas.

Produzido por 250 cientistas e especialistas de mais de 70 países, o relatório mostra que o mundo tem a ciência, tecnologia e finanças necessárias para avançar em direção a um caminho de desenvolvimento mais sustentável, mas políticos, empresários e o público devem apoiar e incentivar essa mudança.

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, que participou da cúpula na quinta-feira, disse que uma atitude sobre o uso insustentável de recursos não é mais uma escolha, mas uma necessidade.

Como os Estados-Membros afirmaram durante os debates vibrantes, ao lado da sociedade civil, empresas, comunidade científica e outras partes interessadas, ainda é possível aumentar o nosso bem-estar e, ao mesmo tempo, manter o crescimento econômico por meio de uma mistura inteligente de mitigação do clima, eficiência nos recursos e políticas de proteção da biodiversidade”, disse ela.

Como evidência dos efeitos devastadores da atividade humana sobre a saúde do planeta, um clamor global por ações urgentes está aumentando. Enquanto os delegados se preparavam para deixar Nairóbi na sexta-feira, centenas de milhares de estudantes de cerca de 100 países tomaram as ruas como parte de um movimento de protesto global inspirado na estudante sueca Greta Thunberg.

Durante seu discurso na Assembleia Ambiental da ONU Meio Ambiente, na quinta-feira, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que os jovens estavam certos em protestar e que o mundo precisa dessa fúria para impulsionar uma ação mais rápida e mais intensa.

Acreditamos que o que precisamos, dada a situação em que vivemos, são leis reais, regras que são vinculantes e adotadas internacionalmente. Nossa biosfera enfrenta devastação total. A própria humanidade está ameaçada. Não podemos simplesmente responder com alguns princípios que soem bem, sem qualquer impacto real”, afirmou Macron.

O Presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta também disse que o mundo precisava agir imediatamente para enfrentar os níveis recordes de degradação ambiental, insegurança alimentar, pobreza e desemprego.

“As estatísticas globais atuais são bastante preocupantes e as projeções para as gerações futuras são terríveis e exigem ações urgentes de governos, comunidades, empresas e indivíduos”, disse ele.

Boas práticas para coleta e beneficiamento de murmuru

SOS Amazônia publica cartilha sobre coleta e beneficiamento de murmuru.

As cadeias de valor de espécies oleaginosas, como murmuru, buriti, cocão, açaí, patauá, breu, cumaru, tucumã, dentre outras, são operadas por comunidades rurais em vários lugares da Amazônia. São muitos os problemas a serem enfrentados em cada elo das cadeias, necessitando de forte apoio para a superação desses desafios. O objetivo deste material foi relatar as etapas de produção da cadeia do murmuru e como isso se insere no contexto de conservação florestal. [Projeto Valores da Amazônia/Fundo Amazônia]

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Organizações comunitárias participam de workshop sobre gestão e sustentabilidade

Representantes de 16 organizações comunitárias da região do Juruá, Tarauacá e Feijó participaram, nesta quinta-feira, 28, em Rio Branco, de Workshop do projeto Gestão & Sustentabilidade.

A iniciativa, promovida pela SOS Amazônia, governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Acre (PDSA II), teve por objetivo avaliar os resultados e desafios do projeto.

De acordo com Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, o encontro serviu para analisar todas as atividades realizadas, relembrar cada avanço impulsionado pelos gestores e comunitários.

“Fizemos uma revisão detalhada das atividades no prazo que foram executadas e com isso podemos perceber que conseguimos atingir os objetivos básicos a qual procuramos desde o início. O projeto fortaleceu as cooperativas e associações no aspecto de fazer a gestão da instituição, em cada pessoa entender melhor os seus papéis e de poderem fazer exercícios de planejamento, no processo relacionado a produção não madeireira”, conta.

Com o levantamento das ações desenvolvidas durante um ano de projeto, a programação apresentou os impactos e benefícios alcançados e os desafios futuros para as organizações apoiadas.

“O encontro foi extremamente importante por que depois de tanto trabalho de sensibilização e capacitação em diferentes comunidades, com centenas de beneficiários, esse é um momento para apresentar os resultados e saber quais os pontos positivos que nós conseguimos e onde é que devemos melhorar”, afirma Carlos Edegard, secretário de Meio Ambiente do Acre (Sema).

A presidente da AMURALHA, Nataires Ferreira, falou da oportunidade de trocar experiências e dos avanços que o projeto já proporcionou.

Presidente da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais Unidas por Liberdade, Humanidade e Amor  – AMURALHA, Nataires Ferreira

“Pela linha do tempo percebemos o que melhoramos, obtendo novos conhecimentos, trocando experiências e também vendo onde precisamos melhorar. Antes nossas atividades eram executas sem planejamento, e por causa disso, tudo dava errado. O projeto chegou e nos ajudou em tudo, a planejar primeiro, ver o tanto que iremos gastar, o que precisa e assim chegar ao sucesso”, explica Nataires.

Bia Saldanha, coordenadora da cadeia produtiva da borracha/Veja Fairtrade, situa a iniciativa como ponto de relevância para corrigir e entender as necessidades, com o propósito de avançar cada vez mais e contribuir com a melhoria da vida no campo.

“A gestão de sustentabilidade dos recursos não madeireiros do Acre é um ponto central do desenvolvimento sustentável dessas comunidades, então eu faço votos que seja proveitoso que a gente consiga cada vez mais aproximar os gestores que estão pensando as políticas públicas daqueles que estão de fato na floresta fazendo as coisas acontecer”, declara.

O evento contou também com a participação do senador do estado do Acre, Jorge Viana. “O desafio de vocês (comunitários) é muito grande, então, tudo isso que está sendo feito é fantástico, com esse trabalho o Acre se torna uma base de esperança para toda a Amazônia”, disse o senador.

Deylon Félix

Cooperativas vão participar de Workshop sobre Gestão e Sustentabilidade

Representantes de 16 organizações comunitárias da região do Juruá, Tarauacá e Feijó vão participar, no dia 28 de junho, em Rio Branco, de Workshop do projeto Gestão & Sustentabilidade.

A iniciativa, promovida pela SOS Amazônia, governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Acre (PDSA II), tem por objetivo de avaliar os resultados e desafios do projeto.

“Os negócios florestais é mais uma estratégia para o desenvolvimento da Região Amazônica e de suas populações tradicionais, que utilizam dos benefícios proporcionados pelas florestas. E avaliar ações do projeto, de forma participativa, é muito importante para o fortalecimento dessa iniciativa na região”, afirma Álisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

PROGRAMAÇÃO

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O Projeto Gestão & Sustentabilidade tem por objetivo promover serviços técnicos especializados visando assessorar e capacitar 16 organizações comunitárias que participam de iniciativas de manejo florestal comunitário não madeireiro, com foco na organização social e gestão desses empreendimentos, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Acre – PDSA II.