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Oficina de Negócios Comunitários Sustentáveis recebeu associações e cooperativas de Rondônia, Acre e Amazonas

A terceira Oficina de Negócios Comunitários Sustentáveis do Desafio Conexsus foi realizada nos dias 21 e 22 de agosto em Porto Velho (RO), na Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental, que apoiou o evento e auxiliou também na mobilização das organizações participantes, em especial etnias indígenas.

Estiveram presentes 22 associações e cooperativas que atuam com extrativismo sustentável e agricultura familiar, vindas dos estados de Rondônia, Acre e do sul do Amazonas. Conhecer mais a fundo os negócios e identificar os gargalos e desafios comuns foram propósitos atingidos durante a atividade.

“Não existe receita de bolo e as oficinas são um espaço aberto de debate sobre os caminhos possíveis a serem trilhados” – Carina Pimenta, diretora da Conexsus.

“Queremos apoiar o desenvolvimento das associações e cooperativas em negócios comunitários mais sustentáveis, tanto do ponto de vista econômico quanto da contribuição socioambiental. Não existe receita de bolo e as oficinas são um espaço aberto de debate sobre os caminhos a serem trilhados, de acordo com o contexto e características de cada organização”, sintetiza a diretora de operações da Conexsus, Carina Pimenta.

Para a coordenadora do Desafio Conexsus, Monika Röper, um dos destaques foi a diversidade dos participantes. “Algumas organizações já têm décadas de experiência, outras são mais recentes e a oficina mostrou o quanto elas podem aprender umas com as outras e como a discussão sobre os desafios da sustentabilidade pode promover o crescimento conjunto”, explica.

O integrante da equipe da Conexsus responsável pela oficina em Porto Velho, Junior Fragoso, observa que estiveram presentes organizações que atuam em cadeias extrativistas da castanha, de óleos vegetais e da borracha, na cadeia de pesca artesanal, de manejo florestal sustentável, de agricultura familiar (com produtos como banana, mandioca e farinhas) e que atuam com artesanato.  “Foi muito enriquecedor no sentido de integrar as organizações, possibilitou que interagissem dentro de uma ótica de rede, que é um dos objetivos da Conexsus, em uma lógica de promoção dos negócios no Brasil inteiro. Os participantes se mostraram dispostos e animados para continuar essa relação”, completa.

Conhecendo os desafios

A busca de caminhos para que os recursos financeiros de diferentes naturezas possam chegar às organizações, de acordo com o perfil e as necessidades de cada uma, é um ponto de destaque. “O que complica muitas vezes é a burocracia. Precisamos de capital de giro e de conexões que nos levem a entidades que possibilitem acesso, isso vai nos ajudar a crescer e foi justamente essa reflexão que a Conexsus trouxe para nós com a oficina”, diz José Antônio da Conceição Camilo, integrante da Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar). A Cooperativa atua com o processamento do cacau nativo e com a extração de óleos. Busca organizar-se tanto na produção do fruto, quanto na certificação e comercialização, para alcançar mercados internacionais no futuro.

“Precisamos de capital de giro e de conexões que nos levem a entidades que possibilitem acesso, isso vai nos ajudar a crescer e foi justamente essa reflexão que a Conexsus trouxe para nós com a oficina” – José Camilo, da COOPERAR.

A Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutas Nativas do Município de Mâncio Lima (Coopfrutos) também trabalha com extração e fabricação de óleos vegetais, como os de buriti, açaí e patoá. A partir deles, são produzidos sabonetes vegetais, sabão líquido, em barra e repelentes contra mosquitos. Os produtos são inspecionados e comercializados nos mercados estadual e nacional.

De acordo com a presidente da cooperativa, Elines Ferreira de Araújo, conhecer empreendimentos semelhantes na mesma região é essencial para alcançar mercados maiores, como o mercado internacional, que chega ao Norte com demandas em grande escala, mas raramente encontra um negócio que, sozinho, consiga supri-las. “Foi muito bom saber quem são as organizações ao nosso redor. Nos unir e fazer parcerias vai facilitar bastante para conseguir o que o mercado quer da gente”, explica.

Elines também destaca o autoconhecimento gerado pela experiência, que vem com a análise dos próprios desafios e a percepção do estágio de desenvolvimento da cooperativa, além da importância de observar situações pelas quais os outros negócios passaram e o compartilhamento de experiências entre eles. “Estamos passando pelo processo de certificação, conversar com organizações que já passaram por isso foi muito bom”, complementa.

Parcerias essenciais

Com a proposta de se desenvolver em rede e de fomentar um ecossistema de negócios sustentáveis, o Desafio Conexsus conta com um processo de cocriação que se torna mais evidente durante as oficinas. “Ao partilharem com os participantes seus conhecimentos e suas redes institucionais, os parceiros do Desafio estão trazendo contribuições fundamentais. Além disso, os resultados que tivermos no mapeamento só foram possíveis, em um curtíssimo período de tempo, devido a essas parcerias”, destaca a diretora da Conexsus.

No caso deste evento, participaram das atividades, bem como da mobilização dos participantes, organizações que atuam na Amazônia, em contato principalmente com as cadeias da sociobiodiversidade. O Pacto das Águas foi um dos parceiros cocriadores participantes. O coordenador de articulação interinstitucional da organização, Plácido Costa, avalia que a oficina é um momento de abertura de horizontes para as cooperativas e associações. “É importante que eles vejam que negócios parecidos com o deles, de base comunitária, estão conseguindo acessar mercados e fazer avanços, serve como incentivo propiciar essas conexões.”

O Pacto das Águas atua na construção de alternativas de geração de renda mais sustentáveis e na gestão ambiental em Terras Indígenas e Reservas Extrativistas. Tem como principal estratégia a estruturação das cadeias de produtos da sociobiodiversidade, em especial cadeias estruturantes, como a da castanha. Durante a oficina, Plácido apresentou informações sobre os arranjos produtivos o estimulou os participantes a pensarem em novas possibilidades de acesso a recursos, por meio de mecanismos diferenciados.

Um exemplo é o da Associação Zavidjaj Djiguhr (Assiza), da etnia indígena Gavião, que atua principalmente na cadeia da castanha e, a partir dela, vem estruturando outras cadeias, como a da banana e da farinha. “Cerca de 500 de seus 750 membros fazem a coleta da castanha e vendem hoje a uma empresa. Eles percebem que precisam agora se envolver mais com os elos da cadeia e em arranjos que os favoreçam mais, como atuar em parceria com cooperativas”, explica Fragoso.

O coordenador de projetos da SOS Amazônia, Adair Duarte, também participou da oficina. A instituição é parceira cocriadora do Desafio Conexsus e tem como missão promover a conservação da biodiversidade e o crescimento da consciência ambiental na Amazônia, com atuação no Acre e no Amazonas. Adair destaca as metodologias utilizadas, que facilitam a compreensão dos conteúdos por todos os participantes.

“A soma de esforços poderá minimizar os gargalos e dificuldades dessas organizações. Por isso a busca da evolução dos negócios e de caminhos durante a oficina foi muito importante”, comenta. Adair avalia como principal desafio a estruturação de capital de giro para fortalecer o acesso a mercados, a fim de manter um fluxo mais constante nos negócios. O parceiro também falou durante a oficina um pouco sobre as cadeias de produtos com as quais atua, de cacau, borracha e óleos.

Aprendizados e fortalecimento regional

Dentre os participantes, o Projeto Reca (Reflorestamento Econômico Consorciado Adensado), que fica no distrito rural de Nova Califórnia, foi convidado a fazer uma “fala inspiradora” para os demais. Os produtores associados ao projeto cultivam frutos amazônicos em sistemas agroflorestais (SAFs) e realizam também o beneficiamento dos produtos, com o objetivo de reduzir o desmatamento na região. A combinação do manejo florestal e do extrativismo sustentáveis resulta em um negócio com responsabilidade social e ambiental. O próximo passo que o Reca busca agora é estruturar um fundo rotativo solidário.

Em outro momento inspirador, a Operação Amazônia Nativa (OPAN), que atua junto a organizações indígenas no Purus, trouxe o exemplo de um sistema de repartição de recursos do faturamento gerado pelo manejo do pirarucu. Um exercício realizado na sequência revelou as expectativas das entidades participantes em relação à busca por soluções financeiras. “As organizações foram divididas de acordo com a forma como acessam recursos hoje e a maior parte depende de doações. Depois, quando perguntadas sobre o que almejam em cinco anos, a maioria demonstrou querer estruturar fundos com recursos próprios”, relata a coordenadora do Desafio, Monika Röper.

Camilo, da Cooperar, comemora pelos benefícios que iniciativas como essa trazem para a região onde as cadeias produtivas estão inseridas. “A oficina deu um ânimo para nós, que vamos repassar a todos da cooperativa. Vi organizações que desempenham algo para o bem da comunidade ribeirinha e do planeta, isso anima os produtores a cuidar da floresta, a não desmatar”, relata.

Renata da Silva Pereira, da Cooperativa de Produtores Rurais Vale do Guaporé de Seringueiras (COOPERVARGS), conta que só conhecia uma das outras 20 organizações que participaram do evento. “Conhecer a região e se entrosar com estas outras entidades vai nos ajudar a trabalhar melhor”, anseia. A COOPERVARGS trabalha com a comercialização do Urucum e com a industrialização e comercialização da castanha-do-brasil.

Desafio Conexsus 2018

A oficina faz parte de um ciclo de oficinas que teve início em junho, em Belém (PA), e deve ser replicada em mais 11 cidades até o final de setembro, em diversas regiões do Brasil. Além disso, serão realizadas visitas técnicas a algumas organizações, atividades que devem abranger cerca de 300 participantes.

Os mais de mil negócios cadastrados no Desafio compõem o Mapa e o Panorama de Negócios Comunitários Sustentáveis no Brasil, com consulta online e aberta ao público pelo site www.desafioconexsus.org. O cadastro permanece aberto para organizações interessadas no Desafio, que poderão participar de oportunidades futuras, bem como integrar a rede em formação.

Uma das expectativas é que estes empreendimentos, os parceiros cocriadores da iniciativa e outras organizações que compõem o ecossistema de negócios comunitários sustentáveis tornem-se uma rede ativa de fomento ao desenvolvimento sustentável, com a possibilidade de atrair e criar outras oportunidades além das já previstas no Desafio Conexsus 2018.

Após a realização das oficinas, 70 organizações serão convidadas a participar do Ciclo de Desenvolvimento de Negócios Comunitários Sustentáveis, que conta com uma jornada de aceleração, oficinas de modelagem de negócios, laboratório de soluções de acesso à comercialização e mercados e laboratório de crédito e soluções financeiras.

Participantes e parceiros

Estiveram presentes na oficina em Porto Velho a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental, Operação Amazônia Nativa (OPAN), Pacto das Águas, SOS Amazônia e União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e a Entrenós Planejamento Estratégico, que realizou o planejamento e a mediação da oficina.

Participaram as organizações comunitárias:

AGUAPÉ- Associação dos Seringueiros do Vale do Guaporé

AMARI – Associação dos Moradores Agroextrativistas da Resex Ituxi

APITC – Associação dos Produtores Indígenas da Terra Caititu

Apiz – Associação do Povo Indígena do Zoró

APIWTXA – Associação Ashaninka do Rio Amônia

APREA – Associação dos Produtores e Produtoras Rurais Extrativistas da Resex Arapixi

ASAEX- Associação dos Seringueiros Agroextrativista do Baixo Rio Ouro Preto

ASAREAJ – Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá

ASSC – Associação de Seringueiros da Resex Cazumba Iracema

Associação Indígena Doá Txatô

Associação Indígena Jupaú

Assiza – Associação Zavidjaj Djiguhr

COOPABRAS – Cooperativa Agropecuária e Industrial de Nova Brasilândia D’Oeste

COOPEL – Cooperativa dos Agricultores e Pecuaristas da Regional do Baixo Acre

COOPER RECA – Cooperativa Agropecuária e Floresta do Projeto RECA

COOPERAR – Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus

COOPERFLORESTA – Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários

COOPFRUTOS – Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutas Nativas do Município de Mâncio Lima

COOPMAS – Cooperativa Mista do Produtores Agroextrativista do Sardinha

ASPACS – Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha

COOPERVAGS – Cooperativa de Produtores Rurais Vale do Guaporé de Seringueiras

Extrativistas da Resex do Lago Cuniã

Coopercacoal – Cooperativa Agropecuária de Produtores e Agricultores Familiares de Cacoal

São parceiros estratégicos da Conexsus: Good Energies Foundation, Grupo Pão de Açúcar, por meio do Instituto GPA, IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e Moore Foundation, Fundo Amazônia, Fundo Vale, Fundação Certi, GIZ /Cooperação Alemã para o desenvolvimento sustentável, Climate and Land Use Alliance (CLUA) e União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes).

Boas práticas para coleta e beneficiamento de murmuru

SOS Amazônia publica cartilha sobre coleta e beneficiamento de murmuru.

As cadeias de valor de espécies oleaginosas, como murmuru, buriti, cocão, açaí, patauá, breu, cumaru, tucumã, dentre outras, são operadas por comunidades rurais em vários lugares da Amazônia. São muitos os problemas a serem enfrentados em cada elo das cadeias, necessitando de forte apoio para a superação desses desafios. O objetivo deste material foi relatar as etapas de produção da cadeia do murmuru e como isso se insere no contexto de conservação florestal. [Projeto Valores da Amazônia/Fundo Amazônia]

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Organizações comunitárias participam de workshop sobre gestão e sustentabilidade

Representantes de 16 organizações comunitárias da região do Juruá, Tarauacá e Feijó participaram, nesta quinta-feira, 28, em Rio Branco, de Workshop do projeto Gestão & Sustentabilidade.

A iniciativa, promovida pela SOS Amazônia, governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Acre (PDSA II), teve por objetivo avaliar os resultados e desafios do projeto.

De acordo com Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, o encontro serviu para analisar todas as atividades realizadas, relembrar cada avanço impulsionado pelos gestores e comunitários.

“Fizemos uma revisão detalhada das atividades no prazo que foram executadas e com isso podemos perceber que conseguimos atingir os objetivos básicos a qual procuramos desde o início. O projeto fortaleceu as cooperativas e associações no aspecto de fazer a gestão da instituição, em cada pessoa entender melhor os seus papéis e de poderem fazer exercícios de planejamento, no processo relacionado a produção não madeireira”, conta.

Com o levantamento das ações desenvolvidas durante um ano de projeto, a programação apresentou os impactos e benefícios alcançados e os desafios futuros para as organizações apoiadas.

“O encontro foi extremamente importante por que depois de tanto trabalho de sensibilização e capacitação em diferentes comunidades, com centenas de beneficiários, esse é um momento para apresentar os resultados e saber quais os pontos positivos que nós conseguimos e onde é que devemos melhorar”, afirma Carlos Edegard, secretário de Meio Ambiente do Acre (Sema).

A presidente da AMURALHA, Nataires Ferreira, falou da oportunidade de trocar experiências e dos avanços que o projeto já proporcionou.

Presidente da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais Unidas por Liberdade, Humanidade e Amor  – AMURALHA, Nataires Ferreira

“Pela linha do tempo percebemos o que melhoramos, obtendo novos conhecimentos, trocando experiências e também vendo onde precisamos melhorar. Antes nossas atividades eram executas sem planejamento, e por causa disso, tudo dava errado. O projeto chegou e nos ajudou em tudo, a planejar primeiro, ver o tanto que iremos gastar, o que precisa e assim chegar ao sucesso”, explica Nataires.

Bia Saldanha, coordenadora da cadeia produtiva da borracha/Veja Fairtrade, situa a iniciativa como ponto de relevância para corrigir e entender as necessidades, com o propósito de avançar cada vez mais e contribuir com a melhoria da vida no campo.

“A gestão de sustentabilidade dos recursos não madeireiros do Acre é um ponto central do desenvolvimento sustentável dessas comunidades, então eu faço votos que seja proveitoso que a gente consiga cada vez mais aproximar os gestores que estão pensando as políticas públicas daqueles que estão de fato na floresta fazendo as coisas acontecer”, declara.

O evento contou também com a participação do senador do estado do Acre, Jorge Viana. “O desafio de vocês (comunitários) é muito grande, então, tudo isso que está sendo feito é fantástico, com esse trabalho o Acre se torna uma base de esperança para toda a Amazônia”, disse o senador.

Deylon Félix

Extrativistas avaliam os resultados e impactos do Valores da Amazônia

Com o propósito de debater os alcances das metas em relação a conservação dos recursos naturais e a geração de renda para comunidades extrativistas da Amazônia, a SOS Amazônia promoveu nos dias 26 e 27 de junho em Rio Branco, o IV Seminário de avaliação sobre os resultados e impactos do projeto Valores da Amazônia.

O encontro destacou as mudanças obtidas em relação aos nove empreendimentos apoiados pelo projeto (Pushuã, Amuralha, Cooperar, Coopfrutos, Coapex, Caet, Coperafe, Coopercintra e Copronat), nos aspectos da gestão e produção extrativista, além de apresentar os novos desafios para a região e para as organizações sociais.

Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, falou sobre a importância e a potencialidade que o extrativismo possui no estado e evidenciou os esforços realizados pela instituição na geração de trabalho e desenvolvimento sustentável.

“Com todos esses desafios realizados, eu considero importante esse momento para refletir e ver se nossos passos foram bem feitos, se deram resultados de fato. Todas as pessoas que estão envolvidas são sempre persistentes e é isso o que queremos. O não madeireiro na economia do Acre e do país é muito significativo. Então, nós temos que persistir para que isso seja efetivado e fazer com que esse trabalho com as cooperativas apoiadas seja visto. É preciso ser mostrado no anuário estatístico do estado, na parte da economia, a contribuição que o extrativismo possui, a riqueza que essa floresta possui e o quanto tem sido pouca explorada nesse sentido sustentável, viabilizando retorno financeiro para todos os comunitários”, afirma.

Elines Ferreira, presidente da Coopfrutos

Em forma de agradecimento, a presidente da Coopfrutos, Elines Ferreira, destacou os benefícios que receberam do projeto.

“Estamos apresentando o trabalho que realizamos durante todo esse tempo, tanto na sociedade quanto dentro da cooperativa. Graças a esse projeto, a Coopfrutos que antes possuía apenas CNPJ passou para a parte de legalização, estruturação, recebeu equipamentos, então isso foi importante demais” disse.

Na oportunidade, o gerente do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, André Ferro, comentou a importância da continuidade do trabalho com as cooperativas.

“Todas essas atividades serviram para mostrar como o projeto teve início e foi sendo organizado, sua mobilização, como cada ação foi realizada. E tudo o que conseguimos até agora já é muito bom, é um imenso avanço. A equipe está de parabéns, sabemos das dificuldades enfrentadas e o que queremos é continuar com esse trabalho para não perder nada de vista,” avalia.

Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia, também fala sobre os importantes avanços e de suas perspectivas em relação ao projeto.

“Nesses dois últimos anos de projeto, os grandes destaques que obtivemos foram os avanços em termo de produção, todas as cadeias apoiadas como o cacau, borracha e óleos vegetais tiveram um rendimento considerável desde o início, e também a organização social que melhorou o convívio com as famílias comunitárias e as cooperativas. Esperamos que esses efeitos continuem, que essas e outras novas lições sejam debatidas e vivenciadas,” declara.

SOS Amazônia e instituições parceiras

Durante o evento, Miguel assinou com as instituições parceiras (Sema, Funtac, WWF-Brasil, Sedens, SEPN, Seaprof, Parque Zoobotânico/Ufac, Sebrae) e o gerente do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, André Ferro, uma carta de intenção, com o objetivo de promover a cooperação técnica no desenvolvimento das cadeias produtivas sustentáveis no estado do Acre.

Entre tantos parceiros, voluntários e colaboradores, é comemorado também o aniversário de 30 anos da SOS Amazônia, que desde 1988 segue a missão de promover a conservação da biodiversidade e o crescimento da consciência ambiental na Amazônia.

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Deylon Félix | Eliz Tessinari

Foto destaque: Dill Marques

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Mais depoimentos

“É muito satisfatório ver o desenvolvimento desses comunitários, esses grandes resultados só nos mostram o quanto isso vale a pena” (Francisca Souza, técnica/SOS Amazônia)

“Com o seminário foi possível entender mais a forma de produção de cada equipe, a gestão e tudo o que fizeram para continuar crescendo” (Renato Pereira, técnico/SOS Amazônia)

Cooperativas vão participar de Workshop sobre Gestão e Sustentabilidade

Representantes de 16 organizações comunitárias da região do Juruá, Tarauacá e Feijó vão participar, no dia 28 de junho, em Rio Branco, de Workshop do projeto Gestão & Sustentabilidade.

A iniciativa, promovida pela SOS Amazônia, governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Acre (PDSA II), tem por objetivo de avaliar os resultados e desafios do projeto.

“Os negócios florestais é mais uma estratégia para o desenvolvimento da Região Amazônica e de suas populações tradicionais, que utilizam dos benefícios proporcionados pelas florestas. E avaliar ações do projeto, de forma participativa, é muito importante para o fortalecimento dessa iniciativa na região”, afirma Álisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

PROGRAMAÇÃO

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O Projeto Gestão & Sustentabilidade tem por objetivo promover serviços técnicos especializados visando assessorar e capacitar 16 organizações comunitárias que participam de iniciativas de manejo florestal comunitário não madeireiro, com foco na organização social e gestão desses empreendimentos, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Acre – PDSA II.

Seminário vai debater os resultados e impactos do projeto Valores da Amazônia

SOS Amazônia realiza nos dias 26 e 27 de junho, em Rio Branco, o IV Seminário de avaliação do projeto Valores da Amazônia. Com representantes das nove organizações apoiadas, do Acre e Amazonas, o encontro irá debater os Resultados e Impactos quanto a conservação dos recursos naturais e a geração de renda para comunidades extrativistas da Amazônia.

“Esse seminário busca analisar o quanto cada organização apoiada evoluiu com o projeto e como cada uma vem contribuindo para a conservação da natureza, além de avaliar a melhoria da qualidade de vida das comunidades dos dois estados”, explica Álisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

Na ocasião, será realizada também a primeira comemoração do aniversário de 30 anos da SOS Amazônia.

Quando: 26 e 27 de junho

Horário: 8 – 17h

Onde: Villa Rio Branco Hotel Concept
Rua Cunha Matos, 393
Seis de Agosto, Rio Branco – AC
(na Gameleira)

PROGRAMAÇÃO

Download (PDF, 5.3MB)

[O projeto Valores da Amazônia é uma iniciativa da SOS Amazônia, com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES. Tem por objetivo disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região. Empreendimentos apoiados: Coopfrutos, Cooperafe, Caet, Shawãdawa Pushuã, Coapex, Cooperar, Amuralha, Coopercintra e Copronat]. Saiba mais aqui.

Com o apoio do Projeto Valores da Amazônia, Cooperativas vão ter produtos da sociobiodiversidade com certificação orgânica e selo Forest Garden Products

Transformar a vida das pessoas que vivem na floresta, levando alternativas de trabalho e renda, com foco na manutenção da floresta é o desafio do projeto Valores da Amazônia, realizado pela SOS Amazônia, com apoio financeiro do Fundo Amazônia.

Uma das metas do projeto é a certificação orgânica de produtos florestais não madeireiros. Para isso, há investimentos em infraestruturas, formações, pesquisas e intercâmbios.

“Desde 2015, o Valores da Amazônia vem se empenhando por meio de visitas técnicas, intercâmbios e oficinas de boas práticas no processo produtivo e de certificação, a fortalecer o caminho para o selo orgânico desses produtos, e agora estamos tendo essa oportunidade no Acre e Amazonas, de termos vários produtos com certificação orgânica. Isso representa uma enorme conquista para a biodiversidade amazônica, para os empreendimentos apoiados e para as pessoas”, conta Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

Inspeção na Cooperar – IMOcert

O trabalho mais recente foi a inspeção realizada nas cooperativas Coopercintra, Coopfrutos, Cooperar e Copronat, pela IMOcert Latinoamérica, pioneira na atividade de certificação ecológica e sustentável na América Latina.

A inspeção, para certificar produtos das cadeias de valor de óleos vegetais e do cacau silvestre, aconteceu no período de 8 a 27 de maio. Representantes da IMOcert fizeram visitas técnicas especializadas nos quatro empreendimentos, além de ampliar o conhecimento dos cooperados e da equipe de extensionistas com mais uma oficina de Certificação Orgânica, Extrativista e Mercado Justo.

Na oficina de cinco dias, discutiu-se as normas europeias, norte-americana e normas privadas, com ênfase em ‘Forest Garden Products’ (FGP); além de debater o que se faz necessário para atender exigências e conseguir o certificado de produto orgânico.

“A ideia é que essas pessoas sejam multiplicadoras do processo e também inspetoras dessas organizações que futuramente podem requerer também sua própria certificação. O curso contou com atividades teóricas e práticas, dentre elas: elaborações de ficha de inspeção, regulamentos internos e elaborações de contratos”, explica Thayna Souza, executiva ambientalista/SOS Amazônia.

Após a oficina, os profissionais da IMOcert iniciaram processo de Certificação das beneficiárias.

Áreas de cacau silvestre | IMOcert

A Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra) está se adequando para certificar dois produtos: manteiga de murmuru e amêndoa de cacau; A Cooperativa de Produtos Naturais da Amazônia (Copronat), quatro produtos: semente e óleo de cumaru, resina e óleo essencial de breu; Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar), nove produtos: andiroba, copaíba, tucumã, murmuru, buriti, uricuri,  patauá, castanha e cacau; e a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos), dois produtos: óleo de buriti e açaí.

De acordo com Àlisson, os produtos foram aprovados, no entanto, as cooperativas têm prazos de 30 a 90 dias para fazerem os ajustes necessários para a emissão do certificado orgânico. Dentre os ajustes está a elaboração de fichas para controle de matéria-prima e de inspeção interna, delimitação das áreas para os produtos orgânicos; exposição de banner com os 12 princípios da Norma Privada FGP.

Inspeção na Coopfrutos – área de coleta de buriti e açaí | IMOcert

Elizana Araújo, superintendente da Coopfrutos, vê a iniciativa como uma grande oportunidade para alcançar novos mercados. “Com a certificação as cooperativas terão uma grande oportunidade de ter acesso a novos mercados, principalmente o mercado Europeu, e com isso agregar maior valor aos produtos, garantindo melhor qualidade de vida para todos envolvidos no processo produtivo”, disse.

Para Ivan Del Carpio, inspetor sênior e consultor externo da Imocert, há grande potencial para os produtos florestais não madeireiros e ele vê na certificação uma forma de despertar o interesse de mais pessoas a trabalhar com esses produtos.

“O mais importante é que as cooperativas podem acessar mercados internacionais para comercializar produtos com melhores preços, permitindo o fortalecimento econômico e social da cooperativa. Para os extrativistas, a maior importância está em agregar valor ao seu produto, e garantir que sua saúde e a das pessoas não seja comprometida. Mas, ainda utilizam muito pouco do potencial da floresta, com a certificação e o aumento do valor, é possível que desperte o interesse de todos para o trabalho com o extrativismo”, avalia.

POR QUE CERTIFICAR?

A certificação tem sido cada vez mais difundida e requerida por compradores como exigência de qualidade de produtos, e também porque se preocupam com a sustentabilidade e a melhoria de renda das famílias que vivem do extrativismo. A certificação tem um papel na economia e no âmbito social muito grande, além de valorizar o trabalho do extrativista, garante a ele novas fontes de renda, e essa renda com a certificação, tem grande possibilidade de ser ampliada. Aliado a isso, os compradores finais estão cada vez mais preocupados com a saúde, o que impulsiona também o crescimento da demanda por produtos cultivados com métodos orgânicos.

A diferenciação de produtos orgânicos ocorre com base em suas qualidades físicas, decorrentes, principalmente, da ausência de agrotóxicos e adubos químicos.

A certificação é “uma garantia” de que os produtos tenham de fato sido produzidos dentro dos padrões de orgânicos, nesse caso, os produtos oriundos do extrativismo são de fato oriundos de boas práticas de manejo de coleta e beneficiamento, respeitando critérios de sustentabilidade ambiental e social.

Há dezenas de benefícios: Sintonia com os princípios do extrativismo, como por exemplo, não coletar todos os frutos, assegurando o alimento aos animais e permitindo a regeneração florestal; não usar veneno; não desmatar, nem queimar a floresta.

Acesse a página do Projeto Valores da Amazônia | Navegue aqui.

Portfólio Produtos Florestais não madeireiros

Catálogo de produtos das Cadeias de Valor da Borracha Nativa, Óleos Vegetais e Cacau Silvestre,  destinado a pesquisa de mercados nacionais e internacionais. Investimento do projeto Valores da Amazônia. Acesse!

PROJETO VALORES DA AMAZÔNIA

O projeto Valores da Amazônia foi selecionado no âmbito da Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis do Fundo Amazônia/BNDES para Estruturação, Fortalecimento e Integração das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros nos estados do Acre e Amazonas.

Objetivo: Disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região.

Cadeias de valor apoaidas: Cacau Silvestre, Borracha (Cernambi Virgem Prensado – CVP e Folha de Defumação Líquida – FDL) e Óleos Vegetais (Buriti, Murmuru, Cocão, Andiroba).

Abrangência:

 Acre: Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Porto Walter. Amazonas: Boca do Acre, Pauini, Lábrea e Silves

Manifesto Indígena – Preconceito e discurso tendencioso não mudam a realidade das pessoas

Treze organizações indígenas e do movimento social do Acre publicam um Manifesto rebatendo o pré-candidato ao Senado Márcio Bittar (MDB), que considera os povos indígenas latifundiários improdutivos e causadores de conflitos por terra.

O pré-candidato fala que as populações são vitimadas pela “miséria, pobreza e imensas contradições”, sem perceber que as causas da extrema desigualdade vêm justamente daquilo que ele defende. De forma descarada, que mais se aproxima de má-fé, ignora o contexto histórico de exploração semelhante ao trabalho escravo na extração de seringa, as tantas mortes por doenças antes desconhecidas e tantos outros fatores que entram de forma violenta nas comunidades, frutos dessa exploração. As populações que vivem há milhares de anos na floresta nunca se consideraram miseráveis. Ser miserável, na verdade, é ser refém da lógica que o pré-candidato quer encaixar os povos indígenas. Ser miserável é ter pasto ao invés de floresta; é ter esgoto ao invés de rio; é ter morte ao invés de vida.

Valorizamos as riquezas naturais ao mantê-las vivas, tirando delas o sustento para todas as sociedades e formas de vida no planeta. Ao contrário do que diz o pré- candidato, improdutivo é o modelo que ele defende para o Acre, baseado em pasto, agrotóxico, exploração de madeira. Não aceitaremos insultos e desrespeito ao histórico de lutas para a demarcação de Terras Indígenas e do bem-viver dos povos indígenas no Acre, no Brasil e no Mundo.

Leia o Manifesto:

Preconceito e discurso tendencioso não mudam a realidade das pessoas. Em matéria divulgada no dia 15 de maio, o pré-candidato ao Senado Márcio Bittar fez um pronunciamento, de forma desrespeitosa e desinformada, que coloca os povos indígenas como latifundiários improdutivos e causadores de conflitos por terra. Bittar tem uma postura contra a demarcação das terras indígenas dando a entender que defende a anulação/revisão das que estão homologadas, o que aflige os direitos garantidos na Constituição Federal e nos acordos internacionais assinados pelo Brasil.

Para fins de esclarecimento e utilidade pública, vemos como necessária a apresentação de informações para a compreensão da situação dos povos indígenas no Acre, fato que o pré-candidato desconhece. No Estado, atualmente, existem 35 Terras Indígenas (TIs), sendo 27 homologadas, 1 dominial e as demais em processo de regularização, com 15 povos – além de um grupo de recente contato e os grupos de indígenas isolados. Todos com especificidades culturais, como língua (dentro das famílias lingüísticas Pano, Aruak e Arawá), organização social, espiritualidade, arte, atividade produtiva, entre outros aspectos.

No território acreano existem Terras Indígenas (14,5%TIs), Unidades de Conservação de Proteção Integral (9,5%) e Unidades de Conservação de Uso Sustentável (21,5%). Essas áreas são internacionalmente reconhecidas enquanto limites para garantia da vida, não de maneira particular dos povos indígenas, mas da sustentabilidade mundial. Na década de 90, época em que se amplia a preocupação a nível global com relação à questão ambiental, os povos indígenas já mostravam para o mundo modos de vida que asseguravam ambientes saudáveis. Desde então o Acre têm se destacado no âmbito de políticas públicas ambientais e inclusivas, tornando-se referência. Os Planos de Gestão Territorial e Ambiental das Terras Indígenas (PGTAs) do Acre, presentes em 29 TIs, são exemplos desse reconhecimento. Um dos aspectos que consta nos PGTAs são os acordos criados pelas comunidades para uso, manejo e conservação dos recursos naturais, o que possibilita a constituição de ferramentas que subsidiam a proteção, o controle territorial e a garantia à sustentabilidade social e ambiental.

Diante dessas informações, verificamos a completa negligência e um ataque, sem rodeios, do pré-candidato, mostrando –se incapaz de compreender o verdadeiro sentido de riqueza e qualidade de vida para os povos indígenas. É preocupante que alguém que irá concorrer para o Senado tenha um conceito tão ultrapassado, que violenta social e ambientalmente a vida dos povos indígenas no Acre, mas não só. Violenta a biodiversidade, os conhecimentos tradicionais e modos de viver e gerar riquezas com conservação da floresta. Entendemos, assim, que uma pessoa com um discurso desses é o mesmo que uma arma apontada para os povos indígenas, e representa uma ameaça real para o Acre, para a Amazônia e para a manutenção da vida.

Segundo Bittar, ‘’há uma corrida insana dos governos anteriores rumo a demarcação de terras para os povos indígenas´´ negligenciando uma informação essencial que colocamos agora: as demarcações se situam nos anos 90 porque houveram intensas mobilizações e pressões do movimento indígena e demais movimentos sociais no contexto de redemocratização e visibilidade para a agenda socioambiental no mundo. Hoje, nota-se uma considerável diminuição no número de terras homologadas e demarcadas.

Vemos, assim, uma proposital relação da diminuição (em muitos lugares, de paralização) das demarcações com o avanço das fronteiras agrícolas para exploração desmedida e degradante dos recursos naturais. Dizer que terras indígenas demarcadas ´´é o maior latifúndio improdutivo do mundo´´, é ocultar o seu próprio lugar e a categoria que ele representa. A lógica de muita terra para um só proprietário, que o pré-candidato parece defender, é a que mais desmata, privilegia exportações e gera injustiça social, econômica, ambiental. Ainda assim a concentração de grandes propriedades rurais aumenta, enquanto as demarcações de Terras Indígenas decaem.

Os conflitos fundiários aumentaram muito em 2016, como demonstram diferentes pesquisas. Os órgãos de defesa dos direitos humanos estão sendo surrupiados. Há um crescimento exponencial da Bancada Ruralista no Congresso, que gerou um aumento de tramitações anti-indígenas no poder legislativo, como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil tem denunciado. Hoje são cerca de 182 tramitações com teor que afetam as Terras Indígenas.

Além disso, quando falamos da questão ambiental, relacionada a índices de desmatamento, percebemos que as áreas mais degradadas são aquelas onde o agronegócio é o principal modelo de produção. Em compensação, no Acre apenas 1% das Terras Indígenas correspondem a áreas desmatadas. Bittar fala que ´´basta conhecer para ver […] a situação de penúria das populações indígenas’’. Afirmação preconceituosa que revela o seu profundo desconhecimento da questão indígena e faz uma errônea relação de uma suposta penúria com a floresta em pé. Floresta esta responsável, a nível local, pela riqueza socioambiental e pela produção agrícola diversificada que garante a segurança e soberania alimentar; e a nível global, pela mitigação dos efeitos das mudanças do clima e pela manutenção dos serviços ambientais.

O pré-candidato fala que as populações são vitimadas pela “miséria, pobreza e imensas contradições”, sem perceber que as causas da extrema desigualdade vêm justamente daquilo que ele defende. De forma descarada, que mais se aproxima de má-fé, ignora o contexto histórico de exploração semelhante ao trabalho escravo na extração de seringa, as tantas mortes por doenças antes desconhecidas e tantos outros fatores que entram de forma violenta nas comunidades, frutos dessa exploração. As populações que vivem há milhares de anos na floresta nunca se consideraram miseráveis. Ser miserável, na verdade, é ser refém da lógica que o pré-candidato quer encaixar os povos indígenas. Ser miserável é ter pasto ao invés de floresta; é ter esgoto ao invés de rio; é ter morte ao invés de vida.

Valorizamos as riquezas naturais ao mantê-las vivas, tirando delas o sustento para todas as sociedades e formas de vida no planeta. Ao contrário do que diz o pré- candidato, improdutivo é o modelo que ele defende para o Acre, baseado em pasto, agrotóxico, exploração de madeira. Não aceitaremos insultos e desrespeito ao histórico de lutas para a demarcação de Terras Indígenas e do bem-viver dos povos indígenas no Acre, no Brasil e no Mundo.

ASSINAM

Associação Agro-Extrativista Poyanawa do Barão e Ipiranga – AAPBI

Associação Ashaninka do Rio Amônia – Apiwtxa

Associação do Povo Indígena do Humaitá – ASPIH

Associação Sociocultural Yawanawá – ASCY

Associação dos Produtores Kaxinawa da Praia do Carapanã – ASKAP

Associação do Povo Arara do Igarapé Humaitá – APSIH

Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre – AMAAIAC

Organização dos Professores Indígenas do Acre – OPIAC

Organização dos Povos Indígenas do Rio Envira – OPIRE

Movimento dos Artistas Huni Kuĩ

Comissão Pró Índio do Acre – CPI-Acre

SOS Amazônia

Grupo de Trabalho Amazônico – Núcleo Acre

Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular – CDDHE

Mais de 40 comunidades são beneficiadas com ATER Agroecologia no Juruá

A SOS Amazônia, em parceria com a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), realiza, desde 2012,  no Alto Juruá, Acre, o Projeto ATER Agroecologia. O objetivo é promover a Agricultura Familiar Sustentável.

A iniciativa tem o desafio de trabalhar a produção agroecológica e orgânica nas Unidades de Produção Familiar (UPF) e destacar a necessidade de alternativas que visem a melhoria da produção rural, de olho no uso sustentável dos recursos naturais.

Mais de 40 comunidades são beneficiadas com o projeto, alcançando cerca de 800 famílias, nos municípios de Cruzeiro do Sul, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Porto Walter e Marechal Thaumaturgo.

Com o esforço e a experiência da equipe técnica da SOS Amazônia, que navega os diversos rios e igarapés da  região, para levar novas alternativas de produção, sem desmatamento, sem uso do fogo e sem veneno, já se registram muitos resultados importantes.

Um exemplo é a propriedade do seu Raimundo Nonato Ferreira, mais conhecido como Leandro, que conta com orgulho que não desmata mais e nem usa veneno em sua área rural. Atualmente, seu Leandro usufrui do seu Sistema Agroflorestal (SAF).

“Já estou colhendo os frutos, tenho mamão papaia, abacate, tangerina, laranja, abacaxi, graviola, cupuaçu, cacau, acerola, banana e a roça. A gente faz a roça sem uso do fogo e eu não uso veneno. Aqueles agricultores que trabalham ainda com queima, além deles estarem agredindo o meio ambiente estão explorando a terra deles. Um agricultor que trabalha lá no Riozinho reclamou que plantava muito longe. Eu perguntei: por que você não traz o roçado para a beira de casa? Ele respondeu:  não, porque a terra de lá não dá. Eu disse: é porque você trabalha de maneira irresponsável, porque para trabalhar de maneira sustentável é preciso você ter consciência do que está fazendo, se eu broco uma terra dessa aí e meto fogo vou tirar todos os nutrientes dela”, explica seu Leandro.

Além da prática de Roçados Sustentáveis, o ATER Agroecologia promove atividades abordando várias temáticas: reaproveitamento de alimentos alternativos, conservação dos recursos naturais, controle sanitário ao redor das casas, igarapés e rios, educação ambiental acerca dos resíduos sólidos, violência doméstica.

Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, explica que o projeto ATER Agroecologia termina no final de maio. No entanto, há grande possibilidade de estender o prazo por mais seis meses, já que existem atividades que não foram realizadas por conta de atrasos de empenhos financeiros.

“Sem dúvida, é fundamental que essa iniciativa continue apoiando as famílias do Juruá, gerando trabalho e renda, com o uso sustentável dos recursos naturais da região”, destaca Miguel.

Saiba mais sobre o Projeto ATER Agroecologia