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SOS Amazônia apoia renovação de certificação orgânica de produtos da sociobiodiversidade

Famílias extrativistas do Vale do Juruá, no Acre, que atuam na extração do cacau silvestre e na produção de óleos vegetais, receberam em outubro de 2018, com o apoio da SOS Amazônia, a certificação orgânica internacional de seus produtos para os mercados europeu e norte-americano.

E agora se preparam para fazer a renovação do selo de orgânico de quatro de seus produtos: cacau silvestre, manteiga de murmuru (Astrocaryum murumuru), óleo de açaí (Euterpe oleracea) e buriti (Mauritia flexuosa).

O processo de renovação está sendo feito graças ao projeto “Valores da Amazônia”, desenvolvido pela SOS Amazônia. Financiado com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, o projeto visa fortalecer nove cooperativas e seus cooperados para aperfeiçoarem e padronizarem a extração de produtos florestais não madeireiros de regiões da Amazônia com grande concentração de biodiversidade.

De acordo com o coordenador técnico da SOS Amazônia, Álisson Maranho, das quatro cooperativas que foram certificadas ano passado, duas entraram com o processo para renovar: a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos) e a Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra).  Ambas localizadas nos municípios do Vale do Juruá, Mâncio Lima e Rodrigues Alves, no Acre. Juntas, somam 100 famílias participando da certificação, sendo parte delas moradoras de unidades de conservação.

“A certificação é concedida pela empresa boliviana Imocert, uma das pioneiras neste tipo de trabalho na América Latina. E tem por objetivo assegurar que toda a produção é realizada com baixo impacto ambiental, sem o uso de agrotóxicos, e garantindo o pagamento justo para cada família, reunidas em cooperativas assessoradas pela SOS Amazônia”, comenta Álisson.

Como é o processo de renovação

O processo de renovação, de acordo com a engenheira florestal e coordenadora de campo da SOS Amazônia, Thayna Souza, está baseado na inspeção de campo aos extrativistas. Nessa visita, é preenchida uma ficha específica, para cada extrativista, que avalia, principalmente, seu modo de coleta e beneficiamento do fruto. O mesmo é feito para a usina de óleos. Após a inspeção, é dado um parecer (favorável ou não) para certificar.

“A certificação traz às cooperativas uma nova visão, foi e está sendo importante para o processo de organização da cooperativa, de manuseio e processamento dos frutos, além de agregar valor e permitir acesso a um mercado diferenciado, com preço justo e garantia da conservação da floresta, tendo em vista que não permite caça predatória, desmate, queima e utilização de agrotóxico”, explica Thayna.

Outro ponto importante, segundo ela, é que 20% dos frutos não podem ser coletados, visando garantir a regeneração florestal. Outro requisito é a formação dos extrativistas quanto ao processo, é preciso que eles tenham recebidos oficinas de boas práticas, visita e acompanhamento técnico.

“Com tudo isso, a certificação é um indicativo de sustentabilidade da floresta, atrai um mercado consumidor com um preço melhor e proporciona melhoria de vida às famílias”, completa.

Prazo para a nova certificação

O trabalho foi iniciado em julho de 2019 e tem previsão de término em meados de outubro, com a entrega dos certificados pela Imocert. Técnicos da SOS Amazônia acompanham as atividades de inspeção sobre a melhoria e manutenção dos processos produtivos, coordenadas pelo Imocert.

Após essa auditoria, se a certificadora constatar que todas as suas exigências estão, de fato, sendo cumpridas, ou seja, se as famílias estão atendendo aos critérios e que as cooperativas produzem com o novo padrão, a Imocert concede o selo de que a produção destas organizações sociais está livre do uso de agrotóxicos e outros contaminantes, e que adotam práticas que preservam a fauna e a flora da região, além de assegurar às famílias o pagamento justo por aquilo que conseguem entregar.

Para Elines Araújo, presidente da Coopfrutos, ter o óleo de buriti certificado é uma oportunidade única de alcançar novos mercados.

“Ter nossos produtos com rastreabilidade, mostrando o nosso compromisso com a parte ambiental e que os produtores da região estão capacitados para oferecer uma matéria-prima que tem um padrão de qualidade, respeitando a floresta e os animais, faz com que nossas oportunidades de negócios se ampliem. Agradecemos muito a SOS Amazônia por nos ajudar a garantir o selo orgânico do óleo de buriti, sem essa parceria seria muito difícil alcançar nossos objetivos”, ressalta Elines.

SOS Amazônia abre edital – contratação de consultoria para implantação de Sistemas Agroflorestais

A Associação SOS Amazônia, entidade da Sociedade Civil sem fins lucrativos, comunica aos interessados a abertura de Edital para contratação de  serviços de assessoria técnica (Pessoa Jurídica) para promover a recuperação da cobertura de solo com a implantação de sistemas agroflorestais, utilizando-se de espécies de interesse econômico e ecológico. (Parceria LUSH Cosmetics).

Propostas podem ser enviadas até o dia 16 de agosto de 2019 para o e-mail [email protected]

Acesse o edital.

Modelo Documento para envio das propostas.

Movimento em defesa do Fundo Amazônia #MobilizeSe #SOSFundoAmazônia

Apoiamos o manifesto da Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES) e da Associação Nacional dos Servidores do Ibama (Asibama) em defesa do Fundo Amazônia. A Amazônia precisa da nossa ajuda! Um dos principais projetos de preservação da maior floresta tropical do mundo está em risco. E você pode ajudar: acesse e divulgue o site www.emdefesadofundoamazonia.com.br; assista e compartilhe o vídeo da campanha e baixe materiais para postar nos seus stories.

LEIA CARTA MANIFESTO

Ao longo dos seus 10 anos de existência e após muito trabalho de construção, redirecionamentos e padronização, o Fundo se consolidou, perante a sociedade brasileira e seus principais interlocutores, como um dos instrumentos financeiros mais eficientes e reconhecidos, no cenário nacional e internacional, em termos de transparência, governança participativa, diversidade de beneficiários, auditorias e avaliações, e resultados e impactos concretos já alcançados.

Segundo o governo da Noruega, doador majoritário do Fundo: “O fundo Amazônia se tornou uma das melhores práticas globais de financiamento com fins de conservação e uso sustentável de florestas e estimulou parcerias semelhantes de financiamento climático em todo o mundo. (…) A Noruega está satisfeita com a robusta estrutura de governança do Fundo Amazônia e os significativos resultados que as entidades apoiadas pelo Fundo alcançaram nos últimos 10 anos.” (https://www.norway.no/pt/brasil/noruega-brasil/noticias-eventos/brasilia/noticias/declaracao-sobre-o-fundo-amazonia/).

São 103 projetos aprovados com captação de 3,4 bilhões de reais de doações destinadas a investimentos não reembolsáveis em projetos de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável na Amazônia Legal, tendo como público-alvo comunidades tradicionais, assentamentos, povos indígenas e agricultores familiares. Resultados concretos: 162 mil pessoas beneficiadas com atividades produtivas sustentáveis, 190 unidades de conservação apoiadas, 687 missões de fiscalização ambiental efetuadas, 465 publicações científicas ou informativas produzidas, dentre outros.

Não obstante, o Fundo Amazônia vive hoje momento de incertezas com relação ao seu futuro: ataques na imprensa, inexistência de diálogo e completa falta de direcionamento estratégico, por parte da atual gestão do Ministério do Meio Ambiente, vêm, desde então, criando grande ambiente de insegurança interna e paralisia operacional, bem como preocupação por parte dos doadores, prejudicando os andamentos dos trabalhos do Fundo e colocando em risco a sua Continuidade.

Paralelamente, o recente Decreto nº 9.759, de 11/04/19 extingue em 28/06/2019 dois pilares importantes de governança do Fundo: o Comitê Orientador do Fundo Amazônia e o Comitê Técnico do Fundo Amazônia, tema esse bastante sensível e caro aos doadores e demais interlocutores do Fundo. Além desse cenário, na última semana, a equipe do Fundo Amazônia foi surpreendida pela perda de suas duas principais lideranças, pessoas reconhecidas como de alta capacidade técnica e executiva, tanto no BNDES quanto perante o público externo, com largo histórico de trabalho no Fundo. Cientes de que transições e mudanças estratégicas fazem parte do jogo, o que parece estar em pauta, porém, nesse momento é a defesa da própria existência do Fundo Amazônia.

Por outro lado, o contexto do aquecimento global, os alertas sistemáticos no aumento do desmatamento e degradação florestal na Amazônia e a grave crise fiscal que o país atravessa, tornam ainda mais urgente e relevante a defesa do Fundo nesse momento.

O Fundo Amazônia não é um projeto de governo, mas uma conquista da sociedade brasileira, fruto de negociações internacionais climáticas, cujo consenso gira em torno da construção de um modelo economicamente sustentável na Amazônia que inclua, em sua concepção, os interesses dos povos originários e tradicionais que vivem para e pela floresta em pé.

Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES)
Associação Nacional dos Servidores do Ibama (Asibama)
Rio de Janeiro, julho de 2019.

[CARTA MANIFESTO]

SOS Amazônia abre edital para contratação de consultoria para Implantação de Compliance

A Associação SOS Amazônia, entidade da Sociedade Civil sem fins lucrativos, comunica aos interessados a abertura de Edital para contratação de serviços de consultoria de pessoa jurídica para Implantação do Compliance, atualizar e aperfeiçoar os instrumentos e ferramentas de gestão, visando dar suporte para o cumprimento de normas, de maneira que os regulamentos internos mantenham princípios e ações éticos. (Projeto “Melhorar a gestão para conservar mais” – Contrato Brazil Foundation).

Propostas podem ser enviadas até o dia 20 de junho de 2019 para o e-mail [email protected]

Acesse o edital.

Modelo Documento para envio das propostas.

Relatório de Atividades 2018

A SOS Amazônia disponibiliza o relatório de atividades do ano de 2018. O objetivo do conteúdo é informar a seus parceiros, doadores, colaboradores, voluntários e visitantes sobre a missão, história, projetos e campanhas desenvolvidos, além dos balanços administrativo e financeiro da instituição.

É parte da filosofia do SOS Amazônia prestar contas à sociedade de todo seu trabalho de conservação da natureza. Acesse AQUI e fique por dentro de todas as nossas ações de 2018.

Famílias ribeirinhas e os quelônios do juruá: um caso de amor pela biodiversidade

#DiaMundialDoMeioAmbiente – Neste dia, 5 de junho, dedicado a incentivar pessoas do mundo todo a cuidar melhor do recursos naturais, nós temos a honra de homenagear os ribeirinhos que desde 2003, com apoio da SOS Amazônia, protegem voluntariamente desovas de quelônios (tartarugas, tracajás e iaçás) em praias do rio Juruá e afluentes, situadas na região do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá, duas das maiores Unidades de Conservação (UC) do estado do Acre e de grande importância, por serem áreas de alta concentração de diversidade biológica e, ambas, situadas na fronteira com o Peru.

As famílias ribeirinhas desempenham papel fundamental na proteção das praias e no monitoramento da desova, eclosão dos ovos e da soltura dos filhotes, e demonstram muito amor pela causa. As crianças acompanham os pais nessa atividade, o que as aproxima da prática de conservação dessas espécies. Eles registram o número de ninhos, o número de ovos e números de filhotes vivos e soltos nos rios. Essas informações são coletadas, registradas em ficha de campo e repassadas para a SOS Amazônia que analisa e monitora os resultados.

Por outro lado, e muito importante também, são as pessoas e empresas que, mesmo de longe, ajudam esse trabalho acontecer, fazendo doações no nosso site institucional, para que a SOS Amazônia consiga mobilizar mais famílias na proteção de quelônios, entregar kits de proteção das praias, fazer visitas técnicas a cada família, entregar os formulários de registro do nascimento de filhotes, fazer o mapeamento das praias e acompanhar o período de soltura dos filhotes no rio.

Ribeirinhos da Comunidade Carlota na soltura da Tartaruga da Amazônia – Rodrigues Alves-AC,  Foto: Andre Dib

O nosso sentimento por todos vocês é de muita gratidão!  Isso tudo é a prova de que juntos fazemos um mundo melhor. Nosso agradecimento especial também aos técnicos da SOS Amazônia e parceiros institucionais.

Todo nosso reconhecimento por esse serviço ambiental realizado por essas famílias ribeirinhas.

Eliana Castelo – Comunidade Porto Seguro, Marechal Thaumaturgo, Acre | Acervo SOS Amazônia


Aires Andriola – Comunidade Novo Horizonte,  Guajará, Amazonas | Acervo SOS Amazônia

Francisco souza – Comunidade Flora,  Marechal Thaumaturgo | Acervo SOS Amazônia


Seu Pedro – Comunidade Novo Horizonte, Porto Walter | Acervo SOS Amazônia

Francisco Afonso Nunes da Silva, (58), Comunidade Helena, mora na Resex Alto Juruá desde que nasceu. Seu Francisco se diz apaixonado pela atividade de proteger os quelônios. Ele e sua família fazem parte do projeto ‘Quelônios do Juruá: Eu Projeto’ desde seu início, em 2003.

Dona Auricélia Lima Gomes soltando Tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) no Rio Juruá, comunidade Nova Cintra – Rodrigues Alves-AC
Foto: Andre Dib


Monitores voluntários aprendendo a fazer o manejo dos ninhos (Acervo SOS Amazônia)

E você, conte pra gente o que faz para ajudar o planeta. Ou envolva-se agora mesmo numa causa. Há diversas maneiras de você se engajar:

1 – Dedicando tempo e trabalho em uma das nossas campanhas permanentes: proteção da desova de tracajás no rio Juruá e SOS Reciclagem realizando educação ambiental junto a população em Rio Branco (Seja Voluntário)

2 – Dedicando tempo e trabalho para captarmos recursos a serem aplicados nas campanhas e projetos (Fale Conosco);

3 – Doando recursos para serem aplicados nas campanhas e projetos (Doe agora)

4 – Tornando-se associado da SOS Amazônia, com a contribuição mínima de 25 reais mensal (Associe-se)

Você pode nos apoiar também a mobilizar mais mensageiros da floresta!

Ajude a divulgar e participe dos nossos canais de comunicação: f/sos.amazonia  | Twitter/sosamazonia | Canal SOS Amazônia no You Tube | Siga-nos no Instagram/sosamazonia

Saiba mais!

Borracha colorida –  uma alternativa para gerar transformações sociais e manter a floresta em pé

Com o olhar voltado para a geração de trabalho e renda, preservando a Floresta Amazônica, a designer Flávia Amadeu e equipe da SOS Amazônia promoveram, durante o período de 6 a 8 de maio, no Seringal Curralinho, distante três horas da zona urbana do município de Feijó, Acre, uma oficina de Melhoramento e Gestão da Produção da Borracha Folha Semi-Artefato (FSA).

Destinada a extrativistas dos seringais de Feijó e Tarauacá, a iniciativa teve por objetivo melhorar a gestão e a qualidade de produção da borracha FSA.  Cerca de 12 comunitários participaram das atividades. Lá, eles trocaram experiências sobre a cadeia produtiva, ampliaram seus conhecimentos sobre aplicação de cores, controle de qualidade, de como funciona o mercado, além de fecharem contrato de produção de FSA e FDL para este ano.

Extrativista Antônio Francisco, do Seringal Curralinho, produz as borrachas FSA e FDL

“Eu trabalho com a FDL e a borracha colorida. Isso é muito importante, pois preserva o meio ambiente. Eu não estou dizendo só pra mim, estou dizendo para que todos protejam a floresta, porque é muito bom ter a floresta em pé”, disse o extrativista Antônio Francisco de Souza cruz, do Seringal Curralinho, colocação Novo Lugar.

Durante a oficina, Flávia fez uma nova proposta de preço da FSA para os extrativistas. De R$ 22,00 passou para R$ 27,00 reais o quilo. Deste valor, com os impostos e o repasse para a cooperativa, o produtor fica com R$ 23,00. Antes, ficava com R$ 18,00. Novidade que deixou os seringueiros com mais interesse ainda pela produção de borracha.

Dona Branca do Seringal Curralinho é produtora das borracha FSA e FDL

“Sobre esse aumento do preço da borracha FSA, eu achei maravilhoso e agradeço muito porque a gente continua na luta”, comenta seu Antônio Francisco.

A dona Francisca Zenir, mais conhecida como Branca, e esposa de seu Antônio Francisco, também ficou animada com a notícia de mais uma valorização de preço.

“Depois que a gente começou a trabalhar com a borracha, nossa vida melhorou muito.  Sobre o aumento do preço, é muito bom saber disso, a gente trabalha com mais vontade”, ressalta.

A designer Flávia Amadeu tem a borracha colorida como sua matéria-prima principal há mais de 15 anos e fala sobre a transformação que esse trabalho gera nas comunidades.

“De fato eu tenho visto boas transformações, famílias inteiras trabalhando juntas. E esse interesse pela produção da borracha, pelas novas gerações, é muito empolgante. Aos poucos, os jovens estão percebendo que eles podem viver de forma sustentável dentro da floresta, com mais qualidade vida”, observa Flávia.

Ela também comentou a parceria com a SOS Amazônia para apoiar a cadeia de valor da borracha nativa.

“A SOS Amazônia tem um papel de grande relevância junto a comunidades ribeirinhas, trabalhando para o desenvolvimento das cadeias produtivas da floresta. Juntos, temos colaborado para promover tecnologia social da borracha nativa como forma eficaz de preservação da floresta”, conclui.

Antônio Carlos, presidente da Cooperativa Agroextrativista de Feijó (Cooperafe) falou da importância de gerar melhoria na qualidade da produção com o propósito de manter a floresta conservada. “O que a gente pretende é melhorar a cadeia produtiva da borracha, elevando a qualidade vida dos seringueiros para que a gente possa diminuir o desmatamento”, explica.

O coordenador de projetos da SOS Amazônia, Adair Duarte, alertou sobre a necessidade de investimentos na cadeia da borracha para garantir uma produção com qualidade e preço justo.

“Fortalecer os produtos florestais não madeireiros, como a borracha, promove a conservação da floresta, ampliando a geração de trabalho e renda das famílias. Com certeza, melhora a qualidade e o volume de produção, garantindo um mercado com preço justo”, avalia.

A FSA é uma manta colorida, podendo ser usada na fabricação de vários produtos artesanais e de design, como sapatos, acessórios de moda e joias

Flávia Amadeu

Parceira de longo tempo da SOS Amazônia, Flávia Amadeu é designer reconhecida internacionalmente por seu trabalho com a borracha nativa que desenvolve há quinze anos. Proprietária das marcas FLAVIA AMADEU Design Sustentável e AMADEU – Amazonian Materials & Design United, desenvolve diversos projetos de impacto socioambiental e representa as borrachas nativas mundo a fora. Acesse e conheça mais.

Oficina de Negócios Comunitários Sustentáveis recebeu associações e cooperativas de Rondônia, Acre e Amazonas

A terceira Oficina de Negócios Comunitários Sustentáveis do Desafio Conexsus foi realizada nos dias 21 e 22 de agosto em Porto Velho (RO), na Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental, que apoiou o evento e auxiliou também na mobilização das organizações participantes, em especial etnias indígenas.

Estiveram presentes 22 associações e cooperativas que atuam com extrativismo sustentável e agricultura familiar, vindas dos estados de Rondônia, Acre e do sul do Amazonas. Conhecer mais a fundo os negócios e identificar os gargalos e desafios comuns foram propósitos atingidos durante a atividade.

“Não existe receita de bolo e as oficinas são um espaço aberto de debate sobre os caminhos possíveis a serem trilhados” – Carina Pimenta, diretora da Conexsus.

“Queremos apoiar o desenvolvimento das associações e cooperativas em negócios comunitários mais sustentáveis, tanto do ponto de vista econômico quanto da contribuição socioambiental. Não existe receita de bolo e as oficinas são um espaço aberto de debate sobre os caminhos a serem trilhados, de acordo com o contexto e características de cada organização”, sintetiza a diretora de operações da Conexsus, Carina Pimenta.

Para a coordenadora do Desafio Conexsus, Monika Röper, um dos destaques foi a diversidade dos participantes. “Algumas organizações já têm décadas de experiência, outras são mais recentes e a oficina mostrou o quanto elas podem aprender umas com as outras e como a discussão sobre os desafios da sustentabilidade pode promover o crescimento conjunto”, explica.

O integrante da equipe da Conexsus responsável pela oficina em Porto Velho, Junior Fragoso, observa que estiveram presentes organizações que atuam em cadeias extrativistas da castanha, de óleos vegetais e da borracha, na cadeia de pesca artesanal, de manejo florestal sustentável, de agricultura familiar (com produtos como banana, mandioca e farinhas) e que atuam com artesanato.  “Foi muito enriquecedor no sentido de integrar as organizações, possibilitou que interagissem dentro de uma ótica de rede, que é um dos objetivos da Conexsus, em uma lógica de promoção dos negócios no Brasil inteiro. Os participantes se mostraram dispostos e animados para continuar essa relação”, completa.

Conhecendo os desafios

A busca de caminhos para que os recursos financeiros de diferentes naturezas possam chegar às organizações, de acordo com o perfil e as necessidades de cada uma, é um ponto de destaque. “O que complica muitas vezes é a burocracia. Precisamos de capital de giro e de conexões que nos levem a entidades que possibilitem acesso, isso vai nos ajudar a crescer e foi justamente essa reflexão que a Conexsus trouxe para nós com a oficina”, diz José Antônio da Conceição Camilo, integrante da Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar). A Cooperativa atua com o processamento do cacau nativo e com a extração de óleos. Busca organizar-se tanto na produção do fruto, quanto na certificação e comercialização, para alcançar mercados internacionais no futuro.

“Precisamos de capital de giro e de conexões que nos levem a entidades que possibilitem acesso, isso vai nos ajudar a crescer e foi justamente essa reflexão que a Conexsus trouxe para nós com a oficina” – José Camilo, da COOPERAR.

A Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutas Nativas do Município de Mâncio Lima (Coopfrutos) também trabalha com extração e fabricação de óleos vegetais, como os de buriti, açaí e patoá. A partir deles, são produzidos sabonetes vegetais, sabão líquido, em barra e repelentes contra mosquitos. Os produtos são inspecionados e comercializados nos mercados estadual e nacional.

De acordo com a presidente da cooperativa, Elines Ferreira de Araújo, conhecer empreendimentos semelhantes na mesma região é essencial para alcançar mercados maiores, como o mercado internacional, que chega ao Norte com demandas em grande escala, mas raramente encontra um negócio que, sozinho, consiga supri-las. “Foi muito bom saber quem são as organizações ao nosso redor. Nos unir e fazer parcerias vai facilitar bastante para conseguir o que o mercado quer da gente”, explica.

Elines também destaca o autoconhecimento gerado pela experiência, que vem com a análise dos próprios desafios e a percepção do estágio de desenvolvimento da cooperativa, além da importância de observar situações pelas quais os outros negócios passaram e o compartilhamento de experiências entre eles. “Estamos passando pelo processo de certificação, conversar com organizações que já passaram por isso foi muito bom”, complementa.

Parcerias essenciais

Com a proposta de se desenvolver em rede e de fomentar um ecossistema de negócios sustentáveis, o Desafio Conexsus conta com um processo de cocriação que se torna mais evidente durante as oficinas. “Ao partilharem com os participantes seus conhecimentos e suas redes institucionais, os parceiros do Desafio estão trazendo contribuições fundamentais. Além disso, os resultados que tivermos no mapeamento só foram possíveis, em um curtíssimo período de tempo, devido a essas parcerias”, destaca a diretora da Conexsus.

No caso deste evento, participaram das atividades, bem como da mobilização dos participantes, organizações que atuam na Amazônia, em contato principalmente com as cadeias da sociobiodiversidade. O Pacto das Águas foi um dos parceiros cocriadores participantes. O coordenador de articulação interinstitucional da organização, Plácido Costa, avalia que a oficina é um momento de abertura de horizontes para as cooperativas e associações. “É importante que eles vejam que negócios parecidos com o deles, de base comunitária, estão conseguindo acessar mercados e fazer avanços, serve como incentivo propiciar essas conexões.”

O Pacto das Águas atua na construção de alternativas de geração de renda mais sustentáveis e na gestão ambiental em Terras Indígenas e Reservas Extrativistas. Tem como principal estratégia a estruturação das cadeias de produtos da sociobiodiversidade, em especial cadeias estruturantes, como a da castanha. Durante a oficina, Plácido apresentou informações sobre os arranjos produtivos o estimulou os participantes a pensarem em novas possibilidades de acesso a recursos, por meio de mecanismos diferenciados.

Um exemplo é o da Associação Zavidjaj Djiguhr (Assiza), da etnia indígena Gavião, que atua principalmente na cadeia da castanha e, a partir dela, vem estruturando outras cadeias, como a da banana e da farinha. “Cerca de 500 de seus 750 membros fazem a coleta da castanha e vendem hoje a uma empresa. Eles percebem que precisam agora se envolver mais com os elos da cadeia e em arranjos que os favoreçam mais, como atuar em parceria com cooperativas”, explica Fragoso.

O coordenador de projetos da SOS Amazônia, Adair Duarte, também participou da oficina. A instituição é parceira cocriadora do Desafio Conexsus e tem como missão promover a conservação da biodiversidade e o crescimento da consciência ambiental na Amazônia, com atuação no Acre e no Amazonas. Adair destaca as metodologias utilizadas, que facilitam a compreensão dos conteúdos por todos os participantes.

“A soma de esforços poderá minimizar os gargalos e dificuldades dessas organizações. Por isso a busca da evolução dos negócios e de caminhos durante a oficina foi muito importante”, comenta. Adair avalia como principal desafio a estruturação de capital de giro para fortalecer o acesso a mercados, a fim de manter um fluxo mais constante nos negócios. O parceiro também falou durante a oficina um pouco sobre as cadeias de produtos com as quais atua, de cacau, borracha e óleos.

Aprendizados e fortalecimento regional

Dentre os participantes, o Projeto Reca (Reflorestamento Econômico Consorciado Adensado), que fica no distrito rural de Nova Califórnia, foi convidado a fazer uma “fala inspiradora” para os demais. Os produtores associados ao projeto cultivam frutos amazônicos em sistemas agroflorestais (SAFs) e realizam também o beneficiamento dos produtos, com o objetivo de reduzir o desmatamento na região. A combinação do manejo florestal e do extrativismo sustentáveis resulta em um negócio com responsabilidade social e ambiental. O próximo passo que o Reca busca agora é estruturar um fundo rotativo solidário.

Em outro momento inspirador, a Operação Amazônia Nativa (OPAN), que atua junto a organizações indígenas no Purus, trouxe o exemplo de um sistema de repartição de recursos do faturamento gerado pelo manejo do pirarucu. Um exercício realizado na sequência revelou as expectativas das entidades participantes em relação à busca por soluções financeiras. “As organizações foram divididas de acordo com a forma como acessam recursos hoje e a maior parte depende de doações. Depois, quando perguntadas sobre o que almejam em cinco anos, a maioria demonstrou querer estruturar fundos com recursos próprios”, relata a coordenadora do Desafio, Monika Röper.

Camilo, da Cooperar, comemora pelos benefícios que iniciativas como essa trazem para a região onde as cadeias produtivas estão inseridas. “A oficina deu um ânimo para nós, que vamos repassar a todos da cooperativa. Vi organizações que desempenham algo para o bem da comunidade ribeirinha e do planeta, isso anima os produtores a cuidar da floresta, a não desmatar”, relata.

Renata da Silva Pereira, da Cooperativa de Produtores Rurais Vale do Guaporé de Seringueiras (COOPERVARGS), conta que só conhecia uma das outras 20 organizações que participaram do evento. “Conhecer a região e se entrosar com estas outras entidades vai nos ajudar a trabalhar melhor”, anseia. A COOPERVARGS trabalha com a comercialização do Urucum e com a industrialização e comercialização da castanha-do-brasil.

Desafio Conexsus 2018

A oficina faz parte de um ciclo de oficinas que teve início em junho, em Belém (PA), e deve ser replicada em mais 11 cidades até o final de setembro, em diversas regiões do Brasil. Além disso, serão realizadas visitas técnicas a algumas organizações, atividades que devem abranger cerca de 300 participantes.

Os mais de mil negócios cadastrados no Desafio compõem o Mapa e o Panorama de Negócios Comunitários Sustentáveis no Brasil, com consulta online e aberta ao público pelo site www.desafioconexsus.org. O cadastro permanece aberto para organizações interessadas no Desafio, que poderão participar de oportunidades futuras, bem como integrar a rede em formação.

Uma das expectativas é que estes empreendimentos, os parceiros cocriadores da iniciativa e outras organizações que compõem o ecossistema de negócios comunitários sustentáveis tornem-se uma rede ativa de fomento ao desenvolvimento sustentável, com a possibilidade de atrair e criar outras oportunidades além das já previstas no Desafio Conexsus 2018.

Após a realização das oficinas, 70 organizações serão convidadas a participar do Ciclo de Desenvolvimento de Negócios Comunitários Sustentáveis, que conta com uma jornada de aceleração, oficinas de modelagem de negócios, laboratório de soluções de acesso à comercialização e mercados e laboratório de crédito e soluções financeiras.

Participantes e parceiros

Estiveram presentes na oficina em Porto Velho a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), Kanindé Associação de Defesa Etnoambiental, Operação Amazônia Nativa (OPAN), Pacto das Águas, SOS Amazônia e União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) e a Entrenós Planejamento Estratégico, que realizou o planejamento e a mediação da oficina.

Participaram as organizações comunitárias:

AGUAPÉ- Associação dos Seringueiros do Vale do Guaporé

AMARI – Associação dos Moradores Agroextrativistas da Resex Ituxi

APITC – Associação dos Produtores Indígenas da Terra Caititu

Apiz – Associação do Povo Indígena do Zoró

APIWTXA – Associação Ashaninka do Rio Amônia

APREA – Associação dos Produtores e Produtoras Rurais Extrativistas da Resex Arapixi

ASAEX- Associação dos Seringueiros Agroextrativista do Baixo Rio Ouro Preto

ASAREAJ – Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá

ASSC – Associação de Seringueiros da Resex Cazumba Iracema

Associação Indígena Doá Txatô

Associação Indígena Jupaú

Assiza – Associação Zavidjaj Djiguhr

COOPABRAS – Cooperativa Agropecuária e Industrial de Nova Brasilândia D’Oeste

COOPEL – Cooperativa dos Agricultores e Pecuaristas da Regional do Baixo Acre

COOPER RECA – Cooperativa Agropecuária e Floresta do Projeto RECA

COOPERAR – Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus

COOPERFLORESTA – Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários

COOPFRUTOS – Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutas Nativas do Município de Mâncio Lima

COOPMAS – Cooperativa Mista do Produtores Agroextrativista do Sardinha

ASPACS – Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha

COOPERVAGS – Cooperativa de Produtores Rurais Vale do Guaporé de Seringueiras

Extrativistas da Resex do Lago Cuniã

Coopercacoal – Cooperativa Agropecuária de Produtores e Agricultores Familiares de Cacoal

São parceiros estratégicos da Conexsus: Good Energies Foundation, Grupo Pão de Açúcar, por meio do Instituto GPA, IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e Moore Foundation, Fundo Amazônia, Fundo Vale, Fundação Certi, GIZ /Cooperação Alemã para o desenvolvimento sustentável, Climate and Land Use Alliance (CLUA) e União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes).

Boas práticas para coleta e beneficiamento de murmuru

SOS Amazônia publica cartilha sobre coleta e beneficiamento de murmuru.

As cadeias de valor de espécies oleaginosas, como murmuru, buriti, cocão, açaí, patauá, breu, cumaru, tucumã, dentre outras, são operadas por comunidades rurais em vários lugares da Amazônia. São muitos os problemas a serem enfrentados em cada elo das cadeias, necessitando de forte apoio para a superação desses desafios. O objetivo deste material foi relatar as etapas de produção da cadeia do murmuru e como isso se insere no contexto de conservação florestal. [Projeto Valores da Amazônia/Fundo Amazônia]

Acesse aqui!

Organizações comunitárias participam de workshop sobre gestão e sustentabilidade

Representantes de 16 organizações comunitárias da região do Juruá, Tarauacá e Feijó participaram, nesta quinta-feira, 28, em Rio Branco, de Workshop do projeto Gestão & Sustentabilidade.

A iniciativa, promovida pela SOS Amazônia, governo do Estado, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Programa de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Acre (PDSA II), teve por objetivo avaliar os resultados e desafios do projeto.

De acordo com Miguel Scarcello, secretário geral da SOS Amazônia, o encontro serviu para analisar todas as atividades realizadas, relembrar cada avanço impulsionado pelos gestores e comunitários.

“Fizemos uma revisão detalhada das atividades no prazo que foram executadas e com isso podemos perceber que conseguimos atingir os objetivos básicos a qual procuramos desde o início. O projeto fortaleceu as cooperativas e associações no aspecto de fazer a gestão da instituição, em cada pessoa entender melhor os seus papéis e de poderem fazer exercícios de planejamento, no processo relacionado a produção não madeireira”, conta.

Com o levantamento das ações desenvolvidas durante um ano de projeto, a programação apresentou os impactos e benefícios alcançados e os desafios futuros para as organizações apoiadas.

“O encontro foi extremamente importante por que depois de tanto trabalho de sensibilização e capacitação em diferentes comunidades, com centenas de beneficiários, esse é um momento para apresentar os resultados e saber quais os pontos positivos que nós conseguimos e onde é que devemos melhorar”, afirma Carlos Edegard, secretário de Meio Ambiente do Acre (Sema).

A presidente da AMURALHA, Nataires Ferreira, falou da oportunidade de trocar experiências e dos avanços que o projeto já proporcionou.

Presidente da Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais Unidas por Liberdade, Humanidade e Amor  – AMURALHA, Nataires Ferreira

“Pela linha do tempo percebemos o que melhoramos, obtendo novos conhecimentos, trocando experiências e também vendo onde precisamos melhorar. Antes nossas atividades eram executas sem planejamento, e por causa disso, tudo dava errado. O projeto chegou e nos ajudou em tudo, a planejar primeiro, ver o tanto que iremos gastar, o que precisa e assim chegar ao sucesso”, explica Nataires.

Bia Saldanha, coordenadora da cadeia produtiva da borracha/Veja Fairtrade, situa a iniciativa como ponto de relevância para corrigir e entender as necessidades, com o propósito de avançar cada vez mais e contribuir com a melhoria da vida no campo.

“A gestão de sustentabilidade dos recursos não madeireiros do Acre é um ponto central do desenvolvimento sustentável dessas comunidades, então eu faço votos que seja proveitoso que a gente consiga cada vez mais aproximar os gestores que estão pensando as políticas públicas daqueles que estão de fato na floresta fazendo as coisas acontecer”, declara.

O evento contou também com a participação do senador do estado do Acre, Jorge Viana. “O desafio de vocês (comunitários) é muito grande, então, tudo isso que está sendo feito é fantástico, com esse trabalho o Acre se torna uma base de esperança para toda a Amazônia”, disse o senador.

Deylon Félix