Com Valores da Amazônia, extrativistas ampliam produção e ganhos sem destruir a floresta

Por Fábio Pontes

Foto destaque: André Dib

Os três anos de trabalhos desenvolvidos pela ONG SOS Amazônia, por meio do projeto Valores da Amazônia, com famílias extrativistas do Vale do Juruá, no Acre, e dos municípios do sul e sudoeste do Amazonas, podem servir como exemplos de consolidação da tese de que é possível gerar desenvolvimento econômico, sem a necessidade de transformar a floresta em pasto ou em áreas de monocultura.

Atividades extrativistas que há quase três décadas estavam abandonadas nessa parte da Amazônia, em especial a extração do látex, foram retomadas, e hoje se somam à gama de produtos não madeireiros explorados de forma sustentável por comunidades ribeirinhas e indígenas.

Financiado pelo Fundo Amazônia, o Valores trabalhou com três diferentes cadeias econômicas: a de óleos vegetais, a do cacau silvestre e a da borracha. O projeto visa fortalecer nove cooperativas e seus cooperados para aperfeiçoarem e padronizarem a exploração de produtos florestais não-madeireiros.

Destas nove cooperativas, apenas duas trabalhavam com a borracha em 2015: a Cooperativa Agroextrativista de Tarauacá (Caet) e a Cooperativa Agroextrativista de Feijó (Cooperafe), ambas no Acre.

Juntas, a produção chegava a, no máximo, oito toneladas por ano. Nesse período, a SOS Amazônia trabalhou tanto para incrementar o número de cooperativas envolvidas quando o de extrativistas na cadeia da borracha.  A Caet saiu de 28 para 73 famílias envolvidas, e a Cooperafe de 12 para 57.

Outras três cooperativas foram incluídas no processo: a Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra), de Rodrigues Alves (AC), a Cooperativa Agroextrativista de Porto Walter (Coapex) e a Cooperativa Agroextrativista Shawãdawa Pushuã; as duas estão no município acreano de Porto Walter, no Alto Juruá.

O resultado deste investimento foi um salto na quantidade da borracha comercializada, saindo de oito toneladas há três anos, para fechar 2018 com 40 toneladas previstas. Receita de aproximadamente R$ 351.000,00

Mulheres da Coopercintra fazendo separação das amêndoas de murmuru – Foto: SOS Amazônia | Eliz Tessinari

Até antes do começo do Valores da Amazônia, os extrativistas tinham na produção de óleos vegetais como seu carro-chefe. A produção de óleo e gordura a partir de frutos como o murmuru, o buriti, o açaí, a andiroba, o patauá e o tucumã envolvia 180 famílias em 2015, estando agora em mais de 600.

Os investimentos resultaram no aumento da produção de oleaginosas de oito para 22 toneladas em três anos. Foi registrado aumento até mesmo no valor de sua comercialização: Se em 2015 o mercado pagava R$ 17 pelo quilo da gordura do murmuru, esse valor chegou a R$ 30.

O buriti saltou de R$ 22 o quilo para R$ 50. “Ainda não é o valor ideal, mas já houve uma evolução significativa em relação ao preço comercializado”, diz Adair Duarte, técnico da SOS Amazônia que acompanhou de perto, junto com as comunidades, o desenvolvimento do Valores da Amazônia.

Unidade de Secagem de Amêndoas

Segundo ele, as causas para essa valorização se deram sobretudo nas ações de capacitar e qualificar os extrativistas com práticas adequadas no manejo dos frutos e sementes da floresta. A compra de equipamentos e a construção de estrutura básica para beneficiamento e armazenamento da produção agroflorestal também foram incluídas.

Uma outra consequência foi a redução na perda dos frutos coletados. Se antes ela chegava a 20% por conta de manejo inadequado ou pragas naturais, agora ela caiu pela metade. O aumento no valor de mercado, mais esse incremento na produção, possibilitou melhoria na renda dos cooperados.

Cacau Silvestre da Amazônia

De acordo com Adair Duarte, a perspectiva é que toda a produção de óleos e gorduras vegetais fique em 22 toneladas esse ano, o que renderá R$ 800 mil.  “Isso propicia uma geração de renda a mais para essas famílias, em períodos diferentes do ano, acaba fortalecendo todo o processo de produção e de organização social das famílias”.

Os resultados positivos do projeto também são refletidos na cadeia do cacau silvestre. No começo de 2018 houve a coleta da primeira safra do fruto adotando as práticas do manejo apropriado e com garantia de valor e mercado com um grupo de extrativistas da Coopercintra. A depender da qualidade, o valor do quilo pode chegar a R$ 30. Em 2019 as famílias vão colher a segunda safra, estimada em duas toneladas – uma a mais do que 2018.

Além de preço e comprador já garantido, tanto o cacau quanto os óleos estão com certificação orgânica internacional para entrarem nos seletos mercados da Europa e dos Estados Unidos.

Resultados e impactos do Projeto Valores da Amazônia

Extrativistas do AC e AM obtêm certificação orgânica para mercado internacional

Por Fábio Pontes

Foto destaque: André Dib

Inspeção Imocert Certificação Orgânica – Coopfrutos | Foto: Acervo SOS Amazônia

As famílias extrativistas do Vale do Juruá, no Acre, e dos municípios de Silves e Boca do Acre, no Amazonas, que atuam na extração do cacau silvestre e na produção de óleos de plantas e sementes, receberam em outubro a certificação orgânica internacional que possibilitará a venda de seus produtos para os mercados europeu e norte-americano.

A certificação foi obtida graças ao projeto “Valores da Amazônia”, desenvolvido pela organização não-governamental SOS Amazônia. Financiado com recursos do Fundo Amazônia/BNDES, o projeto visa fortalecer nove cooperativas e seus cooperados para aperfeiçoarem e padronizarem a exploração de produtos florestais não-madeireiros de regiões da Amazônia com grande concentração de biodiversidade, incluindo o Vale do Juruá.

A certificação assegura que toda a produção foi realizada com baixo impacto ambiental, sem o uso de agrotóxicos e garantindo o pagamento justo para cada família, reunidas em cooperativas assessoradas pela SOS Amazônia.

Neste primeiro momento, quatro cooperativas foram certificadas, totalizando 211 famílias no Acre e no Amazonas, sendo parte delas moradoras de unidades de conservação.

São elas: Coopfrutos (Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima – Mâncio Lima/AC), Coopcintra (Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra – Rodrigues Alves/AC), Copronat (Cooperativa de Produtos Naturais da Amazônia – Silves/AM) e a Cooperar (Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e do Médio Purus – Boca do Acre/AM).

A certificação foi concedida pela empresa boliviana Imocert, uma das pioneiras neste tipo de trabalho na América Latina, e com reconhecimento internacional.

Entre os produtos que ganharam a certificação orgânica estão os óleos de buriti, cumaru, o Essencial de Breu e do açaí. Também receberam o selo de origem orgânica a amêndoa de cacau, a manteiga de murmuru, o tucumã, a andiroba, a castanha, a copaíba e outros.

Murmuru – Astrocaryum murumuru | Foto: SOS Amazônia / Eliz Tessinari

“O projeto de certificação foi muito novo para nós”, diz Thayna Souza, engenheira florestal da SOS Amazônia. “Estávamos buscando uma certificação orgânica para acessar mercados exigentes, mas que pagam bem pelo produto por ter origem na Amazônia e de comunidades tradicionais.”

Capacitação das famílias

O trabalho foi iniciado ainda em 2017 e concluído agora em outubro de 2018, com a entrega dos certificados pela Imocert. A primeira fase consistiu em explicar às famílias sobre a importância da certificação, que poderia ter como resultado a melhoria em seus processos produtivos e de renda.

Todas as famílias extrativistas receberam a visita dos técnicos da SOS Amazônia, pelo menos duas vezes. Já as idas às sedes das cooperativas – apenas para este processo inicial – se deram entre quatro e cinco vezes.

O principal objetivo era capacitar os cooperados para que aprendessem e inserissem procedimentos novos às técnicas de manejo sustentável de sua produção dentro da floresta, o que assegura o menor impacto ambiental e qualidade ao produto.

Áreas de cacau silvestre – Inspeção IMOcert | Foto Acervo SOS Amazônia

A qualificação se constitui na adoção de boas práticas de extração e coleta dos recursos naturais. As cooperativas precisam estabelecer rotinas e um padrão ao processo de beneficiamento que garantam características originais e não contaminação das gorduras e óleos produzidos.

Após essa qualificação, todo o trabalho desenvolvido passou por uma espécie de auditoria da certificadora para saber se todas as suas exigências estavam, de fato, sendo cumpridas.

Constatado que as famílias atendiam aos critérios e que as cooperativas passaram a produzir com o novo padrão, a Imocert concedeu o selo de que a produção destas cooperativas está livre do uso de agrotóxicos e outros contaminantes, e adotando práticas que preservam a fauna e a flora da região, além de assegurar às famílias o pagamento justo por aquilo que conseguem entregar.

“Com a certificação orgânica, as cooperativas chegaram a um novo patamar, tanto por ser algo que vai valorizar o trabalho do extrativista, como vai valorizar o produto da floresta para que ela fique cada vez mais em pé”, comemora Thayna Souza.

Valores da Amazônia

A SOS amazônia apresenta investimentos, resultados e impactos do Valores da Amazônia – um projeto que tem como objetivo estruturar, fortalecer e integrar cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros (Borracha Nativa, Cacau Silvestre e Óleos Vegetais), com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região.

Financiado pelo Fundo Amazônia, esse projeto apoia oito cooperativas (sendo uma indígena) e uma associação de mulheres, localizadas nos estados do Acre e Amazonas, com ações de estruturação de empreendimentos produtivos solidários, capacitação, assistência técnica e tecnológica, manejo florestal sustentável, certificação de produtos e apoio à comercialização.

Assista

Boas práticas para coleta e beneficiamento de murmuru

SOS Amazônia publica cartilha sobre coleta e beneficiamento de murmuru.

As cadeias de valor de espécies oleaginosas, como murmuru, buriti, cocão, açaí, patauá, breu, cumaru, tucumã, dentre outras, são operadas por comunidades rurais em vários lugares da Amazônia. São muitos os problemas a serem enfrentados em cada elo das cadeias, necessitando de forte apoio para a superação desses desafios. O objetivo deste material foi relatar as etapas de produção da cadeia do murmuru e como isso se insere no contexto de conservação florestal. [Projeto Valores da Amazônia/Fundo Amazônia]

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Seminário vai debater os resultados e impactos do projeto Valores da Amazônia

SOS Amazônia realiza nos dias 26 e 27 de junho, em Rio Branco, o IV Seminário de avaliação do projeto Valores da Amazônia. Com representantes das nove organizações apoiadas, do Acre e Amazonas, o encontro irá debater os Resultados e Impactos quanto a conservação dos recursos naturais e a geração de renda para comunidades extrativistas da Amazônia.

“Esse seminário busca analisar o quanto cada organização apoiada evoluiu com o projeto e como cada uma vem contribuindo para a conservação da natureza, além de avaliar a melhoria da qualidade de vida das comunidades dos dois estados”, explica Álisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

Na ocasião, será realizada também a primeira comemoração do aniversário de 30 anos da SOS Amazônia.

Quando: 26 e 27 de junho

Horário: 8 – 17h

Onde: Villa Rio Branco Hotel Concept
Rua Cunha Matos, 393
Seis de Agosto, Rio Branco – AC
(na Gameleira)

PROGRAMAÇÃO

Download (PDF, 5.3MB)

[O projeto Valores da Amazônia é uma iniciativa da SOS Amazônia, com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES. Tem por objetivo disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região. Empreendimentos apoiados: Coopfrutos, Cooperafe, Caet, Shawãdawa Pushuã, Coapex, Cooperar, Amuralha, Coopercintra e Copronat]. Saiba mais aqui.

Com o apoio do Projeto Valores da Amazônia, Cooperativas vão ter produtos da sociobiodiversidade com certificação orgânica e selo Forest Garden Products

Transformar a vida das pessoas que vivem na floresta, levando alternativas de trabalho e renda, com foco na manutenção da floresta é o desafio do projeto Valores da Amazônia, realizado pela SOS Amazônia, com apoio financeiro do Fundo Amazônia.

Uma das metas do projeto é a certificação orgânica de produtos florestais não madeireiros. Para isso, há investimentos em infraestruturas, formações, pesquisas e intercâmbios.

“Desde 2015, o Valores da Amazônia vem se empenhando por meio de visitas técnicas, intercâmbios e oficinas de boas práticas no processo produtivo e de certificação, a fortalecer o caminho para o selo orgânico desses produtos, e agora estamos tendo essa oportunidade no Acre e Amazonas, de termos vários produtos com certificação orgânica. Isso representa uma enorme conquista para a biodiversidade amazônica, para os empreendimentos apoiados e para as pessoas”, conta Àlisson Maranho, secretário técnico da SOS Amazônia.

Inspeção na Cooperar – IMOcert

O trabalho mais recente foi a inspeção realizada nas cooperativas Coopercintra, Coopfrutos, Cooperar e Copronat, pela IMOcert Latinoamérica, pioneira na atividade de certificação ecológica e sustentável na América Latina.

A inspeção, para certificar produtos das cadeias de valor de óleos vegetais e do cacau silvestre, aconteceu no período de 8 a 27 de maio. Representantes da IMOcert fizeram visitas técnicas especializadas nos quatro empreendimentos, além de ampliar o conhecimento dos cooperados e da equipe de extensionistas com mais uma oficina de Certificação Orgânica, Extrativista e Mercado Justo.

Na oficina de cinco dias, discutiu-se as normas europeias, norte-americana e normas privadas, com ênfase em ‘Forest Garden Products’ (FGP); além de debater o que se faz necessário para atender exigências e conseguir o certificado de produto orgânico.

“A ideia é que essas pessoas sejam multiplicadoras do processo e também inspetoras dessas organizações que futuramente podem requerer também sua própria certificação. O curso contou com atividades teóricas e práticas, dentre elas: elaborações de ficha de inspeção, regulamentos internos e elaborações de contratos”, explica Thayna Souza, executiva ambientalista/SOS Amazônia.

Após a oficina, os profissionais da IMOcert iniciaram processo de Certificação das beneficiárias.

Áreas de cacau silvestre | IMOcert

A Cooperativa dos Produtores de Agricultura Familiar e Economia Solidária de Nova Cintra (Coopercintra) está se adequando para certificar dois produtos: manteiga de murmuru e amêndoa de cacau; A Cooperativa de Produtos Naturais da Amazônia (Copronat), quatro produtos: semente e óleo de cumaru, resina e óleo essencial de breu; Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus (Cooperar), nove produtos: andiroba, copaíba, tucumã, murmuru, buriti, uricuri,  patauá, castanha e cacau; e a Cooperativa de Produtores de Polpa de Frutos Nativos de Mâncio Lima (Coopfrutos), dois produtos: óleo de buriti e açaí.

De acordo com Àlisson, os produtos foram aprovados, no entanto, as cooperativas têm prazos de 30 a 90 dias para fazerem os ajustes necessários para a emissão do certificado orgânico. Dentre os ajustes está a elaboração de fichas para controle de matéria-prima e de inspeção interna, delimitação das áreas para os produtos orgânicos; exposição de banner com os 12 princípios da Norma Privada FGP.

Inspeção na Coopfrutos – área de coleta de buriti e açaí | IMOcert

Elizana Araújo, superintendente da Coopfrutos, vê a iniciativa como uma grande oportunidade para alcançar novos mercados. “Com a certificação as cooperativas terão uma grande oportunidade de ter acesso a novos mercados, principalmente o mercado Europeu, e com isso agregar maior valor aos produtos, garantindo melhor qualidade de vida para todos envolvidos no processo produtivo”, disse.

Para Ivan Del Carpio, inspetor sênior e consultor externo da Imocert, há grande potencial para os produtos florestais não madeireiros e ele vê na certificação uma forma de despertar o interesse de mais pessoas a trabalhar com esses produtos.

“O mais importante é que as cooperativas podem acessar mercados internacionais para comercializar produtos com melhores preços, permitindo o fortalecimento econômico e social da cooperativa. Para os extrativistas, a maior importância está em agregar valor ao seu produto, e garantir que sua saúde e a das pessoas não seja comprometida. Mas, ainda utilizam muito pouco do potencial da floresta, com a certificação e o aumento do valor, é possível que desperte o interesse de todos para o trabalho com o extrativismo”, avalia.

POR QUE CERTIFICAR?

A certificação tem sido cada vez mais difundida e requerida por compradores como exigência de qualidade de produtos, e também porque se preocupam com a sustentabilidade e a melhoria de renda das famílias que vivem do extrativismo. A certificação tem um papel na economia e no âmbito social muito grande, além de valorizar o trabalho do extrativista, garante a ele novas fontes de renda, e essa renda com a certificação, tem grande possibilidade de ser ampliada. Aliado a isso, os compradores finais estão cada vez mais preocupados com a saúde, o que impulsiona também o crescimento da demanda por produtos cultivados com métodos orgânicos.

A diferenciação de produtos orgânicos ocorre com base em suas qualidades físicas, decorrentes, principalmente, da ausência de agrotóxicos e adubos químicos.

A certificação é “uma garantia” de que os produtos tenham de fato sido produzidos dentro dos padrões de orgânicos, nesse caso, os produtos oriundos do extrativismo são de fato oriundos de boas práticas de manejo de coleta e beneficiamento, respeitando critérios de sustentabilidade ambiental e social.

Há dezenas de benefícios: Sintonia com os princípios do extrativismo, como por exemplo, não coletar todos os frutos, assegurando o alimento aos animais e permitindo a regeneração florestal; não usar veneno; não desmatar, nem queimar a floresta.

Acesse a página do Projeto Valores da Amazônia | Navegue aqui.

Portfólio Produtos Florestais não madeireiros

Catálogo de produtos das Cadeias de Valor da Borracha Nativa, Óleos Vegetais e Cacau Silvestre,  destinado a pesquisa de mercados nacionais e internacionais. Investimento do projeto Valores da Amazônia. Acesse!

PROJETO VALORES DA AMAZÔNIA

O projeto Valores da Amazônia foi selecionado no âmbito da Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis do Fundo Amazônia/BNDES para Estruturação, Fortalecimento e Integração das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros nos estados do Acre e Amazonas.

Objetivo: Disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região.

Cadeias de valor apoaidas: Cacau Silvestre, Borracha (Cernambi Virgem Prensado – CVP e Folha de Defumação Líquida – FDL) e Óleos Vegetais (Buriti, Murmuru, Cocão, Andiroba).

Abrangência:

 Acre: Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Porto Walter. Amazonas: Boca do Acre, Pauini, Lábrea e Silves

Comunidades do Juruá realizam primeira colheita de cacau silvestre na região

Esse fruto nunca foi manejado pelos ribeirinhos e agora pode gerar trabalho e renda para as famílias

Um investimento do projeto Valores da Amazônia

Realizado desde 2015 pela SOS Amazônia (com o apoio financeiro do Fundo Amazônia), o projeto Valores surgiu com o objetivo de estruturar, fortalecer e integrar cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros (Cacau Silvestre, Borracha Nativa e Óleos Vegetais), com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região.

Abrange municípios da região do Juruá, no Acre, e do sul do Amazonas, que formam um corredor com recursos florestais semelhantes numa área de aproximadamente 206 mil km².

Pelo projeto Valores da Amazônia foi possível conhecer o potencial de cacau silvestre que a região do Juruá tem. Nunca antes manejada pelos ribeirinhos, o cacau silvestre agora pode se tornar outra oportunidade de renda para as famílias daquela região.

Nessa cadeia, o projeto se concentra em melhorar o método de produção em Cooperativa que já trabalha com Cacau, como a Cooperar, e em iniciar essa cadeia de valor na região do Alto e Baixo Juruá, com a implantação de núcleos de produção, consultorias de boas práticas e abertura de mercado internacionais.

Primeiro beneficiamento de cacau silvestre no Juruá

Entre os dias 7 e 22 de fevereiro, a SOS Amazônia promove uma capacitação sobre Beneficiamento do Cacau Silvestre Tipo Fino, na comunidade Novo Horizonte, município de Guajará, Amazonas, com o objetivo de ensinar as técnicas de manejo (colheita dos frutos, fermentação e secagem do cacau) para atender um padrão de alta qualidade, exigido por nichos de mercado de chocolate.

A iniciativa está acontecendo com o apoio do pesquisador Daniel O’Doherty, da Cacao Services, com vasta experiência no ramo, da Luisa Abram Chocolates e de representantes da Cooperar. Cerca de 25 famílias estão acompanhando todo o processo de beneficiamento, desde a coleta dos frutos até a secagem das amêndoas. Para esse trabalho, foram coletados cerca de 15 mil frutos.

“Essa primeira safra de cacau é histórica para os produtores da região. É o início de uma trajetória que pode gerar boas transformações sociais e a garantir que a floresta continue preservada”, observa o coordenador geral do projeto Valores da Amazônia, Alisson Maranho.

Osmir Andriola, um dos ribeirinhos envolvidos na Cadeia de Valor do Cacau Silvestre, não mede esforços para que esse trabalho se consolide em sua região.

“Quinze mil frutos de cacau começaram a ser trabalhados aqui no Novo Horizonte e várias famílias conseguiram mais uma renda, por meio de um projeto que vem desde 2015 e agora estamos vendo o resultado”, destaca Osmir.

Na ocasião, Luisa Abram Chocolates firmou acordo com a Coopercintra (cooperativa responsável por organizar e comercializar a produção) para comprar toda a safra 2018 de amêndoas de cacau, que pode chegar a 1 tonelada.

“O preço ainda vai ser definido após a conclusão do beneficiamento desse primeiro lote, após os cálculos dos custos de beneficiamento e a qualidade da amêndoa. Pode ser fechado entre R$ 20,00 a R$ 30,00 o quilo”, explica Adair Duarte, coordenador técnico de projetos/SOS Amazônia.

Em seu perfil no Instagram, Luisa Abram ressalta a importância desse esforço para melhorar a vida das pessoas e manter a floresta em pé.

Há grande ocorrência de cacau por lá, mas os ribeirinhos ainda não utilizam o cacau para ajudar no seu sustento. Será a primeira vez que uma equipe irá tentar alterar essa realidade, e isso está sendo coordenado pela ONG SOS Amazônia @sosamazonia, e sob a orientação técnica do Daniel O’Doherty @cacao4hawaii. Ele ensinará toda a parte do projeto relacionada a colheita dos frutos, fermentação e secagem do cacau. Tudo isso para que o valor gerado tenha o maior impacto na renda das pessoas que lá moram, e que dependem 100% do que cresce na Floresta. A mensagem é: Floresta em pé vale mais do que cortada!! Nós seremos os primeiros compradores deles e iremos levar para vocês toda esse esforço para melhorar a vida das pessoas na Amazônia e preservar a Floresta que aqui está!! Essa é a história que nossas barras de chocolate levam até vocês!!!

Daniel também comentou pelo Instagram:

“Existem vastas grades de cacaueiras selvagens dentro da floresta amazônica ao longo das margens deste rio (Juruá). Surpreendentemente, nunca foi colhido ou fermentado antes – até agora. Os frutos eram estritamente o alimento dos macacos e papagaios. Com o apoio da SOS Amazônia, estou aqui com Luisa Abram e a família passando pelos primeiros testes de fermentação com uma das comunidades do rio”.

SOS Amazônia e cooperativas participam da BIOFACH 2018 – Feira Internacional de Alimentos Orgânicos

A SOS Amazônia e cooperativas apoiadas pelo Projeto Valores da Amazônia estão participando da Feira Internacional de Alimentos Orgânicos, realizada em Nuremberg – Alemanha, entre os dias 14 e 17 de fevereiro.

Um dos serviços do Valores, projeto realizado com apoio financeiro do Fundo Amazônia, é possibilitar a participação desses empreendimentos amazônicos em feiras internacionais – Uma boa oportunidade de posicionamento dos produtos de base florestal no mercado internacional.

Produtos expostos pelas cooperativas apoiadas pelo Valores da Amazônia e produtos da Guayapi (parceria feita para exposição dos produtos)

As cooperativas estão expondo produtos de duas cadeias de valor apoiadas pelo projeto: Óleos vegetais (tucumã, andiroba, buriti, patauá, açaí) para uso cosmético e alimentício; copaíba, breu, pau rosa e manteiga de murmuru para uso cosmético; Amêndoas de Cacau Silvestre (alimentício) e manteiga de cacau silvestre (uso cosmético).

“Trata-se de uma grande oportunidade para a Coopfrutos ter acesso ao mercado europeu, é o início de uma nova etapa, ainda estamos nos adequando, mas podemos agregar valor com a certificação dos nossos produtos e todos os envolvidos no processo produtivo podem sair ganhando”, destaca a representante da Coopfrutos, Elizana Araújo.

A Feira tem como uma de suas propostas, promover o uso responsável dos recursos naturais. 2.950 expositores e mais de 50.000 visitantes do setor orgânico nacional e internacional são esperados no BIOFACH 2018.

“Sem dúvida, é a maior feira de orgânico do mundo, com a participação de pessoas e empresas que querem conhecer produtos novos e diferentes, com responsabilidade social e ambiental. É uma oportunidade imensa para divulgar o trabalho que essas cooperativas fazem para gerar renda e manter a floresta em pé, que podem, futuramente, terem seus óleos vegetais e amêndoas de cacau inseridos no mercado europeu, cumprindo todas as exigências que esse mercado requer. Percebemos que há muito interesse das pessoas quando vêm visitar nosso estande, elas querem conhecer mais sobre os óleos, saber como são produzidos, suas finalidades. Então, isso que o projeto Valores está possibilitando a esses empreendimentos, com certeza, pode garantir, no futuro, acordos importantes para a comercialização desses produtos de base florestal”, observa Alisson Maranho, coordenador geral do projeto Valores da Amazônia.

[Foto em destaque mostra representantes da SOS Amazônia, Cooperativas e da Guayapi]

Saiba mais sobre o Valores da Amazônia.

 

Prazo prorrogado – elaboração de material gráfico e audiovisual

A Associação SOS Amazônia, entidade da Sociedade Civil sem fins lucrativos, comunica aos interessados que foi prorrogado o prazo para contratação de serviços de pessoa jurídica para produção de material gráfico e audiovisual, visando destacar os produtos florestais não madeireiros apoiados pelo projeto Valores da Amazônia, para exposição em feiras internacionais (Contrato Fundo Amazônia 15.2.0019.1).

Propostas podem ser enviadas até o dia 15 de janeiro de 2018 para o e-mail [email protected]

Adendo TDR 13

Acesse o edital.

Modelo Documento para envio das propostas.