Destruição da Amazônia causa impactos globais

Ícone de relógio set 18, 2019

A Amazônia não é o pulmão do mundo, mas é encarregada por 10% da quantidade de oxigênio produzido para a vida terrestre, além de ser considerada o ecossistema mais biodiverso do planeta. As consequências do aumento em massa do desequilíbrio ecológico que está ocorrendo já estão sendo sentidas em nosso país. Um exemplo disso foram as nuvens escuras que encobriram a cidade de São Paulo no dia 19 de agosto. Além de ser um fenômeno oriundo da frente fria que atinge o sudeste do país, esses ventos carregavam partículas das queimadas que estão ocorrendo principalmente na região Norte.

 

Apesar de não ser a grande responsável pela emissão de oxigênio do planeta, a Amazônia possui um papel extremamente importante no equilíbrio do clima. De acordo com dados do Ministério do Meio Ambiente, a floresta é o maior bioma do Brasil e guarda pelo menos um terço de toda a madeira tropical do mundo. Também é responsável por manter a temperatura global, já que as chuvas que caem em regiões altamente produtivas dependem da Amazônia, como explica o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Manejo de Recursos Naturais da Universidade Federal do Acre (Ufac), professor Henrique Mews.

Porém, a floresta está sofrendo grandes danos devido ao aumento do incentivo às queimadas e à diminuição de políticas públicas que protegem as matas. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de incêndios florestais em 2019 é o maior em oito anos, com 30.900 mil focos apenas em agosto, o triplo do mesmo período em 2018. E esse fogo é totalmente vindo da ação humana. Para Mews, os incêndios estão ligados diretamente ao desmatamento da Amazônia, já que a floresta é úmida e os casos de incêndio espontâneos são quase nulos.

“Os incêndios naturais são mais comuns em ecossistemas que são historicamente e evolutivamente adaptados ao fogo, como as savanas. A floresta não é um ecossistema que naturalmente lida com o fogo, então as causas dos incêndios na Amazônia são sempre humanas”, conta o professor.

O gráfico mostra os dados de dias sem chuvas e os dados de queimada, do período 2016-2018 e de 2019.

Dados publicados na nota “Fogo na Amazônia”, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), mostram que houve um aumento na ocorrência de focos de incêndio. Porém, isso não está ligado ao período de estiagem, que foi menor em 2019 se comparado a anos de secas mais severas como a de 2005, por exemplo. O número de dias sem chuva até o dia 14 de agosto deste ano variou, em média, entre 11 e 29 dias, contra mais de 30 dias sem chuva no mesmo período, de 2016 a 2018. Isso mostra que, apesar das chuvas serem mais frequentes, as pessoas estão colocando mais fogo nas florestas.

O ALERTA ESTÁ NO AR

Em junho de 2019, mais de 30 sensores de monitoramento da qualidade do ar foram instalados em todo o estado do Acre, em uma parceria entre o Ministério Público Estadual e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente. O resultado em tempo real pode ser consultado no site PurpleAir, um Sistema de Monitoramento em Tempo Real da Qualidade do Ar que utiliza dados do Índice da Qualidade do Ar (AQI, na sigla americana) e da Agência de Produção Ambiental dos Estados Unidos (EPA).

O AQI utiliza uma escala de 0 a 500, onde 0 indica qualidade do ar satisfatória e 500, qualidade catastrófica; ou seja, implica em danos graves à saúde humana. Os grupos são indicados por cores: Verde, amarelo, laranja, vermelho, roxo e bordô. Atualmente, os sensores em Rio Branco se encontram no nível vermelho, com altos riscos a todos aqueles expostos ao ar e, principalmente, à idosos, crianças e pessoas com problemas respiratórios.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) toma como base a quantidade de partículas (PM, na sigla em inglês) emitidas no ar, que variam entre PM10 e PM2.5. Essa PM é um indicador da qualidade do ar, e leva em consideração os níveis de: sulfato, nitrato, amônia, cloreto de sódio, carbono, poeira mineral e água.

Partículas com diâmetro igual ou menor que 10 micrômetros (PM10) penetram e se alojam no pulmão. Porém, partículas com diâmetro igual ou menor à 2,5 micrômetros (PM2.5) penetram na corrente sanguínea, e uma exposição crônica a elas pode causar doenças crônicas e cardiovasculares além de câncer de pulmão.

No dia 17 de setembro de 2019, os dados do sensor instalado na sede do Ministério Público Estadual, no centro de Rio Branco, apontavam que o nível de partículas suspensas no ar chegava a 66 microgramas por metro cúbico, e que todas as pessoas expostas àquele ar por 24 horas seriam afetadas e pessoas de grupos mais sensíveis poderiam sofrer danos mais graves.

Dados retirados do site PurpleAir, em 17 de setembro de 2019. O gráfico levou em consideração dados da qualidade do ar no dia.

Referências

[1] Malhi, Yadvinder does the amazon provide 20% of our oxygen? Disponível em: http://www.yadvindermalhi.org/blog/does-the-amazon-provide-20-of-our-oxygen. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[2] Beer, Christian et alli (2010). Terrestrial Gross Carbon Dioxide Uptake: Global Distribution and Covariation with Climate. Science, 329(5993), 834–838. doi:10.1126/science.1184984.

[3] Folha de São Paulo (2019). Satélites mostram invasão de ‘rio de fumaça’ de queimadas sobre São Paulo. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/08/satelites-mostram-invasao-de-rio-de-fumaca-de-queimadas-sobre-sao-paulo.shtml. Acesso em: 17 de Setembro 2019

[4] Nobre, Antonio Donato (2014). O futuro climático da Amazônia: relatório de avaliação científica / Antonio Donato Nobre. –São José dos Campos, SP: ARA: CCST-INPE: INPA, 2014.

[5] Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – República Federativa do Brasil (2019). Banco de Dados de Queimadas. Disponível em: http://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/bdqueimadas. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[6] Silvério, Divino et alli 2019. AMAZÔNIA EM CHAMAS NOTA TÉCNICA DO INSTITUTO DE PESQUISA AMBIENTAL DA AMAZÔNIA – IPAM Agosto de 2019. Disponível em: https://ipam.org.br/bibliotecas/nota-tecnica-amazonia-em-chamas/. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[7] Ministério do Meio Ambiente – República Federativa do Brasil (2019). Amazônia. Disponível em: https://www.mma.gov.br/biomas/amaz%C3%B4nia.html. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[8] PurpleAir (2019).PurpleAir: Real Time Air Quality Monitoring. Disponível em: https://www.purpleair.com/map#6.42/-9.383/-71.082. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

[9] World health organization (2019). Ambient (outdoor) air quality and health

Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/ambient-(outdoor)-air-quality-and-health. Acesso em: 17 de Setembro 2019.

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