Borracha FSA: o colorido da Amazônia que desperta curiosidade, preserva a floresta e gera transformações sociais

Um dos grandes desafios do Valores da Amazônia (projeto com apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES), é fortalecer a produção de borracha nativa, gerando oportunidade de renda aos seringueiros, os bravos guardiões da floresta.

E é com esse objetivo de gerar boas transformações na floresta que a equipe técnica da SOS Amazônia, a Cooperafe e a designer de joias Flávia Amadeu subiram o rio Envira rumo ao Seringal Curralinho, distante três horas da zona urbana do município de Feijó, Acre (barco motor de média potência), para realizar uma oficina de Melhoramento e Gestão da Produção da Borracha Folha Semi-Artefato (FSA), que se trata de uma manta colorida, podendo ser usada na fabricação de vários produtos artesanais e de design, como sapatos, acessórios de moda e joias.

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Flávia Amadeu | presidente da Cooperafe, José Antônio | e  extrativistas. Alguns dos seringueiros caminharam mais de 5 horas para participar da atividade  | Após coleta, numa bandeja com água, o látex é misturado com ácido acético, composto vulcanizante, pigmentos e essências amazônicas

Realizada nos dias 16, 17 e 18 de janeiro, a iniciativa teve por objetivos melhorar a gestão e ampliar a produção da FSA, incluindo as essências amazônicas disponibilizadas pela Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac).

Dentre as atividades desenvolvidas, os 15 extrativistas participantes (sócios e não sócios da Cooperafe) trocaram experiências sobre a cadeia produtiva, ampliaram seus conhecimentos sobre aplicação de cores, controle de qualidade, e delimitaram os problemas e desafios a serem superados ao longo de 2017.

Sobre os desafios identificados durante o evento, Flávia Amadeu (que guiou as atividades) mencionou o longo intervalo entre as produções de mantas. “A intermitência da produção é um problema, ou seja, tem produção, depois não tem. Estamos vendo o que acontece para que possamos melhorar esse processo. Há também problemas de logística, falta de insumos e vários outros desafios a serem trabalhados”, conta.

A designer tem a borracha colorida como sua matéria-prima principal há 13 anos e fala sobre a transformação que esse trabalho gera nas comunidades e na preservação da floresta.

“Amo esse trabalho porque ele gera renda na floresta e inclui as mulheres na cadeia produtiva da borracha. Além de tudo, protege a floresta. Estar em campo com as comunidades, entender como elas vivem, entender todo o processo, desde a árvore até o consumidor final é o que faz o design sustentável, um design holístico, que envolve o conhecimento do processo de produção desde a sua origem. É uma paixão muito grande ver a transformação social dentro da floresta, o envolvimento das mulheres, ver também novas gerações se envolvendo com essa iniciativa e levar ao público um pedacinho da Amazônia com alto valor de design e com uma história muito bonita por trás”, relata.

Sebastião de Lima Gomes, mais conhecido na região por Rubens, um dos maiores produtores da FSA do Curralinho, mostra envolvimento com o trabalho. “A SOS Amazônia tem nos ajudado muito com cursos de capacitação, estamos ganhando mais experiência, é um projeto bem aplicado que está nos ajudando a produzir com mais qualidade.  Produzo há quatro anos, mas ninguém aprende tudo, pois o conhecimento nunca chega ao fim. Então, essa capacitação é um privilégio, é um modo de a gente se relacionar uns com os outros, de ter mais responsabilidade e entender a importância de cumprir os contratos no tempo certo”, expõe.

Borracha colorida da Amazônia FSA (9)

Dona Francisdalva usando uma joia orgânica Flávia Amadeu

Enquanto seu Rubens faz a coleta do látex, sua esposa Francisdalva e filhas produzem a folha colorida.  Há três anos na produção de FSA, dona Dalva conta que a qualidade de vida da família teve um aumento significativo. “Esse trabalho tem nos ajudado muito na qualidade de vida, no sustento da família.  Quando há alguém que compre a nossa produção é um ato que preserva a floresta e também o sustento da nossa família. Por isso peço que pessoas nos ajudem, comprando os produtos da floresta”, recomenda.

De acordo com o coordenador geral do Valores da Amazônia, Àlisson Maranho, o projeto prevê para a Cooperafe a construção de 20 unidades de produção e secagem de borracha do tipo FDL (Folha de Defumação Líquida), destas, 10 estão em fase de construção, podendo serem usadas tanto para a produção de FDL quanto para FSA, além de cursos de capacitação em boas práticas para que novas 20 famílias iniciem a produção de borracha. “Feijó produz por ano cerca de três toneladas, e nós estimamos que haja um aumento significativo na produção de borracha deste município em pelo menos seis toneladas ao ano, gerando assim, mais uma oportunidade de geração de renda para as famílias”, explica.


Galeria de imagens Boas Práticas de FSA


PROJETO VALORES DA AMAZÔNIA

O projeto Valores da Amazônia foi selecionado no âmbito da Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis do Fundo Amazônia/BNDES para Estruturação, Fortalecimento e Integração das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros nos estados do Acre e Amazonas.

Objetivo: Disseminar e apoiar iniciativas empreendedoras em nove instituições aglutinadas, com foco na geração de trabalho e renda, e no desenvolvimento sustentável da região.

Cadeias de valor apoaidas: Cacau Silvestre, Borracha (Cernambi Virgem Prensado – CVP e Folha de Defumação Líquida – FDL) e Óleos Vegetais (Buriti, Murmuru, Cocão, Andiroba).

Abrangência:

 Acre: Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Porto Walter. Amazonas: Boca do Acre, Pauini, Lábrea e Silves

Saiba mais.

MODA SUSTENTÁVEL 

Saiba mais sobre as joias orgânicas da Flávia Amadeu.


BORRACHA FSA

Borracha colorida da Amazônia (2)

A borracha colorida FSA foi desenvolvida pelo Projeto Tecbor do Laboratório de Tecnologia Química da Universidade de Brasília e representa mais uma alternativa para a continuidade do extrativismo da borracha nativa da floresta Amazônia. Os seringueiros, conhecedores da floresta, coletam o látex das árvores, que continuam produtivas por gerações. O líquido é então levado para a unidade de produção, onde a borracha é produzida. As mantas de borracha podem então ser usadas no design de produtos ou no artesanato local.


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