Vida dos extrativistas melhorou com programa de ATES realizado pela SOS Amazônia

Ícone de relógio jun 20, 2016

 

A Superintendência do Incra no Acre realizou  um encontro de avaliação da política de assistência técnica relativa ao contrato de 2013 na Reserva Extrativista (Resex) Alto Juruá, em Marechal Thaumaturgo.  Para isso, reuniu técnicos da organização não-governamental SOS Amazônia, que é a responsável pela assistência técnica na Resex, lideranças comunitárias e agentes do Instituto Chico Mendes para Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Dados os avanços, o encontro serviu para ampliar os debates da repactuação do Programa de Assessoria Técnica, Social e Ambiental à Reforma Agrária (ATES) naquela reserva extrativista. Os casos de sucesso foram relatados por mais de 50 extrativistas representantes de 10 polos da Resex.

Para assegurar que o serviço vem sendo prestado com a qualidade e trazendo os resultados exigidos pelo Incra, o superintendente Márcio Alécio e a equipe de ATES do Incra  – Erycele Furtado, Luiz Pedrosa e Tadeu Januário – estiveram na Resex entre os dias 16 e 17 para conferir pessoalmente o trabalho desenvolvido pela SOS Amazônia. Os diretores da SOS Amazônia, Adair Duarte e Maria Aparecida Lopes, também participaram da avaliação. O grupo constatou os grandes avanços nas áreas produtiva, social e ambiental proporcionado pelo programa de ATES.

A servidora do INCRA responsável pelo acompanhamento e fiscalização do contrato de ATES na região, Erycele Furtado, chegou a se emocionar com os depoimentos dos assentados. “Ter oportunidade de verificar na prática os resultados positivos do nosso trabalho e poder contribuir para a melhoria de vida de vocês não tem preço. Isso nos deixa muito feliz e nos motiva a trabalhar ainda mais por cada um de vocês”, disse a técnica, visivelmente emocionada e feliz, com os olhos cheios de lágrimas.

De seu lado, a SOS Amazônia ressaltou o compromisso e a vocação da organização em contribuir para o desenvolvimento sustentável da região. “A Resex Alto Juruá foi a primeira unidade de conservação criada no Brasil e queremos contribuir para que seja referência nacional”, afirmou Maria Aparecida Lopes, diretora da SOS Amazônia.

Cida Lopes (secretária técnica da SOS Amazônia), Erycele Furtado (Incra) e Adair Duarte (coordenador de projetos/SOS Amazônia)

Cida Lopes (secretária técnica da SOS Amazônia), Erycele Furtado (Incra) e Adair Duarte (coordenador de projetos/SOS Amazônia)

Os fiscais Luiz Pedrosa e Tadeu Januário elogiaram o trabalho dos técnicos, destacaram as dificuldades enfrentadas e ressaltaram aos presentes ao encontro a importância dos serviços de ATES para o desenvolvimento da comunidade. O ICMBio, agradeceu ao Incra por mais essa parceria, que segundo o órgão é fundamental para melhorar a vida para as famílias.

“Queremos que o programa de Ates continue. Não podemos ter perdas. Os resultados estão aí para todos comprovarem. Parabéns ao Incra pelas inovações no Programa de ATES. O Incra, no começo, disponibilizou as casas, agora a assistência técnica e está previsto a liberação de créditos. Quereremos muito agradecer ao Incra por todo apoio aos extrativistas”, disse Domingos Inácio, gestor da Resex pelo ICMBio.

Os exemplos estão por toda a reserva.  Os extrativistas melhoraram de vida com as orientações prestadas pelos técnicos e a adoção de práticas sustentáveis, como uso da mucuna, criação de aves, implantação de sistemas agroflorestais (SAFs), o  controle alternativo de pragas e doenças, consórcio e diversificação de culturas, criação de abelhas sem ferrão, tratos culturais, sistemas de plantio adequados à unidade de conservação, resgate do uso de sementes florestais, manejo de quelônios, destinação adequada do lixo, roçados sustentáveis, viveiros comunitários, reflorestamento e cultivos sem desmate e queima e  extração de óleos vegetais, principalmente copaíba.

Cidadania e aumento da produção para consumo e comercialização

 Atualmente muitos extrativistas, que adotaram o uso de leguminosas para recuperar áreas e realizar seus plantios, produzem satisfatoriamente para o consumo da família e também para a comercialização, abastecendo a cidade de Marechal Taumaturgo e mostrando que é possível produzir sem desmatar e queimar novas áreas, usando uma tecnologia simples e barata, acessível a todos, que representa a independência dos produtores.  Os depoimentos foram todos nesse sentido.

Olimar e Francisco disseram que não precisam mais derrubar e queimar após terem adotado o uso de mucuna para recuperar áreas degradadas e produzir. “Hoje, com plantio de mucuna, recuperei uma área de pastagem degradada e faço meus plantios bem pertinho de casa. Tenho mandioca do lado da casa de farinha, implantei SAF’s e minha mesa está muito mais farta”, disse Olimar. E completou dizendo: “Fico feliz também por saber que muitos companheiros visitam minha área, parando de derrubar e estão passando a adotar a mucuna”.

O uso da mucuna resultou num aumento de 25% da produção da agricultura familiar e extrativista na reserva e a presença forte do Incra e de outros organismos federais fez com que pelo menos 1,8 mil pessoas emitissem documentos ou dessem entrada ao acesso a benefícios sociais com a realização dos mutirões da documentação.

Ao longo dos últimos três anos, o Incra procedeu a assinatura de 550 contratos, divididos em 275 para os projetos de Fomento Produtivo e 275 para o de Fomento Mulher, referentes ao crédito instalação implementado na reserva, num investimento da ordem de R$ 3 milhões, com destaque para o fortalecimento das atividades das mulheres.

O fomento produtivo garante o fortalecimento das atividades desenvolvidas na UPF, com a aquisição de insumos, equipamentos e apoio ao transporte. No caso do Fomento Mulher destacam-se os investimentos em aquisição de equipamentos para o beneficiamento do açaí, infraestrutura destinada à produção de hortaliças e aquisição de máquinas de costuras, artesanatos, entre outros, de acordo com a demanda da família.

Marcio Alécio: “sucesso de ATES mostra a importância do Incra”

O superintendente do Incra, Marcio Alécio, se mostrou muito satisfeito com os resultados obtidos, elogiou a equipe da SOS Amazônia pelo trabalho e compromisso social e ambiental, agradeceu ao ICMBio pela parceria e parabenizou os assentados pelos avanços, principalmente por acreditarem e colocarem em prática as orientações.

“Trabalhamos muito para que esses serviços fossem disponibilizados aos extrativistas da Resex Alto Juruá e poder ver que está dando certo é muito gratificante. Voltamos mais firmes e fortes, com energias renovadas, na certeza de que temos muito a melhorar, mas que estamos no caminho certo e que o Incra está contribuindo muito para que as famílias assentadas da reforma agrária alcancem dias melhores”, disse Alécio.  Para ele, esses são os resultados que mostram a importância do Incra, das unidades de conservação e da agricultura familiar e reforma agrária, que produz alimento, gera renda sem agredir o ambiente e melhora a vida das pessoas.

Fonte: Portal Expresso Amazônia | Foto: Reprodução.

 

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