As lições inspiradoras do 8º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação

Ícone de relógio set 28, 2015

o exemplo que inspira

Realizado em Curitiba pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, o CBUC 2015 abordou temas com o objetivo de inspirar especialistas na área ambiental a mobilizar pessoas para a causa da conservação da natureza.

Personalidades como Marina Silva, Fernando Meireles, Albert Appleton e Ryan Hreljac falaram com muito entusiasmo para um auditório com mais de 1 mil pessoas.

MARINA SILVA

A ambientalista, Marina Silva, destacou que a sociedade precisa entender que “a má qualidade do ambiente afeta significativamente a vida e o futuro das pessoas”

Para ela, a aproximação do cidadão comum da temática ambiental só se dará quando ele entender que muitas das mazelas que enfrenta cotidianamente, como a falta de água ou a ocorrência de algumas doenças, são causadas por problemas ambientais. “Precisamos mostrar que a má qualidade do ambiente afeta significativamente a vida e o futuro das pessoas. Em muitos casos, um problema de saúde não vai ser resolvido apenas com a abordagem convencional da medicina, mas com uma melhoria no ambiente em que a pessoa vive”, ressaltou. Exemplo disso são as doenças derivadas da contaminação do ar nas grandes cidades e do consumo de alimentos contaminados por agrotóxicos.

Segundo a ambientalista, estabelecer e disseminar o conhecimento dessas correlações é fundamental e pode fazer do cidadão, “um consumidor mais exigente de qualidade ambiental nos produtos e um eleitor que leve em consideração questão ambiental quando escolher seus governantes”, aponta.

Marina Silva comentou que é necessário deixar de usar crenças ultrapassadas como a ideia de que somente os outros são os culpados. “É claro que há uma responsabilidade do sistema, dos governos, dos devastadores, das empresas que não tomam cuidados sociais ou ambientais. Mas as responsabilidades de cada um de nós não podem ser esquecidas. Nós fazemos escolhas todos os dias: o que comemos, o que vestimos, o modo como nos relacionamos com os outros, com a natureza e com a sociedade. A civilização, com seus problemas e crises, é obra de todos nós”, ressaltou.

Ela disse ainda que é preciso agir pensando nas consequências. “Fazer uma obra sem cuidado social e ambiental provoca problemas e não adianta dizer que é ‘desenvolvimento sustentável’ ou ‘inclusão social’ ou qualquer palavra bonita”.

FERNANDO MEIRELLES

Fernando Meirelles, um dos nomes mais respeitados do cinema brasileiro, falou no VIII #CBUC sobre como mobilizar a população para as causas ambientais.

Ele foi incisivo ao afirmar que os cientistas não aprenderam ainda a se comunicar com a sociedade. “Os cientistas precisam aprender a se comunicar com o público por meio de histórias, não de estatísticas. Não adianta falar que um sapo está ameaçado de extinção se a pessoa que está ouvindo não sabe nada sobre aquele bicho. O cara não está nem aí pro seu sapo. O que pega as pessoas é o recado emocional. Se o sapinho não tiver nada a ver comigo, não me interessa.”

Meirelles alertou que a extinção de espécies tem um impacto direto no funcionamento dos ecossistemas dos quais dependemos para sobreviver, como as florestas, rios e oceanos (apesar de tudo isso parecer muito distante e muito desconectado da gente). Mas que não é falando só de trabalhos científicos que os cientistas vão convencer as pessoas a se importar.

“Cientista é um bicho muito louco. Vocês ficam falando só entre vocês”, destaca. Como exemplo, citou o tema mudanças climáticas. “Um tema onde essa dificuldade de comunicação se faz presente de forma muito clara é o das mudanças climáticas. O problema já é estudado há décadas, e não faltam evidências científicas para mostrar que ele é real, urgente, extremamente sério e vai impactar a todos. Mas a comunicação da ciência com o público e com os governantes continua sendo muito difícil, muito cheia de números, gráficos e estatísticas. Segundo Meirelles, é preciso apelar para o lado emocional das pessoas, e não apenas o racional.

Pensando em colaborar com os cientistas, para seu próximo trabalho, ele está produzindo uma série de ficção para a rede inglesa BBC sobre o aquecimento global, principalmente com foco nos mares e oceanos.

O EXEMPLO QUE INSPIRA

O canadense Ryan Hreljac sensibilizou os participantes contando sua trajetória para tentar resolver o problema da falta de água na África, iniciada quando tinha apenas 6 anos de idade. Inquieto com um trabalho escolar, onde mostrava que crianças na África não tinham acesso a água potável de qualidade, ele começou a arrecadar dinheiro de parentes, amigos e vizinhos para a construção de um poço e não parou mais. Hoje, aos 24 anos, tem sua própria fundação, a “Ryan’s Well Foundation”, que já contribuiu na construção de 880 projetos relacionados à água e 1.120 latrinas, proporcionando água potável e melhorando o saneamento para mais de 824.038 pessoas.

“Percebi que as pessoas que fazem a maior diferença não eram super-heróis, eram meus vizinhos, meus colegas. Quando falamos de questões grandes, temos que levar para nosso próprio nível e pensar: o que eu posso fazer? Há tanta capacidade que não utilizamos”, disse Ryan.

O americano Albert Appleton, também conhecido como o homem que salvou Nova York da crise de água, falou sobre um dos mais famosos cases sobre Pagamento por Serviços Ambientais (PSA): o programa de proteção de mananciais de Catskill, que garantiu a conservação de água na cidade de Nova Iorque e é considerado um dos mais bem sucedidos do mundo.

ARTIGO DA SOS AMAZÔNIA SELECIONADO (TRABALHOS TÉCNICOS)

O evento selecionou 167 trabalhos técnicos para apresentação, divididos em cinco eixos temáticos: Biologia da Conservação; Estratégias de Mobilização da Sociedade; Planejamento, Gestão e Manejo; Políticas Públicas e Marco Legal; e Serviços Ambientais. Artigo da SOS Amazônia, escrito pelo engenheiro florestal, MSc. Álisson Maranho, foi selecionado no eixo temático Planejamento, Gestão e Manejo. Com o título “Paradigmas e Modo de Vida nas Reservas Extrativistas: Estudo de Caso da Resex Alto Juruá do Estado do Acre”, o artigo analisa o modo de vida na Resex Alto Jurá, no município de Marechal Thaumaturgo, Acre. Confira!

(Foto: Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza)

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