SOS Amazônia promove curso de manejo e conservação de quelônios

Ícone de relógio jul 22, 2015

 

 

Curso de manejo e conservação de quelônios

A SOS Amazônia, em parceria com a Wildlife Conservation Society (WCS Brasil), Laboratório de Biologia Animal (Ufac) e o INCRA, realizou entre os dias 9 e 12 de julho, na comunidade Belfort, localizada na Reserva Extrativista Alto Juruá, Marechal Thaumaturgo, curso de manejo participativo e conservação de quelônios (tartarugas, tracajás e iaçás). Essa atividade representa o fortalecimento do projeto “Quelônios do Juruá: Eu protejo”, coordenado pela SOS Amazônia desde 2003.

De acordo com a secretária técnica da SOS Amazônia, Cida Lopes, o curso teve por objetivo promover a capacitação técnica da equipe de ATES e dos comunitários que atuam diretamente nas atividades de monitoramento das áreas de desova dessas espécies.

Ministrado pela Drª. Camila Kurzmann Fagundes, da WCS Brasil, o curso contou com oficinas teóricas e práticas, onde foram abordados temas como biologia, distribuição e status de conservação de quelônios; histórico da conservação de quelônios no Brasil e a importância do envolvimento comunitário nesse processo; técnicas de manejo de praias: marcação de ninhos, medidas a serem tomadas nos ninhos, ovos e fêmeas adultas, marcação de fêmeas adultas; proteção dos ninhos, transferência dos ninhos; nascimento de filhotes (marcação e biometria) e discussão de técnicas de manejo de filhotes como a soltura imediata e a retenção deles em berçários.

Camila Kurzmann falou da importância dos quelônios para a região e o que vem sendo feito para diminuir as ameaças contra a espécie.

“Indivíduos adultos têm sido capturados e seus ovos têm sido colhidos há muitas gerações, resultando em uma drástica redução das suas populações. A WCS Brasil e a SOS Amazônia acreditam que a melhor forma de reduzir a pressão de caça sobre os quelônios consiste na sensibilização das comunidades e o envolvimento destas na conservação do grupo. Assim, em áreas onde o consumo de bichos-de-casco é elevado, faz-se necessário o manejo participativo de praias de desova. Os comunitários assumem o compromisso de monitorar as praias a fim de garantir a conservação dos ninhos e o retorno das fêmeas aos rios e assegurar a disponibilidade do recurso às futuras gerações. O intercâmbio entre o conhecimento tradicional e científico, e o entendimento das necessidades dos comunitários é fundamental para a conservação das populações de quelônios”, explica. (Ver relato completo no final do texto)

Para o Dr. Tiago Lucena**, do Laboratório de Biologia Animal da Ufac, essas ações são fundamentais para sensibilizar a população local no tocante a importância dos quelônios. “Serão realizados trabalhos de cunho científico e de educação ambiental, espera-se com isso, iniciar um processo de sensibilização junto à população local, viabilizando o início de uma mudança comportamental em relação ao uso indiscriminado dos quelônios como recursos alimentares, permitindo o diálogo de saberes entre a universidade e as populações tradicionais”.

As atividades de conservação dos quelônios do Juruá têm a participação das famílias residentes na comunidade, dos técnicos do projeto de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES) da SOS Amazônia e de estudantes da UFAC. Os comunitários vão atuar como monitores das áreas de desova, os técnicos da ATES vão promover suporte técnico para o desenvolvimento e continuidade das atividades na região e os estudantes da Ufac irão participar das pesquisas científicas.

Os cursos são uma contrapartida do projeto de Assistência Técnica, Social e Ambiental (ATES Alto Juruá), realizado pela SOS Amazônia em parceria com o Incra.

Foto: Tiago Lucena/Ufac | Acesse fotos na galeria da SOS Amazônia.

Quelônios da Amazônia
“O Brasil é o quinto país em riqueza de quelônios juntamente com Austrália e China, apresentando 35 espécies e a Amazônia é uma região de grande riqueza de quelônios, onde 12 espécies são endêmicas. Os quelônios estão entre os grupos de vertebrados mais ameaçados e os impactos nas suas populações podem permanecer despercebidos por muitas décadas, devido a sua maturidade sexual tardia e longo período de vida. Algumas estimativas contabilizam que 49.9% das tartarugas de água doce estão em alguma categoria de ameaça. Somente na Amazônia Brasileira, sete espécies são classificadas em algum grau de ameaça conformem a IUCN (International Union for Conservation of Nature).

O declínio dos quelônios é atribuído principalmente à fragmentação de habitat e sobrexploração. O grupo tem vasta importância na alimentação das populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia e a pressão de caça é maior sobre as espécies da família Podocnemididae, principalmente Tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa), Tracajá (P. unifilis), Iaçá (P. sextuberculata) e Cabeçudo (Peltocephalus dumerilianus).

Indivíduos adultos têm sido capturados e seus ovos têm sido colhidos há muitas gerações, resultando em uma drástica redução das suas populações. A WCS Brasil (Wildlife Conservation Society) e a SOS Amazônia acreditam que a melhor forma de reduzir a pressão de caça sobre os quelônios consiste na sensibilização das comunidades e o envolvimento destas na conservação do grupo. Assim, em áreas onde o consumo de bichos-de-casco é elevado, faz-se necessário o manejo participativo de praias de desova. Os comunitários assumem o compromisso de monitorar as praias a fim de garantir a conservação dos ninhos e o retorno das fêmeas aos rios e assegurar a disponibilidade do recurso às futuras gerações. O primeiro passo nesse processo são os cursos de capacitação técnica e as reuniões com os comunitários e equipe do projeto para a tomada de decisões referente ao manejo. O intercâmbio entre o conhecimento tradicional e científico e o entendimento das necessidades dos comunitários é fundamental para a conservação das populações de quelônios” (Drª Camila Kurzmann)

Projeto Quelônios do Juruá: Eu protejo!

Sob a coordenação técnica da SOS Amazônia, as atividades de proteção dos quelônios acontecem desde 2003. Voluntariamente, cerca de 20 famílias de produtores ribeirinhos, protegem por ano, desovas em mais de 250 covas, em 40 praias ao longo do rio Juruá, nos municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. As famílias, anualmente, precisam de materiais e utensílios para a proteção, necessitam de assistência técnica e apoio na divulgação das praias protegidas. No entanto, sofrem ameaças de pessoas que colocam em risco todo o trabalho, roubando ovos e destruindo ninhos. Tendo em vista a inconstância de patrocinadores, é necessário a geração de renda para a sustentabilidade das atividades dos protetores.

* Camila K. Fagundes é formada em Biologia pela Universidade Federal de Santa Maria, e concluiu o Mestrado em Biodiversidade Animal na mesma Universidade. Camila completou seu doutorado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) em Biologia Aquática, desenvolvendo estudos sobre planejamento de conservação espacial em relação aos impactos da perda de habitat na Amazônia, produzindo mapas que mostram as áreas prioritárias para a conservação de quelônios. Suas atividades de pesquisa também estão focadas na vulnerabilidade dos organismos ao uso da terra/mudanças de cobertura da terra e modelagem de distribuição de espécies destinadas à práticas de gestão. Camila iniciou suas atividades na coordenação de análises espaciais na Wildlife Conservation Society (WCS) em 2015.
** Tiago Lucena é professor adjunto da UFAC – Campus Floresta, Cruzeiro do Sul – Acre

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