Curso capacita multiplicadores para atuar com saneamento básico rural no Juruá

Ícone de relógio ago 06, 2014

Técnicos da extensão rural, Prefeituras e Secretaria de Agricultura dos municípios de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima participam, nos dias 6 e 7 de agosto, do curso “Saneamento básico rural”, para aprender como funciona o sistema de fossa séptica biodigestora, tecnologia social que vem sendo implantada em áreas rurais das diversas regiões do país como alternativa para o tratamento de esgoto doméstico.

O curso, promovido pela SOS Amazônia e WWF, em parceria com a Embrapa, tem o objetivo de formar multiplicadores para atuar na disseminação da tecnologia em comunidades rurais do Vale do Juruá.

A Fossa Séptica Biodigestora é uma tecnologia social desenvolvida pela Embrapa Instrumentação (São Carlos/SP) em 2001, com intuito de substituir o sistema de fossas rudimentares – conhecidas como fossas negras- comumente utilizado no meio rural e que contaminam o solo, lençóis freáticos e cursos d’água.

De acordo com o pesquisador Wilson Tadeu da Silva, instrutor da capacitação, trata-se de uma tecnologia de fácil instalação e baixo custo, sendo acessível às diversas realidades das famílias rurais, com impacto ambiental social e econômico. “Quando o assunto é saneamento básico estamos falando de saúde pública porque diversas doenças como verminoses, diarreia e hepatite, responsáveis por elevar o índice de mortalidade no campo, provêm do uso de águas contaminadas”, explica.

Um dos principais desafios para melhoria da qualidade de vida no meio rural brasileiro é a falta de saneamento básico. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD-IBGE, 2011), cerca de 23 milhões de pessoas não têm acesso a esgoto canalizado e água tratada, fato que traz graves consequências à saúde e ao meio ambiente. Na área urbana brasileira apenas 52% da população possui rede coletora de esgoto, enquanto na área rural o número de moradores atendidos por saneamento é inferior à de muitos países sub-desenvolvidos.

O uso de tecnologias sociais está entre as alternativas para reduzir os riscos de doenças e melhorar a saúde pública tanto no meio rural como urbano. No Acre, o projeto Plano de Gestão de Bacias, desenvolvido pela S.O.S Amazônia, com recursos do HSBC Solidariedade e apoio do WWF Brasil, vai implantar 25 unidades de fossa séptica em propriedades rurais da região do Juruá, na Bacia do Paraná dos Mouras, município de Rodrigues Alves. A capacitação faz parte das ações do projeto.

As atividades teóricas do curso acontecem no escritório da Embrapa Acre, em Cruzeiro do Sul, e as aulas práticas em uma propriedade rural localizada no ramal Alto Pentecoste, em Mâncio Lima, onde será instalada uma unidade demonstrativa da tecnologia. “Vamos ensinar como montar a tecnologia, explicar sobre os materiais envolvidos, critérios para escolha do local de instalação. É importante que o agricultor tenha conhecimento dos aspectos construtivos e de funcionamento para garantir a eficiência da tecnologia”, destaca o engenheiro Carlos Renato Marmo, analista da Embrapa Acre, responsável pela montagem da unidade piloto.

Os técnicos participantes da capacitação vão multiplicar os conhecimentos adquiridos, junto às famílias de agricultores da região. “A ausência de banheiro em casa é uma realidade nas áreas rurais brasileiras, especialmente na Amazônia. Muitas vezes, é também uma questão cultural, por isso é importante mostrar as vantagens da tecnologia e conscientizar as pessoas. Mas, para que a tecnologia funcione bem é importante o envolvimento da família, daí porque a necessidade de conscientização e monitoramento”, diz Maria Aparecida Lopes, coordenadora técnica da SOS Amazônia.

[box] Como funciona o sistema

Para o pesquisador Wilson Tadeu Silva, o projeto sozinho não vai resolver o problema de saneamento básico no meio rural da região, mas mostra que existem alternativas simples e eficientes para tratamento e aproveitamento da água e para melhorar a qualidade de vida no campo. Por outro lado, mostra a necessidade de se investir em saúde pública e com o apoio de instituições parceiras isso é possível”, afirma.

O sistema de fossa séptica biodigestora é composto por três caixas d’água de fibra de vidro interligadas entre si e ao vaso sanitário da residência. Mensalmente é adicionada ao sistema uma mistura de água e esterco bovino fresco, que fornece as bactérias que estimulam a biodigestão dos dejetos, transformando-os em um adubo orgânico. Como explica Wilson Tadeu, esse sistema não gera odores, melhora as condições do esgoto doméstico e impede a contaminação do solo e da água consumida pelas famílias. Fazendo o tratamento do esgoto estamos evitando a contaminação do meio ambiente e contribuindo para reduzir a incidência de doenças no campo.

Outra vantagem é que o adubo orgânico líquido gerado pelo sistema pode ser empregado no preparo de solos e na adubação de pomares, devido a sua capacidade fertilizante. “Além de proporcionar melhores condições de saúde e ganhos ambientais, a fossa séptica contribui para reduzir custos com a produção agrícola, uma vez que o produtor dispõe de adubo de qualidade a custo quase zero”, afirma o pesquisador.

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(Diva Gonçalves / Embrapa//Foto: Embrapa)

 

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