Juventude do campo escracha mercado de agrotóxicos em Rondônia

Ícone de relógio jul 11, 2014

Cerca de 100 jovens da Via Campesina presentes no Acampamento Estadual da Juventude, em Rondônia, realizaram um ato pela Reforma Política e escracharam a Casa da Lavoura, mercado que vende agrotóxicos, na manhã desta quarta-feira (09).

Músicas, faixas e panfletos foram algumas das ferramentas utilizadas pela juventude, que se dividiram em três frentes e ocuparam todos os espaços da cidade para denunciar os limites do atual sistema político, a precariedade da educação no campo e apontar os males causados pelos venenos agrícolas.

Desde o último dia 3 de julho, a juventude dos movimentos sociais do campo, como MST, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), estão reunidos na cidade de Ouro Preto do Oeste, no Acampamento Estadual da Juventude da Via Campesina.

Segundo Walisson Rodrigues, coordenador da Via Campesina em Rondônia, o objetivo da jornada é levar para o cotidiano da população do campo temas poucos discutidos, mas que afetam diretamente a realidade dos camponeses.

“Estamos fazendo panfletagens nas escolas, com apresentações de teatro e aulas públicas sobre educação. Também vamos aos hospitais para falar da importância do Plebiscito Constituinte, na promoção de mudanças do nosso sistema político brasileiro, e denunciamos o mercado de agrotóxicos que, dentre outras coisas, acelera o êxodo rural nas regiões camponesas”.

Outro tema presente nas discussões é a diminuição de escolas nas zonas rurais e a implementação do ensino à distância pelo governo estadual, motivo de apreensão entre os movimentos sociais do campo.

Para Raul Amorim, do coletivo nacional da juventude do MST, mobilizações como essa fazem parte da insatisfação que toma conta da juventude camponesa no Brasil.

“As escolas estão sendo fechadas e o governo estadual de Rondônia promove cada vez mais o ensino à distancia na região. Isso é inaceitável diante do atual cenário educacional que vivemos. Esse acampamento é uma maneira de nos organizarmos contra a ofensiva do modelo de agricultura do agronegócio”, acredita.

Segundo dados do Censo Escolar do Ministério da Educação (MEC), na última década mais de 37 mil escolas foram fechadas nas zonas rurais em todo o país.

O acampamento, que terminou nesta quinta-feira (10), faz parte da preparação para o Acampamento Internacional da Juventude da Via Campesina, que acontece no mês de novembro, na cidade Foz do Iguaçu (PR).

Por Maura Silva

MST

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