SOS Amazônia apresenta projeto de ATES às comunidades da Resex Alto Juruá

Ícone de relógio mar 28, 2014

(Eliz Tessinari / SOS Amazônia)

Depois de 14 dias visitando as comunidades rurais que vivem às margens do rio Tejo e igarapé Bajé, entre os dias 8 e 21 de março, a equipe da SOS Amazônia retorna a Marechal Thaumaturgo com a confirmação do grande desafio que tem pela frente na Reserva Extrativista Alto Juruá: fazer acontecer a organização social, fomento do extrativismo e produção sustentável, e comercialização, envolvendo cerca de 1200 famílias.

A primeira viagem às comunidades, denominada de Marco Zero, teve por objetivo promover cinco oficinas de apresentação do projeto de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES), realizado pela SOS Amazônia, com o apoio financeiro do INCRA. Para cumprir a missão, o projeto conta com mais de 20 profissionais (engenheiros florestais, assistentes sociais, técnicos agroflorestais, florestais e agroecologias, informática, agentes de ATES).

Restauração, Maranguape, Novo Horizonte, Iracema (às margens do rio Tejo) e Remanso (às margens do igarapé Bajé) foram as comunidades polos que receberam as primeiras oficinas de apresentação. Em abril, a atividade será apresentada nas comunidades polos ao longo do rio Juruá: Foz do Breu, Caiporinha, Belfort, Acuriá e Foz do Tejo. Ao todo, o projeto alcança cerca de 70 comunidades.

Participaram das cinco oficinas, 376 ribeirinhos. Destes, 144 mulheres. Além das atividades de recreação para 300 crianças, aproximadamente. Destacamos ainda a participação das instituições locais: Associação dos Seringueiros e Agricultores da Reserva Extrativista do Alto Juruá (Asareaj), Prefeitura de Marechal Thaumaturgo e Sindicado dos Trabalhadores Rurais (STTR). Na ocasião, essas instituições anunciaram que estão à disposição do projeto de ATES na Reserva.

“O projeto de ATES na Resex tem duração de 30 meses e o nosso objetivo principal é melhorar a qualidade de vida das famílias que vivem na Reserva, com foco na conservação dos recursos naturais. Sabemos que é um desafio muito grande, mas com muita dedicação da equipe e clareza em nossas ações, tenho certeza que vamos conseguir semear muitas coisas boas na Resex”, destaca o coordenador de ATES/SOS Amazônia, Adair Duarte.

Metas 

Entre as metas estabelecidas no projeto, Duarte cita: implementar a organização social; garantir uma produção Agroecológica; resgatar o extrativismo; garantir que as famílias permaneçam na reserva, pois atualmente há um êxodo rural muito grande; proporcionar segurança alimentar e nutricional, saúde, educação, acesso às políticas públicas; assegurar a participação de pelo menos 30% das mulheres nas atividades; e garantir que essas famílias comercializem esses produtos.

Raimundo MarinRaimundo Marin de Holanda, 33 anos, da comunidade Cachoeirinha, às margens do rio Tejo, mora na Reserva desde que nasceu e vive da agricultura (farinha, arroz, feijão). Destes produtos, comercializa apenas a farinha. Diferente da prática do roçado sustentável, desmatar tem um custo muito alto, é cansativo, perigoso e devasta nossa biodiversidade. Por isso, ele espera que a técnica de uso da mucuna em seu roçado traga mais benefícios para o seu dia-a-dia.

“Se o projeto funcionar mesmo, vou querer vender arroz e feijão também. E a farinha por um preço melhor, claro. Por mim, não desmataria, se tiver mesmo o treino com essa técnica da mucuna e a gente perceber que é vantagem, tudo bem. Senão, a gente continua do mesmo jeito, desmatando para plantar”, disse.

Equipe realiza 300 visitas técnicas

Além das oficinas, a equipe técnica da SOS Amazônia realizou 300 visitas técnicas para o diagnóstico familiar, com o objetivo de identificar o potencial das famílias, problemas enfrentados na região e alternativas para a solução das barreiras encontradas.

O resultado do diagnóstico está sendo processado pela equipe de ATES e em breve será divulgado no site da SOS Amazônia.

Pais no debate, crianças na recreação

Mais de 300 crianças, incluindo as cinco oficinas, participaram de recreação com abordagem ecológica, boas práticas alimentares, saúde bucal e vivências, “uma proposta inovadora, que, além de promover divertimento e instigar a criatividade das crianças, chega para assegurar a participação das mulheres em atividades coletivas”, explica a secretária técnica da SOS Amazônia Cida Lopes.

O ATES na Resex Alto Juruá tem apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério do Meio Ambiente, ICMBio e Serviço Florestal Brasileiro.

 

Leia depoimentos de moradores da  Resex Alto Juruá. [Marco Zero]

 

 

Próximos posts

Ícone de folha de árvore Seja Voluntário SOS Amazônia

Tem sede de ajudar a mudar o mundo a sua volta?
Seja um voluntário SOS Amazônia, inscreva-se e em breve entraremos em contato

Ícone de folha de árvore Associe-se a SOS Amazônia

O seu apoio é fundamental para continuarmos a trabalhar pelo futuro da nossa floresta, rios, animais e da humanidade.
Afilie-se agora!

Ícone de folha de árvore Faça parte da equipe SOS Amazônia

Tem interesse em trabalhar na SOS Amazônia?
Nos envie seu currículo e faça parte da nossa base exclusiva de currículos


Ícone de folha de árvore Seja Parceiro SOS Amazônia

Tem sede de ajudar a mudar o mundo a sua volta?
Seja um voluntário SOS Amazônia, inscreva-se e em breve entraremos em contato