SOS Amazônia inicia atividades de ATES na Resex Alto Juruá

Ícone de relógio mar 07, 2014

Rio Juruá – Marechal Thaumaturgo

[Eliz Tessinari – SOS Amazônia)

Iniciativa tem por objetivo principal melhorar a qualidade de vida das famílias que vivem na Reserva, com foco na conservação dos recursos naturais, envolvendo três eixos fundamentais: organização social, fomento do extrativismo e produção sustentável, e comercialização.

Com nova sede no município de Marechal Thaumaturgo*, a SOS Amazônia iniciou no dia 3 de março, com apoio financeiro do Incra, o programa de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES), destinado aos moradores da Reseva Extrativista Alto Juruá.

Segundo o coordenador de ATES/SOS Amazônia, Adair Duarte, o projeto tem duração de 30 meses e tem por objetivo principal melhorar a qualidade de vida das famílias que vivem na Reserva, com foco na conservação dos recursos naturais, envolvendo três eixos fundamentais: organização social, fomento do extrativismo e produção sustentável, e comercialização.

Nesta Reserva serão beneficiadas, aproximadamente, 1200 famílias, envolvendo 10 comunidades polos: Restauração, Maranguape, Remanso, Novo Horizonte, Iracema, Foz do Breu, Caiporinha, Belfort, Acuriá e Foz do Tejo – alcançando cerca de 70 comunidades.

Treinamento, Apresentação e Visita Técnica

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Equipe Técnica da SOS Amazônia em treinamento

Na segunda, 3, foi iniciado o treinamento da equipe técnica (profissionais de nível médio e superior, de informática e agentes de ATES), um total de 18 profissionais.

Na quinta-feira, 6, no Plenário da Câmara dos Vereadores de Marechal Thaumaturgo, a SOS Amazônia apresentou às autoridades locais, todas as atividades previstas no projeto, como oficinas de apresentação, capacitação e acesso ao mercado, além de expor sua história institucional.

Participaram da reunião o prefeito da cidade, Aldemir Lopes, o presidente da Câmara, Antônio Alemão, presidente da Asareaj, José Domingos, representante do ICMBio, Figueiredo de Souza, produtores e outras autoridades locais.

A primeira viagem de campo começa no sábado, 8, e está prevista para terminar no dia 23 de março. Nesse campo, a equipe técnica da SOS Amazônia vai realizar oficinas de apresentação e visitas técnicas para o diagnóstico familiar. O objetivo inicial é identificar o potencial das famílias, problemas enfrentados na região e alternativas para a solução das barreiras encontradas.

Metodologia

Para a realização dos trabalhos, vai ser adotada a metodologia participativa, por meio da promoção de oficinas em todas as comunidades, visita técnica às Unidades Familiares, entrevista aos moradores, além de atividades recreativas com as crianças. Com base no levantamento, planos de ação vão ser elaborados em cada uma das comunidades polos.

“De imediato, sabemos que já existem cadeias em processo de consolidação como a farinha, o feijão, tabaco, gramixó (açúcar mascavo). Embora seja uma Resex, o extrativismo praticamente inexiste na região. Então, quais produtos extrativistas que vão ser trabalhados? A borracha? O açaí? O murmuru, buriti? Todos esses? A partir do planejamento participativo teremos mais conhecimento do potencial existente nessas comunidades. Dessa forma, vamos procurar atender os objetivos de criação da Resex, bem como a expectativa das famílias”, argumenta a secretária técnica da SOS Amazônia, Cida Lopes.

Para Duarte, outro ponto importante do projeto é o acesso ao mercado. Segundo ele, parcerias com o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) vão ser viabilizadas ao longo das atividades, além de outras alternativas que o mercado oferece. “As escolas da região consomem alimentos fornecidos por comerciantes da zona urbana, como enlatados e derivados. A proposta é melhorar a qualidade da alimentação com a aquisição dos produtos da agricultura familiar, gerando renda nas comunidades.” explica.

Atividades recreativas

O projeto vai oferecer também uma novidade para o público infantil das comunidades, que é a recreação com abordagem ecológica, boas práticas alimentares, saúde bucal e vivências. “Trata-se de uma proposta inovadora, que, além de promover divertimento e instigar a criatividade das crianças, chega para assegurar a participação das mulheres em atividades coletivas”, explica Cida Lopes.

Em resumo, há várias metas a serem cumpridas até o final do projeto, são elas: garantir que as famílias permaneçam na reserva, pois atualmente há um êxodo rural muito grande; implementar a organização social; garantir uma produção Agroecológica; resgatar o extrativismo; proporcionar segurança alimentar nutricional, saúde, educação, acesso às políticas públicas; e garantir que essas famílias comercializem esses produtos.

“Tudo isso tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos extrativistas e conservar a diversidade biológica, preservando nossa floresta, sem necessidade do desmatamento e o uso do fogo”, ressalta o coordenador de ATES.

O ATES na Resex Alto Juruá tem apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério do Meio Ambiente, ICMBio e Serviço Florestal Brasileiro.

[box] *Distante 146 km, em linha reta, de Cruzeiro do Sul (via aérea), e com acesso via fluvial (36 horas subindo e 16 horas descendo – em barco (baleeira), o mais usado pela população local).[/box]

[box]  Reserva Extrativista do Alto Juruá

Bioma: Amazônia

Área: 506.186 hectares

Resex A Reserva Extrativista do Alto Juruá foi a primeira a ser criada no Brasil, pelo Decreto n° 98.863 de 23 de janeiro de 1990, com uma área aproximada de 506.186 há. Está localizada no extremo oeste do Estado do Acre e do Brasil, no município de Marechal Thaumaturgo. A Reserva faz fronteira ao sul com o Peru, e na mesma bacia hidrográfica com áreas indígenas, sendo a oeste com a tribo Kampa do Rio Amônea, ao norte com a tribo Jaminawa-Arara, ao sul com a tribo Kampa do Rio Breu e Kaximinaua e a leste com a tribo Kaximinaua, todas em território brasileiro.

O acesso à área da Reserva pode ser por via aérea, saindo de Cruzeiro do Sul até Thaumaturgo, ou de barco, também partindo de Cruzeiro do Sul, pelo rio Juruá, que poderá durar de três a quatro dias de barco comum, ou um dia de barco do tipo “voadeira”.

Características

A área da Reserva Extrativista do Alto Juruá está inserida em um bioma que apresenta, macro-ecologicamente, pelo menos quatro tipos de florestas tropicais de terra firme, jamais inundadas, sendo uma com cobertura vegetal densa e a outra aberta. Os outros dois tipos de florestas estão ligados à rede hidrográfica: a floresta tropical aluvial inundada periodicamente e a floresta tropical de terraços, além de outras formações menos expressivas.

Os ritmos ecológicos da região são muito marcados pelas chuvas que apresentam total anual acima dos 2.200 mm, sendo os meses de dezembro, janeiro e fevereiro o trimestre mais chuvoso e junho, julho e agosto o mais seco. A umidade relativa do ar, média anual, está acima de 85%. As temperaturas médias também decrescem entre junho e agosto e as médias anuais são relativamente baixas em termos de Amazônia, situando-se por todo o ano abaixo de 25º C, com máxima absoluta de 38º C e mínima absoluta abaixo dos 8º C. A insolação média anual é ligeiramente inferior a 1.800 horas.

(Fonte: ICMBio) [/box]

 

 

 

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