SOS Amazônia promove evento para discutir novos rumos para a economia florestal

Ícone de relógio set 25, 2013

Em comemoração aos 25 anos da SOS Amazônia foi realizada, na segunda-feira, 23, no Anfiteatro Garibaldi Brasil/Ufac, mesa redonda sobre Economia Florestal – Viabilidade das cadeias de valor dos produtos florestais não madeireiros no Acre e Estados Vizinhos.

A mesa foi composta pelo professor de Engenharia Florestal da Ufac, Thiago Cunha, pelo membro do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), José Rodrigues de Araújo, e pela farmacêutica Silvia Basso (da Funtac). Outro integrante da mesa seria Manoel Monteiro, da Cooperacre. No entanto, não compareceu ao evento.

Moderada pelo especialista em marketing, Robson Penellas Amaro, a temática apontou vários problemas enfrentados pelos produtores e questionamentos sobre o futuro das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros.

Duas perguntas nortearam o debate. A primeira quis saber quais as principais dificuldades da produção florestal de não madeireiros, e a segunda investigou o que seria necessário fazer para alavancar a cadeia de valor dos diversos produtos no estado do Acre.

O professor Thiago alertou que faltam pesquisas mais específicas para resolver questões estacionais, como por exemplo, para responder por que a castanheira produz bem em um ano e no outro não, e por que algumas árvores de copaíba não produzem óleos. Aproveitou o momento para incentivar a pesquisa acadêmica aos presentes.

Enquanto o representante da CNS, Di Araújo, apontou para a falta de organização social. Segundo ele, a melhor saída para alavancar a produção é manter as comunidades rurais organizadas por meio de associações e cooperativas. Destacou também que a forma de pagamento ao extrativista na venda da borracha, por meio do Programa do Preço Mínimo do governo federal, precisa ser alterada, pois as cotas referentes aos subsídios estadual e federal são pagas bem depois do produto entregue ao empresário, e em períodos diferentes, o que aumenta o custo com deslocamento e toma mais tempo do produtor.

A farmacêutica Sílvia Basso afirma que, infelizmente, todos os estudos feitos até agora sobre a cadeia de valor de produtos não madeireiros não garantem viabilidade econômica.

Para elucidar essa afirmação, Luís augusto, da Funtac, disse que a lógica de mercado não se adequa à complexidade da floresta, tornando difícil viabilizar os produtos florestais não madeireiros. “O mercado tem que estar disposto a pagar um preço melhor pela borracha porque isso significa a conservação da floresta”, afirma.

Em contraponto, alguns participantes pensam que o caminho mais fácil seria preparar o extrativista para acessar o mercado, pois percebem o mercado como capitalistas convictos, com reduzido interesse em ser solidário com a causa.

Mas, o professor e pesquisador do Parque Zoobotânico, Tadeu Melo da Silva, alerta que acha inocência pensar que os produtores vão ser empreendedores de sucesso em meio a toda vulnerabilidade existente nas comunidades rurais.

Subsídios é o caminho, diz Bia Saldanha

Bia Saldanha, da TreeTap, foi enfática ao dizer que o caminho para mudar os rumos da economia florestal são os subsídios dos governos estadual e federal. “Nós temos que pensar como vão estar as cadeias de valor desses produtos daqui a 20 anos, em 2033. Precisamos dar um grande salto e não consigo imaginar essas cadeias daqui a 20 anos sem os subsídios. Não se cria autonomia em cinco anos, enquanto continuarmos a olhar a floresta por essa lógica neoliberal, não vamos conseguir avançar. As comunidades têm dificuldade de acesso ao mercado. Infelizmente, não aprendemos ainda a atravessar essa ponte”, observa.

A conservação da floresta como valor agregado precisa ser a vitrine para o sucesso das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros

Em suma, o debate apontou vários entraves que emperram o avanço das cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros. Além da sazonalidade da produção, um dos entraves mais debatidos para alavancar a comercialização destes produtos foi o preço irrisório que o mercado se dispõe a pagar, não colocando em discussão os ganhos ambientais. Ou seja, se o mercado compreendesse que não está em questão apenas o valor do produto, mas também, a conservação da floresta, os negócios nesse setor poderiam ter um caminho mais promissor. Além do intenso debate sobre a falta de subsídios para incrementar a economia florestal.

Na ocasião, Miguel Scarcello, diretor da SOS Amazônia, anunciou a aprovação do projeto Estruturação, fortalecimento e integração de cadeias de valor de produtos florestais não madeireiros nos estados do Acre e Amazonas junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que envolve três cadeias: borracha, cacau nativo e murmuru.

Informou ainda que em breve a SOS Amazônia vai disponibilizar na web, documento sobre os questionamentos, respostas e recomendações feitas durante o evento, além de agradecer a todos os participantes pela rica contribuição.

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