Roundup é mais tóxico que o glifosato

Ícone de relógio abr 10, 2013

Em uma nova pesquisa publicada na prestigiosa revista Toxicology [1], Robin Mesnage, Benoît Bernay e Gilles-Eric Séralini, da Universidade de Caen, na França, provaram, através do estudo de 9 herbicidas do tipo Roundup, que o composto químico mais tóxico não é o glifosato (seu princípio ativo e substância mais avaliada pelos órgãos reguladores), mas sim um composto que nem sempre é mencionado nos rótulos, o POE-15. Foram aplicados testes em 3 tipos de linhagens de células humanas e de espectrometria de massa (que avalia a natureza das moléculas) para identificar o composto e analisar seus efeitos.

O contexto: O glifosato é o “princípio ativo” do herbicida Roundup (da Monsanto), o mais utilizado do mundo, e de outras formulações comerciais parecidas. Ele foi avaliado em mamíferos previamente a sua autorização comercial. Mas os líquidos nos quais ele é diluído para compor os produtos comercializados, como em todos os agrotóxicos, contêm também adjuvantes classificados como “inertes”, frequentemente confidenciais, destinados a estabilizar o princípio ativo e permitir que ele seja absorvido pelas plantas, como espalhantes e umectantes. Dessa forma, esses herbicidas podem afetar todas as células vivas, inclusive as humanas. Isso porém acaba sendo negligenciado porque o glifosato e o Roundup são tratados como se fossem uma única coisa e a não toxicidade presumida do primeiro serve de base para as autorizações do segundo. Os órgãos reguladores e os fabricantes de herbicidas à base de glifosato fazem avaliações com o glifosato sozinho, e não com o herbicida em suas formulações comerciais. Os detalhes dessas avaliações são considerados confidenciais e mantidos sob sigilo pela indústria e órgãos de saúde e meio ambiente.

Conclusões e consequências: Este estudo demonstra que todos esses herbicidas à base de glifosato são mais tóxicos que o glifosato sozinho. Os níveis máximos de resíduos autorizados no meio ambiente e nos produos alimentares parecem, portanto, equivocados. A toxicidade de uma bebida (como a água de torneira) regularmente contaminada por resíduos de herbicidas como o Roundup, assim como de uma alimentação de soja ou milho geneticamente modificados para tolerância ao Roudup, já foi demonstrada em estudo com ratos publicado recentemente (2) pela equipe do professor Séralini, que também publicou as respostas a todas as críticas que recebeu (3). Esta nova pesquisa explica e confirma em grande parte esses resultados científicos.

Mas, além disso, trata-se de uma grave questão de saúde pública. Não apenas as autorizações dos herbicidas do tipo Roundup devem ser urgentemente questionadas como também as normas de avaliação de riscos devem ser completamente revisadas e realizadas de forma transparente e independente. Na verdade, os órgãos de avaliação, que sempre chegam à mesma conclusão que a Monsanto a respeito da inocuidade do produto, estão falhando por seu laxismo e suas práticas confidenciais que evitam a realização de avaliações completas. A primeira etapa de uma nova avaliação pelas agências sanitárias é a disponibilização na internet de todos os dados relativos às autorizações e os pareceres favoráveis ao uso do Roundup e produtos similares. Os dados toxicológicos da indústria devem ser publicizados.

Os adjuvantes da família do POE-15 aparecem agora como novos princípios ativos de toxicidade sobre células humanas e devem ser regulados como tais. Devem ser considerados nos testes de toxicidade. Demandamos uma revisão dos processos de homologação dos agrotóxicos de modo a incorporar testes de longo prazo das formulações comercializadas e utilizadas no meio ambiente.

Além disso, uma vez que os compostos tóxicos confidenciais são utilizados de maneira generalizada nas formulações de agrotóxicos, é de se temer, a partir destas descobertas, que a toxicidade de todos os agrotóxicos existentes tenha sido fortemente subestimada.

Este estudo foi conduzido na Universidade de Caen com o suporte estrutural do Criigen (Comitê de Pesquisa e Informação Independente sobre Engenharia Genética), que faz parte da Rede Europeia de Cientistas pela Responsabilidade Social e Ambiental (ENSSER www.ensser.org).

Nota à imprensa, Criigen em 21 de fevereiro de 2013.

Tradução: AS-PTA

 

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