SOS Amazônia realiza oito oficinas do PDC nas comunidades do Juruá

Ícone de relógio out 31, 2012

Depois de 16 dias visitando comunidades ao longo do rio Juruá, enfrentando a alternância frequente entre chuva forte e sol escaldante, a equipe SOS Amazônia, responsável pela elaboração de 28 PDCs (Plano de Desenvolvimento Comunitário), envolvendo cerca de 1340 famílias nas regionais do Juruá, Tarauacá/Envira, retorna à cidade com a missão cumprida, no que se refere a aplicação do ‘Formulário Comunitário – Base Familiar’ e a realização de oito oficinas planejadas para outubro.

O PDC foi idealizado pelo governo do Acre com o objetivo de colocar em prática o Programa de Inclusão Social e Desenvolvimento Econômico Sustentável do Estado do Acre (PROACRE/PROSER), e foi dividido em cinco etapas: Diagnóstico das Comunidades; Elaboração do Documento; Validação dos Recursos; Compra dos Equipamentos; e Entrega.

Até o momento 11 Comunidades Polos (COPs) foram visitadas, cerca de 600 famílias alcançadas. Em setembro, as COPs percorridas foram: Paraná, São Jerônimo e São Paulo. Este mês, a equipe técnica da SOS Amazônia foi a campo entre os dias 8 e 23 de outubro e percorreu oito comunidades, são elas: Foz do Natal, Novo Horizonte, Reforma, Esperança, Praia da Amizade, Muju, Tartaruga e Carlota. Em novembro, a SOS Amazônia já está se preparando para dialogar com mais nove COPs.

O objetivo, segundo o coordenador de campo dos PDCs elaborados pela SOS Amazônia, Mirlailson Andrade, é garantir o envolvimento dos moradores na elaboração do PDC, envolver os comunitários na gestão do território, fazer com que os comunitários reflitam sobre suas potencialidades e seus problemas, incentivar os comunitários a propor soluções inovadoras e adequadas para sua realidade, e estabelecer estratégias para o desenvolvimento social, ambiental e econômico das comunidades.

“A iniciativa possibilita a construção de um documento para cada COP com informações sobre habitação, saneamento, saúde, educação, organização social, uso da terra, produção e meio ambiente. Essa construção se dá por meio da aplicação do ‘Formulário Comunitário – Base Familiar’ e da promoção de oficinas, uma em cada COP, com a finalidade de compreender os anseios das famílias, a história das comunidades, o que mais valorizam na floresta, identificar os pontos fortes e fracos da localidade e planejar o que desejam para os próximos cinco anos”, observa Mirlailson.

Roçado Sustentável

Durante as oficinas, foram apresentadas aos produtores informações sobre a técnica do Roçado Sustentável com o uso da mucuna, uma leguminosa que recupera naturalmente os solos degradados. A técnica favorece o desenvolvimento de microorganismos, elimina a necessidade de uso do fogo e garante a segurança alimentar de pequenos e médios produtores. A maioria dos produtores afirma ser uma boa solução para evitar o desmatamento e que  estão dispostos a fazer o experimento  em suas áreas, com a assistência técnica da SOS Amazônia e Seaprof.

As atividades do PDC têm apoio financeiro do governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) – recursos de empréstimo junto ao Banco Mundial para a execução do PROACRE/PROSER.

Moradores das COPs interagindo com o PDC

COP Carlota

O produtor rural Manoel as Silva Lima é enfático quando o assunto é proteger a natureza “Nossa terra é rica e vou dizer uma coisa, nega véia, eu trabalho para viver e garantir o futuro dos meus filhos e netos, e isso só é possível com respeito à natureza”. Leia trechos marcantes do diálogo feito com o ‘Seu Manoel ’ da COP Carlota.

PDC e Extrativismo

“A importância do PDC vai favorecer muito nossa comunidade, pois acredito que vamos ter o manejo dos nossos recursos, como a extração do óleo da copaíba, o patoá, sementes e o açaí”.

Roçado Sustentável

“Gostei da ideia do roçado sustentável, pelos anos que já vivi na produção, sinto-me formado em agricultura, gosto de plantar de tudo um pouco. Nossa terra é rica e vou dizer uma coisa, nega véia, eu trabalho para viver e garantir o futuro dos meus filhos e netos, e isso só é possível com respeito a natureza. Com o roçado sustentável vou trabalhar na calma e vai render muito mais. Só dentro do meu roçado tem mais de dois mil quilos de *cipó espera aí, usado para fazer remédio contra o empachamento, quer dizer, são possibilidades, só não enxerga quem não gosta de respeitar o meio ambiente. Mas tem um problema, é que a gente não sabe movimentar corretamente os recursos que a floresta nos oferece. E vejo que com esse incentivo, minha família vai respeitar mais ainda a natureza”.

*Cipó “espera-aí”, também conhecido como “unha-de-gato” (Uncaria tomentosa), utilizado na indústria de fitoterápicos.

Mudanças climáticas

“Vivemos aqui nessas matas, mas a gente já sente também que o tempo está mais quente. Eu não consigo mais trabalhar como antigamente, pois a produção sofre e a gente sofre também. Antigamente eu conseguia ficar no roçado até meio dia, agora 10:30 já estou voltando para casa por causa da quentura. Eu sei que se eu trabalhar nesse horário vou ficar doente e eu gosto é de viver, ‘nega véia’. É aquela coisa, é muito bonito termos educação e respeito às pessoas e ao meio ambiente. Deus ofereceu tudo de bom, mas nós não estamos cuidando do jeito que é pra ser. Nega véia, eu moro na mata, mas eu sei bem sobre as mudanças que vêm acontecendo no mundo por causa da destruição da natureza” [ produtor rural Manoel as Silva Lima]

COP Foz do Natal

“O PDC é muito bom pra gente, nunca ganhamos essas coisas para melhorar a nossa produção, agora vamos ter mais facilidade para lutar por uma educação melhor para as nossas crianças”, disse a ribeirinha da COP Foz do Natal,  Raimunda Francilina.

José Luiz de Oliveira, na comunidade há 39 anos, desde que nasceu, pretende fazer uso do roçado sustentável. “Eu gostei muito de saber sobre o roçado e quero fazer isso na minha área, já que vai ter assistência técnica. Eu sonho ver a melhoria da nossa comunidade e vejo no PDC uma forma de conseguir”, disse.

COP Novo Horizonte

“Temos a sensação de que estamos isolados e com esse Plano vamos ser vistos com outros olhos. É uma forma de o governo ajudar realmente os mais necessitados. O roçado sustentável também é uma ideia ótima, pois com a técnica vamos valorizar a nossa produção sem precisar agredir a natureza, pois vamos ter uma área para plantar por muito tempo sem desmatar e sem fazer o uso do fogo”, disse o presidente da Associação dos Moradores da COP Novo Horizonte, Márcio Correia.

COP Reforma

“A gente vive numa situação tão difícil, mas agora descobri várias formas de trabalhar. Eu tenho um sonho de aproveitar madeiras que estão estragando para fazer cadeiras e outras coisas. Com esse Plano talvez eu consiga realizar. O roçado sustentável é uma novidade pra gente, já que não podemos desmatar. Vamos tentar essa nova técnica para plantar sem prejudicar a natureza”, disse o ribeirinho Francisco Alencar Vieira, mais conhecido por ‘Seu Bebé’.

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