Visita técnica aos monitores de quelônios

Ícone de relógio set 24, 2012

Cerca de 111 ninhos protegidos, mas ainda falta consciência ecológica para proteção dos quelônios

A visita técnica da SOS Amazônia, em parceria com o ICMBio, Resex Alto Juruá e Asareaj, aos monitores de quelônios do Alto Juruá e do Parque Nacional da Serra do Divisor (PNSD), realizada em agosto de 2012, além de avaliar resultados e orientar sobre o período da eclosão e o período em que os filhotes serão alimentados e mantidos em berçários até a data de soltura, teve como  objetivo a distribuição dos materiais necessários ao monitoramento, tais como baldes, telas, bacias e faixas – os elementos básicos para garantir a proteção dos filhotes até que eles tenham capacidade própria de se defenderem dos predadores.

Resultados alcançados com o monitoramento das praias

Nas praias da Resex Alto Juruá foram contabilizados 39 ninhos, com estimativa de 1.173 ovos.  Enquanto em praias na área sul do PNSD, o número foi um pouco maior, 72 ninhos protegidos, com estimativa para 1.215 ovos. Ao todo, 2.388 ovos.

Confira o número de ninhos protegidos e em processo de incubação na Resex:

Tracajás: 33 ninhos, estimativa de ovos: 825 unidades;

Iaçás: 4 ninhos, estimativa de ovos: 48 unidades;

Tartarugas: 2 ninhos, estimativa de ovos: 300 unidades.

Total: 39 ninhos, total de ovos estimado: 1.173 unidades.

PNSD

Tracajás: 27 ninhos, estimativa de ovos: 675 unidades.

Iaçás: 45 ninhos, estimativa de ovos: 540 unidades.

Total: 72 ninhos, total de ovos estimado: 1.215 unidades.

Ainda falta consciência para proteção dos quelônios

Embora o bom resultado, ainda falta consciência ecológica de alguns moradores, de pescadores, comerciantes e criadores de bovinos em relação aos trabalhos de proteção dos quelônios. Realidade que acaba por desvalorizar o esforço das famílias envolvidas.

Dos 26 monitores, quatro não apresentaram desovas em suas praias, sob a justificativa de que há presença constante de gado nas praias. Mas, segundo informações dos ribeirinhos, um deles vendeu os ovos para um comerciante de Marechal Thaumaturgo. A denúncia foi encaminhada para o ICMBIO em Cruzeiro do Sul, órgão responsável pela RESEX e PNSD.

Pesca Predatória

Outra grande reclamação é a respeito da pesca predatória na região. De acordo com os monitores, os pescadores que acompanham as piracemas de peixes, acampam nas praias, fazem fogueiras em áreas sinalizadas com faixas, e o que é pior, mexem nos nichos protegidos e pescam os filhotes de quelônios.

Quando há reclamações acerca da falta de respeito com o monitoramento, as famílias são ameaçadas pelos invasores, como foi o caso do senhor José  Ripartes  da comunidade Porto Seguro, que tentou impedir que um cidadão, proprietário de um dos postos de gasolina de Marechal Thaumaturgo, pegasse ovos de tracajás em praias monitoradas, mas foi surpreendido com ofensas.

O episódio causou medo à família de seu José a ponto de afirmarem que não vão mais monitorar as praias em 2013.

Há denúncias também contra alguns moradores de Marechal Thaumaturgo, que além de mexerem nos ninhos protegidos, pescam as matrizes e filhotes no lago da Comunidade para fins comerciais, fazendo ameaças a quem pretende denunciar.

De acordo ainda com os relatos da comunidade, além de promoverem a pesca predatória de tracajás, os invasores caçam com cachorros no Parque e praticam a extração ilegal de madeiras para comercializar em Thaumaturgo.

Dona Hilda: um exemplo de luta pela proteção dos quelônios

Dona Hilda, da comunidade Santo Antônio I, desde 2004 é voluntária no projeto “Quelônios do Juruá: Eu Protejo”. Pelo tempo de dedicação à preservação dos quelônios, ela não se conforma em presenciar tanto esforço sendo prejudicado por ações predatórias. Insatisfeita, pediu providências contra as pessoas que não respeitam os trabalhos. “Se não tomarem providências, sinto que a maioria das famílias vai parar o monitoramento na RESEX. Pois é muito difícil a gente trabalhar para proteger quando muitos não respeitam nossos trabalhos”, observa dona Hilda.

Falta de apoio ao projeto

A proteção aos quelônios é feita desde 2004 por meio do projeto “Quelônios do Juruá: Eu protejo!”, da SOS Amazônia (Leia). Atualmente, por falta de apoio financeiro, a continuidade dos trabalhos se dá pela ação voluntária das 26 famílias ribeirinhas  que vivem ao longo do rio Juruá, com assistência técnica da SOS Amazônia e parceria técnica do ICMBio, Resex Alto Juruá e ASAREAJ. As famílias lamentam ter que parar os trabalhos, caso não sejam tomadas as providências contra os invasores. Mas, apesar de todos os obstáculos, consideram que o monitoramento trouxe grandes resultados na última década, pois sem a presença desse projeto realizado pela SOS Amazônia, as espécies já estariam extintas.

Invasão só se for de tracajás e tartarugas

Um exemplo do avanço proporcionado pela iniciativa da S.O.S Amazônia é o reaparecimento de tracajás nas praias do rio Breu, afluente do Juruá. “Eu estou surpreso com a grande quantidade de tracajás nos troncos das árvores no leito do Juruá. Só para se ter uma ideia melhor, o rio Breu, onde há mais de dez anos não acontecia desova, este ano os tracajás já estão subindo as praias para pôr ovos. Apesar dos problemas, há muito que comemorar”, nos conta o ribeirinho Francisco Afonso, da comunidade Helena. Outra grande novidade foi a presença de dois ninhos de tartarugas, fato que, de acordo com os moradores, não acontecia há alguns anos na região.

[As denúncias foram encaminhadas ao ICMBIO e à Resex Alto Juruá, que ficaram de tomar as providências. “Vamos encaminhar a polícia para apurar a situação”, afirma Urbano Lopes, chefe da Resex Alto Juruá.]

[Fotos: acervo SOS Amazônia]

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